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Comentador de Bancada

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Coisas a resolver até ao Mundial

Felizmente que me enganei e que Portugal se qualificou sem engulhos para o Mundial. A Suíça ajudou, apresentando-se como uma equipa muito fraquinha que só não perdeu por bastante mais porque não calhou. Quem os apanhar nos play-off não se deverá preocupar por aí além.

 

Agora que Portugal está apurado, está na hora de começar a preparar o trabalho para uma competição de um mês onde haverá potencialmente 7 jogos (média de um jogo a cada 4 dias). Há certas áreas que Fernando Santos terá que definir depressa.

 

 

Também publicado aqui.

À porta do Mundial?

Andorra-Portugal

Aos 60 minutos do jogo do passado sábado com Andorra dei por mim a pensar que se Portuga não conseguisse vencer esse jogo, não mereceria ir ao Mundial (o empate teria utomaticamente enviado Portugal para o play-off). Nessa altura estávamos já na segunda parte e Fernando Santos tinha enviado a cavalaria na forma de Cristiano Ronaldo. Ao mesmo tempo tinha corrigido um enorme erro: começar o jogo com 3 jogadores que jogam na ala -Bernardo Silva, Gelson Martins e Ricardo Quaresma - decisão que terá sido a principal repsonsável pela exibição quase completamente inofensiva que Portugal teve na primeira parte.

 

Não se trata da qualidade de cada um dos jogadores. Qualquer um deles podia começar o jogo e eu não teria tido objecções a dois deles (embora eu preferisse sempre Quaresma presente para jogar na ala esquerda, onde é mais eficaz que os outros dois). Só que jogar com os 3 e adicionar-lhes dois laterais muito ofensivos era receita para congestionar a ala. Com a preferência de Bernardo Silva e Gelson Martins pela direita e com a maior capacidade de Nelson Semedo em subir e descer pelo flanco, acabámos por ver Portugal a tentar transformar a lateral ofensiva direita nas portagens da ponte 25 de Abril em hora de ponta. A certa altura julgo ter visto estes 3 e Quaresma num espaço de terreno não maior que 4 metros quadrados.

 

A partir deste momento foi fácil a Andorra defender: colocaram-se recuados, encheram a grande área e foram lidando calmamente com os cruzamentos. Com apenas André Silva dentro da grande área era fácil aos 284 defesas centrais andorrenhos marcá-lo. A solução, além da entrada de outro avançado, teria sido o uso de médios centro a entrar na área vindos de trás e a aproveitar cruzamentos atrasados. Neste aspecto teria sido um melhor uso de Nélson Semedo, que vai bem à linha fazer cruzamentos atrasados rasteiros mas está aquém de Cédric Soares na precisão de cruzamentos a partir de posições mais afastadas da área. Não por acaso os dois golos surgiram da adição de corpos na grande área adversária. No primeiro Ronaldo duplicou o número de jogadores a marcar e no segundo a presença de William Carvalho, vindo de trás, deu um alvo ao cruzamento de Ronaldo e permitiu confundir os andorrenhos.

 

No final o essencial foram os 3 pontos, mais que os golos, onde já estamos destacados o suficiente dos suíços para que seja um não-tema. Para este jogo faltará saber que Portugal iremos ver. Os suíços não têm grandes estrelas (Xhaka e Shaqiri são os mais conhecidos) mas têm um bom colectivo e vários jogadores de bom nível e com capacidade de oferecer consistência à equipa (Lichtsteiner, Rodriguez, Schär, Frei, Embolo, Mehmedi...). Têm tirado o máximo proveito de um grupo fraco e têm demonstado eficácia ao vencer até agora todos os seus jogos.

 

Em condições normais Portugal deveria vencer este jogo. O problema é que os portugueses são pouco pacientes e se após 20 minutos Portugal ainda não tiver marcado (ou estiver perto de o fazer) o público poder-se-à virar contra a selecção e fazer começar os assobios, assim aumentado a pressão. Pessoalmente tenho algum receio do que irá suceder se Cristiano Ronaldo não estiver ao seu melhor. Fernando Santos demonstrou ser finalmente capaz de retirar o máximo de Ronaldo (embora isso seja ajudado pela emergência de André Silva, que ofereceu finalmente um parceiro capaz de atrair algumas atenções de defesas), mas também tornou a equipa excessivamente dependente dele (e não vale a pena falar da final do Euro: foi um caso único - literalmente).

 

Titulares na terça feira serão provavelmente Patrício, Pepe, Cédric, Eliseu, William, João Mário, Bernardo, André Silva e Ronaldo. Depois ficará por saber quem será o segundo central e se jogará Quaresma (ou Gelson) ou Danilo (ou André Gomes). Na segunda questão trata-se de definir se Fernando Santos aposta num 4-4-2 com alas invertidos (Bernardo à direita e Quaresma/Gelson à esquerda) ou num falso 4-3-3 com Ronaldo a começar nominalmente no flanco esquerdo mas a ir para onde quer, com outro médio (André Gomes ou João Mário) a descair para a esquerda. Esta segunda parte seria provavelmente mais segura. A Suíça tem uma boa dupla na direita, com Shaqiri e Lichtsteiner a oferecerem qualidade no ataque e defesa, pelo que seria aconselhável fazer Lichtsteiner reduzir as investidas no flanco (com a ameaça de Ronaldo a descair para ali) e oferecer protecção a Eliseu contra Shaqiri (usando um dos médios). Além disso um jogador extra no meio campo ajudaria a combater o meio campo suíço e estabilizar uma zona onde os helvéticos esperarão poder controlar o jogo.

 

Amanhã veremos, mas para já vou para o jogo com expectativas algo em baixa. Ainda não vi nada da selecção que me dê segurança. Espero estar enganado.

A "obscenidade" das transferências no futebol

Neymar Jr. transferiu-se para o Paris St. Germain pelo valor mais alto da história do futebol: 222 milhões de euros. Com este valor vieram os adjectivos: obsceno, pornográfico, ofensivo, etc. Não se trata apenas dos 222 milhões da transferência, mas também dos 30 milhões líquidos por época, os 38 milhões em pagamentos aos agentes envolvidos (incluindo o pai de Neymar). Assumindo uma taxa de 50%, o custo da transferência será de 112 milhões por ano ao longo de 5 anos (assumindo que o salário se mantém constante, o que nunca é certo).

 

A primeira pergunta que se impõe é: conseguirá o PSG pagar tal investimento sem infringir as regras do Fair Play financeiro da UEFA? Esta pergunta é relevante não apenas de um ponto de vista financeiro mas também moral: se o clube consegue pagar os custos, como dizer que é imoral?

 

 

Também aqui.

Portugal na Taça das Confederações

No ano passado coloquei a questão: deve Portugal jogar para a vitória na Taça das Confederações ou simplesmente rodar jogadores e fazer cumprir calendário? A pergunta não era ociosa. Como se vê agora com a Alemanha, Joachim Löw decidiu-se pela segunda opção, fazendo alinhar jovens e alguns jogadores mais experientes que poderão não ter ainda a presença no mundial do próximo ano garantida a 100%. Fernando Santos, como sabemos, optou pela primeira opção: levar a equipa mais forte e tentar vencer a competição.

 

É uma opção lógica, tal como a alternativa o seria. Para uma equipa como a Alemanha, capaz de fazer alinhar uma segunda linha de jogadores e ainda ser candidata ao título, fazer descansar alguns jogadores seria sensível. Portugal, contudo, tem uma base de talento mais reduzida. Uma opção por descansar os jogadores mais experientes ou com mais jogos nas pernas acarretaria inevitavelmente maus resultados desportivos. Era uma opção de tudo ou nada.

 

 

 

Previsão da final: Juventus - Real Madrid

A final de amanhã da Liga dos Campeões promete ser das mais interessantes dos último anos. Será preciso recuar a 2008/09 para encontrar uma final onde as duas equipas mais fortes da competição se terão encontrado (Barcelona, que venceu 2-0 o Manchester United) como neste ano.

 

O Real Madrid vem de um ano onde Zidane surpreendeu (quase) toda a gente como treinador. Se havia muitos que duvidavam do seu sucesso na Liga dos Campeões do ano passado, este ano conseguiu vencer a liga e regressar à final, sendo a primeira equipa desde o Manchester United em 2008/09 a ter a possibilidade de defender um título e assim quebrar a maldição da competição (desde que terminou o formato da antiga Taça dos Campeões com a época de 1991/92) de nenhuma equipa conseguir reter o título (a última equipa que o conseguiu foi o AC Milan em 1988-90). Aquilo que Zidane trouxe ao Real Madrid mede-se menos em termos de inovações ou brilhantismos tácticos e mais na forma como gere a equipa (mais abaixo). Nada de espectacular na forma, mas silenciosamente eficiente levando a resultados fantásticos (um pouco como o jogador Zidane).

 

A Juventus conseguiu incrivelmente evoluir para lá da equipa que tinha perdido a final com o Barcelona há dois anos, mantendo apenas Buffon e Bonnucci nos dois 11 iniciais (entre o de então e o mais provável de amanhã). Chiellini, Barzagli, Lichtsteiner, Marchisio e Sturaro ainda fazem parte do plantel da Juventus, mas ou não iniciaram o jogo em 2015 ou não o iniciarão amanhã. No entanto, e apesar da perda de Prilo, Vidal, Pogba, Morata, Tevez ou Evra, a Juventus está indubitavelmente mais forte, ainda mais equilibrada e flexível que há dois anos. Este ano conseguiu sofrer apenas 3 golos em toda a competição e apenas um na fase de grupos, contra o Mónaco na segunda mão de uma eliminatória que estava já quase decidida. É uma equipa que parece estar confirtável a defender e a atacar e tem múltiplas formas de atacar colectivamente os seus oponentes e oferece um equilíbrio único.

 

 

Irá o VAR reduzir a qualidade da arbitragem?

Na sequência do meu post anterior sobre a introdução do vídeo-árbitro, fica uma outra reflexão baseada num exercício de imaginação de situações. Escolhi 3 casos genéricos para os quais uma matriz de análise oferece 4 cenários para cada caso: a infracção existe ou não, e o árbitro assinala ou não a potencial infracção. Caso a caso:

a) um caso de potencial penalty

  1) O penalty existe e o árbitro assinala: nada sucede. Decisão acertada e ninguém contesta.

  2) O penalty existe e o árbitro não assinala: o vídeo-árbitro revê e assinala o penalty. Não há contestação.

 3) O penalty não existe e o árbitro assinala: o vídeo-árbitro cancela a decisão mas a equipa que defendia contesta porque a decisão do árbitro elimina a possibilidade de um contra-ataque.

  4) O penalty não existe e o árbitro não assinala: Decisão acertada e ninguém contesta.

b) um caso de potencial fora de jogo

  1) O fora de jogo existe e o árbitro assinala: nada sucede. Decisão acertada e ninguém contesta.

  2) O fora de jogo existe e o árbitro não assinala: o vídeo-árbitro revê e assinala o fora de jogo. Não há contestação.

  3) O fora de jogo não existe e o árbitro assinala: o vídeo-árbitro cancela a decisão mas a equipa que atacava contesta porque a decisão do árbitro elimina a possibilidade de uma oportunidade de golo.

  4) O fora de jogo não existe e o árbitro não assinala: Decisão acertada e ninguém contesta.

c) um caso de potencial falta (possivelmente grave)

  1) A falta existe e o árbitro assinala: nada sucede. Decisão acertada e ninguém contesta.

  2) A falta existe e o árbitro não assinala: o vídeo-árbitro revê e assinala a falta. Não há contestação.

  3) A falta não existe e o árbitro assinala: o vídeo-árbitro cancela a decisão mas a equipa que atacava contesta porque a decisão do árbitro elimina a possibilidade de um ataque.

  4) A falta não existe e o árbitro não assinala: Decisão acertada e ninguém contesta.

  5) Caso adicional: o vídeo-árbitro decide que uma falta merece cartão amarelo ou vermelho ou rescinde a decisão do árbitro de o mostrar.

 

A linha comum a estes casos é que se o árbitro assinalar erradamente uma infracção, será contestado. Em caso de não assinalar infracções (ou não mostrar cartões) o peso da decisão recai no vídeo-árbitro e o árbitro de campo não é contestado. Se os árbitros de qualidade irão sempre procurar tomar a melhor decisão possível, os restantes poderão refugiar-se na opção de assinalar apenas as infracções mais óbvias, que resistam facilmente à revisão do vídeo-árbitro. Neste caso o ritmo de jogo será afectado por constantes pedidos de revisão de casos.

 

Poderei estar errado, claro está, mas é perfeitamente possível que de facto os árbitros joguem pelo seguro para evitar a contestação no momento, defendendo-se com a explicação de não conseguirem ver. A ver vamos o que acontece ao longo do ano.

 

PS - a minha análise acima parte obviamente do princípio que se o vídeo-árbitro toma uma decisão, essa não será contestada. Isto obviamente não sucederá sempre, mas tinha que limitar os meus casos.

Analisando a influência de Jesus no Sporting

Gabrielle Marcotti, cujos textos gosto imenso de ler, costuma escrever sobre o tema de mudar de treinadores que se deveria sempre tomar uma decisão com base num critério: a equipa evoluiu? Trago isto à baila a propósito de Jorge Jesus e a contestação de que é alvo no Sporting.

 

Quando foi contratado, Jesus constituiu um verdadeiro golpe de génio. Vindo do rival, com quem tinha vencido os dois campeonatos anteriores, e confessando-se sportinguista, Jesus era um tónico para os adeptos leoninos. Não era barato, mas também isso demonstrava a recém-reconquistada capacidade financeira do clube. É um treinador que gosta de futebol de ataque, valoriza jogadores e vinha com experiência de vitória e de jogar na Liga dos Campeões. Para dizer a verdade, era difícil encontrar um candidato melhor.

 

 

Colocar os carros à frente dos bois

A partir da próxima época a Liga Portuguesa passará a ter o sistema VAR, Video Assistant Referee. Sempre me senti algo dividido em relação a isto, em parte porque é preciso limitar a acção do árbitro assistente (não pode estar a rever toda e qualquer decisão ou não-decisão do árbitro) e em parte porque só é possível em ligas com capacidade financeira para tal (fala-se num investimento de 1 milhão de euros).

 

Infelizmente há muita gente que vê isto como um remédio para todas as supostas más decisões dos árbitros. Falou.se muito do caso piloto testado durante o mais recente França-Espanha, mas esse envolveu apenas jogadas que deram golo. Houve portanto uma pausa no jogo (devido ao golo) que permitiu ao árbitro receber a informação do VAR e corrigir a decisão. Que fazer numa jogada de suposto penalty ou cartão vermelho, quando uma equipa pára para o exigir? Pegando numa situação como a do Benfica-Sporting e nos casos de potencial penalty, o que sucederia? O árbitro pararia o jogo? E se a outra equipa aproveitasse a distracção dos aversários (ocupados a pedir a revisão do lance) para contra-atacar? Pararíamos o jogo?

 

Há obviamente soluções. Basta dizer que qualquer situação duvidosa será revista imediatamente mas o árbitro informado da decisão apenas quando o jogo páre. Aceitarão isso os jogadores? E se a decisão continuar a ser duvidosa (como no caso desses potenciais penalties)?

 

O importante nesta questão é que se entenda que, antes de qualquer implementação de um VAR, deveria ser operada uma mudança de mentalidade na Liga. Os jogadores deveriam ver mais facilmente cartões amarelos e vermelhos por protestos. Os árbitros deveriam ser mais protegidos, tanto no campo como antes e depois dos jogos (com castigos a treinadores e dirigentes por declarações que coloquem pressão sobre os árbitros).

 

Fala-se muito do rugby como exemplo, mas ali há um enorme respeito pelo árbitro e os jogadores sabem que têm que acatar as decisões sem reclamação. Será que um árbitro gay teria sido tão bem aceite como Nigel Owens? No próximo ano veremos queixas que os árbitros atrás dos ecrãs estão comprados, as imagens foram escolhidas a dedo e sei lá que mais. Usar o sistem VAR antes de limpar as atitudes no futebol não passa de tapar o sol com uma peneira e colocar os carros à frente dos bois.

O clima tóxico do debate futebolístico

Ao ler os comentários desportivos, entre jornais e blogues, descubro que é dominado por um facciosismo clubístico ou sectário (quando intra-clube) que de tão barulhento não deixa espaço para quase nada mais. É um facciosismo que se repete mas bastante amplificado quando passa para as televisões, onde não existem debates, apenas gritos de claques engravatadas. Se eu passar os olhos pelo meu feed do Facebook descubro as mesmas tendências, com posts dedicados a alfinetadas (quando escritos por pessoas educadas), ataques declarados (quando o autor de vê como assertivo) ou mesmo insultos grosseiros.

 

Não é nada de novo. Quem se sentasse à mesa de um café há cerca de 20 anos já o poderia sentir. As conversas eram fortemente tingidas pelas cores clubísticas e envolviam habitualmente um certo nível de oposição aos outros clubes. Isto era normal e saudável, sendo que raramente as discussões atingiam níveis violentos, mesmo que apenas oralmente. Ainda assim os jornais e televsões mantinham posições mais ponderadas, mesmo quando orientados para um clube.

 

 

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