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Comentador de Bancada

Comentador de Bancada

Irá o VAR reduzir a qualidade da arbitragem?

Na sequência do meu post anterior sobre a introdução do vídeo-árbitro, fica uma outra reflexão baseada num exercício de imaginação de situações. Escolhi 3 casos genéricos para os quais uma matriz de análise oferece 4 cenários para cada caso: a infracção existe ou não, e o árbitro assinala ou não a potencial infracção. Caso a caso:

a) um caso de potencial penalty

  1) O penalty existe e o árbitro assinala: nada sucede. Decisão acertada e ninguém contesta.

  2) O penalty existe e o árbitro não assinala: o vídeo-árbitro revê e assinala o penalty. Não há contestação.

 3) O penalty não existe e o árbitro assinala: o vídeo-árbitro cancela a decisão mas a equipa que defendia contesta porque a decisão do árbitro elimina a possibilidade de um contra-ataque.

  4) O penalty não existe e o árbitro não assinala: Decisão acertada e ninguém contesta.

b) um caso de potencial fora de jogo

  1) O fora de jogo existe e o árbitro assinala: nada sucede. Decisão acertada e ninguém contesta.

  2) O fora de jogo existe e o árbitro não assinala: o vídeo-árbitro revê e assinala o fora de jogo. Não há contestação.

  3) O fora de jogo não existe e o árbitro assinala: o vídeo-árbitro cancela a decisão mas a equipa que atacava contesta porque a decisão do árbitro elimina a possibilidade de uma oportunidade de golo.

  4) O fora de jogo não existe e o árbitro não assinala: Decisão acertada e ninguém contesta.

c) um caso de potencial falta (possivelmente grave)

  1) A falta existe e o árbitro assinala: nada sucede. Decisão acertada e ninguém contesta.

  2) A falta existe e o árbitro não assinala: o vídeo-árbitro revê e assinala a falta. Não há contestação.

  3) A falta não existe e o árbitro assinala: o vídeo-árbitro cancela a decisão mas a equipa que atacava contesta porque a decisão do árbitro elimina a possibilidade de um ataque.

  4) A falta não existe e o árbitro não assinala: Decisão acertada e ninguém contesta.

  5) Caso adicional: o vídeo-árbitro decide que uma falta merece cartão amarelo ou vermelho ou rescinde a decisão do árbitro de o mostrar.

 

A linha comum a estes casos é que se o árbitro assinalar erradamente uma infracção, será contestado. Em caso de não assinalar infracções (ou não mostrar cartões) o peso da decisão recai no vídeo-árbitro e o árbitro de campo não é contestado. Se os árbitros de qualidade irão sempre procurar tomar a melhor decisão possível, os restantes poderão refugiar-se na opção de assinalar apenas as infracções mais óbvias, que resistam facilmente à revisão do vídeo-árbitro. Neste caso o ritmo de jogo será afectado por constantes pedidos de revisão de casos.

 

Poderei estar errado, claro está, mas é perfeitamente possível que de facto os árbitros joguem pelo seguro para evitar a contestação no momento, defendendo-se com a explicação de não conseguirem ver. A ver vamos o que acontece ao longo do ano.

 

PS - a minha análise acima parte obviamente do princípio que se o vídeo-árbitro toma uma decisão, essa não será contestada. Isto obviamente não sucederá sempre, mas tinha que limitar os meus casos.

Analisando a influência de Jesus no Sporting

Gabrielle Marcotti, cujos textos gosto imenso de ler, costuma escrever sobre o tema de mudar de treinadores que se deveria sempre tomar uma decisão com base num critério: a equipa evoluiu? Trago isto à baila a propósito de Jorge Jesus e a contestação de que é alvo no Sporting.

 

Quando foi contratado, Jesus constituiu um verdadeiro golpe de génio. Vindo do rival, com quem tinha vencido os dois campeonatos anteriores, e confessando-se sportinguista, Jesus era um tónico para os adeptos leoninos. Não era barato, mas também isso demonstrava a recém-reconquistada capacidade financeira do clube. É um treinador que gosta de futebol de ataque, valoriza jogadores e vinha com experiência de vitória e de jogar na Liga dos Campeões. Para dizer a verdade, era difícil encontrar um candidato melhor.

 

 

Colocar os carros à frente dos bois

A partir da próxima época a Liga Portuguesa passará a ter o sistema VAR, Video Assistant Referee. Sempre me senti algo dividido em relação a isto, em parte porque é preciso limitar a acção do árbitro assistente (não pode estar a rever toda e qualquer decisão ou não-decisão do árbitro) e em parte porque só é possível em ligas com capacidade financeira para tal (fala-se num investimento de 1 milhão de euros).

 

Infelizmente há muita gente que vê isto como um remédio para todas as supostas más decisões dos árbitros. Falou.se muito do caso piloto testado durante o mais recente França-Espanha, mas esse envolveu apenas jogadas que deram golo. Houve portanto uma pausa no jogo (devido ao golo) que permitiu ao árbitro receber a informação do VAR e corrigir a decisão. Que fazer numa jogada de suposto penalty ou cartão vermelho, quando uma equipa pára para o exigir? Pegando numa situação como a do Benfica-Sporting e nos casos de potencial penalty, o que sucederia? O árbitro pararia o jogo? E se a outra equipa aproveitasse a distracção dos aversários (ocupados a pedir a revisão do lance) para contra-atacar? Pararíamos o jogo?

 

Há obviamente soluções. Basta dizer que qualquer situação duvidosa será revista imediatamente mas o árbitro informado da decisão apenas quando o jogo páre. Aceitarão isso os jogadores? E se a decisão continuar a ser duvidosa (como no caso desses potenciais penalties)?

 

O importante nesta questão é que se entenda que, antes de qualquer implementação de um VAR, deveria ser operada uma mudança de mentalidade na Liga. Os jogadores deveriam ver mais facilmente cartões amarelos e vermelhos por protestos. Os árbitros deveriam ser mais protegidos, tanto no campo como antes e depois dos jogos (com castigos a treinadores e dirigentes por declarações que coloquem pressão sobre os árbitros).

 

Fala-se muito do rugby como exemplo, mas ali há um enorme respeito pelo árbitro e os jogadores sabem que têm que acatar as decisões sem reclamação. Será que um árbitro gay teria sido tão bem aceite como Nigel Owens? No próximo ano veremos queixas que os árbitros atrás dos ecrãs estão comprados, as imagens foram escolhidas a dedo e sei lá que mais. Usar o sistem VAR antes de limpar as atitudes no futebol não passa de tapar o sol com uma peneira e colocar os carros à frente dos bois.

O clima tóxico do debate futebolístico

Ao ler os comentários desportivos, entre jornais e blogues, descubro que é dominado por um facciosismo clubístico ou sectário (quando intra-clube) que de tão barulhento não deixa espaço para quase nada mais. É um facciosismo que se repete mas bastante amplificado quando passa para as televisões, onde não existem debates, apenas gritos de claques engravatadas. Se eu passar os olhos pelo meu feed do Facebook descubro as mesmas tendências, com posts dedicados a alfinetadas (quando escritos por pessoas educadas), ataques declarados (quando o autor de vê como assertivo) ou mesmo insultos grosseiros.

 

Não é nada de novo. Quem se sentasse à mesa de um café há cerca de 20 anos já o poderia sentir. As conversas eram fortemente tingidas pelas cores clubísticas e envolviam habitualmente um certo nível de oposição aos outros clubes. Isto era normal e saudável, sendo que raramente as discussões atingiam níveis violentos, mesmo que apenas oralmente. Ainda assim os jornais e televsões mantinham posições mais ponderadas, mesmo quando orientados para um clube.

 

 

Também aqui.

Sem sucessores para o trono

Foi há dez anos que um jogador não chamado Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi venceu pela última vez a Bola de Ouro (na versão só da France Football ou associada à FIFA). Estávamos em 2007 e Kaká tinha acabado de guiar o AC Milan à vitória na Liga dos Campeões. Abaixo dele ficaram nesse ano Ronaldo e Messi. Depois disso, um deles venceu o troféu e apenas em 2010 o outro não ficou no segundo lugar (quando Messi venceu o troféu e Xavi e Iniesta, acabados de levar a Espanha ao título mundial, ficaram no pódio).

 

Este domínio é completamente sem precedentes e será difícil que se repita. Sem precedentes porque raramente dois jogadores estiveram tão acima dos seus contemporâneos e mrcaram o jogo de forma tão brutal. Também porque nos períodos em que houve situações semelhantes (nos anos 50 com Puskas e Di Stefano, nos anos 70 com Cruijff e Beckenbauer, por exemplo), ne o domínio era tão intenso nem havia uma exposição mediática tão extensa e tão focada nos momentos de brilhantismo destes jogadores. Efectivamente, tão importante como os seus talentos e desejo de vencer é o apouio mediático que os jogadores recebem dos seus clubes e do seu staff, cientes que estão da mina de ouro que possuem.

 

 

Um colapso histórico

Ontem o Barcelona e o Paris St. Germain fizeram história no futebol europeu. Não só o Barcelona conseguiu virar a desvantagem de 0-4 que trazia do primeiro jogo como o PSG conseguiu que o Barcelona o fizesse. Os dois aspectos estão interligados e, por muito mérito que o Barcelona tenha tido (e teve-o), o que se passou é devido igualmente aos franceses (e ao árbitro, mas a isso regresso mais abaixo).

 

Tacticamente

O Barcelona apresentou-se com a atitude que tinha que apresentar: muito atacante, decidido a fazer tudo o possível por vencer, sabendo que o jogo poderia ser decidido depois dos 90 minutos (como Luis Enrique e Luis Suarez fizeram questão de dizer antes do jogo). A táctica andava no 3-5-2, com Rafinha e Neymar a laterais-alas, Mascherano, Piqué e Umtiti na defesa, Busquets, Iniesta e Rakitić no meio campo e Messi atrás de Suarez no ataque. Na realidade o Barcelona chegou a apresentar um desenho táctico de 0-3-3-4, com Rafinha e Neymar a jogar extremamente avançados e os três centrais à frente da linha do meio campo. Era um desenho altamente arriscado, mas o Barcelona não tinha opções. Se começasse a correr mal, poderia sempre reverter para uma opção mais conservadora e aceitar a eliminação. Antes disso, porém, havia que acreditar.

 

 

A força da técnica e a técnica da força

Graças à indicação de um leitor no Delito de Opinião cheguei a este artigo. O título agarra de imediato a atenção e "pede" para ser contestado. Como se pode falar em "matar o futebol" quando vivemos hoje um dos períodos mais espectaculares de que há memória? Lendo o artigo chegamos à conclusão de que se fala essencialmente na dicotomia entre a prevalência da técnica (e talvez táctica) e do físico. Ou, nas palavras imortais de Gabriel Alves: «a força da técnica contra a técnica da força».

 

O artigo referencia de imediato o mundial de 1994 como o marco que anuncia a mudança de perspectivas. É como se pré-1994 o futebol vivesse numa era em que qualquer gordinho, baixote e sem resistência poderia ser um campeão e a seguir fosse necessário ser-se essencialmente um ciborgue para poder sequer sobreviver no mundo do futebol profissional. O ponto de partida da discussão é uma palestra de Junama Lillo, o guru de Guardiola, pelo menos do ponto de vista ideológico. A sua opinião é que, além de ter imposto uma ditadura do físico que só hoje começa a ser quebrada, o treino do futebol impôs uma obsessão do colectivo e da organização em detrimento da técnica e criatividade. Esta opinião parece ser corroborada por diversos outros comentadores ao longo do texto.

 

Infelizmente este texto - não posso falar da opinião dos comentadores fora aquilo que foi citado - não apresenta a perspectiva histórica da evolução do futebol. Ao longo de toda a história sempre existiu esse equilíbrio entre técnica e físico, entre organizaçáo e liberdade, entre táctica e criatividade. A dicotomia não é binária, é antes gradual entre os dois extremos e as melhores equipas ao longo da história sempre souberam equilibrar as duas vertentes.

 

 

Equipas de sonho - Sporting 1993/95

A época de 1993/94 foi das mais interessantes dos anos 90 em Portugal. Do meu ponto de vista de adepto do Benfica, foi uma época de sonho, com uma equipa fabulosa, e com uma vitória histórica sobre o Sporting em Alvalade, não só pelo resultado mas pelo simbolismo e emoção do mesmo.

 

Não é no entanto por esse lado que entro. Apesar de serem os eternos rivais, gosto de pensar nessa equipa do Sporting. Sousa Cintra tinha conseguido um golpe de génio sobre o Benfica, com a contratação de Paulo Sousa e António Pacheco. Esteve perto também de levar João Pinto, o que se não daria necessariamente o título ao Sporting, quase certamente o teria retirado ao Benfica. Houve (e haverá ainda) muita controvérsia sobre a legitimidade ou falta dela dessas transferências, mas fiquemo-nos pelo essencial: o Sporting capturou dois belos jogadores, especial e indubitavelmente, Paulo Sousa.

 

Só que se Sousa era um jogador único (no prazo de três épocas ganhou dois títulos europeus), veio simplesmente juntar-se a um plantel de sonho. Onde o plantel do Benfica era incompleto e desequilibrado, sem pontas de lança dignos desse nome e uma defesa misturando excessiva veterania e juventude, o Sporting tinha uma equipa bastante completa. A defesa tinha jogadores pouco espectaculares mas fundamentalmente sólidos. O meio campo equilibrava inteligência, fantasia e garra. O ataque tinha largura nas alas, era incisivo com os pontas de lança e tinha variedade. Era um plantel altamente complementar e que permitia diversas abordagens e ao mesmo tempo conseguia ser espectacular quando tudo engrenava. Olhar sector a sector ajuda.

 

 

Meninos d'Ouro

Agora que Renato Sanches venceu o prémio de "Golden Boy" atribuído ao mais promissor jogador jovem a jogar na Europa, convém manter os pés na terra em relação ao assunto. Nem isto significa que é já uma estrela nem que vai ser um dos melhores do mundo. Significa tão só que é um dos jogadores num estágio de desnvolvimento mais avançado e que beneficiou da exposição que o título europeu lhe deu. Tivesse Portugal perdido o jogo com a Hungria (e esteve perto), o título poderia ter acabado nas mãos de Coman.

 

Quando falo no estágio de desnvolvimento, convém pensar em termos de potencial. Um jogador pode ter um potencial de chegar a qualquer ponto da escala 0 a 100 (com 100 sendo talvez Messi com o corpo de Ronaldo), mas nunca lá chegar (depende de se conseguir desenvolver, não ter lesões graves, etc). Da mesma forma, o estágio de desenvolvimento dos jogadores não só varia com a idade mas varia entre jogadores da mesma idade. Messi e Ronaldo são outra vez bons exemplos. Os seus potenciais seriam semelhantes e os valores reais que atingiram também. Mas é indubitável que Messi aos 20 anos estava mais avançado no seu desenvolvimento que Ronaldo.

 

Assim sendo, Renato Sanches pode ter vencido este troféu porque está hoje num estágio de desenvolvimento superior. Ninguém garante que Dembelé não será um jogador consideravelmente melhor dentro de 5-10 anos. Também convém recordar que ter vencido o Campeonato da Europa ajudou, uma vez que Sanches não seria melhor nem pior sem o troféu mas provavelmente as suas hipóteses de vencer o prémio seriam piores.

 

A lista dos anteriores vencedores também oferece uma perspectiva (ver abaixo). Se há nomes de jogadores que estão hoje indubitavelmente entre os melhores do mundo (Messi, Aguero, Pogba) também há outros que não chegaram ao nível mais elevado por uma razão ou outra (van der Vaart, Anderson, Pato), que dão o sabor de não terem chegado ao valor previsto (Rooney, Fabregas) e alguns outros sobre cujas carreiras ainda paira um ponto de interrogação (Goetze, Balotelli). Veremos onde chegará Sanches.

 

Anteriores vencedores:

2003 - Rafael van der Vaart (Ajax)

2004 - Wayne Rooney (Man Utd)

2005 - Lionel Messi (Barcelona) 

2006 - Cesc Fabregas (Arsenal)

2007 - Sergio Aguero (Atletico Madrid) 

2008 - Anderson (Man Utd)

2000 - Alexandre Pato (AC Milan)

2010 - Mario Balotelli (Man City)

2011 - Mario Gotze (Borussia Dortmund)

2012 - Isco (Malaga)

2013 - Paul Pogba (Juventus)

2014 - Raheem Sterling (Liverpool)

2015 -  Anthony Martial (Man Utd)

 

Uma última note: os adeptos do Benfica exultarão com esta vitória. Têm razões para celebrar o sucesso imediato de um talento saído da sua Academia. Isso não deve no entanto deixar que se deixem levar. Lembremos o pathos grego.

Transferências, agentes e mercado do futebol

E chegados a 1 de Setembro, os adeptos fazem as contas aos negócios dos seus clubes e proclamam vitória. Comentar que o exercício é tão subjectivo como fútil é uma perda de tempo. Faz parte da natureza dos adeptos a celebração de um sucesso, real, imaginário ou apenas potencialmente futuro. Na ausência (ou escassez) de jogos a sério, os aeptos sentam-se nas bancadas dos cafés, levantam alegremente os jornais à laia de chachecóis e anunciam que nunca na sua vida esperariam que o seu clube fizesse negócios tão bons, os quais eclipsam qualquer movimentação dos rivais. Após os primeiros adeptos esvaziarem o balão de gás, começam então os mais cínicos a lamentar que o clube não tivesse conseguido obter aquele lateral-esquerdo tão desejado ou conseguido livrar-se daquela suposta estrela que apenas fez as delícias dos restaurantes da cidade.

 

Aquilo que os adeptos normalmente não vêem é a perspectiva financeira dos negócios. Apesar de se olhar para os negócios de transferências numa perspectiva mercantilistas de vendas menos compras, os clubes em geral olham para eles numa perspectiva contabilística, chata mas com mais garantias. Não posso dizer que os clubes portugueses sigam necessariamente a prática da maioria dos clubes europeus, mas uma vez que é precisamente esta lógica contabilística que a UEFA utiliza nas suas análises de fair-play financeiro, é de esperar que pelo menos os clubes com presença nas provas europeias ou aspirações às mesmas sigam as suas regras.

 

 

 

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