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Comentador de Bancada

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Análise: Portugal - Croácia

Antes de mais: esta é uma semi-análise dado que não consegui ver a primeira parte. Da mesma forma não fiz qualquer análise do Portugal - Hungria onde só vi os últimos minutos.

 

Quero começar com uma confissão: quando a Croácia beneficiou de um pontapé de canto perto do fim dos 90 minutos, dei por mima  pensar: «marquem pel'amor de tudo o que vos é sagrado». E não era necessariamente um pensamento dirigido a um eventual contra-ataque português.

 

O jogo será definitivamente arquivado com a etiqueta "jogo muito táctico" mas deveria levar coma bolinha vermelha de "aconselhável apenas a pessoas com insónias". Analisar a táctica é simples e complicado. Simples porque pouco houve a analisar. Complicado porque é difícil explicar táctica quando as duas equipas se anularam.

 

 

 

Um problema chamado Ronaldo

Como resolver um problema como Cristiano Ronaldo? Ou melhor, como resolver todos os problemas que ter Cristiano Ronaldo traz? Muitos seleccionadores gostariam de ter esses problemas, dir-se-à, mas não me admiraria que alguns (Conte, por exemplo) estejam contentes de não ter um jogador semelhante. As expectativas sobem astronomicamente, torna-se necessário jogar em função de Ronaldo e, se não estiver ao seu melhor, a equipa parece não saber o que fazer. A isto acrescem os problemas do próprio jogador.

 

 

 

Análise: Portugal - Áustria

Mais um jogo, mais uma oportunidade perdida de vencer. Portugal jogou melhor que contra a Islândia (parcialmente porque os austríacos jogaram mais abertos) e criou suficientes oportunidades, mas continuou a não conseguir concretizar. Cristiano Ronaldo perdeu diversas oportunidades mas, mais que aquelas que falhou, notou-se que não está ao seu melhor do ponto de vista físico. As mudanças de jogadores tiveram alguns pontos positivos mas talvez pudessem ter sido outras. Portugal acaba por ficar quase obrigado a vencer contra a Hungria (líder do grupo) para poder garantir o apuramento.

 

 

 

Análise: Portugal - Islândia

O jogo de ontem fez-me lembrar frequentemente o único outro que vi até agora de princípio ao fim: o Bélgica-Itália.

 

Uma selecção apresentou-se como equipa, com o seu melhor jogador a não ser mais que uma peça extra e apenas mais um homem no sistema. A outra apresentou-se como uma colecção de indivíduos em que um deles é visto como superior aos outros. A diferença em relação ao outro jogo é que as peças individuais do onze que se apresentou como equipa não têm a mesma qualidade. Por isso o jogo terminou com um empate em vez de uma vitória da equipa em vez da colecção de indivíduos.

 

 

 

Euranálises – Portugal (pré-análise)

Depois do apuramento ter começado mal, Fernando Santos chegou e estabilizou o barco com um futebol baseado em segurança defensiva e em apostar que os jogadores atacantes, especialmente Ronaldo, resolvessem os jogos. Foi o que sucedeu. Uma sequência de vitórias por um único golo foi sendo suficiente e a qualificação acabou por chegar.

 

Uma das minhas críticas iniciais a Fernando Santos foi a sua insistência em jogadores mais veteranos. Sou da opinião que Portugal está a viver um período de transição entre gerações e que uma das funções do seleccionador é introduzir os jogadores mais novos e preparar as próximas equipas. Para dizer a verdade, FS foi introduzindo jogadores aos poucos e reduzindo a sua dependência dos mais velhos. O meio-campo português no Europeu terá uma média de idades abaixo dos 24 anos e inclui vários jogadores que explodiram nos últimos dois anos. Por outro lado, a defesa terá uma média de idades acima dos 30 anos de idade e onde faltam jogadores promissores. O ataque também é mais virado para a experiência, com Rafa Silva a ser o único jogador abaixo dos 28 anos de idade, embora Éder não seja o mais experiente e seja convocado com base num bom final de época no Lille e na vontade de Fernando Santos em levar pelo menos um ponta de lança de raiz.

 

O sistema de jogo de Portugal estrá orientado em três vertentes:

  • maximizar a segurança defensiva, sem procurar aventuras;
  • aproveitar os actuais pontos fortes de Portugal: médios centro (ao contrário das alas do passado);
  • tentar envolver Cristiano Ronaldo o mais possível e dar-lhe a possibilidade de fazer a diferença.

 

 

Euranálises – Grupo F

Portugal –Áustria – Hungria – Islândia

 

Nota: uma análise mais completa a Portugal aparecerá num post à parte.

 

Neste grupo, novamente, haverá duas equipas acima das restantes, embora nenhuma possa ser considerada uma imediata candidata à vitória. Portugal e Áustria são equipas com bons jogadores, alguns pontos fracos e uma super-estrela (Ronaldo para Portugal e Alaba para a Áustria). A Hungria superou-se para chegar ao torneio e tem vindo a surpreender com os seus resultados. Já a Islândia é a cinderela do torneio: o país mais pequeno a alguma vez chegar a esta fase (população de apenas 330 mil habitantes) e fê-lo num grupo que incluía a Holanda, República Checa e Turquia.

 

À partida, Portugal e Áustria deverão lutar pelos dois primeiros lugares, sendo que muito dependerá de Portugal conseguir ter Ronaldo a jogar ao seu melhor nível. A Áustria tem demonstrado estar muito bem afinada, com Alaba, que joga a médio, lateral esquerdo e central pelo Bayern de Munique, a alinhar como médio atacante pela Áustria. Alaba é hoje dos melhores jogadores do mundo, tanto pela sua polivalência como pela capacidade de ser excepcional em todas as posições que ocupa. É perigoso tãnto pelo que joga como pelo que oferece também nos seus remates de longe. Além disso oferece uma plataforma à equipa para jogar melhor, fazendo o conjunto superar as suas limitações. Não que sejam muitas. A defesa tem bons jogadores em Prödl, Fuchs, Dragović e Wimmer. O meio campo não tem tantos jogadores de qualidade mas é sólido e bem liderado por Alaba e oferece a Marc Janko e Arnautović a possibilidade de fazerem a diferença com golos e criatividade, respectivamente. A equipa é pouco conhecida mas será um osso muito duro de roer para qualquer adversário.

 

Da Hungria conhece-se relativamente pouco. Dzsudzsák é o capitão e a estrela da companhia. Um extremo muito rápido e criativo que apenas tem o problema de ter pouco acompanhamento. No ataque o seleccionador (alemão) Storck tem jogadores como Szalai ou Nikolić, sólidos e capazes de marcar golos, mas sem serem grandes estrelas. Adam Nágy oferece promessa e Király a veterania. Tentarão ser sólidos e lançar ataques controlados para encontrar o golo. Dificilmente escaparão ao último lugar no grupo, mas se conseguirem evitar sofrer golos na primeira hora dos jogos, poderão ganhar coragem para mais.

 

A Islândia irá certamente apresentar o estilo tradicional de Lars Lagerbäck: equipas sólidas, organizadas em desenhos tácticos de 4-4-2 ou semelhantes e procurando criar bases sólidas que permitam aos melhores jogadores fazer a diferença. Neste caso a responsabilidade recairá sobre os ombros de Sigurðsson e Finnbogason, com Guðjohnsen a fazer a figura do veterano e lenda que mantém o espírito de equipa e entra para estabilizar o barco quando necessário. A maior parte dos jogadores joga em ligas escandinavas, mas há alguns jogadores com experiência de equipas médias em Itália, Inglaterra ou Alemanha. Não deslumbrarão, mas poderão provavelmente aspirar a uma vitória contra a Hungria e talvez um ou outro ponto contra Portugal ou Áustria. Dessa forma poderão certamente ter esperanças de sair da fase de grupos com um apuramento, o qual seria o equivalente a uma vitória na competição para portugueses ou austríacos.

Euranálises – Grupo E

Bélgica –Itália – Irlanda – Suécia

 

Nota: escrito já depois da primeira jornada neste grupo.

 

Este é o grupo onde duas equipas aparecem claramente acima das outras duas e poderão ser ambas candidatas ao título. A Irlanda é a equipa que “está feliz por participar” embora traga sempre imensa coragem e vontade e a Suécia é uma equipa completamente dependente de Zlatan Ibrahimović para atingir os seus objectivos e estes estarão dependentes da forma dele.

 

A Bélgica beneficia daquela que é possivelmente a melhor geração de jogadores da sua história, certamente comparável à de Scifo, Ceulemans, Van der Elst, Gerets ou Pfaff. O ponto fraco da equipa é a falta de laterais de qualidade, o que tem levado Marc Wilmots a alinhas com Alderweireld e Vertonghen a laterais direito e esquerdo, respectivamente. Esta solução era aceitável especialmente enquanto Kompany e Vermaelen estavam em forma, mas mesmo na melhor das hipóteses roubava à equipa a possibilidade de usar os flancos convenientemente, uma vez que apoio dado pelos dois aos alas era sempre mais frágil que aquele que laterais de raiz poderiam fornecer. Além disso, não alinhar com Alderweireld e Vertonghen a centrais rouba a hipótese de beneficiar de uma dupla de centrais que é a melhor da Premier League. No meio campo a equip+a tem várias opções de qualidade e que oferecem variedade, com o trio Witsel-Nainggolan-Fellaini a oferecerem qualidade de passe, energia e força para permitir variedade. O ataque depende muito de Hazard e de Bruyne. Excessivamente, a meu ver, uma vez que considero Hazrd um jogador excessivamente uni-dimensional, que quando não é capaz de escapar aos adversários com a sua finta curta acaba por não conseguir oferecer mais. De Bruyne poderá ser o motor da equipa se Wilmots o deixar, mas isso obriga a deixar um dos médios de fora (idealmente Fellaini) e integrar mais um ala (Ferreira-Carrasco ou Mertens). Wilmots no entanto é muito apegado aos seus jogadores talismã e não parece abdicar do enorme Fellaini. Este é um dos seus pontos fracos. Outro é a sua menor qualidade táctica, parecendo que escolhe os seus jogadores e depois reza para que eles ganhem o jogo por si mesmos. Se a equipa engrenar, a Bélgica pode vencer o torneio. Se não, provavelmente passam a fase de grupos e caem ao primeiro obstáculo.

 

Os italianos apresentam-se com a equipa mais fraca desde há muito tempo no que diz respeito a qualidade individual. Não é por acaso que Thiago Motta, um jogador que é essencialmente um médio defensivo, carrega nas costas o número 10 que já foi de Baggio, Del Piero, Totti e tantas outras lendas italianas. Conte, o treinador que irá para o Chelsea no final do torneio e já tem saudades de ser treinador de clube, dependia muito de ter Verratti e Marchisio à sua disposição, tanto que muito cedo decidiu que Pirlo já não fazia parte dos seus planos. O azar bateu à porta quando tanto Verratti como Marchisio acabaram por se lesionar e deixaram a equipa sem os registas do meio campo. O único jogador do meio campo que habutualmente cariria nesse molde seria Montolivo, mas depois de uma época cheia de lesões, Conte preferiu a combatividade de Sturaro. As despesas da transição defesa-ataque passam assim para Leonardo Bonucci, um central elegante com uma qualidade de passe excepcional e que é capaz de ditar um jogo a partir da defesa. Não se espere contudo que suba no terreno à la Beckenbauer. Bonucci, como bom italiano que é, compreende que a sua primeira obrigação é defender e não quebra voluntariamente a linha de três centrais da Juventus: Barzagli-Bonucci-Chiellini (o BBC italiano). Com estes três jogadores e Buffon na defesa, a lógica é apostar num sistema de 5-3-2 na defesa e 3-5-2 no ataque. Muito dependerá da energia dos laterais (provavelmente Darmian e Candreva) e da dos médios. Pellè será um avançado atípico, mas em tempos de vacas magras para os italianos será também o provável titular. Conte é contudo alguém que faz magia no campo de treinos e pode-se esperar que, ao contrário de Wilmots, consiga usar o tempo de preparação para criar uma equipa real onde o todo seja superior à soma das partes. Além disto há que contar com a mentalidade italiana, sempre capaz de elevar a qualidade nos torneios e onde jogadores como Buffon, Chiellini ou outros oferecem a mentalidade vencedora que leva os restantes colegas a superarem-se.

 

No caso de irlandeses e suecos, estes últimos, mesmo sem Ibrahimović, deverão ter mais qualidade individual. Contudo, se a sua estrela não estiver a jogar no seu máximo, os suecos costumam ter dificuldades em encontrar o caminho dos golos, dada a ausência de jogadores criativos. Os suecos são habitualmente sólidos, lentos, altos e fortes e esta equipa não foge ao estereótipo tradicional. Os irlandeses também não fogem aos estereótipo britânico da equipa com coração que corre até cair para o lado e conseguem assim compensar as deficiências de qualidade individual. Com sorte, e contra equipas pouco inspiradas, poderão até mesmo surpreender. E espere-se que causem problemas a italianos e belgas nas bolas paradas. Suécia e Irlanda irão certamente disputar o terceiro lugar e muito dependerá da sua capacidade de surpreender belgas e italianos. Os irlandeses provavelmente terão mais hipóteses de surpreender a Itália e os suecos a Bélgica. Veremos.

Euranálises – Grupo D

Espanha – República Checa – Turquia – Croácia

 

Nota: escrito já depois do Turquia – Croácia.

 

Se há grupo da morte, será este. A Espanha é a equipa teoricamente mais forte do grupo, mas as restantes estão muito equiparadas. Em princípio os espanhóis não teriam oposição real, mas a aura de invencibilidade que tinham dissipou-se no último mundial. Mesmo com uma renovação em curso e sem Xavi, jogadores como Thiago, Koke, Saúl, etc, seriam suficientes para acalmar mesmo os mais nervosos. O problema é que o mundo também evoluiu e, numa era de equipas a depender de goleadores, a Espanha não tem uma óbvia fonte de golos. Alcácer seria o melhor jogador para a equipa mas a falta de forma (dele e do Valência) afastou-o da equipa. Aduriz foi o melhor goleador espanhol da última época mas é um jogador diferente, dependente do serviço para a área e de cruzamentos. Jogar com um “falso 9” como em 2012 não será aconselhável: os jogadores estão mais velhos e menos dinâmicos e os adversários conhecerão as tácticas. Muito dependerá do primeiro jogo, onde muitas perguntas serão repsondidas e onde a confiança para o resto do torneio poderá ser estabelecida. Com uma vitória convincente (mesmo por 1-0, desde que a exibição seja “à espanhola”) tornará os espanhóis favoritos. Sem ela... bem, as coisas complicar-se-ão.

 

Checos, turcos e croatas deverão discutir os restantes lugares. À partida os turcos poderão partir em desvantagem. Apesar de terem melhores indivíduos (Turan, Çalhanoğlu, Şahin, entre outros), a equipa é geralmente menos equilibrada e terá menos coesão. Dito isto, terem Fatih Terim como treinador ajuda e a sua paixão nivela muitas deficiências. A Croácia pode gabar-se de ter provavelmente o melhor meio-campo da competição, pelo menos em posse de bola. Modrić, Rakitić, Brozović e Kovačić são do melhor que o mundo pode ter em termos de posse de bola. Há melhores indivíduos, mas a colecção dos croatas é excepcional. Também no ataque estão bem servidos, com Mandžukić, Kalinić ou Perišić. A defesa também é boa, mas tem alguns problemas, como a insitência num Srna cujo prazo de validade a este nível poderá já ter passado e que poderá ser um ponto fraco a explorar. A República Checa beneficia de um dos mais interessantes treinadores da actualidade (o infelzmente pouco conhecido Pavel Vrba, anteriormente responsável pela ascensão do Viktoria Plzeň a nível nacional e europeu) e uma equipa bastante equilibrada, mesmo que sem grandes individualidades (de certa forma o oposto da Turquia). Não prejudica terem um dos melhores guarda-redes do mundo, capaz não só de excelentes defesas como de organizar a defesa e de transmitir tranquilidade a toda a equipa. Se conseguirem encontrar forma de marcar golos, poderão surpreender, não só no grupo como no torneio.

 

Este será um dos grupos tacticamente mais interessantes. As equipas ou são equilibradas, ou têm treinadores que as equilibram ou ambos. A Espanha deverá vencer o grupo e, teoricamente, os croatas seriam segundos classificados e os checos terceiros, com a Turquia em último. O problema é que em grupos tão equilibrados será difícil dar estas garantias.

Euranálises – Grupo C

Alemanha – Ucrânia – Polónia – Irlanda do Norte

 

Nota: escrito já depois da primeira jornada neste grupo.

 

A Alemanha é dos países que estarão mais fracos do que o seu máximo possível. Parte da razão é a falta de forma de alguns jogadores (Schweinsteiger, por exemplo), mas principalmente as lesões de jogadores que seriam quase certamente titulares (Reus, Rüdiger, Gündogan) e especialmente de um jogador que eu considero, quando em forma, o mais completo médio da Europa (Gündogan) e que seria certamente o motor da equipa. Para o grupo não será provavelmente um problema. Kroos pode preencher posições mais recuadas que no passado, Khedira garante estabilidade (desde que não lesionado) e há opções suficientes no ataque para que Reus seja esquecido (nenhuma equipa com Schürrle, Draxler, Sané, Özil, Müller ou Götze se poderia queixar). O problema estará no ataque, com o uso de um “falso 9” (Götze ou Özil no passado) a não convencer. O plano B, com Gomez poderá ajudar, mas em fases mais avançadas ficará por saber se esta formação será suficiente para abrir defesas mais difíceis.

 

O segundo lugar do grupo deverá ser disputado entre Ucrânia e Polónia. Pessoalmente vejo a equipa polaca como muito mais completa e, com a presença de Lewandowski, deverá ter capacidade de ultrapassar os ucranianos. Estes dependem em demasia dos dois alas (Konoplyanka e Yarmolenko) para fazer a diferença, mas num único jogo, poderá bastar para conseguirem um bom resultado frente aos polacos. Ainda assim,e stes deverão ser demasiado fortes, com Krychowiak, Milik, Piszczek, Błaszczykowski, Zieliński ou Glik entre outros a oferecerem equilíbrio e qualidade individual.

 

A Irlanda do Norte deverá fazer a figura do figurante satisfeito de estar convidado para a festa. Sofrem pela menor qualidade dos seus jogadores e por aqueles que se distinguem um pouco mais serem habitualmente “cooptados” para a selecção da República da Irlanda. Deverão ter de depender em demasia de Kyle Lafferty para golos e de uma ou outra situação de bola parada. Contudo, num grupo com equipas cheias de jogadores altos e fortes, isso não deverá ser suficiente.

Euranálises - Grupo B

Inglaterra – Rússia – Eslováquia – Gales

 

Se em relação às minhas pré-visões de há seis meses eu terei que rever em baixa as expectativas para algumas das equipas (Bélgica, França, Alemanha...) isso não se passa em relação à Inglaterra. Os problemas habituais das selecções inglesas estão presentes: expectativas excessivas, campeonato longo, falta de pausa de Inverno, um jogo excessivamente dinâmico para o Verão. Por outro lado a equipa beneficia de ter jogadores mais jovens e energéticos e de dois clubes com abordagens semelhantes: pressão alta e dinâmica elevada. Além disso têm vários jogadores ainda relativamente mal conhecidos devido à sua menor exposição ao futebol continental (Kane, Alli, Vardy, Rashford, Barkley, etc) e que podem apanhar adversários de surpresa. Num torneio com várias equipas com prestações abaixo do esperado, a Inglaterra poderá ir mais longe do que o que se espera.

 

Isto poderá surpreender alguns, mas neste grupo é muito possível que Gales acabe em segundo lugar. Para tal será necessário que o seu onze inicial esteja bem fisicamente, dado o seu equilíbrio e a falta de alternativas. A equipa é sólida defensivamente, tem um meio campo que se complementa bem e cheio de energia. Além disso toda a equipa joga de forma a dar espaços para Gareth Bale galopar em direcção à baliza atacante. Se há melhores jogadores e jogadores mais completos, Bale será provavelmente o melhor e mais devastador jogador do mundo em contra-ataque puro. Tem enorme capacidade para sprints longos, é forte e tem um remate fantástico com ambos os pés. Gales jogará para Bale e tudo girará em torno dele. Há planos piores.

 

A Rússia sofreu um enorme golpe quando Dzagoev e Denissov se lesionaram. A falta da provável dupla inicial no centro do meio campo obriga a uma reorganização do estilo de jogo, o que não convém à equipa. Embora o onze seja equilibrado sob a batuta de Slutski, a dupla de centrais (Ignachevitch e Berezutski) é já bastante velha (ainda se lembrarão da queda do Czar) e lenta. Contra avançados como os ingleses e galeses é muito provável que se vejam expostos. A falta de experiência europeia também jogará contra eles. A sua esperança será o treinador Slutski, mas há limites para o que pode fazer. Apesar da qualidade de alguns jogadores, eu não ficaria surpreendido com um 4º lugar no grupo.

 

Já a Eslováquia, à semelhança de Gales, tem uma equipa que revolve em torno de uma estrela que opera atrás do ponta de lança – Hamšík. O resto da equipa terá menos pontos fracos que Gales, mas não tem secundários ao mesmo nível. A Eslováquia irá certamente apresentar-se bem organizada, preocupada em lançar ataques menos rápidos que Gales – Hamšík é um jogador diferente – e focada em tentar capitalizar em bolas paradas. Irão lutar pelo segundo lugar com Gales, mas provavelmente não o conseguirão. É no entanto possível que passem como um dos melhores terceiros classificados.

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