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Comentador de Bancada

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Análise: Portugal - Gales

E ao sexto jogo Portugal desiludiu. O jogo foi uma desilusão de início ao fim. Não existiu verdadeiro sofrimento, vencemos nos 90 minutos, Ronaldo marcou sem ter de salvar o jogo, Bruno Alves não teve uma falha de concentração que desse golo e conseguiu não levar amarelos. Os laterais fizeram bons centros, João Mário não andou perdido nas alas, Renato Sanches perdeu gás na segunda parte e perdeu alguns duelos físicos, Danilo fez passes de qualidade e até vimos André "o lânguido do Grijó" Gomes a sprintar no fim do jogo. Uma vergonha completa.

 

Agora a sério: cheguei ao fim acordado, mas o jogo continuou a ameaçar ser soporífico. Felizmente que Ronaldo apareceu e deixou cair o "t" e assim a defesa de três centrais galesa não serviu de muito. Os galeses perderam no entanto muito por não ter Ramsey, o seu segundo melhor jogador (que teria lugar no onze português) e que é o motor da equipa. Sem ele os galeses correram muito mas não tiveram quem ligasse o meio-campo e Bale. Sem médios ala, os galeses dependeram dos laterais para dar largura ao jogo, o que deu jeito à táctica portuguesa. Sem poderem jogar 2 contra 1 contra os laterais portugueses, os duelos nas alas ficaram resumidos à qualidade individual e Cédric Soares e Raphäel Guerreiro são superiores aos galeses Gunter e Taylor. Quando Bale ia para a ala era sempre acompanhado de um ou dois médios. Num par de ocasiões conseguiu livrar-se dos defesas, mas foi caso único. Com esta opção essencialmente barrada, os galeses tornaram-se relativamente ofensivos.

 

Já Portugal, sem necessidade de cobrir as alas, pôde deixar que os seus médios flectissem para o centro e criassem triangulações que mantinham a posse da bola e permitiam ir avançando. Não fazia muito pela penetração da defesa, demasiado fechada, mas não prejudicava. Era neste aspecto que íamos vendo a idade de Sanches, que de facto vai falhando passes, normalmente por questões de escolha do mesmo (ou do seu timing). No entanto estava sempre disponível para os receber, em movimentações constantes que garantiam que era difícil fazer pressão efectiva aos portugueses.

 

A primeira parte, no entanto, foi sensaborona. Não houve verdadeiras oportunidades e a melhor foi para Gales, com o canto rasteiro para Bale, que atirou por cima. Ronaldo podia ter tido um penalty, mas é da categoria "já os vi dados" mais que dos indiscutíveis. Foi na segunda parte que tudo mudou, essencialmente porque Ronaldo acertou com o alvo num daqueles golos de cabeça em que dá vontade se preencheu o plano de voo antes de saltar na semana passada. Pouco depois Ronaldo finalmente encontrou espaço, rematou mal, Sanches decidiu deixar a bola passar (por pensar que estava em fora de jogo ou para que a bola simplesmente pudesse seguir) e Nani empurrou de instinto para a baliza.

 

Depois disto Gales teve de arriscar e começou a avançar mais, chegando mesmo a mudar o sistema de 3-5-1-1 para um mais claro 4-4-2 ou 4-3-3. Eram desenhos táctcos que poderiam complicar a vida aos portugueses, mas neste caso funcionaram ao contrário. Chris Coleman, perante a falta de mais jogadores de qualidade, tinha encontrado uma fórmula que dava equilíbrio à equipa e retirava o máximo de Gareth Bale. Mudar o sistema libertava novas opções de ataque, mas a partir daí o efeito multiplicador da táctica ficava diluído e a qualidade individual dos portugueses (sim, mesmo Bruno Alves) veio ao de cima.

 

Até ao fim do jogo ficou claro que Portugal, se assim o desejasse, poderia ter marcado mais um par de golos. Não o ter feito não foi apenas uma questão de qualidade de finalização mas também do controlo que Fernando Santos decidiu imprimir à equipa. 2-0 bastava e não havia necessidade de cansar mais os jogadores e abrir espaços.

 

E agora vem a final. Portugal vai sabendo que qualquer que seja o adversário, não vai ser favorito. Não que isso incomode Fernando Santos. Encontrou uma fórmula que tem funcionado razoavelmente bem (apesar de um sorteio favorável - às vezes penso que o terceiro lugar foi de propósito) e não tem ligado ao que os outros pensam de um futebol mais feio. Num jogo contra a Alemanha ou França isso poderá ser favorável, especialmente se Ronaldo conseguir encontrar espaços.

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