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Comentador de Bancada

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Critérios nos prémios individuais

E Messi voltou a vencer uma bola de ouro. Há já uns tempos que não ligo a esse folclore. Desde que se retirou o privilégio exclusivo da escolha aos jornalistas e, pior, se começaram a publicar os votos de cada um, que a coisa deixou de ter grande valor. Os jogos políticos dominam e não há qualquer liberdade real de escolha. Vejam-se os casos dos votos de Ronaldo e Messi - capitães das suas seleccções - que votaram exclusivamente nos seus colegas de equipa mas que seriam os primeiros a reconhecer que o outro está sem dúvida entre os melhores do mundo. Como em qualquer eleição o voto deve ser secreto. Torná-lo público é um acto político e deve ser sempre voluntário. Não o fazer elimina a suposta democratização da escolha.

 

Claro que mesmo ignorando este aspecto ainda fica muito por questionar, nomeadamente o critério: o que significa escolher o melhor jogador de futebol do mundo? Há pouco mais de dois anos descrevi alguns dos critérios que via como lógicos (apontando potenciais escolhas para esse ano) e não mudo nada hoje. O único comentário que faria é que Messi seria provavelmente a minha escolha em todas as rubricas.

 

Messi não é só a estrela da equipa que venceu tudo o que havia a vencer (e esteve a uma oportunidade por ele criada e falhada por Lavezzi de levar o título continental de selecções), mas é também o mais habilidoso, mais completo e mais decisivo. Em termos de técnica não há no mundo quem se lhe compare. O maior elogio que se lhe pode fazer é dizer que muitas das suas habilidades não parecem complicadas mas mais ninguém as consegue reproduzir. Veja-se o segundo golo ao Bayern de Munique. Toda a gente se deliciou com a forma como Boateng acabou no chão, mas ainda mais impressionante - para mim - foi o chapéu a Neuer, feito com o pé direito e em velocidade. Quantos jogqadores seriam capazes de o fazer?

 

E se excluirmos o aspecto puramente físico - e devemos fazê-lo, sob pena de entrar num tom "inglês" para apreciar futebol - Messi será o jogador mais completo que existe. Em termos de passe poderemos dizer que está ao nível de um Xavi. Na finalização a melhor comparação será Romário. É também um jogador tacticamente muito inteligente (as suas movimentações são excelentes e demonstram um perfeito entendimento do uso do espaço pelos seus colegas de equipa) e trabalha imenso defensivamente, sendo capaz de recuperar bolas ou de dificultar suficientemente a vida aos adversários para o permitir aos seus colegas. Tudo isto se conjuga para o tornar o melhor jogador de equipa entre os três finalistas.

 

Só na questão da individualidade se pode argumentar mais em favor de Ronaldo, que se distingue muito mais individualmente do que Messi. Fá-lo no entanto num esforço consciente. É óbvio que estes prémios individuais são importantes para Messi, mas nota-se que os vê como cerejas no topo do bolo dos troféus colectivos. Já Ronaldo vê o oposto. O essencial é demonstrar que é o melhor e assim carregar com a equipa para os troféus. Por isso mesmo se pode dizer que Ronaldo é a melhor individualidade, sendo possível argumentar que seria o mesmo jogador em quase qualquer outra equipa, independentemente do estilo de jogo. Já Messi ainda só demonstrou a sua qualidade dentro da esfera barcelonista e de forma mais colectiva. Contudo, uma escolha pessoal não pode ser obstáculo para o galardão.

 

Em qualquer dos casos penso que é de salientar que vivemos numa época única, em que dois dos melhores jogadores de sempre se motivam mutuamente para atingir níveis sempre mais elevados. É fácil de argumentar que Ronaldo teria parado mais ou menos no nível que tinha quando saiu de Manchester na ausência de Messi. Também se pode dizer que Messi terá exprimido mais intensamente o seu talento a nível individual para poder competir com Ronaldo. Num mundo tão obcecado com prémios individuais, acaba por ser irónico que os seus máximos intérpretes sejam dois jogadores que necessitam de um colega (de profissão) para procurar os seus limites.

 

E isto é também futebol.

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