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Comentador de Bancada

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Equipas de sonho - Jugoslávia 90-...

Existem algumas equipas que mereceram a designação de melhor equipa sem título. As mais reconhecidas terão sido a Wunderteam austríaca, que deveria ter ganho em 1934; a Aranycsapat húngara que deliciou o mundo em 1954 e a equipa holandesa do totaalvoetbal dos anos 70, especialmente de 1974 (notáveis os saltos de 20 anos entre cada uma destas equipas). Outras equipas poderiam ser identificadas. O Manchester United com a primeira geração dos Busby babes que foi quase completamente dizimada no desastre aéreo de Munique de 1958; a Grande Torino dos anos 40 que morreu no desastre aéreo de Superga; a equipa brasileira do mundial de 1950 que perdeu no Maracanazo contra o Uruguai; o Brasil dos anos 80 e talvez algumas outras. Pode-se dizer que algumas destas equipas chegaram a vencer troféus (o Manchester United e o Torino foram campeões nos seus países) mas não o fizeram da forma categórica que se poderia ter esperado a nível internacional. Nalguns casos porque essas competições ainda não existiam (Torino), noutros porque não tiveram tempo (Manchester United).

 

Houve no entanto uma equipa que me deixou sempre a pensar sobre aquilo que poderia ter acontecido se... Essa foi a selecção nacional da Jugoslávia do início dos anos 90. É sabido que era talentosa e que acabou por ser afastada do Euro'92 devido ao eclodir da guerra civil (com a Dinamarca como selecção substitute e final vencedora do torneio). Não poderia ser de outra forma depois do que se passara. Os jogadores tentaram manter-se aparte do conflito, mas era essencialmente impossível. Alguns deles tomaram posturas francamente hostis em relação aos outros e só passados muitos anos começam a confraternizar novamente.

 

 

E era pena. O talento era inacreditável: Stojković, Pančev, Savićević, Prosinečki, Binić, Šuker, Jarni, Boban, Katanec, Ivković, Mijatović, Bokšić, Mihajlović, Jugović entre outros. Os mais jovens entre eles tinham vencido o campeonato do mundo sub-19 em 1987 mesmo sem várias estrelas. O principal clube do país, Crvena Zvezda (Estrela Vermelha em português) tinha vencido a Taça dos Campeões Europeus em 91 com uma equipa recheada de excelentes jogadores que eram, na sua maioria, ainda bastante jovens. Mais que isso: apesar de ter tantos jogadores de enormíssima qualidade e tecnicamente excelentes (a segunda mão das meias-finais terá sido dos jogos mais espectaculares que alguma vez vi), quando jogou a final, o clube decidiu jogar defensivamente, demonstrando uma mentalidade que não se costuma associar às equipas dos balcãs.

 

Falar com pessoas que recordam essa era, sejam de que país forem, é ouvir superlativos. Os eslavos, especialmente os do sul (que é o que "jugoslav" significa em servo-croata), são pessoas de paixão e orgulho e, quaisquer que sejam os seus sentimentos em relação à guerra, lembram com saudade aqueles jogadores.

 

A equipa era extremamente equilibrada e seguia os principais trâmites dos seus tempos: uma defesa sólida mesmo que não espectacular (ainda não era comum ter laterais atacantes), um meio-campo com solidez, passe e drible (ver uma compilação de Stojković é hipnotizante), um ataque com jogadores de enorme qualidade técnica mas também oportunistas e um treinador que estava entre os melhores da Europa nessa altura (Ivica Osim). A única área em que falhava ligeiramente era nas alas, mas o movimento dos seus jogadores mais centrais (médios e avançados) compensava largamente esta deficiência.

 

A sua não participação no Europeu de 1992 foi de certa forma inevitável (o próprio Osim tinha-se demitido e dito que o seu país não merecia estar presente) e caso não tivessem sido excluídos é muito possível que os problemas no país (com a guerra já em curso) acabassem por resultar numa participação falhada. É no entanto é fácil argumentar que, perante a relativa fragilidade das restantes equipas mundiais de 92 a 98, os jugoslavos poderiam perfeitamente ter sido a equipa mais dominante da década. Mas mais que dominante, teriam sido a mais espectacular. Nunca o saberemos, mas ver aqueles jogadores no YouTube continua a ser um dos meus passatempos preferidos online.

 

 

Só por curiosidade, deixo um exercício extra: uma possível selecção de uma selecção jugoslava actual (caso o país existisse): Begović, Handanović, Oblak, Srna, Vrsaljko, Ivanović, Kolarov, Savić, Lovren, Kolašinac, Perišić, Kovačić, Modrić, Rakitić, Matić, Ljajić, Marković, Tadić, Iličić, Bešić, Pjanić, Džeko, Jovetić, Mitrović, Mandžukić, Kalinić. São 26 e sem analisar as posições, mas basta para dar uma ideia da qualidade que ainda se encontra por aqueles lados.

 

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