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Comentador de Bancada

Comentador de Bancada

Euranálises – Grupo E

Bélgica –Itália – Irlanda – Suécia

 

Nota: escrito já depois da primeira jornada neste grupo.

 

Este é o grupo onde duas equipas aparecem claramente acima das outras duas e poderão ser ambas candidatas ao título. A Irlanda é a equipa que “está feliz por participar” embora traga sempre imensa coragem e vontade e a Suécia é uma equipa completamente dependente de Zlatan Ibrahimović para atingir os seus objectivos e estes estarão dependentes da forma dele.

 

A Bélgica beneficia daquela que é possivelmente a melhor geração de jogadores da sua história, certamente comparável à de Scifo, Ceulemans, Van der Elst, Gerets ou Pfaff. O ponto fraco da equipa é a falta de laterais de qualidade, o que tem levado Marc Wilmots a alinhas com Alderweireld e Vertonghen a laterais direito e esquerdo, respectivamente. Esta solução era aceitável especialmente enquanto Kompany e Vermaelen estavam em forma, mas mesmo na melhor das hipóteses roubava à equipa a possibilidade de usar os flancos convenientemente, uma vez que apoio dado pelos dois aos alas era sempre mais frágil que aquele que laterais de raiz poderiam fornecer. Além disso, não alinhar com Alderweireld e Vertonghen a centrais rouba a hipótese de beneficiar de uma dupla de centrais que é a melhor da Premier League. No meio campo a equip+a tem várias opções de qualidade e que oferecem variedade, com o trio Witsel-Nainggolan-Fellaini a oferecerem qualidade de passe, energia e força para permitir variedade. O ataque depende muito de Hazard e de Bruyne. Excessivamente, a meu ver, uma vez que considero Hazrd um jogador excessivamente uni-dimensional, que quando não é capaz de escapar aos adversários com a sua finta curta acaba por não conseguir oferecer mais. De Bruyne poderá ser o motor da equipa se Wilmots o deixar, mas isso obriga a deixar um dos médios de fora (idealmente Fellaini) e integrar mais um ala (Ferreira-Carrasco ou Mertens). Wilmots no entanto é muito apegado aos seus jogadores talismã e não parece abdicar do enorme Fellaini. Este é um dos seus pontos fracos. Outro é a sua menor qualidade táctica, parecendo que escolhe os seus jogadores e depois reza para que eles ganhem o jogo por si mesmos. Se a equipa engrenar, a Bélgica pode vencer o torneio. Se não, provavelmente passam a fase de grupos e caem ao primeiro obstáculo.

 

Os italianos apresentam-se com a equipa mais fraca desde há muito tempo no que diz respeito a qualidade individual. Não é por acaso que Thiago Motta, um jogador que é essencialmente um médio defensivo, carrega nas costas o número 10 que já foi de Baggio, Del Piero, Totti e tantas outras lendas italianas. Conte, o treinador que irá para o Chelsea no final do torneio e já tem saudades de ser treinador de clube, dependia muito de ter Verratti e Marchisio à sua disposição, tanto que muito cedo decidiu que Pirlo já não fazia parte dos seus planos. O azar bateu à porta quando tanto Verratti como Marchisio acabaram por se lesionar e deixaram a equipa sem os registas do meio campo. O único jogador do meio campo que habutualmente cariria nesse molde seria Montolivo, mas depois de uma época cheia de lesões, Conte preferiu a combatividade de Sturaro. As despesas da transição defesa-ataque passam assim para Leonardo Bonucci, um central elegante com uma qualidade de passe excepcional e que é capaz de ditar um jogo a partir da defesa. Não se espere contudo que suba no terreno à la Beckenbauer. Bonucci, como bom italiano que é, compreende que a sua primeira obrigação é defender e não quebra voluntariamente a linha de três centrais da Juventus: Barzagli-Bonucci-Chiellini (o BBC italiano). Com estes três jogadores e Buffon na defesa, a lógica é apostar num sistema de 5-3-2 na defesa e 3-5-2 no ataque. Muito dependerá da energia dos laterais (provavelmente Darmian e Candreva) e da dos médios. Pellè será um avançado atípico, mas em tempos de vacas magras para os italianos será também o provável titular. Conte é contudo alguém que faz magia no campo de treinos e pode-se esperar que, ao contrário de Wilmots, consiga usar o tempo de preparação para criar uma equipa real onde o todo seja superior à soma das partes. Além disto há que contar com a mentalidade italiana, sempre capaz de elevar a qualidade nos torneios e onde jogadores como Buffon, Chiellini ou outros oferecem a mentalidade vencedora que leva os restantes colegas a superarem-se.

 

No caso de irlandeses e suecos, estes últimos, mesmo sem Ibrahimović, deverão ter mais qualidade individual. Contudo, se a sua estrela não estiver a jogar no seu máximo, os suecos costumam ter dificuldades em encontrar o caminho dos golos, dada a ausência de jogadores criativos. Os suecos são habitualmente sólidos, lentos, altos e fortes e esta equipa não foge ao estereótipo tradicional. Os irlandeses também não fogem aos estereótipo britânico da equipa com coração que corre até cair para o lado e conseguem assim compensar as deficiências de qualidade individual. Com sorte, e contra equipas pouco inspiradas, poderão até mesmo surpreender. E espere-se que causem problemas a italianos e belgas nas bolas paradas. Suécia e Irlanda irão certamente disputar o terceiro lugar e muito dependerá da sua capacidade de surpreender belgas e italianos. Os irlandeses provavelmente terão mais hipóteses de surpreender a Itália e os suecos a Bélgica. Veremos.

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