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Comentador de Bancada

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Euranálises – Portugal (pré-análise)

Depois do apuramento ter começado mal, Fernando Santos chegou e estabilizou o barco com um futebol baseado em segurança defensiva e em apostar que os jogadores atacantes, especialmente Ronaldo, resolvessem os jogos. Foi o que sucedeu. Uma sequência de vitórias por um único golo foi sendo suficiente e a qualificação acabou por chegar.

 

Uma das minhas críticas iniciais a Fernando Santos foi a sua insistência em jogadores mais veteranos. Sou da opinião que Portugal está a viver um período de transição entre gerações e que uma das funções do seleccionador é introduzir os jogadores mais novos e preparar as próximas equipas. Para dizer a verdade, FS foi introduzindo jogadores aos poucos e reduzindo a sua dependência dos mais velhos. O meio-campo português no Europeu terá uma média de idades abaixo dos 24 anos e inclui vários jogadores que explodiram nos últimos dois anos. Por outro lado, a defesa terá uma média de idades acima dos 30 anos de idade e onde faltam jogadores promissores. O ataque também é mais virado para a experiência, com Rafa Silva a ser o único jogador abaixo dos 28 anos de idade, embora Éder não seja o mais experiente e seja convocado com base num bom final de época no Lille e na vontade de Fernando Santos em levar pelo menos um ponta de lança de raiz.

 

O sistema de jogo de Portugal estrá orientado em três vertentes:

  • maximizar a segurança defensiva, sem procurar aventuras;
  • aproveitar os actuais pontos fortes de Portugal: médios centro (ao contrário das alas do passado);
  • tentar envolver Cristiano Ronaldo o mais possível e dar-lhe a possibilidade de fazer a diferença.

 

As principais questões poderão passar por decidir quem é o parceiro de Pepe na defesa (provavelmente Ricardo Carvalho), se o meio-campo aproveita a familiariedade dos jogadores do Sporting (começando com William Carvalho, Adrien Silva e João Mário) e se Nani cai mais para a ala ou joga mais solto. Aquilo para que Fernando Santos não estará preparado é para  a eventualidade de Ronaldo não estar sequer próximo do seu melhor e isso seria um enorme problema.

 

Se formos honestos teremos que admitir é simultâneamente a solução para e a fonte de problemas de Portugal. É a solução por motivos óbvios: a sua qualidade individual é apenas equiparável à de Messi, o seu rácio de golos por jogo é incrível e pertencente a outras eras e a variedade de opções que oferece para marcar golos (cabeça, finalização simples, remate de fora, jogada individual, etc) é absolutamente incomparável. Só que é também uma fonte de problemas porque é de longe o melhor jogador e os adversários focar-se-ão em o parar. No Real Madrid isso não é um problema porque há qualidade individual suficiente no resto da equipa para compensar uma atenção redobrada sobre Ronaldo. Na equipa portuguesa jã não é esse o caso, com Nani a oferecer a melhor alternativa, a qual estará longe da qualidade de Bale, Benzema, Kroos, James, etc.

 

A falta de alguns jogadores, por lesão, exarceba esse problema. Coentrão no seu melhor oferecia penetração pela esquerda ao mesmo tempo que não sacrificava segurança defensiva. Eliseu não dá as mesmas garantias. Bernardo Silva, mesmo ainda longe do que o seu potencial promete, oferecia penetração através dos seus dribles que poderiam atrair a atenção dos defesas e libertar um pouco mais Ronaldo. João Mário é um jogador mais eficiente e que atrai menos atenção, mas poderá ser a melhor alternativa para libertar Ronaldo. Contra equipas que joguem mais fechadas e mais recuadas, o problema de Ronaldo estará na falta de espaço para poder usar a sua explosão. Nas mesmas situações no Real Madrid beneficia da qualidade dos colegas de equipa que ajudam a criar espaços, mas com Portugal terá de os procurar mais por si mesmo ou então tentar simplesmente finalizar joagadas sem participar tanto na sua criação.

 

Comento habitualmente que gostaria que Ronaldo se lesionasse em Fevereiro por dois meses, para poder descansar e chegar ao Euro com menos minutos nas pernas. Depois da final da Champions League, fica por saber qual a sua condição física. A mesma pergunta pode ser feita à defesa, a qual poderá ser exposta em jogos mais exigentes do ponto de vista físico. Danilo ou William Carvalho terão de ajudar bastante e ainda tenho dúvidas sobre se o conseguirão fazer.

 

No desenho táctico português, sem alas, muito irá depender dos médios mais exteriores para proteger os laterais Vieirinha e Eliseu quando subirem no flanco (ou Guerreiro e Cédric). O mesmo para quando forem atacados no seu flanco por dois jogadores. Os alas modernos sabem que têm que apoiar os laterais, mas médios centro poderão fazê-lo menos ou de forma menos imediata, o que pode causar problemas nos flancos. Sabendo que Portugal tem problemas no jogo aéreo, isto pode ser um dos riscos que Portugal corre com um 4-4-2. Talvez seja por isso Fernando Santos opta por um estilo habitualmente mais defensivo.

 

Seja como for, os jogos do grupo oferecerão novos desafios. A Islândia irá certamente aparecer muito organizada na defesa, a jogar de forma muito física e tentando explorar passes longos no contra-ataque e bolas paradas. Portugal terá que ser paciente. Contr a Áustria Portugal poderá ter mais espaços, mas terá também de se precaver contra a meia-distância de Alaba, a fantasia de Arnautović e o jogo aéreo de Janko. Por outro lado, é também previsível que os austríacos tentem incomodar Ronaldo e Nani com um jogo muito físico. Já a Hungria poderá ser defrontada quando Portugal está apurado e a Hungria (essencialmente) eliminada. Poderá dar um jogo mais interessante, se os húngaros quiserem tentar ainda obter um ponto (ou até mesmo conseguir uma vitória que lhes dê uma improvável qualificação) e Portugal alinhar com reservas que queiram mostrar serviço.

 

Depois da fase de grupos virão as eliminatórias. De certa forma tenho esperanças que Portugal passe em segundo lugar. O primeiro classificado enfrentará o segundo do grupo de Bélgica e Itália [depois da primeira jornada no grupo, provavelmente a Bélgica] e não vejo capacidade a Portugal para ultrapassar essa eliminatória. O segundo classificado irá enfrentar o segundo classificado do grupo de Inglaterra, o que possivelmente levará a um confronto com Inglaterra, Gales, Eslováquia ou Rússia. Qualquer um deles encaixaria melhor com Portugal.

 

Para resumir: não tenho grandes expectativas. Não vai ser este ano que Portugal vence um torneio sénior internacional (oxalá me engane, mas duvido até que Portugal alguma vez o venha a fazer, pelo menos na minha vida). Já ficaria feliz se Portugal chegar aos quartos de final. Mais que isso seria ultrapassar as (minhas) expectativas. E mesmo isso depende de um Ronaldo ao seu melhor, coisa que não temos visto no Verão desde há muito, muito tempo.

 

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