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Comentador de Bancada

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Jogadores preferidos - Michael Laudrup

Em 1994, momentos antes da final da Champions League entre o Barcelona de Cruijff e o Milan de Cappello se iniciar, Capello olhou para a ficha de jogo e respirou fundo. Terá dito nesse momento ao seu adjunto que sem Laudrup a jogar pelo Barcelona, ele tinha o jogo ganho. O jogo acabou num resultado chocante de 4-0 para um Milan que todos esperavam ser esmagado.

 

Não foi caso único. Na sua última época pelo Barcelona Laudrup foi a principal estrela no 5-0 ao Real Madrid. No ano seguinte, tendo trocado o Camp Nou pelo Bernabéu, foi o principal responsável elo 5-0 ao Barcelona. Poder-se-ia escrever: Laudrup 10 – Real Madrid e Barcelona – 0.

 

 

Era esta a principal característica de Michael Laudrup: quando queria, podia fazer um jogo submeter-se à sua vontade e qualidade. Na Juventus foi por isso visto inicialmente não só como um digno sucessor de Platini mas potencialmente melhor que o astro francês. No Barcelona distribuiu classe como mais ninguém. No Real Madrid fez o mesmo. Na selecção dinamarquesa ia elevando uma equipa já no final dos seus tempos áureos da Danish Dynamite a um patamar extra, capaz de competir com os melhores do mundo. Não deixa por isso de ser irónico que o único título que a Dinamarca conseguiu (o Europeu de 1992) tenha vindo sem ele, desavindo com a federação e o seleccionador.

 

A certa altura na sua carreira, um dos seus preparadores físicos queixou-se ao treinador principal que Laudrup era dos jogadores mais lentos na equipa e que na sua posição não podia ser tão lento. O treinador pediu que se repetissem os exercícios de sprint mas com bola. Laudrup passou a ser o mais rápido, com tempos virtualmente indistinguíveis daqueles sem bola. Não é apenas uma questão de a bola não o atrapalhar (se bem que não o atrapalhava), mas também de Laudrup ser da escola do “para correr está lá a bola”. Era também um tempo em que lhe era permitido não correr tanto desde que no clube tivesse companheiros que fossem as suas pernas sem bola.

 

Não correr sem bola dava-lhe a liberdade de fazer coisas únicas com ela. Via espaços que mais ninguém via (nem sonhava existir), lia os movimentos e conseguia fazer a bola chegar ao destino. Romário deve-lhe golos sem conta. Terá dito que podia ter cortado a sua bota de ouro ao meio e dado a outra metade a Laudrup. O seu movimento também era único. O jogador actual que mais se lhe assemelha na sua capacidade de encontrar espaço entre as linhas será Özil, embora de forma diferente e sem a mesma qualidade com a bola.

 

Aquilo que mais impressionava era o tempo. Na América do Sul chamam-lhe “la pausa”, de certa forma a capacidade de pausar o jogo, de parar a bola, olhar em redor para avaliar a situação ou deixar certos movimentos completarem-se, sem que se sofram consequências adversas. Laudrup tinha esta qualidade indefinida. Laudrup parecia ter mais tempo que os outros. O jogo pausava quando ele queria e acelerava quando ele o decidia. Isso era possível porque ele lia o jogo como mais ninguém, fazia passes que ninguém reproduzia e não perdia a bola.

 

Tinha duas desvantagens: não era um jogador competitivo como alguns dos seus contemporâneos (Hristo Stoitchkov era menos talentoso, mas altamente competitivo) o que lhe retitrava intensidade; e desaparecia amiúde dos jogos, por vezes durante todo o jogo. Os treinadores não sabiam então o que iriam ter: um Laudrup que ganhava jogos ou o outro que fazia com que a equipa jogasse com 10. Isto tornava-o um favorito dos adeptos do bom futebol, mas exasperante para os treinadores, especialmente numa era em que cada vez mais se pedia aos jogadores para cumprirem funções em todas as fases do jogo.

 

Laudrup era como um espírito que ninguém via até decidir surgir e deslumbrar todos. Quando aparecia valia o preço de qualquer bilhete, mas ninguém sabia com o que contar. No seu melhor, Laudrup geria o ritmo do jogo, abria as melhores defesas, fazia passes impossíveis e incompreensíveis e finalizava de forma que faria inveja a Romário. E tudo transpirava classe. Mas sempre à sua maneira. E também isso era classe.

 

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