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Comentador de Bancada

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Jogadores preferidos – Paolo Maldini

Lembro-me de em tempos ter visto um anúncio televisivo, creio que da Diadora, que adorei. A imagem a preto e branco e de forte contraste focava-se um jogador a avançar pelo campo. Era entrecortada com um ecrã em preto e com uma voz que descrevia o sonho de qualquer jogador: avançar no campo, driblar adversários sem ser parado, ficar um-a-um com o guarda-redes e preparar-se para marcar... E depois vinha a punchline: «E depois apareço eu» com a imagem de um jogador em carrinho a interceptar o adversário acompanhado do barulho cartoonesco de impactos. A imagem final era da cara de Paolo Maldini com um sorriso malandro que dizia «lamento» sem lamentar.

 

De certa forma era um anúncio que descrevia Maldini. Excepcional a defender, capaz de intervenções de último momento sem fazer uma falta e, por fim, a classe e elegância. Eram especialmente estes dois últimos aspectos que o distinguiam dos seus pares, incluindo o incomparável Franco Baresil: exibia uma elegância enorme que transmitia a confiança que tinha em si mesmo.

 

 

Esta confiança não era despropositada. Era o jogador mais jovem daquele que poderá ter sido o melhor quarteto defensivo da história italiana (e muito possivelmente no mundo inteiro) quando entrou como lateral-esquerdo num quarteto que incluía Tassotti, Costacurta e Baresi. Era um lateral-esquerdo ambidestro o suficiente para não sabermos qual o seu pé preferido. Era alto o suficiente para aparecer a central. Tinha inteligência táctica para jogar em qualquer posição na defesa e a trinco. Os seus treinadores juravam a pés juntos que ele poderia ter jogado em qualquer posição no campo.

 

Esta inteligência e polivalência era fundamental para o Milan de Arrigo Sacchi. Com Donadoni preferencialmente à direita e sem médio-ala verdadeiro na esquerda, Maldini oferecia a largura necessária com as suas subidas. A sua inteligência e leitura de jogo garantia que a equipa nunca ficava descompensada, uma vez que Maldini sabia sempre quando subir e não subir. Era também um famoso “falso-lento”: parecia ser lento por ser tão alto na ala mas também porque raramente precisava de correr muito. Na maior parte das vezes estava já no sítio certo e não precisava de compensar com sprints.

 

Outro aspecto fantástico era a sua capacidade não só para os cortes limpinhos, mas também para ficar na posse da bola quando a cortava. O seu tackle “em colher” que lhe permitia ficar na posse da bola e iniciar de imediato um ataque deveria ter sido patenteado. Ou talvez não seja necessário: não há quem o reproduza.

 

Dois outros aspectos o distinguiram: a sua capacidade de liderança, que era natural mas também aprendida de outros monstros (acima de todos Baresi). Era um líder mais sossegado, que não se impunha com berros ou pura presença carismática mas simplesmente pela sua serenidade. [nota extra: perguntado sobre o que dizia Baresi no balneário do Milan para ser o líder respeitado que era, Futre respondeu que Baresi não dizia nada. «Só olha para ti»].

 

O outro aspecto com que Maldini se distinguiu foi pela longevidade. Isto foi um resultado do trabalho do famoso Milan Lab que estendeu as carreiras de tantos outros jogadores, mas o caso de Maldini consegue ainda assim distinguir-se. Maldini surgiu na equipa principal do Milan aos 18 anos e desde logo a jogar muitos jogos. Uma vez que quanto mais tarde os jogadores se impõem mais tarde surge o declínio, a precocidade de Maldini deveria ter jogado contra ele. Além disso, quando comparado com Baresi, Costacurta, Inzaghi ou outros, Maldini passou boa parte da sua carreira a correr para cima e para baixo no flanco. Isto desgasta mais que ser central ou ponta de lança “à mama”. Quando se retirou, não foi por já não ter condições físicas para durar um jogo (agora a central), mas porque as suas lesões tornavam a recuperação excessivamente difícil e dolorosa. Foi uma saída quando ainda tinha, já nos quarentas, um nível que a esmagadora maioria dos jogadores profissionais nunca atingirão.

 

Classe, elegância, inteligência, polivalência, liderança. Numa palavra: Maldini. O seu número 3 foi retirado pelo Milan. Só será reutilizado se um dos seus filhos jogar pelo clube. Se acabasse com metade da qualidade do pai, o número seria bem entregue.

 

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