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Comentador de Bancada

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Portugal na Taça das Confederações

No ano passado coloquei a questão: deve Portugal jogar para a vitória na Taça das Confederações ou simplesmente rodar jogadores e fazer cumprir calendário? A pergunta não era ociosa. Como se vê agora com a Alemanha, Joachim Löw decidiu-se pela segunda opção, fazendo alinhar jovens e alguns jogadores mais experientes que poderão não ter ainda a presença no mundial do próximo ano garantida a 100%. Fernando Santos, como sabemos, optou pela primeira opção: levar a equipa mais forte e tentar vencer a competição.

 

É uma opção lógica, tal como a alternativa o seria. Para uma equipa como a Alemanha, capaz de fazer alinhar uma segunda linha de jogadores e ainda ser candidata ao título, fazer descansar alguns jogadores seria sensível. Portugal, contudo, tem uma base de talento mais reduzida. Uma opção por descansar os jogadores mais experientes ou com mais jogos nas pernas acarretaria inevitavelmente maus resultados desportivos. Era uma opção de tudo ou nada.

 

 

Justifica-se porque Portugal é um país sem tradição de títulos ao mais alto nível. A Taça das Confederações pode proporcionar um troféu "barato", dada a ausência da maioria das grandes selecções mundiais. Os principais opositores seriam sempre a Alemanha, Chile e México e a ausência de Espanha, Brasil, França ou Argentina automaticamente aumenta as possibilidades de vencer. Para mais o troféu ajudaria a criar uma cultura de títulos, algo que é importante para de facto os vencer regularmente.

 

Por outro lado também teria feito algum sentido dar descanso a alguns dos jogadores. O caso mais óbvio é o de Ronaldo, com 32 anos e a bom nível no final de época pela primeira vez desde há vários anos graças à gestão do seu esforço por Zidane no Real Madrid. No entanto também outros jogadores beneficiariam. Bernardo Silva jogou mais de 60 vezes esta época, João Moutinho, André Gomes e William Carvalho mais de 50, e Gelson Martins, André Silva, Quaresma e Pizzi andarão perto. Os centrais não terão jogado tanto e estão em posições menos sujeitas a desgaste, mas pela idade que têm (29, 33, 34 3 35 anos de idade) beneficiariam de um Verão descansado. Ninguém garante a Fernando Santos que alguns destes jogadores não venham a ser integrados à pressa nas respectivas equipas e sofram pela ausência de uma pré-época. Isto será ainda pior no caso de jogadores como Bernardo Silva e André Silva, que terão ainda que se adaptar a novos clubes e países (e outros jogadores se irão provavelmente seguir).

 

Isto dito, vejamos como vai a competição.

 

Tácticas

Fernando Santos começou a competição usando o seu sistema preferido e o tradicional da selecção: 4-3-3. Depois de um resultado menos positivo com o 2-2- com o México a agulha mudou. Essencialmente, aquilo que Fernando Santos acabou por ter que reconhecer foi a necessidade de fazer jogar Ronaldo a ponta de lança. Colocá-lo na ala pode ser sensível contra equipas mais fracas, mas em torneios deste tipo pode ser contraprodutivo. A mão foi emendada no segundo jogo, fazendo entrar André Silva para ponta de lança, colocando Bernardo Silva na ala direita e preferindo um 4-4-2 semelhante ao do Mónaco.

 

A maior diferença em relação ao sistema de Jardim, além dos jogadores, é a ausência de um ala esquerdo mais natural. Jogar com André Gomes no flanco oferece maior qualidade de passe mas limita o ataque. Seria uma boa opção com a subida do lateral, mas Cédric tem subido bastante mais que Raphaël Guerreiro, talvez para oferecer espaço a Ronaldo para escapar para aqueles terrenos e assim fugir à marcação dos centrais. Isso significa que Portugal tem jogado mais descaído para a direita e tem uma forma algo assimétrica, especialmente com a tendência de Bernardo Silva em cortar para o centro.

 

A opção por José Fonte no primeiro jogo não correu muito bem. A principal expressão do erro foi na forma como Fonte foi batido no cabeceamento que deu o segundo golo ao México, mas já se tinha notado que a sua forma do ano passado pareia estar longe (já na segunda parte da época, após a transferência para o West Ham, José Fonte parecia ter estado aquém das suas exibições pelo Southampton).

 

Jogar com Adrien ou João Moutinho no meio campo não parece fazer muita diferença. São jogadores semelhantes no estilo e na posição. Moutinho oferece mais experiência e qualidade de passe e Adrien é mais forte defensivamente e pode ameaçar em remates de longe. Aquilo que se poderia perguntar é se não valeria a pena estudar a possibilidade de jogar com outro tipo de jogador à esquerda, alguém capaz de oferecer largura e velocidade, mantendo alguma segurança defensiva. Na ausência de João Mário, o único jogador com esse tipo de características seria Pizzi, mas este está mais à vontade à direita. Outra opção poderia ser fazer avançar Guerreiro para o meio campo (onde jogou nesta época pelo Dortmund) e jogar com Eliseu, mas com Guerreiro lesionado esta opção é mais improvável.

 

Aquilo que é notório são essencialmente três aspectos. 1) André Silva é um parceiro perfeito para Ronaldo. A sua posição e o seu movimento atraem atenção e dão liberdade a Ronaldo e, quando este atrai os jogadores, André Silva é perigoso por si mesmo. Deve ser este o foco do ataque português; 2) Bernardo Silva oferece muito a esta equipa para além de qualquer contribuição com golos ou assistências. A sua capacidade de drible e de concentrar a atenção de vários adversários para depois mudar rapidamente de flanco ajuda a criar imensos espaços para os seus colegas e oferece alternativas; 3) a defesa continua a ser vulnerável, especialmente a velocidade e a jogadores que chegam tarde à área. Estes devem ser coberto pelos médios centro, mas William Carvalho tem aqui o seu ponto mais fraco e não tem apoio suficiente do outro médio centro em 4-4-2. Se Portugal for eliminado, será provavelmente por aqui.

 

Próximo(s) jogo(s)

Agora chega o Chile. Sem Pepe (suspenso) e talvez Guerreiro e Bernardo Silva. O Chile é uma equipa que joga muito subida e pressiona muito acima no terreno. Isso é um ponto a favor de ter William Carvalho a jogar de início, embora Danilo provavelmente fosse melhor opção para cobrir as investidas de Vidal à área. Outra opção - que será provavelmente usada em todo o caso - é optar por bolas longas e explorar o jogo aéreo de Ronaldo e André Silva, bem como a sua velocidade, contra os chilenos, mais baixos e a jogar muito subidos.

 

Será no entanto fundamental que os alas apoiem os laterais portugueses, dado que o 3-4-3/3-5-2 chileno depende muito dos laterais ofensivos (Isla e Beausejour) oferecerem largura e profundidade ao jogo. No entanto raramente estão isolados, tendo frequentemente o apoio de Alexis Sánchez ou Vargas ou de outro médio para sobrecarregar o flanco adversário. Outra coisa que o Chile faz extremamente bem é atrair a defesa adversária para um flanco para abrir espaço para a subida rápida do outro lateral e criar desequilíbrios. este movimento funciona especialmente após conbinações entre Beausejour e Sanchez e passe largo para o flanco direito onde Isla tem largo espaço para correr e entrar na área.

 

A outra grande ameaça é através da entrada dos médios na área para terminarem jogadas. Arturo Vidal é especialmente bom neste tipo de jogada e tem um enorme entendimento com Sánchez (bem como com o resto da equipa), com quem tem jogado desde há muito. Os chilenos conseguem criar intrincadas combinações de passes rápidos que encontram médios a entrar na área e aproveitar a desposicionação de defesas que tentam fechar as linhas de passe. Outra opção é, mais uma vez, atrair a defesa para um flanco e depois colocar a bola num médio vindo de detrás.

 

Para Portugal a melhor via de ataque será usando a dupla Ronaldo-André Silva. Bernardo Silva (caso jogue) poderá ter dificuldades se não tiver bom apoio no centro do terreno (nesse aspecto João Moutinho seria melhor opção). Devido à forma como o Chile joga, a zona do terreno onde Portugal poderá encontrar mais espaços será atrás da defesa. Por outro lado, o jogo chileno exige uma enorme intensidade de jogo, o que leva os jogadores a cansarem-se após 20 a 30 minutos de cada parte. Esse será o melhor período para Portugal pressionar o Chile. Se tentar igualar a intensidade chilena estará a arriscar perder a batalha.

 

Outra coisa fundamental será manter a disciplina. Eliseu, Bruno Alves e um ou outro jogador têm o hábito de ver amarelo. Perante uma equipa que sobrecarrega tão facilmente os seus adversários, estes jogadores terão que refrear os seus instintos e ter duplamente cuidado com as suas posições.

 

Final? Falaremos se Portugal lá chegar.

 

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