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Comentador de Bancada

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Pré-Visões do Euro 2016 - Evolução de Portugal

Por motivos pessoais não me foi possível ir escrevendo a parte relativa a Portugal até agora. Retomo as minhas reflexões com o texto abaixo. Devido à sua extensão será necessário clicar em "Ler mais" para o resto.

 

Portugal chega a este Europeu em condições diferentes das de anos passados. A "geração de ouro" está completamente reformada e apenas um sucedâneo da mesma sobrevive em Ricardo Carvalho. Esta equipa verá Cristiano Ronaldo chegar ao Europeu já com 31 anos, longe dos 19 aquando do seu primeiro, em solo português em 2004. Foi também nesse ano que Portugal chegou mais longe em competições internacionais, com o segundo lugar, marcando o ponto máximo em termos de classificações da selecção portuguesa. Do meu ponto de vista não foi, no entanto, a melhor prestação. Abaixo analiso os últimos 20 anos de Europeus.

 

 

1996 - Inglaterra

A geração de ouro era ainda relativamente jovem. Andavam pelos 24-26 anos e ainda não tinham explodido, embora já passeassem classe pelos relvados europeus. Portugal sofreu como de costume com a falta de um ponta de lança e Sá Pinto era o jogador escolhido para a posição. Hugo Porfírio, vindo de uma época excelente no União de Leiria, tinha também sido chamado para oferecer algo mais no ataque.

Apesar do bom futebol, Portugal teve apenas um empate a um golo com a Dinamarca (ainda detentores do troféu mas bastante abaixo do nível de 4 anos antes) e uma vitório por 1-0 contra a Turquia. No último jogo Portugal venceu 3-0 a Croácia de Šuker, Boban, Prosinečki, etc, para se qualificar para os quartos de final. Nesse último jogo Portugal beneficiou de jogar contra uma equipa croata já qualificada e que descansou algumas das suas estrelas.

Essa vitória terá trazido algumas falsas expectativas aos portugueses, que depois se viram enredados na teia dos checos nos quartos de final e não conseguiram passar a muralha defensiva. O golo de Poborský é famoso, mas os checos estavam ainda longe do nível que mostraram alguns anos mais tarde e eram teoricamente inferiores aos portugueses. Estavam contudo melhor organizados e a mediocridade táctica de António Oliveira não deu condições aos artistas para encontrarem uma solução. No final, João Pinto terá acumulado mais «filhos da p...» para as câmaras que a selecção remates.

 

2000 - Bélgica/Holanda

Embora muitos (senão a maioria) discordem, para mim este foi o melhor torneio de Portugal. Uma equipa com alguns jogadores a atingirem o seu melhor pela selecção (Rui Costa, Figo, João Pinto, Fernando Couto...) mas também alguns outros relativamente medianos mas a transcenderem-se (Vidigal, Paulo Bento, Beto, Capucho) conseguiu jogar um futebol de altíssimo nível e demonstrar também em certos momentos uma enorme capacidade mental. Fica para a história a reviravolta contra a Inglaterra (incluindo o melhor golo acidental de sempre de Figo), a paciência contra a Roménia e o desmantelar de uma equipa alemã bastante sofrível.

Nos quartos de final Portugal ultrapassou a Turquia com bastante calma e classe, no tipo de jogo que no passado seria complicado de negociar. Baía teve a raridade de defender um penálti e Figo rasgou individualmente a defesa turca para oferecer dois golos facílimos a Nuno Gomes.

Nas meias-finais veio o jogo que começou a estragar a imagem portuguesa internacionalmente. Apesar do brilhante trabalho feito ao longo de uns 115 minutos, uma França excepcional conseguiu encontrar maneira de entrar pela defesa portuguesa e arrancar um penálti. Será contestado mas, há distância de 15 anos, considero hoje - como na altura - que não foi a decisão errada. Poderia não ter sido dado e seria também uma decisão correcta, mas aqui ficou patente que faltava "peso" a Portugal. Este episódio faz no entanto esquecer que Portugal foi a melhor equipa ao longo de muito do jogo, conseguiu controlar outras boas partes e esteve a uma defesa excepcional de Barthez de ir à final. Nesse jogo, como seis anos mais tarde, a geração de ouro portuguesa demonstrou que era equivalente à francesa, apenas lhe faltando esse peso internacional para fazer a diferença.

Portugal nesse torneio deslumbrou, jogou um futebol de filigrana, servido por alguns dos melhores intérpretes do mundo que estavam no auge dos seus poderes. Era a altura em que o mundo gostava de ver a selecção nacional portuguesa, sabendo que o espectáculo seria sempre de qualidade, mesmo que o produto final falhasse um pouco. Jogadores como Figo, Rui Costa e João Pinto tiveram nessa altura um conjunto de secundários à altura em Nuno Gomes, Sérgio Conceição e outros. A implosão após o penálti para a França veio sujar um pouco a imagem, mas era vista como uma reacção muito emocional a uma situação frustrante. Portugal saiu do Euro 2000 com a cabeça bem erguida e a certeza que o mundo admirava o seu futebol.

 

2004 - Portugal

Começo pela confissão: foi um europeu frustrante e, visto apenas pelo lado dos resultados, mediano. Portugal acumulou três vitórias, um empate e duas derrotas num torneio em que jogava em casa, tinha a melhor selecção (e mais equilibrada) desde há muito e num torneio onde algumas das grandes potências estavam em transição. Para mais beneficiava de ter um núcleo de jogadores do clube campeão europeu desse ano e que jogavam de olhos fechados. Além disso tinha ainda o seleccionador campeão do mundo.

De início Scolari não renovou muito e só após a derrota contra a Grécia na abertura do Euro aceitou integrar mais alguns jogadores do FC Porto. Ainda assim os resultados foram bonzinhos mas com exibições algo fracas: 2-0 a uma Rússia fraquinha, 1-0 com sorte contra a Espanha e passagem nos penáltis contra a Inglaterra após um golo anulado aos ingleses. Só nas meias-finais a selecção jogou bem (contra a nossa vítima preferida, a Holanda) e mesmo assim com tremideira no fim do jogo. A final deu outra exibição sofrível que mostrou que Scolari não aprende nada tacticamente.

Em termos de classificação final, foi o melhor torneio de sempre. Na minha memória subjectiva, com uma selecção excepcional e a jogar em casa; as exibições fraquinhas, as polémicas (Baía de fora, Pauleta mediano garantido a titular, atitudes arrogantes de Scolari) enviam este torneio abaixo de 2000. É subjectivo, mas foi o primeiro momento em que comecei a não gostar de Scolari. A imagem para o mundo também não foi deslumbrante. Futebol apenas sólido (na melhor das hipóteses) e já as primeiras indicações de uma atitude mais virada para as quezílias que para a finigrana.

 

2008 - Áustria-Suíça

Portugal chegou ao torneio após uma qualificação mediana mas com uma renovação da selecção já em bom ritmo. Nani, Bosingwa, Raúl Meireles e João Moutinho (entre outros) erntravam na equipa, Ronaldo era já a estrela e a equipa tinha apenas dois pontos fracos: a posição de defesa-esquerdo e as bolas paradas. Em relação à primeira pouco podia Scolari fazer mas a segunda havia de ser um dos problemas da selecção.

A fase de grupos correu relativamente bem, com vitórias simples contra a Turquia e República Checa. A derrota contra a Suíça no último jogo era contudo preocupante, apesar de poder ser explicada com a vitória garantida no grupo e o uso de jogadores suplentes. Os quartos de final chegaram com um jogo contra a Alemanha, em bom ritmo de renovação e a integrar alguns jogadores que viriam a ser essenciais no futuro (Schweinsteiger, Lahm, Mertesacker...). O jogo não correu mal a Portugal, que foi lutando bem contra os alemães, mas as limitações a defender bolas paradas viriam a ser completamente expostas pelos alemães. Apesar de não se poder culpar Scolari pela altura dos jogadores portugueses (isto apesar de sete dos titulares contra a Alemanha terem mais de 1,80 m de altura), pode apontar-se o facto de, em 4 anos, não ter ensinado a selecção a defender estas situações de forma mais eficaz. No final, os golos de Nuno Gomes e Hélder Postiga não bastaram e Portugal foi eliminado sem brilho num torneio com 2 vitórias e 2 derrotas, assim chegando ao fim o - na minha opinião excessivamente sobrevalorizado - reinado de Scolari.

 

2012 - Polónia-Ucrânia

Portugal tinha-se livrado de Queirós e tinha entregue as rédeas a Paulo Bento. Bento tinha tido uma passagem sólida e pouco deslumbrante pelo Sporting uns anos antes, à imagem do que era como futebolista. Ao pegar na selecção decidiu que o seu sistema preferido (4-4-2 com meio campo em losango) não funcionava e decidiu-se por um 4-3-3 com liberdade para Ronaldo e Coentrão na esquerda. Para compensar esta dependência da ala esquerda tinha-se decidido por Miguel Veloso a trinco, de forma a poder cobrir o flanco. Os resultados foram bons na qualificação e levaram ao torneio, onde o risco surgia no grupo: Alemanha, Dinamarca e Holanda como adversários.

O jogo contra a Alemanha viu um Portugal algo medroso a enfrentar alemães também receosos. O resultado foi um jogo aborrecido com poucas oportunidades e onde um erro (de marcação, de Pepe) deu o golo da vitória aos alemães. Apesar de tudo tinha sido uma exibição sólida dando bases para os restantes jogos. Isso viu-se depois, contra a Dinamarca e Holanda, onde a selecção demonstrou grandes reservas para vencer ambos os jogos (isto apesar de a Holanda estar na fase de implosão dos seus ciclos de torneios).

Nos quartos de final Portugal venceu perto do final a República Checa com um golo de Ronaldo. Os checos, conscientes do perigo do melhor jogador português, tinham optado por jogar fechados à espera de uma oportunidade no contra-ataque ou em bolas paradas. A vitória foi merecida, especialmente pela forma como demonstrou que Portugal conseguia esperar pela sua oportunidade.

Nas meias-finais vinha a super-Espanha a jogar em 4-6-0. Os espanhóis tinham empatado contra a itália mas depois tinham sido essencialmente intocáveis (mesmo que a França lhes tenha facilitado a tarefa). Na final vieram mesmo a jogar o jogo que melhor os definiu na sua era do tiki-taka com o 4-0 à Itália. No jogo contra Portugal, no entanto, tiveram imensas dificuldades com a táctica agressiva dos portugueses (esperavam provavelmente a selecção nacional a jogar mais à defesa) e só no prolongamento começaram a dominar e estiveram perto de vencer. Nos penáltis poderiam ter perdido, mas os postes foram infelizes para Bruno Alves e felizes para Fábregas. Portugal saía no entanto de cabeça levantada, tendo sido a equipa que mais perto esteve de eliminar os poderosos espanhóis e tendo voltado a jogar um futebol bonito sem sacrificar a solidez.

 

Agora, depois de Paulo Bento ter tido um mundial fraquinho e começado a qualificação miseravelmente, chega Portugal com Fernando Santos ao leme. As reflexões irão chegando nos próximos dias.

 

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