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Comentador de Bancada

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Pré-Visões do Euro 2016 - Portugal (2)

Fazer previsões sobre o desempenho específico de Portugal é naturalmente difícil a pouco menos de 6 meses de distância. As considerações que fiz sobre as outras equipas dirigiram-se a ideias gerais, sem especificar que jogadores serão chamados, quem estará em forma ou lesionado ou se haverá ainda outras circunstâncias que condicionem uma participação. Isto é tão óbvio que não deverá suscitar contestação. Ainda assim tentarei deixar algumas ideias gerais.

 

Como referi no post anterior, a melhor coisa que poderá acontecer a Portugal entre este momento e Junho seria uma lesão de Ronaldo que o afastasse dos relvados entre Janeiro e Março. Dar-lhe-ia tempo para descansar e, a partir de Março, para recuperar a forma a tempo de participar no Europeu. Para lá deste aspecto torna-se difícil prever muito, não só porque (como indiquei antes) não sabemos quais os 23 jogadores que Fernando Santos chamará mas, especialmente, porque atrás de Ronaldo, o nível dos jogadores é bastante nivelado: há poucos jogadores que se destaquem.

 

Há uma geração a bater à porta da selecção principal e que poderá estar representada com alguns jogadores em França. João Mário terá provavelmente o bilhete seguro, Paulo Oliveira, Bernardo Silva, Raphël Guerreiro e William Carvalho também ou lá perto. Poderá ser excessivamente cedo para jogadores como Rúben Neves, Gonçalo Guedes ou Nélson Semedo, especialmente se o objectivo de Fernando Santos for o de ser competitivo agora ao invés de sacrificar esta vertente em favor de dar experiência aos jogadores mais jovens. Outros jogadores que poderão ir a França - e que na minha opinião não adicionarão muito - são Bosingwa, Eliseu, Varela, Éder ou Hugo Almeida. Os quase certos, se estiverem saudáveis, serão (além de Ronaldo) Patrício, Pepe, Bruno Alves, Coentrão, Tiago, Moutinho, Nani, Danny. Perante estas observações é possível - mesmo sem prever os 23 - imaginar como Portugal alinhará e o que se poderá passar.

 

O Grupo:

Áustria, Islândia, Hungria são os adversários. Destes, a Áustria trará a maior dor de cabeça aos portugueses (já tinha escrito que preferiria não os enfrentar). David Alaba demonstrará toda a sua qualidade e será a estrela do jogo no meio campo (em ambas as equipas). Marc Janko poderá muito bem marcar um golinho se tiver Bruno Alves por perto e Arnautović está em excelente forma e muito mais consistente que no passado. Além disso as bolas paradas serão novamente uma fonte de problemas. A Islândia trará novamente uma equipa organizada mas possivelmente sem rodagem para Portugal. Fechar-se-ão atrás e até poderão conseguir um golo, mas Portugal deverá conseguir marcar dois. A Hungria é o adversário mais fraco e também o último. É muito possível que Portugal esteja já qualificado nesse jogo (no novo formato isso será relativamente fácil) e jogue com as reservas. Só isso poderá minimizar o potencial de uma goleada. A previsão será de um empate com a Áustria e vitórias contra Islândia e Hungria, passando em primeiro.

 

Eliminatórias:

Assumindo que Portugal fica em primeiro no grupo, irá provavelmente enfrentar Bélgica ou Itália nos oitavos de final. As minhas esperanças ficam quase esgotadas neste ponto. Os belgas são melhores que os portugueses e dos italianos, mesmo numa fase pior da sua história, espero uma equipa mais forte que aquilo que se prevê, especialmente após Conte ter todos os jogadores ao seu dispôr na preparação. É aqui que Portugal dependerá muito de Ronaldo. Contra a Itália Ronaldo terá mesmo de resolver o jogo. Contra a Bélgica terá de estar ao seu melhor nível galáctico. Em qualquer dos casos as esperanças são reduzidas. Não que Portugal seja assim tão fraco para ficar pelos oitavos, mas o sorteio que lhe deu um grupo relativamente simples trará uns oitavos difíceis.

 

Muito dependerá, mais uma vez, de Ronaldo. Mas dependerá também de a equipa encontrar outras soluções, para não tornar o jogo excessivamente previsível e permitir aos adversários concentrarem-se apenas na nossa estrela. Contra os belgas seria importante jogar com um ponta de lança móvel, capaz de descer ao meio campo e arrastar um central consigo - Vermaelen, Vertonghen, Kompany, etc, têm esse hábito - e dessa forma abrir espaço para um jogador vindo de trás (preferencialmente um médio).

Já contra a Itália a solução seria a oposta. Os centrais italianos sentem-se confortáveis mantendo a posição e não gostam de não ter jogadores para marcar. Aqui seria importante ter uma frente de ataque de jogadores móveis que não se juntam ao BBC italiano (Bonucci-Barzagli-Chiellini) e usar alas clássicos para expôr a falta de largura dos italianos.

 

Preversamente, ficar em segundo lugar no grupo poderia ser mais atraente, dado que daria para enfrentar o segundo classificado do grupo B, muito possivelmente a Rússia (outras opções seriam Inglaterra, Gales ou Eslováquia). Qualquer destes adversários seria mais simples que Bélgica ou Itália e não será de espantar ver Áustria e Portugal a tentar ficar em segundo, tirando o pé do acelerador após vencerem adversários para não marcar muitos golos.

A Rússia seria um adversário chato, mas mais acessível que Bélgica, Itália ou Áustria. Contra a Inglaterra Portugal tem bons pergaminhos e o estilo português encaixaria que nem uma luva no dos ingleses (gostam de atacar e deixar espaços atrás, sendo que são mais frágeis defensivamente e chegarão com pouca experiência internacional). Gales e Eslováquia seriam em princípio acessíveis, especialmente a este nível, onde não têm experiência. Vencendo este jogo nos oitavos de final, Portugal enfrentaria provavelmente a frança, que aponto como a principal candidata e que teria argumentos mais que suficientes para os portugueses.

 

Conclusão: Portugal irá provavelmente ter um torneio razoável, onde o melhor a que aspirará serão os quartos de final (caso fiquem em segundo no grupo). Este cenário nem é difícil, dado que é possível prever austríacos e portugueses a terminarem o grupo em igualdade pontual mas com os portugueses com pior diferença de golos. Neste cenário, Portugal teria 3 vitórias (Islândia, Hungria, Rússia), um empate (Áustria) e uma derrota (França). É excessivamente cedo para fazer uma previsão final, mas eu ficaria satisfeito com esta participação, especialmente se alguns jogadores mais jovens recebessem oportunidades.

 

Quanto a Ronaldo, parece-me cada vez mais óbvio que nunca terá um torneio no seu palmarés e que nunca dominará um torneio como se poderia supor. Isto não é estranho: não há já surpresas dessas no futebol internacional e os tempos de Maradona dominar o Mundial acabaram há 30 anos. Uma participação até aos quartos de final com uma equipa apenas razoável já não seria de recusar. Penso que terá de se contentar com tal.

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