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Comentador de Bancada

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Balanço ao Europeu de Portugal

Começo logo pela primeira confissão: não queria Fernando Santos como treinador quando Paulo Bento foi despedido. A razão era a suspensão que lhe pesava sobre a cabeça. Considerava que a mesma poderia colocar em causa o seu trabalho e poderia complicar desnecessariamente a vida à selecção. Felizmente foi encurtada e não teve consequências.

 

Segunda confissão: critiquei seriamente o estilo de jogo português. Nas eliminatórias consegui entender a opção de se focar na segurança defensiva mas no torneio entendi que não haveria necessidade, dado que havia também mais tempo para treinar os jogadores e criar um estilo mais atacante e fluido.

 

Feitas as confissões, as avaliação genérica.

 

 

Análise: Portugal - França. Final do Euro

De empate em empate até ao empate - e vitória - final. Portugal na final foi ainda mais fiel que antes a este princípio e às linhas gerais traçadas por Fernando Santos e preocupou-se em aguentar o jogo até que um lance individual permitisse vencer os franceses. Todos esperaríamos Ronaldo, Nani ou até Quaresma ou Sanches. Foi Éder, o mais improvável de todos. O caminho foi tudo menos linear, mas também por isso pode parecer mais saboroso.

 

 

Pre-análise: Final Portugal - França

E assim, de empate em empate Portugal chegou à desilusão da 1ª vitória e à final do Euro 2016. Agora vem um improvável (visto do final da fase de grupos) jogo final contra a França e um igualmente improvável (vista desde momento) primeiro título sénior.

 

Muitas pessoas há que olham para este jogo como uma quase inversão do Euro 2004, onde a equipa defensiva mas sólida chega à final do torneio contra a favorita que é a anfitriã. Para mais sendo o seleccionador português o anterior seleccionador de uma Grécia que continuava os ensinamentos dessa equipa de 2004. Em Portugal naturalmente que se espera que o resultado possa ser o mesmo, numa das mais puras expressões de pathos que consigo imaginar. A ironia ameaça afogar-me à medida que escrevo estas linhas. Adiante. 2016 não é 2004, França não é Portugal e Ronaldo leva 12 anos em cima. E, mais que tudo, Deschamps não é Scolari.

 

Tacticamente poderá parecer que Fernando Santos só tem que escolher os mesmos jogadores (idealmente com Pepe no lugar de Bruno Alves), uma vez que o melhor onze se escolhe a si mesmo. Isso seria um erro por vários motivos, mas acima de tudo por um muito simples: independentemente do adversário, é sempre boa ideia adaptar a nossa equipa ao adversário; tanto para nos protegermos dos seus pontos fortes como para explorar os seus pontos fracos. E é sob este prisma que previrei o jogo.

 

 

Análise: França - Alemanha

Este jogo tinha tudo para ser o mais interessante do Europeu: duas equipas capazes de jogar bom futebol, com o maior leque de opções tácticas e individuais à sua disposição, que gostam de ter a bola nos pés, com jogadores de enorme qualidade e, além de tudo, era um França-Alemanha, um jogo com suficiente história (mesmo que pouco recente) a apimentar tudo.

 

Löw e Deschamps tinham opções tácticas a tomar antes do jogo. Do lado alemão Löw tinha de decidir não só quem jogava no lugar dos lesionados Gomez e Khedira e do suspenso Hummels, mas também como colocaria os jogadores. Havia a especulação sobre se preferiria deixar o 3-5-2 do jogo com a Itália, numa forma de contrariar a dupla atacante francesa (Giroud e Griezmann). O argumento em contrário era a falta de Hummels, o que lhe retiraria a possibilidade de ter mais um jogador capaz de construir jogo a partir da defesa. A solução poderia ser jogar com Can a central (posição em que jogou no passado pelo Liverpool) mas isso arriscaria que Deschamps instruísse Giroud a colar-se a Can e a deixá-lo isolado.

 

No final Löw foi fiel a si próprio e, sem a motivação de enfrentar o seu papão (a Alemanha venceu pela primeira vez uma eliminatória contra a Itália nas meias-finais), o seleccionador alemão decidiu confiar na capacidade dos seus jogadores em manter a posse de bola e fez entrar simplesmente Schweinsteiger para o meio campo, Can como substituto directo para Khedira e Draxler para o ataque, com Müller a passar para ponta de lança. E aí começou a perder o jogo (embora, em força da verdade, tivesse poucas alternativas).

 

 

Análise: Portugal - Gales

E ao sexto jogo Portugal desiludiu. O jogo foi uma desilusão de início ao fim. Não existiu verdadeiro sofrimento, vencemos nos 90 minutos, Ronaldo marcou sem ter de salvar o jogo, Bruno Alves não teve uma falha de concentração que desse golo e conseguiu não levar amarelos. Os laterais fizeram bons centros, João Mário não andou perdido nas alas, Renato Sanches perdeu gás na segunda parte e perdeu alguns duelos físicos, Danilo fez passes de qualidade e até vimos André "o lânguido do Grijó" Gomes a sprintar no fim do jogo. Uma vergonha completa.

 

Agora a sério: cheguei ao fim acordado, mas o jogo continuou a ameaçar ser soporífico. Felizmente que Ronaldo apareceu e deixou cair o "t" e assim a defesa de três centrais galesa não serviu de muito. Os galeses perderam no entanto muito por não ter Ramsey, o seu segundo melhor jogador (que teria lugar no onze português) e que é o motor da equipa. Sem ele os galeses correram muito mas não tiveram quem ligasse o meio-campo e Bale. Sem médios ala, os galeses dependeram dos laterais para dar largura ao jogo, o que deu jeito à táctica portuguesa. Sem poderem jogar 2 contra 1 contra os laterais portugueses, os duelos nas alas ficaram resumidos à qualidade individual e Cédric Soares e Raphäel Guerreiro são superiores aos galeses Gunter e Taylor. Quando Bale ia para a ala era sempre acompanhado de um ou dois médios. Num par de ocasiões conseguiu livrar-se dos defesas, mas foi caso único. Com esta opção essencialmente barrada, os galeses tornaram-se relativamente ofensivos.

 

Já Portugal, sem necessidade de cobrir as alas, pôde deixar que os seus médios flectissem para o centro e criassem triangulações que mantinham a posse da bola e permitiam ir avançando. Não fazia muito pela penetração da defesa, demasiado fechada, mas não prejudicava. Era neste aspecto que íamos vendo a idade de Sanches, que de facto vai falhando passes, normalmente por questões de escolha do mesmo (ou do seu timing). No entanto estava sempre disponível para os receber, em movimentações constantes que garantiam que era difícil fazer pressão efectiva aos portugueses.

 

A primeira parte, no entanto, foi sensaborona. Não houve verdadeiras oportunidades e a melhor foi para Gales, com o canto rasteiro para Bale, que atirou por cima. Ronaldo podia ter tido um penalty, mas é da categoria "já os vi dados" mais que dos indiscutíveis. Foi na segunda parte que tudo mudou, essencialmente porque Ronaldo acertou com o alvo num daqueles golos de cabeça em que dá vontade se preencheu o plano de voo antes de saltar na semana passada. Pouco depois Ronaldo finalmente encontrou espaço, rematou mal, Sanches decidiu deixar a bola passar (por pensar que estava em fora de jogo ou para que a bola simplesmente pudesse seguir) e Nani empurrou de instinto para a baliza.

 

Depois disto Gales teve de arriscar e começou a avançar mais, chegando mesmo a mudar o sistema de 3-5-1-1 para um mais claro 4-4-2 ou 4-3-3. Eram desenhos táctcos que poderiam complicar a vida aos portugueses, mas neste caso funcionaram ao contrário. Chris Coleman, perante a falta de mais jogadores de qualidade, tinha encontrado uma fórmula que dava equilíbrio à equipa e retirava o máximo de Gareth Bale. Mudar o sistema libertava novas opções de ataque, mas a partir daí o efeito multiplicador da táctica ficava diluído e a qualidade individual dos portugueses (sim, mesmo Bruno Alves) veio ao de cima.

 

Até ao fim do jogo ficou claro que Portugal, se assim o desejasse, poderia ter marcado mais um par de golos. Não o ter feito não foi apenas uma questão de qualidade de finalização mas também do controlo que Fernando Santos decidiu imprimir à equipa. 2-0 bastava e não havia necessidade de cansar mais os jogadores e abrir espaços.

 

E agora vem a final. Portugal vai sabendo que qualquer que seja o adversário, não vai ser favorito. Não que isso incomode Fernando Santos. Encontrou uma fórmula que tem funcionado razoavelmente bem (apesar de um sorteio favorável - às vezes penso que o terceiro lugar foi de propósito) e não tem ligado ao que os outros pensam de um futebol mais feio. Num jogo contra a Alemanha ou França isso poderá ser favorável, especialmente se Ronaldo conseguir encontrar espaços.

Análise: Portugal - Croácia

Antes de mais: esta é uma semi-análise dado que não consegui ver a primeira parte. Da mesma forma não fiz qualquer análise do Portugal - Hungria onde só vi os últimos minutos.

 

Quero começar com uma confissão: quando a Croácia beneficiou de um pontapé de canto perto do fim dos 90 minutos, dei por mima  pensar: «marquem pel'amor de tudo o que vos é sagrado». E não era necessariamente um pensamento dirigido a um eventual contra-ataque português.

 

O jogo será definitivamente arquivado com a etiqueta "jogo muito táctico" mas deveria levar coma bolinha vermelha de "aconselhável apenas a pessoas com insónias". Analisar a táctica é simples e complicado. Simples porque pouco houve a analisar. Complicado porque é difícil explicar táctica quando as duas equipas se anularam.

 

 

 

Um problema chamado Ronaldo

Como resolver um problema como Cristiano Ronaldo? Ou melhor, como resolver todos os problemas que ter Cristiano Ronaldo traz? Muitos seleccionadores gostariam de ter esses problemas, dir-se-à, mas não me admiraria que alguns (Conte, por exemplo) estejam contentes de não ter um jogador semelhante. As expectativas sobem astronomicamente, torna-se necessário jogar em função de Ronaldo e, se não estiver ao seu melhor, a equipa parece não saber o que fazer. A isto acrescem os problemas do próprio jogador.

 

 

 

Análise: Portugal - Áustria

Mais um jogo, mais uma oportunidade perdida de vencer. Portugal jogou melhor que contra a Islândia (parcialmente porque os austríacos jogaram mais abertos) e criou suficientes oportunidades, mas continuou a não conseguir concretizar. Cristiano Ronaldo perdeu diversas oportunidades mas, mais que aquelas que falhou, notou-se que não está ao seu melhor do ponto de vista físico. As mudanças de jogadores tiveram alguns pontos positivos mas talvez pudessem ter sido outras. Portugal acaba por ficar quase obrigado a vencer contra a Hungria (líder do grupo) para poder garantir o apuramento.

 

 

 

Análise: Portugal - Islândia

O jogo de ontem fez-me lembrar frequentemente o único outro que vi até agora de princípio ao fim: o Bélgica-Itália.

 

Uma selecção apresentou-se como equipa, com o seu melhor jogador a não ser mais que uma peça extra e apenas mais um homem no sistema. A outra apresentou-se como uma colecção de indivíduos em que um deles é visto como superior aos outros. A diferença em relação ao outro jogo é que as peças individuais do onze que se apresentou como equipa não têm a mesma qualidade. Por isso o jogo terminou com um empate em vez de uma vitória da equipa em vez da colecção de indivíduos.

 

 

 

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