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Comentador de Bancada

Comentador de Bancada

Portugal na Taça das Confederações

No ano passado coloquei a questão: deve Portugal jogar para a vitória na Taça das Confederações ou simplesmente rodar jogadores e fazer cumprir calendário? A pergunta não era ociosa. Como se vê agora com a Alemanha, Joachim Löw decidiu-se pela segunda opção, fazendo alinhar jovens e alguns jogadores mais experientes que poderão não ter ainda a presença no mundial do próximo ano garantida a 100%. Fernando Santos, como sabemos, optou pela primeira opção: levar a equipa mais forte e tentar vencer a competição.

 

É uma opção lógica, tal como a alternativa o seria. Para uma equipa como a Alemanha, capaz de fazer alinhar uma segunda linha de jogadores e ainda ser candidata ao título, fazer descansar alguns jogadores seria sensível. Portugal, contudo, tem uma base de talento mais reduzida. Uma opção por descansar os jogadores mais experientes ou com mais jogos nas pernas acarretaria inevitavelmente maus resultados desportivos. Era uma opção de tudo ou nada.

 

 

 

Previsão da final: Juventus - Real Madrid

A final de amanhã da Liga dos Campeões promete ser das mais interessantes dos último anos. Será preciso recuar a 2008/09 para encontrar uma final onde as duas equipas mais fortes da competição se terão encontrado (Barcelona, que venceu 2-0 o Manchester United) como neste ano.

 

O Real Madrid vem de um ano onde Zidane surpreendeu (quase) toda a gente como treinador. Se havia muitos que duvidavam do seu sucesso na Liga dos Campeões do ano passado, este ano conseguiu vencer a liga e regressar à final, sendo a primeira equipa desde o Manchester United em 2008/09 a ter a possibilidade de defender um título e assim quebrar a maldição da competição (desde que terminou o formato da antiga Taça dos Campeões com a época de 1991/92) de nenhuma equipa conseguir reter o título (a última equipa que o conseguiu foi o AC Milan em 1988-90). Aquilo que Zidane trouxe ao Real Madrid mede-se menos em termos de inovações ou brilhantismos tácticos e mais na forma como gere a equipa (mais abaixo). Nada de espectacular na forma, mas silenciosamente eficiente levando a resultados fantásticos (um pouco como o jogador Zidane).

 

A Juventus conseguiu incrivelmente evoluir para lá da equipa que tinha perdido a final com o Barcelona há dois anos, mantendo apenas Buffon e Bonnucci nos dois 11 iniciais (entre o de então e o mais provável de amanhã). Chiellini, Barzagli, Lichtsteiner, Marchisio e Sturaro ainda fazem parte do plantel da Juventus, mas ou não iniciaram o jogo em 2015 ou não o iniciarão amanhã. No entanto, e apesar da perda de Prilo, Vidal, Pogba, Morata, Tevez ou Evra, a Juventus está indubitavelmente mais forte, ainda mais equilibrada e flexível que há dois anos. Este ano conseguiu sofrer apenas 3 golos em toda a competição e apenas um na fase de grupos, contra o Mónaco na segunda mão de uma eliminatória que estava já quase decidida. É uma equipa que parece estar confirtável a defender e a atacar e tem múltiplas formas de atacar colectivamente os seus oponentes e oferece um equilíbrio único.

 

 

Irá o VAR reduzir a qualidade da arbitragem?

Na sequência do meu post anterior sobre a introdução do vídeo-árbitro, fica uma outra reflexão baseada num exercício de imaginação de situações. Escolhi 3 casos genéricos para os quais uma matriz de análise oferece 4 cenários para cada caso: a infracção existe ou não, e o árbitro assinala ou não a potencial infracção. Caso a caso:

a) um caso de potencial penalty

  1) O penalty existe e o árbitro assinala: nada sucede. Decisão acertada e ninguém contesta.

  2) O penalty existe e o árbitro não assinala: o vídeo-árbitro revê e assinala o penalty. Não há contestação.

 3) O penalty não existe e o árbitro assinala: o vídeo-árbitro cancela a decisão mas a equipa que defendia contesta porque a decisão do árbitro elimina a possibilidade de um contra-ataque.

  4) O penalty não existe e o árbitro não assinala: Decisão acertada e ninguém contesta.

b) um caso de potencial fora de jogo

  1) O fora de jogo existe e o árbitro assinala: nada sucede. Decisão acertada e ninguém contesta.

  2) O fora de jogo existe e o árbitro não assinala: o vídeo-árbitro revê e assinala o fora de jogo. Não há contestação.

  3) O fora de jogo não existe e o árbitro assinala: o vídeo-árbitro cancela a decisão mas a equipa que atacava contesta porque a decisão do árbitro elimina a possibilidade de uma oportunidade de golo.

  4) O fora de jogo não existe e o árbitro não assinala: Decisão acertada e ninguém contesta.

c) um caso de potencial falta (possivelmente grave)

  1) A falta existe e o árbitro assinala: nada sucede. Decisão acertada e ninguém contesta.

  2) A falta existe e o árbitro não assinala: o vídeo-árbitro revê e assinala a falta. Não há contestação.

  3) A falta não existe e o árbitro assinala: o vídeo-árbitro cancela a decisão mas a equipa que atacava contesta porque a decisão do árbitro elimina a possibilidade de um ataque.

  4) A falta não existe e o árbitro não assinala: Decisão acertada e ninguém contesta.

  5) Caso adicional: o vídeo-árbitro decide que uma falta merece cartão amarelo ou vermelho ou rescinde a decisão do árbitro de o mostrar.

 

A linha comum a estes casos é que se o árbitro assinalar erradamente uma infracção, será contestado. Em caso de não assinalar infracções (ou não mostrar cartões) o peso da decisão recai no vídeo-árbitro e o árbitro de campo não é contestado. Se os árbitros de qualidade irão sempre procurar tomar a melhor decisão possível, os restantes poderão refugiar-se na opção de assinalar apenas as infracções mais óbvias, que resistam facilmente à revisão do vídeo-árbitro. Neste caso o ritmo de jogo será afectado por constantes pedidos de revisão de casos.

 

Poderei estar errado, claro está, mas é perfeitamente possível que de facto os árbitros joguem pelo seguro para evitar a contestação no momento, defendendo-se com a explicação de não conseguirem ver. A ver vamos o que acontece ao longo do ano.

 

PS - a minha análise acima parte obviamente do princípio que se o vídeo-árbitro toma uma decisão, essa não será contestada. Isto obviamente não sucederá sempre, mas tinha que limitar os meus casos.

Analisando a influência de Jesus no Sporting

Gabrielle Marcotti, cujos textos gosto imenso de ler, costuma escrever sobre o tema de mudar de treinadores que se deveria sempre tomar uma decisão com base num critério: a equipa evoluiu? Trago isto à baila a propósito de Jorge Jesus e a contestação de que é alvo no Sporting.

 

Quando foi contratado, Jesus constituiu um verdadeiro golpe de génio. Vindo do rival, com quem tinha vencido os dois campeonatos anteriores, e confessando-se sportinguista, Jesus era um tónico para os adeptos leoninos. Não era barato, mas também isso demonstrava a recém-reconquistada capacidade financeira do clube. É um treinador que gosta de futebol de ataque, valoriza jogadores e vinha com experiência de vitória e de jogar na Liga dos Campeões. Para dizer a verdade, era difícil encontrar um candidato melhor.

 

 

Colocar os carros à frente dos bois

A partir da próxima época a Liga Portuguesa passará a ter o sistema VAR, Video Assistant Referee. Sempre me senti algo dividido em relação a isto, em parte porque é preciso limitar a acção do árbitro assistente (não pode estar a rever toda e qualquer decisão ou não-decisão do árbitro) e em parte porque só é possível em ligas com capacidade financeira para tal (fala-se num investimento de 1 milhão de euros).

 

Infelizmente há muita gente que vê isto como um remédio para todas as supostas más decisões dos árbitros. Falou.se muito do caso piloto testado durante o mais recente França-Espanha, mas esse envolveu apenas jogadas que deram golo. Houve portanto uma pausa no jogo (devido ao golo) que permitiu ao árbitro receber a informação do VAR e corrigir a decisão. Que fazer numa jogada de suposto penalty ou cartão vermelho, quando uma equipa pára para o exigir? Pegando numa situação como a do Benfica-Sporting e nos casos de potencial penalty, o que sucederia? O árbitro pararia o jogo? E se a outra equipa aproveitasse a distracção dos aversários (ocupados a pedir a revisão do lance) para contra-atacar? Pararíamos o jogo?

 

Há obviamente soluções. Basta dizer que qualquer situação duvidosa será revista imediatamente mas o árbitro informado da decisão apenas quando o jogo páre. Aceitarão isso os jogadores? E se a decisão continuar a ser duvidosa (como no caso desses potenciais penalties)?

 

O importante nesta questão é que se entenda que, antes de qualquer implementação de um VAR, deveria ser operada uma mudança de mentalidade na Liga. Os jogadores deveriam ver mais facilmente cartões amarelos e vermelhos por protestos. Os árbitros deveriam ser mais protegidos, tanto no campo como antes e depois dos jogos (com castigos a treinadores e dirigentes por declarações que coloquem pressão sobre os árbitros).

 

Fala-se muito do rugby como exemplo, mas ali há um enorme respeito pelo árbitro e os jogadores sabem que têm que acatar as decisões sem reclamação. Será que um árbitro gay teria sido tão bem aceite como Nigel Owens? No próximo ano veremos queixas que os árbitros atrás dos ecrãs estão comprados, as imagens foram escolhidas a dedo e sei lá que mais. Usar o sistem VAR antes de limpar as atitudes no futebol não passa de tapar o sol com uma peneira e colocar os carros à frente dos bois.

O clima tóxico do debate futebolístico

Ao ler os comentários desportivos, entre jornais e blogues, descubro que é dominado por um facciosismo clubístico ou sectário (quando intra-clube) que de tão barulhento não deixa espaço para quase nada mais. É um facciosismo que se repete mas bastante amplificado quando passa para as televisões, onde não existem debates, apenas gritos de claques engravatadas. Se eu passar os olhos pelo meu feed do Facebook descubro as mesmas tendências, com posts dedicados a alfinetadas (quando escritos por pessoas educadas), ataques declarados (quando o autor de vê como assertivo) ou mesmo insultos grosseiros.

 

Não é nada de novo. Quem se sentasse à mesa de um café há cerca de 20 anos já o poderia sentir. As conversas eram fortemente tingidas pelas cores clubísticas e envolviam habitualmente um certo nível de oposição aos outros clubes. Isto era normal e saudável, sendo que raramente as discussões atingiam níveis violentos, mesmo que apenas oralmente. Ainda assim os jornais e televsões mantinham posições mais ponderadas, mesmo quando orientados para um clube.

 

 

Também aqui.

Sem sucessores para o trono

Foi há dez anos que um jogador não chamado Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi venceu pela última vez a Bola de Ouro (na versão só da France Football ou associada à FIFA). Estávamos em 2007 e Kaká tinha acabado de guiar o AC Milan à vitória na Liga dos Campeões. Abaixo dele ficaram nesse ano Ronaldo e Messi. Depois disso, um deles venceu o troféu e apenas em 2010 o outro não ficou no segundo lugar (quando Messi venceu o troféu e Xavi e Iniesta, acabados de levar a Espanha ao título mundial, ficaram no pódio).

 

Este domínio é completamente sem precedentes e será difícil que se repita. Sem precedentes porque raramente dois jogadores estiveram tão acima dos seus contemporâneos e mrcaram o jogo de forma tão brutal. Também porque nos períodos em que houve situações semelhantes (nos anos 50 com Puskas e Di Stefano, nos anos 70 com Cruijff e Beckenbauer, por exemplo), ne o domínio era tão intenso nem havia uma exposição mediática tão extensa e tão focada nos momentos de brilhantismo destes jogadores. Efectivamente, tão importante como os seus talentos e desejo de vencer é o apouio mediático que os jogadores recebem dos seus clubes e do seu staff, cientes que estão da mina de ouro que possuem.

 

 

Transferências, agentes e mercado do futebol

E chegados a 1 de Setembro, os adeptos fazem as contas aos negócios dos seus clubes e proclamam vitória. Comentar que o exercício é tão subjectivo como fútil é uma perda de tempo. Faz parte da natureza dos adeptos a celebração de um sucesso, real, imaginário ou apenas potencialmente futuro. Na ausência (ou escassez) de jogos a sério, os aeptos sentam-se nas bancadas dos cafés, levantam alegremente os jornais à laia de chachecóis e anunciam que nunca na sua vida esperariam que o seu clube fizesse negócios tão bons, os quais eclipsam qualquer movimentação dos rivais. Após os primeiros adeptos esvaziarem o balão de gás, começam então os mais cínicos a lamentar que o clube não tivesse conseguido obter aquele lateral-esquerdo tão desejado ou conseguido livrar-se daquela suposta estrela que apenas fez as delícias dos restaurantes da cidade.

 

Aquilo que os adeptos normalmente não vêem é a perspectiva financeira dos negócios. Apesar de se olhar para os negócios de transferências numa perspectiva mercantilistas de vendas menos compras, os clubes em geral olham para eles numa perspectiva contabilística, chata mas com mais garantias. Não posso dizer que os clubes portugueses sigam necessariamente a prática da maioria dos clubes europeus, mas uma vez que é precisamente esta lógica contabilística que a UEFA utiliza nas suas análises de fair-play financeiro, é de esperar que pelo menos os clubes com presença nas provas europeias ou aspirações às mesmas sigam as suas regras.

 

 

 

Balanço do Euro 2016

E assim terminou o primeiro europeu com 24 equipas. Para mim, que comecei a ver os mundiais em 1986, com este memso formato de 24 equipas, foi como um regresso ao passado. Não foi, no entanto, um regresso agradável. O conceito das 24 equipas era para mim na altura algo de estranho, pouco matemático. Hoje, sendo fácil a compreensão do conceito, torna-se ainda mais desagradável. Como muitos, considero que este formato terá sido, pelo menos em parte, responsável pela baixa qualidade de um torneio que terá sido o pior que vi desde o Itália '90.

 

 

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