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Comentador de Bancada

Comentador de Bancada

Transferências, agentes e mercado do futebol

E chegados a 1 de Setembro, os adeptos fazem as contas aos negócios dos seus clubes e proclamam vitória. Comentar que o exercício é tão subjectivo como fútil é uma perda de tempo. Faz parte da natureza dos adeptos a celebração de um sucesso, real, imaginário ou apenas potencialmente futuro. Na ausência (ou escassez) de jogos a sério, os aeptos sentam-se nas bancadas dos cafés, levantam alegremente os jornais à laia de chachecóis e anunciam que nunca na sua vida esperariam que o seu clube fizesse negócios tão bons, os quais eclipsam qualquer movimentação dos rivais. Após os primeiros adeptos esvaziarem o balão de gás, começam então os mais cínicos a lamentar que o clube não tivesse conseguido obter aquele lateral-esquerdo tão desejado ou conseguido livrar-se daquela suposta estrela que apenas fez as delícias dos restaurantes da cidade.

 

Aquilo que os adeptos normalmente não vêem é a perspectiva financeira dos negócios. Apesar de se olhar para os negócios de transferências numa perspectiva mercantilistas de vendas menos compras, os clubes em geral olham para eles numa perspectiva contabilística, chata mas com mais garantias. Não posso dizer que os clubes portugueses sigam necessariamente a prática da maioria dos clubes europeus, mas uma vez que é precisamente esta lógica contabilística que a UEFA utiliza nas suas análises de fair-play financeiro, é de esperar que pelo menos os clubes com presença nas provas europeias ou aspirações às mesmas sigam as suas regras.

 

 

O mito do valor da transferência

Sempre que se anuncia a transferência de um jogador entre dois clubes, a análise é imediatamente feita ao montante de dinheiro que é trocado entre eles. Uma análise um tudo nada menos superficial talvez fale do número de prestações. Se um jornalista quiser ser aventureiro, talvez refira comissões ou salários. No entanto a imagem é sempre muito pouco clara.

 

Antes de mais porque um valor de uma transferência é sempre algo nebuloso. Antes de mais pela questão câmbial. Se uma transferência for paga em duas prestações entre clubes de países com moedas diferentes, a segunda prestação poderá ser favorável a um ou outro clube, conforme as flutuações das moedas. As negociações muitas vezes cobrem este aspecto, mas não o tornam mais previsível. Outro aspecto sempre complicado é o dos impostos. Se um clube está a receber dinheiro por uma transferência, esse montante está naturalmente sujeito a impostos. O problema é que quando ouvimod que um jogador "custou" 30 milhões, não sabemos se é um montante líquido ou bruto nem quem ficou responsável pelo pagamento de impostos (os clubes vendedores muitas vezes exigem ao clube comprador que cubra também este valor). Este aspecto é ainda mais complicado quando os jogadores têm uma cláusula de rescisão, sem ser claro se a mesma é em valores líquidos ou brutos.

 

Outro aspecto a complicar são questões como comissões. Apesar de muitos clubes se orgulharem em não fazer negócios com agentes ou intermediários, a verdade é que se assim fosse poucos negócios fariam (sobre isto falo um pouco mais abaixo). Estas pessoas cumprem um papel na transferência e o seu trabalho tem que ser pago. Um dos pontos mais complicados de uma transferência é decidir quem cobre este valor. Se for o clube comprador, aos encargos da transferência somar-se-ão estes valores (muitas vezes 5-15% da transferência). Se for o clube vendedor, ao dinheiro recebido será subtraído idêntico valor. A transferência de Paul Pogba da Juventus para o Manchester United, há muito acordada entre os clubes, esteve pendente algum tempo enquanto os clubes se entendiam sobre quem pagava as comissões de Mino Raiola, o agente de Pogba (aparentemente terão sido divididas).

 

A somar a tudo isto há a questão da imagem dos clubes. O clube vendedor quer passar a imagem de ter rentabilizado o jogador. O clube comprador de ter conseguido fazer o negócio por um valor abaixo do esperado. Por isso é normal que os dois clubes façam sair comunicados (ou transmitam a mesma informação através de "fugas") contraditórios, frequentemente com o consentimento do outro clube. É um pouco por isso que a transferência de Gareth Bale para o Real Madrid ainda está tão envolta em mistério. O Tottenham queria passar a ideia de só ter aceite a transferência por um valor recorde. O Real Madrid, querendo manter Cristiano Ronaldo feliz, fez passar a ideia que o valor estava abaixo da do português. Os clubes certamente que se entenderam sobre este aspecto e não se preocuparam com as contradições: o Tottenham tinha o dinheiro e o Real Madrid o jogador.

 

Assim, quando se ouve ou lê um valor, há que colocar um ponto de interrogação sobre o mesmo. Os valores veículados têm a virtude de dar uma ideia dos montantes envolvidos (25 milhões está acima de 15 milhões e abaixo de 35 milhões), mas dificilmente serão exactos (25 milhões recebidos poderá ser um valor tão baixo como 17 milhões ou tão alto como 32 milhões, dependendo dos pormenores). Além disto, os valores chegam habitualmente aos jornalistas vindos dos clubes e são tão exactos quanto a fonte do cube puder ou souber ser. Se a fonte for um secretário que viu os documentos, o valor poderá ser extremamente exacto. Se for um vice-presidente do marketing, é possível que saiba menos que a senhora que limpa a sala da direcção.

 

A contabilidade das transferências

Como referi, é muito fácil contabilizar os valores em termos de cash in/cash out sem tecer mais considerações. Há no entanto outros aspectos que os clubes consideram. Antes de mais, os clubes não pensam no valor que é trocado entre clube comprador e clube vendedor. Os clubes fazem a sua contabilidade ao ano e o valor da transferência é diluído pelo número de anos de contrato através do milagre da amortização. Se dois jogadores (A e B) forem transferidos por 10 milhões, um deles com um contrato de 4 anos e o outro de 5, o jogador A custará 2,5 milhões/ano e o jogador B apenas 2 milhões/ano. O montante é o mesmo, mas o jogador B representa um negócio melhor.

 

A este valor soma-se o dos salários. Usando os mesmos jogadores, com A a receber 1,5 milhões/ano e B 2 milhões/ano em salários, os valores que cada um custa são então ambos de 4 milhões/ano. Só que, tendo A assinado por 4 anos e B por 5, o primeiro custará um total de 16 milhões aos cofres do clube e o segundo um total de 20 milhões. Os valores totais são no entanto indiferentes, uma vez que o jogador A apenas dará potencialmente 4 anos de serviço e o jogador B poderá dar 5 anos. O essencial mantém-se: o valor a que os clubes prestam atenção é ao custo anual. No exemplo dado, os custos anuais seriam os mesmos e na comparação dariam o mesmo resultado que olhar apenas para o dinheiro transferido (os tais 10 milhões). Se no entanto os salários fossem invertidos (A recebesse 2 milhões/ano e B 1,5 milhões/ano), então o jogador A custaria 4,5 milhões/ano e o jogador B apenas 3,5 milhões/ano. O valor da transferência pintaria a imagem de um valor igual. A contabilidade dos clubes contaria uma história diferente: o jogador B seria bastante menos oneroso.

 

E é também por aqui que se tem que olhar para os orçamentos. Os clubes (a maioria deles) não tem um orçamento de transferências. Tem apenas um orçamento anual para gastar com jogadores. Voltando ao exemplo de cima. Um clube decide que pode gastar 4 milhões por ano com o jogador. Um cenário em que isto seria possível era o descrito acima: uma trasnferência de 10 milhões, amortizada a 5 anos com salários de 2 milhões/ano. Se no entanto o clube exigir mais dinheiro (por exemplo, 12 milhões), o custo em amortização passa a ser de 2,4 milhões/ano. Se assim for, o clube pode ter que baixar a oferta ao jogador para 1,6 milhões/ano, o qual pode ou não aceitar. Neste cenário poderia dar-se o caso de, por querer obter apenas 20% mais diheiro na transferência (valor que, omo explicado acima, pode nem ser tão significativo assim), o clube vendedor poderá não receber o dinheiro e ficar com o jogador no seu plantel. Se o o mesmo estiver a receber 1 milhão/ano e ainda tiver 2 anos de contrato, o clube passa a ter que dispender 1 milhão/ano em vez de ganhar um espaço de 6 milhões/ano (10 milhões amortizados pelos anos de contrato que o jogador tem mais o 1 milhão/ano de salários).

 

Voltando a exemplos. Outros dois jogadores, C e D, têm clubes interessados. C é mais experiente, tem um salário de 5 milhões/ano e 2 anos de contrato. D é mais jovem, tem um salário de 1 milhão/ano e 3 anos de contrato. C é transferido por 25 milhões e D por 35 milhões. O valor que trazem ao clube vendedor é encontrado dividindo o montante da transferência pelos anos de contrato que ainda tinha e somando os salários poupados. Assim, o jogador C rende 12,5 milhões/ano da transferência e 5 milhões/ano em salários, totalizando 17,5 milhões/ano. O jogador D rende 11.7 milhões/ano da transferência e 1 milhão/ano em salários, totalizando 12,7 milhões/ano. O jogador C, apesar de ter tido um valor de transferência consideravelmente mais baixo, representou no entanto melhor negócio para o clube vendedor que o jogador D. É por isso que certas vezes os clubes estão dispostos a negociar certos jogadores a valores mais baixos que os que seriam de esperar: porque na contabilidade geral, concluir o negócio de forma segura é mais vantajoso que perseguir valores algo imaginários.

 

Isto nem sequer considera os valores envolvidos em bónus de assinaturas, direitos de imagens ou prémios por objectivos (todos os quais podem ser substanciais). É tentador imaginar que Ibrahimović não custou nada ao Manchester United, mas o seu contrato, de apenas um ano, é substancial, no valor (reportado) de 11,4 milhões de libras/ano. A este valor terão que ser adicionados os valores de bónus de assinatura (sempre mais elevados quando não há transferência entre clubes) e os outros factores referidos acima. Neste artigo estão comparadas algumas das transferências mais sonantes de clubes ingleses desta época e pode-se ver que Granit Xhaka, que custou 30 milhões de libras ao Arsenal e assinoupor 5 anos, custa pouco mais por ano que Ibrahimović, com um custo de 12,5 milhões de libras/ano.

 

Concluindo: independentemente dos valores que um Benfica, Sporting ou FC Porto afirmem ter estado envolvidos numa transferência, de ou para o clube, há imensas rasteiras que uma análise directa ao valor pode acarretar. Em Portugal, onde os fundos de jogadores ainda vão tendo influência (a UEFA e a FIFA querem acabar com eles), haverá ainda saídas ou entradas extra de dinheiro que vão sendo esquecidas. Assim, apesar dos valores anunciados para Brahimi, Renato Sanches ou Slimani (sem considerar futuros pagamentos relacionados com prestações), convém pensar nos extra que poderão estar envolvidos e que poderão reduzir (ou mesmo melhorar) estes valores.

 

O papel dos intermediários

Hoje em dia é moda em Portugal anunciar que "o tempo dos intermediários acabou". Praticamente todos os clubes o fazem de tempos a tempos. A verdade é que é difícil imaginar um clube que de facto rejeitasse qualquer contacto por intermediários e exigisse que as negociações fossem feitas apenas e só entre clubes. Claro que é possível, mas tal estratégia acarretaria riscos.

 

Voltemos ao caso dos jogadores acima e à transferência onde o clube exige 20% mais. Se o clube estiver interessado em vender por questões financeiras (a mesma pode render 5 milhões/ano de lucro + 1 milhão/ano de folga aos cofres), tal exigência pode ser contra os seus interesses. Se o clube tiver recusado contactos através de agentes, não terá qualquer ideia dos montantes que o clube comprador estará disposto a pagar nem do que arrisca se esse valor extra que exige for retirado à oferta ao jogador. Neste caso, para ter simplesmente 1 milhão/ano mais, o clube arrisca-se antes a manter o 1 milhão/ano de custos com o jogador e não receber os outros 5 milhões/ano.

 

NUma negociação normal, com intermediários, o risco de tal acontecer seria menor. O clube interessado utilizaria intermediários para contactar o jogador e determinar o potencial interesse, desejos salariais e duração de contrato. No caso de estes estarem aproximadamente acordados, o clube contacta então o clube empregador através de outro intermediário para saber se existe possibilidade de transferência e quais os montantes aproximados que este desejaria. A ordem pode ser a inversa, mas a realidade é que o clube interessado não arriscaria um contacto directo. O jogador não pode ser contactado directamente por outros clubes sem autorização do empregador. O clube empregador, por seu lado, poderia usar um contacto directo como prova de interesse e tentar iniciar uma competição entre vários clubes. O clube interessado, que prefere a confidencialidade, utiliza então intermediários que lhe permitem manter uma posição de negação. Para o clube empregador, o uso de intermediários é até benéfico no caso de não querer vender. Se a proposta for oficial e for rejeitada, o agente do jogador poderá utilizá-la para exigir um novo contrato, mais vantajoso. Se a abordagem for por intermediários, há sempre a possibilidade de negar tais propostas.

 

Quando o clube interessado tiver um princípio de acordo com o clube empregador e com o jogador e se os montantes estiverem de acordo com o seu orçamento (mais uma vez a questão contabilística a entrar), as negociações reais podem começar e a probabilidade de a transferência ser concretizada é bastante elevada. A maior parte do tempo investido passou-se no entanto com intermediários a negociar no nome dos clubes e do jogador. Durante todo este período todas as partes do negócio podem negar a sua existência e fazer todo o tipo de declarações, frequentemente com o conhecimento dos outros. O clube empregador pode então afirmar que o jogador não está à venda por preço nenhum enquanto negoceia usando os intermediários, mas antes informa o clube interessado e o jogador que tal comunicado será publicado. É tudo parte do negócio.

 

Tudo isto oferece a todas as partes a possibilidade de dizerem o que quiserem se o negócio se concretizar ("oferta irrecusável", "excelente oportunidade de avançar na carreira", "muito bom valor por um jogador") ou mesmo se não for para a frente (os ainda mais fáceis "nunca estivemos interessados", "estou feliz aqui", "o jogador é instransferível"). Claro que o reverso da medalha são os custos acrescidos pelo trabalho destes intermediários. Este é no entanto um custo que a maioria dos clubes estão dispostos a pagar em troca de mais garantias no processo negocial.

 

Claro que é então possível um clube X recusar utlizar ou receber intermediários. Pode no entanto suceder que fazê-lo lhe retire a oportunidade de fazer excelentes negócios ou lhe dê uma imagem de clube imprevisível com quem é difícil negociar. Em regra isso poderá não ser um grande problema se os jogadores em causa forem apetecíveis a ponto de as propostas iniciais (de ou ao clube X) serem imediatamente elevadas o suficiente para acabar com o assunto depressa. No entanto é muito mais difícil estabelecer negociações se os jogadores em questão (do clube X ou nos quais o clube X esteja interessado) forem de qualidade média, do tipo que se encontra facilmente. Em tal situação, os clubes interessados ou vendedores poderão preferir não negociar com o clube X.

 

É uma atitude louvável (simpatizo com ela) mas acarreta muitos riscos num sistema que está construído para funcionar de forma diferente.

 

Os valores no mercado

É justo dizer que nos últimos anos o mercado de jogadores tem visto uma inflacção incrível. Apesar de como referido os valores publicados para transferências não contarem toda a história, eles permitem uma ideia do dinheiro envolvido, especialmente por os salários normalmente subirem em linha com esses montantes. Vemos então que hoje se gastam montantes por jogadores médios que até há pouco tempo só apareciam no caso de estrelas. Mais que isso, os valores estão a ser gastos por clubes que até há pouco seriam incapazes de tais feitos. Isso é tanto mais notório no caso da Premier League inglesa, onde o dinheiro que é distribuído pela televisão permite a jogadores de meio da tabela fazer ofertas que até há uns 3-5 anos estariam ao alcance de apenas 3 ou 4 clubes.

 

Não se trata apenas da Premier League, no entanto. O Atlético de Madrid juntou-se ao Real Madrid e ao Barcelona em capacidade financeira (ainda anda abaixo, mas já consegue ir competindo), os clubes alemães (Borussia de Dortmund, Wolfsburgo) conseguem também pagar valores mais elevados que num passado recente e até clubes portugueses estão dispostos a bater recordes anteriores. Isto é devido ao efeito da entrada de múltiplas fontes de dinheiro no futebol.

 

Com os valores que podem hoje pagar, os clubes ingleses preferem pagar um valor mais elevado por jogadores já num estágio desenvolvido a arriscar pagar menos por jogadores que ainda necessitem de tempo para chegar ao nível pretendido. Isso leva a que os clubes vendedores recebam mais dinheiro que no passado e o possam reinvestir, especialmente em jogadores que poderão dar lucro sendo transferidos mais tarde para esses mesmos clubes ingleses (uso o exemplo dos clubes ingleses, mas poderia falar também dos clubes endinheirados de outros países). Isso significa que se um clube pensa que pode receber no prazo de dois anos 30 milhões por um jogador, está disposto a pagar hoje 10 milhões pelo mesmo. O dinheiro recebido pode então ser reinvestido em transferências e salários e torna-se, para clubes mais pobres (e aqui também incluo os 3 grandes portugueses) como uma fonte regular de rendimentos (mesmo que algo mais imprevisível).

 

Este dinheiro das receitas provenientes de transmissões televisivas é de tal forma elevado que veio mesmo complicar as hierarquias na Premier League. O Arsenal, um clube com grande base de apoio e que andou vários anos em contenção de despesas para pagar o seu estádio novo, acaba por não beneficiar tanto do mesmo porque a vantagem competitiva que o mesmo lhe dá em termos financeiros acabou diluída pelos montantes que os restantes clubes têm recebido do bolo televisivo. Num momento em que o Arsenal esperaria usar o seu Emirates Stadium para chegar ao nível financeiro de um Manchester United, todos os clubes recebem uma injecção financeira tal que esse incremento de receitas tem um efeito menor que o esperado.

 

O mercado televisivo é no entanto apenas um dos aspectos financeiros cada vez mais explorados. A Champions League tem vindo a distribuir cada vez mais dinheiro e a cimentar progressivamente a posição das principais ligas (o novo desenvolvimento é garantir 4 lugares na fase de grupos às 5 maiores ligas). Outro aspecto que é cada vez mais explorado é o value branding, o valor da marca. Os clubes perceberam que os seus nomes são equivalentes a marcas e que estas têm um valor que vai muito além da simples venda de camisolas e cachecóis (que nem sequer rendem dinheiro directamente, com as marcas de equipamentos desportivos a receberem 80-90% do valor de venda de uma camisola). O valor da marca é explorado através de canais de televisão, outros meios de comunicação, uso da marca noutros produtos (jogos de computador, séries de televisão, filmes), digressões, merchandising diverso. O Manchester United foi dos primeiros clubes a explorar a fundo esta via e é ainda o principal beneficiário da abordagem. Actualmente, a tentativa de entrada em mercados ainda algo inexplorados e e crescimento (Estados Unidos, ainda e sempre China, Índia, África, Sudeste Asiático) demonstra o enorme potencial de crescimento, com a maior parte dos especialistas a prever um crescimento das receitas na ordem dos 500-700%.

 

Todo este dinheiro será sempre usado para financiar cada vez mais a aquisição de jogadores e, pelos clubes abaixo na cadeia alimentar, para financiarem os seus próprios modelos de negócio. A certa altura talvez seja possível ver inclusivamente os preços dos bilhetes a baixarem, dado que o eu peso será tão menor que uma redução poderá ser absorvida mais facilmente. Além disso, para os espectadores televisivos, parte do interesse estará em ver futebol jogado em estádios cheios, com emoção. Baixar os preços dos bilhetes, quando estes representarem uma fatia sibstancialmente mais reduzida das receitas, poderá fazer sentido também do ponto de vista financeiro.

 

Consideações finais

É cada vez mais interessante ver a dicotomia adepto/consumidor que os clubes praticam. Vendem uma imagem exterior baseada na ligação com os adeptos porque esta mantém a lealdade e mantém o valor de base, mas tentam usá-los essencialmente como fonte de receita (directa como pagadores, ou indirecta como parte do produto). Quando se olha para os valores das transferências, há tão pouca transparência que fazer comparações se torna indiferente. Os clubes fomentam esta falta de transparência, que garante animação mesmo na ausência de futebol e permite que a marca não seja esquecida. Os jornais, interessados em vender jornais com base na sensação das suas histórias, alimentam estes comportamentos de forma mais ou menos consciente.

 

Se isto será vantajoso no longo prazo para adeptos, jogadores ou para o futebol em geral é difícil dizer. Hoje o futebol é cada vez mais um produto com imensas marcas e cada vez mais consumidores. E enquanto continuarem a querer comprar esse produto, opaco, caro e abusador, o mercado para o mesmo não deixará de crescer.

 

Ler mais:

Transfer window: exposing the widely held myths about how clubs sign players

How much Paul Pogba, Zlatan Ibrahimovic, N'Golo Kante actually cost

How a transfer works

The era of the "player agent" is over, but they still have a place in football

 

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