Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Comentador de Bancada

Comentador de Bancada

Um problema chamado Ronaldo

Como resolver um problema como Cristiano Ronaldo? Ou melhor, como resolver todos os problemas que ter Cristiano Ronaldo traz? Muitos seleccionadores gostariam de ter esses problemas, dir-se-à, mas não me admiraria que alguns (Conte, por exemplo) estejam contentes de não ter um jogador semelhante. As expectativas sobem astronomicamente, torna-se necessário jogar em função de Ronaldo e, se não estiver ao seu melhor, a equipa parece não saber o que fazer. A isto acrescem os problemas do próprio jogador.

 

 

Sem Benzema ou Bale (ou Kroos, Marcelo, Modrić, etc) ao lado é mais difícil jogar. Isto parece-me tão óbvio que não me dou ao trabalho de explicar. Além disso, com esses jogadores Ronaldo consegue ficar mais solto (dar-lhe demasiada atenção poderia significar ser-se punido pelos outros) e ter mais espaços. Numa altura em que, com 31 anos, está a perder a capacidade de explosão que o caracterizava, isso torna-se cada vez mais fundamental.

 

Outro problema frequente é a insistência de Ronaldo em jogar todo e qualquer jogo. Ao fim de uma liga espanhola com 38 jogos, mais uma Taça do Rei com duas mãos, Liga dos Campeões e não sei que mais, Ronaldo chega habitualmente às grandes competições com demasiados jogos nas pernas. O mesmo pode dizer-se de Messi que, apesar de ainda ter frequentes viagens desgastantes para a América do Sul, consegue compensar por ter um estilo de jogo menos baseado na explosão. Ainda assim nota-se que também o argentino raramente brilha nas grandes competições.

 

Há depois a questão da atitude. Ronaldo quer fazer tudo e resolver tudo. Isto demonstra vontade e determinação, mas estas qualidades não são temperadas por uma boa capacidade de julgamento. Em todos os torneios internacionais que participou com portugal, Ronaldo marcou 36 livres directos (contando os de sábado). Total de golos: zero. Em termos de penalties, esta época Ronaldo apontou 12 (com o de sábado) e falhou 4. Converteu portanto 66,6% dos penalties. Na Permier League, por exemplo, a conversão anda pelos 80% (historicamente era de 85%). Ou Ronaldo é um marcador apenas sofrível de penalties ou o seu aparente declínio físico está a trazer ansiedade ao seu jogo o que o leva a falhar mais.

 

Tudo isto reflecte-se na equipa, especialmente sendo que Ronaldo é o capitão. Há capitães carismáticos que são seguidos pela sua força de vontade. Há capitães que lideram pelo exemplo e pelo trabalho. Ronaldo não tem possibilidade de utilizar qualquer das características. Não é carismático e, apesar da sua extraordinária capacidade de trabalhar intensamente, fá-lo de forma muito mais individualista que a maior parte dos jogadores. Isso não inspira os colegas, especialmente quando Ronaldo tende a estar no último terço do campo (ultimamente ainda até mais no último quinto...) e não pode transmitir liderança ao resto da equipa. A sua linguagem corporal não ajuda, parecendo permanentemente frustrado ou entre admirado e divertido com o resultado de algumas situações. Perante tudo isto os jogadores jogam para Ronaldo mas não parecem jogar por ele. Ronaldo não é um líder, mas perante a necessidade de o satisfazer como a indiscutível estrela da equipa, torna-se impossível ter líderes que se destaquem.

 

A evolução de Portugal está hoje em dia directamente dependente daquilo que Ronaldo decida. Se compreender que pode estar em declínio e decidir assumir o manto do líder e estrela que ajuda os outros a brilhar, Ronaldo poderá entrar nos anos finais da sua carreira na selecção da melhor forma e até fechá-la com chave de ouro, mesmo que nunca atinja esse desejo de um improvável título. Se insistir (ele e a selecção) na sua actual imagem, da estrela intocável, o melhor do mundo e de uma equipa que tem de jogar para ele, o melhor seria que deixasse de ser convocado para permitir a evolução dos outros jogadores.

 

Seria uma decisão difícil e quase impensável, mas hoje Ronaldo é quase um eucalipto a secar o terreno à sua volta. Se continuar por esse caminho, a travessia no deserto só se agravará e arrastará uma geração de bastante qualidade consigo.

 

1 comentário

Comentar post

Mais sobre mim

imagem de perfil

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D