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Comentador de Bancada

Comentador de Bancada

Mundial 2018 - análise

E o mundial terminou. Teve surpresas, bons jogos, controvérsia, novidades, algumas estrelas de Verão, uma nova super-estrela, muito sol, muita alegria, nenhum problema notório, um vencedor consensual, histórias agradáveis e futebol em geral mais aberto, mesmo quando com poucos golos. Foi melhor que os últimos dois mundiais e nos últimos 30 anos só 2006 terá estado ao mesmo nível. Foi um belo mundial.

 

França campeã. Não totalmente estranho, nem para mim nem para ninguém. Tinha-os colocado no meu lote de candidatos e apontado como a melhor equipa no papel. Na altura pensei que não tivessem o equilíbrio necessário, mas Deschamps conseguiu-o com alguns sacrifícios de talento e um desenho táctico assimétrico para proteger um lado (esquerdo, com Matuidi) e libertar o outro (direito, com Mbappé). Nas laterais sacrificou Sidibé e Mendy e fez alinhar dois jovens centrais versáteis (Pavard e Hernández) que foram dos mais seguros do torneio. No meio campo teve um Pogba em modo de segurança, só mostrando a sua qualidade quando necessário e sabendo que tinha o fenómeno Kanté nas costas. Em todos os jogos depois do de abertura deram sempre a ideia que não estavam a jogar ao seu máximo e, embora tivessem sempre que subir um degrau a cada jogo, deu sempre a ideia que tinham mais uns níveis de reserva se tal fosse necessário.

 

A Croácia capturou a imaginação no torneio e terá conquistado a maioria dos espectadores neutros. A forma como jogaram 3 prolongamentos seguidos, com jogadores lesionados, sem nunca deixarem o cansaço vencê-los e lograrem ainda ter força mental suficiente para passarem dois desempates por penalties seguidos, tudo isso os alçou à categoria de heróis. Na altura tinha-me esquecido deles na segunda linha (corrigi parcialmente a mão, mas já mais tarde) mas não devia. Com todos os cilindros a funcionarem perfeitamente, os croatas seriam uma mão cheia para qualquer adversário. Provaram-no e demonstraram que só não seriam superiores à França. Modrić mereceu o seu prémio de melhor jogador, Rakitić foi excepcional, Perišić foi sempre um problema para quem o apanhou pela frente e Mandžukić deu sempr o  equilíbrio necessário à equipa. Foi pena não os ver vencer, mas a caminhada fez sonhar.

 

 

Portugal Adormecido 1 - Marrocos 0

Antes de mais: considero o resultado justo porque qualquer resultado é justo se não houver interferência de factores não-desportivos (arbitragem, corrução, etc). Uma equipa que marca numa única oportunidade pode vencer outra que tem 30 remates à baliza sem marcar. A eficácia e a sorte são parte do jogo. Este jogo não viu um caso tão extremo, mas foi perto de inacreditável que Portugal tenha vencido este jogo contra uma equipa de Marrocos claramente superior.

 

O jogo começou quase com o golo português, ainda antes de haver qualquer definição táctica. O jogo a sério começou depois do 1-0.

 

Tacticamente

Fernando Santos fez uma única alteração: Bruno Fernandes saiu do onze inicial para entrar João Mário. Bruno Fernandes não tinha parecido estar ao nível necessário e João Mário tem experiência a jogar na posição que Fernando Santos lhe pede: algo entre médio esquerdo, médio centro e médio ofensivo. No resto o desenho habitual: 4-4-2, por vezes mais um 4-2-2-2 em que os médios exteriores (João Mário e Bernardo Silva) apoiam os laterais a defender e os laterais oferecem a largura ao jogo.

 

Infelizmente Hervé Renard, o seleccionador de Marrocos, identificou as alas como o ponto fraco a explorar em Portugal e lançou alas clássicos aos laterais portugueses com o apoio dos laterais e sempre de um dos médios centro. O resultado era que as laterais estavam constantemente expostas, especialmente quando algum dos médios exteriores não apoiava o seu lateral. Isso foi o caso no flanco esquerdo português. Raphaël Guerreiro demonstrou constantemente que estava com pouca rotina (passou muito da época lesionado) e João Mário não dava quase nenhum apoio. Nordin Amrabat teve sempre liberdade para se lançar a Guerreiro, usando a sua velocidade, força e técnica para fazer a vida negra ao português. Sem ajuda de João Mário, foi possível a Nabil Dirar apoiar e causar problemas sem fim.

 

No lado direito de Portugal, Cédric Soares tinha menos problemas devido ao apoio de Bernardo Silva. O jogador do Manchester City foi quase inexistente no ataque (nisto não foi diferente do resto da equipa) mas ia apoiando a defesa. No centro do terreno, William Carvalho e João Moutinho estavam reluctantes em apoiar as alas e desguarnecer o centro, o que se compreendia. O resultado eram alas completamente sobrecarregadas e um meio campo português quase sem nada para fazer.

 

As coisas melhoraram um pouco com uma mudança táctica para um 4-5-1 (que teoricamente seria um 4-3-3 no ataque), com Gonçalo Guedes a sair do centro do terreno para a ala esquerda e João Mário a mudar-se para o centro do terreno. Isto inicialmente equilibrou a equipa, porque Guedes deu um pouco mais de apoio e Dirar estava mais cauteloso nas suas investidas ofensivas. A melhor oportunidade portuguesa surgiu da subida de Guedes pela esquerda, recebendo um passe perfeito de Ronaldo e rematando na direcção do braço do guarda-redes marroquino quando deveria ter marcado.

 

O problema foi que os portugueses, tendo conseguido um pouco mais de espaço para jogar enquanto os marroquinos avaliavam as consequências da mudança táctica, desperdiçaram esta conquista com um jogo lento, muito lento, lentíssimo, sem qualquer urgência, atenção ou determinação, que fazia com que as únicas opções atacantes fossem bolas longas de Pepe para os flancos. Perante isto, os marroquinos passaram a apoiar os alas com os médios centro e voltaram a causar estragos - e muitas oportunidades que foram desperdiçando.

 

Displicência

Os marroquinos foram sempre perigosos e só má finalização, falta de sorte e, em duas ocasiões, Rui Patrício, os impediram de marcar. Poucas diferenças existiram no jogo dos marroquinos, que de vez em quando mudavam posições aos jogadores (com Zyach e Amrabat a trocar ocasionalmente de ala) e continuavam sempre a empurrar os portugueses para a sua área e só o falhanço nos remates e o trabalho de Pepe e José Fonte foram poupando os portugueses.

 

Aquilo que se foi notando foi no entanto o extremamente fraco jogo dos portugueses, que por vezes demonstravam imensas falhas: pouca familiaridade com as funções que tinham - Gonçalo Guedes a não atacar um cruzamento da direita e a esperar que a bola lhe caísse - acção típica de um ala; pouca urgência no passe - quase toda a gente não chamada Fonte, Pepe e Moutinho; pouca atenção nas suas funções - William a descair para entre os centrais deixando 3 a marcar 1 quando os marroquinos tinham dois jogadores em frente da área; e simples falta de cuidado - Guedes, Gélson, Bernardo Silva, todos a tentar driblar pelo meio da floresta quando deveriam procurar trocas de bola.

 

Os portugueses foram constantemente descuidados e até Fernando Santos foi culpado disto. Ter deixado Guedes até ao final não fez sentido, ter esperado tanto tempo para retirar João Mário também não e não percebi porque razão fez entrar Bruno Fernandes quando o jogo estava a pedir um Adrien Silva. João Moutinho foi constantemente explorado nas bolas paradas dos marroquinos: a bola acabava invariavelmente na zona onde estivesse Moutinho, para explorar a sua falta de altura. Fernando Santos deveria ter metido Moutinho fora da área (mesmo que na barreira) e colocado outro jogador para evitar este problema.

 

Aquilo que os marroquinos fizeram vezes sem conta foi isolar os portugueses: Guerreiro, Cédric, Moutinho (nas bolas paradas), William. E defensivamente fizeram o mesmo, obrigando os portugueses a pensar que tinham que driblar pelos adversários, em vez de receber apoio para triangulações. Haveria formas de resolver estes problemas, mas a atitude portuguesa não ajudou.

 

No fim, Portugal venceu com muita sorte e Marrocos tornou-se a primeira equipa eliminada neste mundial. Agora que venha o Irão e que Portugal jogue melhor. Independentemente do resultado do jogo Espanha-Irão, os iranianos chegarão ao último jogo com possibilidade de se qualificar. Se Portugal não melhorar (e deixar de depender de Ronaldo para tudo), a selecção corre sérios riscos.

 

Os jogadores

Patrício, Pepe e Fonte foram heróis. Pepe e Fonte tiveram falhas, mas nada de excepcional, viram-se frequentemente obrigados a enfrentar múltiplos jogadores vindos em velocidade. Patrício foi perfeito. Cédric e Guerreiro foram os mártires. Não estiveram particularmente mal dada a falta de apoio, mas ainda assim esperar-se-ia mais. William Carvalho esteve razoável na posse de bola, mas sofreu da mesma falta de urgência - felizmente que a sua força física lhe permitiu aguentar os adversários sem perder a bola. Infelizmente esteve muito fraco defensivamente, tendo ganho poucas bolas ou afastado poucas vezes o perigo.

 

João Moutinho foi o melhor português. Recuperou imensas bolas, foi o melhor a passar a bola (a competição não era muita, diga-se a verdade) e ainda contribuiu com a assistência para o golo. Teve muita sorte de não sair com amarelo - fez várias faltas num período curto de tempo - mas sem ele Portugal teria precisado de um milagre ainda maior.

 

Bernardo Silva ajudou bastante defensivamente e ocasionalmente libertou-se da pressão. Mas também esteve miserável a passar a bola, mas foi dando mais protecção a Cédric que aquela que Gélson ofereceu. Gonçalo Guedes esteve ocasionalmente bem defensivamente e quando aparecia ofensivamente causava problemas - terá sido por isso que se foi mantendo - mas desapareceu muito frequentemente. Deveria ter marcado quando Ronaldo o isolou e esse erro poderia ter custado caro.

 

Ronaldo... Marcou o golo, esteve afastado da bola, exceptuando quando os portugueses o tratavam como se fosse um Peter Crouch. Quase marcou numa jogada que inventou sozinho e deveria ter acabado com uma assistência para Guedes. Deve estar a rezar para que os outros jogadores acordem da letargia e deixem de pensar que ele resolve tudo.

 

Gélson, Bruno Fernandes e Adrien. Entraram mal. Bruno Fernandes estava a dormir, Gelson parecia um puto cheio de vontade convidado para o jogo dos crescidos, a correr muito mas sem saber para quê ou para onde. Adrien entrou tarde e não teve possibilidade de apanhar o ritmo.

 

João Mário. O quanto menos se disser dele melhor. Decisões erradas, mexeu-se por vezes como se fosse um amador convidado a jogar uma peladinha com profissionais, não defendeu, não atacou, corria para ir pedir a bola a dois metros dos colegas e devolvia-lhes a bola mas agora sob pressão... A única coisa que fez bem foi recuperar 3 bolas (tantas como William, mas em locais menos perigosos) e em pelo menos um dos casos perdeu-a de imediato por se lançar pelos adversários. Se não mostrar mais nos treinos, arrisca-se a não jogar mais neste mundial. Deveria ter saído ao fim de meia hora. E eu a pedir que ele entrasse para o lugar de Fernandes no primeiro jogo...

Mundial - dia 5

A primeira jornada está (quase) completa (faltam os últimos 2 jogos) e decido deixar já uns apontamentos.

 

Candidatos

Dos 4 candidatos que apontei, a Espanha foi a única que verdadeiramente me impressionou. Depois da confusão com o despedimento de Lopetegui conseguiram manter-se focados, jogaram o seu jogo característico (a espaços de forma irresistível) e demonstraram força mental ao conseguirem duas vezes empatar depois de estarem a perder. Também foram bastante seguros a defender, com os golos a surgirem fruto do génio de Ronaldo e um erro de De Gea. Uma vez que não voltarão a enfrentar Ronaldo até à final (se ambos lá chegarem), terão ganho confiança. Para mais Diego Costa parece ter encontrado o seu nicho.

 

Os alemães?... Li comentários sobre a falta que a velocidade de Sané estaria a fazer. Talvez, mas o problema não estava numa posição específica. Brandt, Reus e outros são rápidos q.b. O problema era a lentidão de processos, da execução de passes, movimentações, etc. A jogarem assim podem correr riscos, especialmente depois da vitória dos suecos, notórios por serem difíceis de quebrar. Muito dependerá de como os jogadores reajam.

 

Os brasileiros conseguiram simultâneamente impressionar e desiludir. Impressionou a forma como conseguiram penetrar a organizada defesa suíça, muitas vezes parecendo que era fácil. Por outro lado foi estranho como conseguiam não aproveitar essas oportunidades. Penso que se conseguirem afinar os processos, especiamente no remate, que serão aquilo que muitos (não eu, pelo menos até agora) os consideram: os maiores candidatos.

 

Já os franceses pareceram o que têm parecido constantemente sob Deschamps: uma manta de retalhos de jogadores fabulosos e que parece que se juntaram para uma jogatana de domingo e que até à hora do jogo nunca se tinham visto na vida. No jogo com a Austrália valeu que a qualidade individual (e um pouco de sorte) bastaram. Ainda assim, apesar da desilusão, foram o único candidato a vencer.

 

Segunda linha

Portugal - oremos a Ronaldo nosso que (por vezes) está no céu.

 

A Argentina, a jogar assim, bem precisa de orar a Messi. De outra forma não dará em nada. Conseguiram um penalty duvidoso, foi-lhes negado outro mais claro (na minha opinião) e Messi não marcou. De resto necessitaram que Agüero inventasse espaço para marcar o golo. No resto do jogo, um deserto de ideias.

 

A Croácia não estava no meu post mas deveria. Futebol fluido, rápido e lento conforme a necessidade e, desde que não haja erros clamorosos da defesa, normalmente seguros. Modrić não parece afectado pelos problemas extra futebol e a Croácia começa a merecer que se lhes preste atenção.

 

A Bélgica jogou como se os jogadore snão tivessem vontade de ali estar, como se o resultado fosse uma formalidade que aconteceria mais minuto menos minuto. Tinham razão, como o demonstraram já na segunda parte do jogo contra um muito limitado Panamá, mas as grandes equipas não jogam com aquela displicência. Hazard receberá elogios pela assistência para o segundo golo (primeiro de Lukaku) mas a maioria das suas decisões foram más, optando por reter a bola e tentar penetrar florestas de jogadores quando tinha colegas para trocar a bola. A Bélgica teve a vitória mais expressiva, mas continua sem convencer.

 

A Inglaterra esteve a minutos de ter o início habitual: sair sem vitória. Foram na primeira parte claramente superiores a uma Tunísia mediana e deveriam ter vencido o jogo com as oportunidades da primeira meia hora. Depois da igualdade junto ao intervalo demonstraram a fragilidade mental habitual. Valeu-lhes que têm um Ronaldo mental (mesmo que não noutros aspectos) em Kane, que marcou os dois golos. Agora vão embandeirar em arco a pensar que os quartos de final serão uma formalidade (será quase impossível não saírem do grupo). Os adversários, esses, estão já a marcar Kyle Walker no mapa.

 

O grupo H é o mais interessante e tem dois potenciais candidatos de segunda linha: Polónia e Colômbia. Depois dos jogos de hoje veremos se há razões para o pensar.

 

Rápidas

A Islândia continua a ser um fenómeno de dedicação e conquista quem os vê. Os uruguaios ganharam o jogo quando os egípcios perceberam que Salah não entraria. Irão e Marrocos foram uma excelente inspiração para terminar um relatório. Perú... que pena não terem vencido. O México poderá surpreender, há ali muita qualidade.

 

Veremos a segunda jornada e quem ficará já apurado. Bélgica e Inglaterra serão quase certas. O México penso que será a outra equipa. Das outras não creio que haja uma única que esteja descansada, seja pela qualidade do oponente, seja por não terem vencido o primeiro jogo.

 

O que vemos é que há poucos bombos da festa. A Arábia Saudita é um, o Panamá poderia ser outro contra outros adversários. Os restantes sabem pelo menos o essencial de defender para poderem fazer a vida difícil aos adversários.

Ronaldo 3 - Espanha 3

Tento não ir por estes títulos, mas hoje é dos dias em que não há volta a dar. Ronaldo segurou Portugal contra uma Espanha muito boa e que cometeu o erro de não ter acabado o jogo quando deveria. Ronaldo acordou e, ao 45º livre directo por Portugal em fases finais, finalmente marcou e empatou a Espanha. O jogo, no entanto, foi dos melhores que alguma vez se terão jogado em fases de grupos de mundiais. É de longe o melhor deste torneio até agora e será difícil ultrapassá-lo.

 

Início

Se a Espanha não surpreendeu e apresentou o onze esperado, incluindo Nacho no lugar de Carvajal, Fernando Santos terá surepreendido um pouco com Bruno Fernandes e Gonçalo Guedes no onze inicial. Se Guedes já parecia estar a ser preparado para começar os jogos, pelo menos a julgar pelos amigáveis, Bruno Fernandes terá sido mais surpreendente. A táctica no entanto parecia ser a de conter os passes rendilhados dos espanhóis no meio campo, fechar a defesa e lançar contra-ataques rápidos para o espaço entre o meio campo e defesa espanhóis e explorar a menor mobilidade de Piqué e Ramos.

 

De início a táctica funcionou perfeitamente. As movimentações rápidas dos portugueses deixaram Nacho isolado frente a Ronaldo e o penalty deu o 1-0. No resto da primeira parte ainda houve duas boas oportunidades para Gonçalo Guedes fazer o 2-0, especialmente a segunda. Pouco depois disso, veio o momento Diego Costa. O aríete embateu contra Pepe, Fonte e Cédric e marcou o golo do 1-1. Provavelmente terá feito falta sobre Pepe, mas é dessas sobras que o espanhol vive.

 

Isco quase fez o segundo golo num excelente remate e não teria sido menos do que merecia. Isco estava sempre disponível para receber a bola, entregando-a perfeitamente e, sempre que necessário, mantendo a sua posse com uma técnica fabulosa que fazia parecer que era impossível tirar a bola. Pelo meio ia tamém explorando os espaços entre defesa e meio campo que os portugueses deixavam com a sua linha de quatro jogadores a meio campo, especialmente com o posicionamento de William Carvalho, que bloqueava bem o centro do terreno mas não descaía para cortar linhas de passe em frente da defesa.

 

Valeu pouco depois o erro de De Gea que deixou Portugal na frente ao intervalo. Aqui Guedes fez o seu trabalho perfeitamente, recebendo a bola, criando espaço e deixando para Ronaldo rematar. De Gea deveria ter defendido, mas não nos vamos agora queixar.

 

Segunda parte

Os espanhóis começaram a segunda parte como terminaram a primeira, mas com uma diferença: a velocidade na troca de bola era estonteante e deixava os portugueses a perseguir sombras. Sempre que chegavam perto de um jogador com bola já esta tinha passado por mais dois. Esses rendilhados em velocidade abriram a defesa portuguesa em algumas ocasiões, mas faltava sempre alguém que finalizasse. O empate acabou por chegar numa bola parada estudada onde Busquets demonstrou maior experiência que Guedes para chegar a uma bola e a colocar no meio da área, onde Costa chegou mais depressa que a defesa portuguesa. Era merecido e os espanhóis continuaram a fazer por merecer esse empate.

 

O 3-2, esse... Se continuarem a jogar o mundial até 2026, o golo de Nacho provavelmente continuará a figurar entre os melhores do torneio, se não for mesmo o melhor. O remate é perfeitamente executado, a bola vai com velocidade, altura e ainda curva na direcção do poste. Nem com mais 10 centímetros de braços Patrício lá chegaria.

 

Com a vantagem, os espanhóis entraram na sua táctica defensiva preferida: manter a bola. Não valeu de nada fazer entrar João Mário, Quaresma ou André Silva, porque o problema não era de pessoal. Os espanhóis simplesmente mantinham a posse da bola e deveriam ter matado o jogo em várias ocasiões.

 

Não o fizeram e foi Ronaldo quem marcou o golo tratando do assunto ele próprio, essencialmente sozinho, demonstrando uma força mental incrível. Ainda houve tempo para Portugal quase vencer o jogo, valendo Busquets a bloquear o remate de Quaresma e o facto de Ronaldo estar a jogar ao pé coxinho e não conseguir cabecear da melhor forma um excelente cruzamento de João Mário.

 

Em geral

O resultado foi bom para ambas as equipas. Portugal terá ganho alento do facto de Ronaldo parecer ter ido com o arsenal completo para a Rússia. Alguns jogadores pareceram estar bem e apesar do excelente futebol, foram poucas as situações em que os espanhóis conseguiram realmente entrar na defesa portuguesa.

 

Os espanhóis conseguiram demonstrar a qualidade do jogo. Há poucas equipas que tenham jogadores capazes de, por si mesmos, combater a Espanha. Na verdade apenas o ciborgue Ronaldo e o extraterrestre Messi. As outras poderão ter de procurar outras soluções. Felizmente para elas que Fernando Santos apontou o caminho: lançar jogadores rápidos para as costas do meio campo.

 

Pela mostra deste jogo, absolutamente fantástico e que merece entrar na história dos mundiais, Portugal e Espanha apurar-se-ão sem grandes problemas. A questão poderá passar por quem passa em primeiro e em segundo. Veremos daqui a uns dias após o segundo jogo.

Mundial 2018 - segunda linha

Nesta previsão, vêm os que estarão, por uma ou outra razão, na segunda linha de candidatos. Justifico-me em cada caso.

 

Bélgica

Haverá quem os coloque como candidatos a par de uma Alemanha ou Brasil. Não o faço porque continua a ser uma equipa excessivamente desequilibrada e cheia de incerteza. Martinez é um treinador de qualidade, mas limitado e algo dogmático nas suas ideias. Hazard é um jogador imparável quando no seu dia, mas um passageiro que deixa a equipa a jogar com 10 se não o for. Os 3 centrais são excepcionais, mas dependem de ter Kompany saudável, o que não é certo (e o subsitituto natural, Vermaelen, passa ainda mais tempo na enfermaria). Os laterais são suspeitos, especialmente à esquerda (Meunier à direita não deslumbra mas é sólido o suficiente). No ataque Lukaku é excelente, mas a ala direita é entregue a mertens, que tem deslumbrado a jogar a ponta de lança.

 

De Bruyne, Dembelé e Witsel podem muito bem ser um trio excepcional, mas raramente deslubraram pela selecção. Fellaini dá mais consistência, mas menos qualidade de posse de bola e de passe. Aliás, a escolha no meio campo esclarece perfeitamente as dificuldades da Bélgica: imensa qualidade, mas dificuldades em a colocar no campo de forma equilibrada.

 

No seu dia, os belgas podem vencer qualquer adversário. Para serem campeões, necessitam de vencer mais equipas. E faltar-lhes-à qualidade para isso.

 

Portugal

Já escrevi sobre a selecção portuguesa aqui.

 

Em resumo, Portugal tem uma equipa muito boa, mas há grande diferença entre a qualidade de Ronaldo e do resto da equipa. Falta saber o estado de espírito dos (ex-)jogadores do Sporting, embora não seja a primeira vez que os jogadores vão à selecção obter conforto e esquecer os problemas no clube. E, claro, falta saber o que acontecerá na defesa, onde apenas Cédric e Pepe oferecem alguma segurança (e a de Pepe, dada a sua idade, é muito relativa).

 

Se Portugal estiver no seu melhor, podemos esperar algo de bastante bom, especialmente na versão de trancas à porta dos jogos a eliminar no europeu. No entanto poderá ser curto contra as melhores equipas. Pessoalmente preferiria ver os quartos de final como máximo com a equipa a jogar futebol bonito, mas penso que ficarei desapontado. Ainda assim, e mesmo que não o acredite, seria agradável ficar desapontado com a beleza e deslumbrado pelo resultado final.

 

Argentina

Lionel Messi e Jorge Sampaoli. Resumem-se a isto as esperanças reais dos argentinos. A equipa tem a qualidade no ataque e uma defesa muito incerta. Se Sampaoli conseguir implementar um estilo de jogo semelhante ao que impôs com o Chile (duvidoso, dada a diferença de estilos e de idades dos argentinos) e Messi estiver ao seu melhor, os argentinos poderão conseguir vencer. Caso contrário poderão ficar também pelos quartos de final.

 

Há ainda a questão de como emparelhar Messi. O sonho seria ver Aguero na frente apoiado por Messi e Dybala, mas isto não tem funcionado e afunila o jogo da equipa. Di María é um parceiro preferido de Messi, mas só permite essa alternativa numa das alas, com a outra sem jogador comparável (pelo menos em qualidade). Depois, ainda é necessário ganhar as bolas e o meio campo já não tem um Mascherano com a qualidade de anteriormente. Espero alguns momentos de magia e as individualidades a carregarem a Argentina contra adversários mais fracos ou comparáveis. Depois disso certamente que cairão.

 

Inglaterra

Sim, eu sei, são ingleses e perdem nos penalties nos quartos ou oitavos de final ou então nem saem do grupo. No entanto o grupo não é dos mais difíceis e apanharão alguém do grupo H, também sem pesos pesados, nos oitavos. Isso abre espaço para enfrentarem um Brasil ou Alemanha nos quartos de final e serem eliminados, mas num dia bom, nunca se sabe.

 

Os ingleses têm uma equipa jovem, que joga num sistema que reflecte aqueles a que os jogadores estão habituados nos clubes, e explora o desenvolvimento técnico e táctico que os mais jovens têm tido no contacto com Guardiola, Klopp, Pochetino ou Mourinho. Têm um ponta de lança que pode ser considerado o mais completo do mundo no momento e alguns jogadores verdadeiramente excitantes quando no seu melhor (Sterling, Alli). Têm também equilíbrio e possibilidade de variar o desenho táctico e escolher jogar com posse de bola ou de forma mais directa (usando Vardy, por exemplo).

 

A sua maior fraqueza está na maior novidade que Southgate introduziu: Kyle Walker a central. Embora isto empreste valocidade na defesa e qualidade no transporte de bola, também os expõe a atacantes mais altos e fortes. Não é difícil imaginar Lukaku a encostar-se a Walker para explorar esta opção e assim abrir a defesa (Stones seria obrigado a deslocar-se para a direita para apoiar e abriria assim o centro). O outro ponto fraco é a mentalidade inglesa: mesmo quando jogam de outra forma nos clubes, os ingleses parecem estar sempre a um clique de optar pelos passes longos e momentos Roy of the Rovers. Quando funciona, esses momentos criam heróis. Mais frequente é eliminarem a própria equipa.

Mundial 2018 - candidatos

Sei que isto chega tarde, mas avancemos com a minha lista de considerações sobre as selecções que vejo como verdadeiras candidatas ao título. Não há garantias que o vençam, são apenas as minhas apostas mais altas para isso, com base nas equipas e/ou consistência.

 

Alemanha

Não surepreende ninguém. Têm uma equipa que perdeu alguns jogadores fundamentais depois de 2014 (Lahm, Mertesacker, Schweinsteiger, Klose) mas parece de alguma forma ainda mais impressionante. Boateng e Hummels fazem uma dupla excepcional e estão habituados a jogar juntos. Hector pode ser apenas razoável mas não é pior que Höwedes há 4 anos a lateral esquerdo. Schweinsteiger não está mas Kroos recuou e a equipa está menos dependente de um duplo pivot defensivo. Klose foi-se e o seu oportunismo fará falta, mas Werner oferece qualidades mais alinhadas com o estilo da selecção.

 

Há quem considere que os alemães terão estagnado, mas penso que isso será uma percepção errada. Joachim Löw aproveitou a qualificação para ir introduzindo variações tácticas e agora a selecção é capaz de jogar em 4-3-3, 4-2-3-1 ou 3-5-2 e 3-4-3 quase sem se notar a diferença. Houve quem criticasse a ausência de Sané nos convocados, mas Löw pensa que ele não rende o mesmo na selecção que rendeu no Manchester City e tem em contrapartida outros jogadores altamente talentosos (finalmente teremos a oportunidade de ver o fabuloso Reus num campeonato). A grande dúvida prende-se com Neuer e as condições em que se apresentará. Se oferecer garantias, o estilo alemão muda completamente e a equipa subirá no terreno. Sem ele, a alternativa é Ter Stegen, um guarda-redes fabuloso mas que não dá as mesmas garantias com um defesa subida. Aqui poderá residir a grande dúvida sobre a Alemanha. Se Neuer estiver apto, penso que a Alemanha será a vencedora.

 

Espanha

A saída de Lopetegui lançou dúvidas, mas os espanhóis conhecem-se perfeitamente e Hierro não é exactamente um desconhecido dos jogadores. A maior dúvida relaciona-se com a capacidade deste de introduzir mudanças tácticas na equipa, antes ou durante o jogo, para explorar fraquezas ou limitar o perigo de um adversário.

 

No resto os espanhóis têm uma equipa sólida, criativa e eficiente. De Gea é provavelmente o melhor guarda-redes no torneio. Piqué e Ramos conhecem-se perfeitamente e formam uma dupla complementar e formidável. O meio campo (Busquets, Thiago, Koke, Iniesta, Silva, Isco...) é... bem, o meio campo espanhol. Pegam na bola, levam-na para um passeio e só a trazem de volta a casa depois da meia noite ainda feita cinderela mesmo que a fada madrinha não o queira.

 

A maior fraqueza é o ataque. Costa não liga bem com o resto da equipa, mas pode causar problemas suficientes a uma defesa para abrir espaços para os colegas. Aspas é mais fraco, mas liga bem com os colegas. Rodrigo está a meio em termos de qualidade, mas tem uma mobilidade que pode ser muito preciosa. Além disso, os espanhóis podem sempre jogar sem ponta de lança. Isco marcou 3 golos à Itália quando a Espanha jogou em 4-3-3-0. Se vencerem o grupo, como espero, terão caminho aberto até às meias finais e depois provavelmente jogarão a final contra a Alemanha. Dependendo das considerações acima, poderão então vencer... ou não.

 

Brasil

Há 4 anos perderam 7-1 e ficaram traumatizados. Terão resolvido o problema? Neymar não jogou na altura por lesão e agora vem de outra, mas está fresco. Gabriel Jesus, Coutinho, Costa, etc, não estiveram no massacre pelos alemães. Luiz não estará, mas Marcelo (o pior jogador desse jogo) sim. Mais importante, Tite não é Scolari.

 

Os brasileiros estão mais fortes e mais equilibrados. Os guarda-redes são excepcionais. Os centrais são sólidos, embora se mantenham questões sobre a qualidade de Thiago Silva. O principal problema defensivo é a falta de Daniel Alves, mas pelo menos existe cobertura suficiente com um meio campo sólido e inteligente (Casemiro, Fernandinho, Paulinho, Renato Augusto). O ataque não está tão dependente de Neymar, com Jesus, Willian, Coutinho, Costa, Firmino, a oferecerem excelentes alternativas se a estrela não estiver nos seus melhores dias.

 

No entanto não deixo de pensar que talvez a pressão venha a ser demasiado e que há excessivas vulnerabilidades defensivas para ficarem descansados. Nos últimos 4 campeonatos do mundo e 4 campeonatos da Europa, os vencedores sofreram um total de 5 golos num total de 29 jogos. É um golo a cada seis jogos e isto incluindo golos sem significado, como o do Brasil no 7-1 da Alemanha. Os campeões sofrem poucos golos e esta equipa brasileira não parece capaz disso. Por isso penso que ficará pelas meias finais, mas com melhor imagem que em 2014.

 

França

No papel é a equipa mais forte. Deixar em casa Martial, Rabiot, Payet, Sissoko, Koscielny, Coman, etc, não é ara qualquer um. O problema de Didier Deschamps é conseguir que os que convocou possam brilhar. Ou, de outra forma, como juntar Mbappé, Pogba, Dembelé, Griezmann, Fekir, etc, no mesmo onze? Como os juntar e quais deixar no banco?

 

Há dois anos, no Europeu, os problemas eram apenas dois: Griezmann e Pogba. Deschamps na altura essencialmente conseguiu extrair mais de Griezmann e menos de Pogba. Neste momento tem que lhe adicionar Mbappé e alguns outros, que têm vindo a exigir cada vez mais atenção e tempo. Uma das dificuldades é que o esquema que extrai o máximo de alguns jogadores não faz o mesmo de outros. Para jogar com Griezmann no máximo, é necessário que Giroud comece o jogo num "2" no ataque. Isto provavelmente seria a melhor hipótese para Pogba se a França alinhasse com 3 centrais, mas isso não sucederá. Assim, e para jogar com 3 homens no meio campo, há que alinhar com 3 no ataque (desviando Griezmann e talvez Mbappé para começar na ala) ou fazer entrar Fekir para a posição atrás de Griezmann e Giroud, provocando congestão no meio campo e deixando Mbappé e Dembelé no banco.

 

Há múltiplas combinações possíveis, mas parece-me que qualquer uma delas sacrificará jogadores de enorme qualidade ou exigirá deles funções com as quais não estão familiarizados. Nalguns casos isso não seria um problema, mas quando estes jogadores são tão jovens, poderão não se adaptar suficientemente para melhorar a equipa. Isso será um problema.

 

Acima falei dos problemas defensivos do Brasil. Em teoria os da França serão menos notórios, com Varane, Umtiti, Kanté, etc. Mas Lloris não está no seu melhor, Sidibé e Mendy são laterais extremamente ofensivos, com pouca experiência e Mendy vem de uma lesão longa. Há também a falta de um verdadeiro líder de equipa que coloque ordem no campo (como Blanc ou o próprio Deschamps em 1998 e 2000). Tudo isso conspira contra os franceses. Ainda assim, a qualidade individual é suficiente para que provavelmente cheguem às meias finais (provavelmente eliminando Portugal pelo caminho). Mais que isso estará provavelmente fora do seu alcance.

Antevisão do Mundial de Portugal

E dentro de 2 semanas começa o novo campeonato do mundo. Como no passado Euro2016 irei deixar uma antevisão. Nos próximos dias referirei os principais candidatos e uma ou outra previsão garantida de falhar, mas começo com Portugal.

 

Selecção

Uma comparação directa dos jogadores escolhidos há 2 anos e dos escolhidos agora demonstra que a média de idades é exactamente a mesma (28,5 anos), embora a mediana das idades seja quase ano e meio mais baixa. Isto reflecte o facto de os jogadores chamados agora e que estiveram ausentes em 2016 são em média dois anos e meio mais novos que os que eles substituíram. Estes jogadores trazem em média 21 internacionalizações a menos que os anteriores convocados (inevitável quando temos Gelson Martins a substituir Nani ou Ruben Dias a substituir Ricardo Carvalho), mas a equipa no seu total tem em média o mesmo número de intenacionalizações: 37 em ambos os casos, reflectindo a experiência extra que os restantes jogadores coleccionaram nos últimos dois anos. Em termos de golos a média é de 6 golos por jogador em comparação com 5 em 2016, mas a mediana é exactamente a mesma: um golo por jogador. Isto reflecte a dependência que a selecção tem de Cristiano Ronaldo, que teve uma média de um golo internacional por jogo nos últimos dois anos.

 

Isto é apenas uma análise estatística que indica que o perfil da equipa em geral não é incrivelmente distinto do de 2016. Há no entanto alguns pontos fundamentais de diferença. O primeiro é a dependência ainda mais clara dos golos de Ronaldo (59% dos golos da selecção contra 51% em 2016). O segundo é a idade dos centrais: actualmente é de 32 anos de idade contra quase 35 em 2016. Isto à partida seria vantajoso, mas resulta da substituição de Ricardo Carvalho (38 anos em 2016) por Rúben Dias (21 anos). Em 2016 Carvalho acabou por não jogar demasiado depois de se ver que já não tinha andamento para o torneio e agora será improvável vermos Dias a não ser que haja calamidades por parte de Fonte ou Alves. Se nos restringirmos aos 3 favoritos para a posição de central, a idade média aumentou 2 anos (os 3 estão 2 anos mais velhos) de 33,5 para 35,5 anos de idade. Por muito que os jogadores digam que a idade é só um número, a verdade é que não é assim, especialmente numa era de pressão alta e de jogo cada vez mais rápido.

 

A outra posição onde Portugal está em desvantagem é na de trinco. Portugal tem dois bons jogadores para a posição, com características diferentes, William Carvalho e Danilo. Com a lesão de Danilo, Fernando Santos optou por chamar Manuel Fernandes, um jogador que não tem um passado específico de médio defensivo e já tem 32 anos de idade, tendo passado os últimos 7 anos na Turquia e Rússia. A não ser que Fernando Santos opte de facto por uma política de rotação, é muito provável que o grosso dos jogos recaia sobre William Carvalho, um jogador de qualidade mas que costuma ter dificuldades quando enfrenta adversários rápidos no meio campo e tem dificuldades em se virar para perseguir jogadores que corram nas suas costas.

 

No restante da equipa Fernando Santos tem qualidade suficiente, especialmente quando comparada com a do Euro2016. André Silva é o parceiro perfeito de Ronaldo no ataque, móvel, físico, capaz de marcar golos por si mesmo mas também satisfeito em trabalhar para a estrela. A versão portuguesa de Benzema (salvaguardadas as devidas diferenças). No meio campo Bernardo Silva oferece enorme qualidade na posse de bola e opções para aliviar pressão. Gelson Martins e Gonçalo Guedes são ambos melhores que Rafa Silva ou Nani em 2016 e com eles Portugal ganha qualidade nos flancos (o que se torna necessário dada a cada vez menor velocidade de Quaresma, independentemente da qualidade dos seus cruzamentos).

 

Nas laterais poder-se-ia contestar a escolha de Ricardo Pereira no lugar de Nélson Semedo, mas este teve uma época algo intermitente no Barcelona enquanto que Ricardo Pereira foi altamente consistente com o FC Porto e ainda oferece mais uma opção nas alas. Na esquerda e na ausência de Coentrão, Mário Rui (com os jogos que conseguiu na recta final do campeonato italiano com o Nápoles) foi uma opção simples, dada a falta de alternativas. No resto as escolhas são simples e lógicas.

 

Campeonato

O principal obstáculo a Portugal na competição é a sua calendarização. Seria preferível ter o jogo com a Espanha no final da fase de grupos, numa fase em que ambas as equipas já poderiam estar apuradas. Assim, uma possível (muito possível na verdade) derrota contra a Espanha poderá levar a um aumento da tensão na equipa portuguesa e dificultar a tarefa contra Marrocos e Irão, duas equipas que concederão a iniciativa a Portugal (que prefere ter alguns espaços) e são organizadas na defesa e poderão conseguir segurar um 0-0. Assim, uma derrota contra a Espanha e empate contra Marrocos deixaria Portugal com poucas probabilidades de se qualificar para os oitavos de final (dependendo de resultados nos outros jogos).

 

Assumindo que a lógica é seguida e Portugal se qualifica em segundo lugar no grupo (atrás da Espanha), irá enfrentar o vencedor do grupo A, provavelmente o Uruguai, equipa que está perfeitamente ao alcance dos portugueses (mesmo que nunca seja boa ideia ficar descansado contra uma equipa de Tabarez, especialmente vendo Suárez e Cavani lançados aos centrais portugueses). Depois disso Portugal enfrentará o vencedor do jogo entre provavelmente a França e o segundo classificado do grupo D (Argentina, Islândia, Croácia e Nigéria). Admitindo que a França vence esse jogo (muito provável), a reedição da final do Euro2016 irá provavelmente resultar na eliminação portuguesa.

 

Terminar a competição nos quartos de final não seria de desdenhar, mesmo sendo-se o campeão europeu. Uma análise fria ao Euro2016 resulta numa vitória muito improvável de Portugal, onde a única vitória nos 90 minutos surgiu nas meias finais contra o País de Gales e onde Portugal apenas saiu da fase de grupos graças a uma bola no poste nos últimos momentos fo jogo contra a Hungria. A realidade é que Portugal teve imensa sorte na competição e, independentemente de ter aproveitado perfeitamente todos os golpes de sorte que tiveram, os portugueses não podem esperar ser novamente bafejados pela fortuna a este ponto.

 

No final, a sorte de Portugal estará dependente do mundial que Ronaldo consiga ter. Se pegar nos jogos e os moldar à sua vontade, Portugal pode ir muito longe (o mesmo se pode dizer exactamente da mesma forma da Argentina e Messi). No entanto, no futebol moderno, tal domínio (à la Maradona em 1986) é altamente improvável. Os adversários sabem bem quais as forças e fraquezas de Ronaldo e concentrar-se-ão em o deixar isolado e lhe cortar acesso à bola. É impossível apagar completamente Ronaldo, mas se o conseguirem em larga medida, mesmo que Ronaldo se envolva na construção muito mais na selecção portuguesa que no Real Madrid, Portugal sofrerá e será reduzido à sua condição sem Ronaldo: uma equipa de qualidade, mas não boa o suficiente para mais que passar a fase de grupos.

Real Madrid 3 - 1 Liverpool

Depois de dois posts a reflectir sobre o que seria a final da Liga dos Campeões, acabámos com um jogo que, a título pessoal, perdeu muito do interesse por volta dos 30 minutos, ou seja, quando Mohammed Salah saiu lesionado. Comecemos no entanto pelo fim do meu último post: previ uma vitória do Liverpool por 4-2 e o resultado foi uma vitória do Real Madrid por 3-1. Para isso contribuíram alguns factores distintos.

 

 

Segunda antevisão da final da Liga dos Campeões

Na verdade, não muito a adicionar ao que escrevi há duas semanas. O principal novo aspecto é a melhoria de forma de Bale, que leva a pensar se ele não começará o jogo, ou no lugar de Isco ou no de Benzema. Não creio que Zidane abdique de Isco dado ser o melhor jogador a explorar o espaço entre defesa e meio-campo adversários. Seria mais provável que abdicasse de Benzema, mas penso que isso seria um erro. Bale não tem a mesma capacidade de Benzema para jogar no centro. Prefere ficar encostado à linha e flectir para o centro, de forma a criar desequilíbrios ou rematar de longe. Só que isso poderia trazê-lo para os terrenos de Isco e complicar o futebol rendilhado do espanhol, para o qual Benzema é melhor opção.

 

Do lado do Liverpool, enfrentar Bale levaria no entanto a um dilema para a defesa e meio-campo: manter as posições e arriscar que Bale aproveite os espaços, dedicar-lhe a atenção de Milner e reduzir a presença no meio-campo (dois homens do Liverpool para 3 ou 4 do R. Madrid), ou arriscar que Robertson e van Dijk são suficientes para lidar com o galês? Penso que Klopp não se adaptará extensivamente. O Liverpool tem um estilo de jogo que é o que funciona e Klopp joga para as suas forças, não para minimizar as suas fraquezas. O Liverpool jogará provavelmente muito subido, pressionando intensamente a defesa e meio campo do Real e tentado aplicar o seu concento de gegenpressing, ganhando as bolas e tentando chegar o mais depressa possível ao golo. Na defesa o objectivo será o de tentar obter a bola e lançá-la rapidamente para os flancos para Salah e Mané a perseguirem e aproveitarem o (provável) adiantamento de Carvajal e Marcelo.

 

É quase impossível fzer uma boa previsão do resultado de amanhã. Mesmo que uma das equipas marque cedo, não creio que haja muita mudança no teor do jogo. O Liverpool quase de certeza não mudará o estilo de jogo independentemente de se ver a vencer ou perder, por isso o Real Madrid também não o fará. Mas arrisco um prognóstico polémico: 4-2 para o Liverpool, com os golos do Real Madrid a chegarem tarde no jogo. Como qualquer prognóstico vale o que vale e está provavelmente completamente errado. Amanhã veremos o quanto.

Um Sporting em (r)evolução e convulsão

Não tenho o hábito de me debruçar sobre os aspectos políticos ou administrativos de clubes, tal como prefiro não olhar para a arbitragem. Parecem-me sempre áreas onde se abre um buraco que nunca tem fundo e onde só nos podemos sujar cada vez mais. Só que a actual situação do Sporting é uma a que, mesmo sendo benfiquista, não consigo ficar imune. Deixo então a minha própria reflexão sobre o que se passa, mesmo avisando desde já que (quase) nada sei sobre as manobras políticas ou actores neste filme.

 

Antes de mais emprestemos um pouco de sanidade ao assunto: o Sporting Clube de Portugal é um clube centenário, com uma história rica e distinta e que não se esgota no futebol, longe disso. Não será por causa de uma ou outra pessoa (ou uma ou outra administração) que o clube desaparecerá. A força do clube e dos seus sócios e adeptos nunca o deixaria, por muito que possa sofrer de permeio.

 

Há no entanto que atentar que Bruno de Carvalho, com as suas acções mais recentes, parece estar a fazer o possível por isso. Não é intencional, como óbvio. Se há coisa que é absolutamente clara é que Bruno de Carvalho é um homem de convicções sportinguistas profundas e que ama intensamente o clube. Só que é aí que começa o problema: Bruno de Carvalho ama tanto o clube que o quer salvar a todo o custo e entretanto convenceu-se que só ele o pode fazer e que quem não esteja com ele está contra o clube. Ele provavelmente vê neste momento a sua pessoa como uma extensão do clube, ou talvez como a sua reflexão. Tudo o que faz é em prol do clube, mesmo quando, ou especialmente quando, toda a gente em volta lhe diz que está a proceder mal.

 

 

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