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Comentador de Bancada

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Meias finais da Liga dos Campeões (1ª mão)

As primeiras mãos das meias finais da Liga dos Campeões estão jogadas e temos já duas equipas em excelente posição para vencerem a competição. Por curiosidade são também duas do top 5 com maior número de troféus na competição.

 

Liverpool 5 - 2 Roma

O jogo resume-se numa frase: completo falhanço táctico de Eusebio Di Francesco. Um normal apologista do 4-3-3, tinha-o abandonado para a segunda mão do jogo contra o Barcelona na eliminatória anterior. Na altura o 3-5-2 com linha elevada e pressão alta resultaram na perfeição e o Barcelona perdeu 3-0, sendo eliminado pela regra dos golos fora de casa. A táctica tinha funcionado porque o Barcelona está a jogar esta época num 4-4-2 muito afunilado, onde a largura de jogo é dada pelos laterais. Com o 3-5-2 di francesco tinha conseguido lidar com Messi e Suárez jogando 3 contra 2 atrás e tinha usado os laterais (muito ofensivos e subidos) para empurrar os laterais adversários para trás, evitando assim uma opção de sair a jogar pelos flancos. Aceitou nessa altura ter um jogador a menos no centro do campo porque os catalães jogavam com pouca intensidade e porque era sempre possível ultrapassar essa zona com bolas longas para os dois avançados, Džeko e Schick, altos, fortes e capazes de segurar a bola.

 

A táctica funcionou perfeitamente e a Roma conseguiu ir marcando os golos suficientes para vencer a eliminatória. Foi um triunfo correctamente elogiado pelo lado táctico e como demonstrava que a táctica correcta pode vencer um jogo ou uma eliminatória.

 

Da mesma forma, o jogo de terça-feira demonstrou como a táctica errada pode resultar no oposto. Contra o Liverpool Di Francesco escolheu exactamente a mesma táctica, com a única diferença de jogar com Ünder no lugar de Schick. O problema é que onde o Barcelona joga sem largura, com apenas dois avançados relativamente lentos e não tem muita intensidade, o Liverpool joga com jogadores encostados às linhas laterais, tem 3 avançados muito rápidos e é provavelmente a equipa mais feroz na Europa a aplicar pressão alta.

 

Isto não quer dizer que a táctica não funcionasse. O início do jogo trouxe problemas ao Liverpool. Os ingleses não têm nenhum jogador capaz de distribuir o jogo a partir de trás e enfrentaram dificuldades ara ultrapassar a pressão dos romanos. Só que para jogar com tal táctica contra o Liverpool, é necessário manter enorme disciplina táctica e ter energia para longos períodos, além de ser necessário ter os jogadores ideais para as tarefas necessárias. Não foi o caso da Roma, com 3 centrais altos, lentos e sem grandes qualidades de condução de bola. Além disso o jogador encarregue de os apoiar era De Rossi, que já tem 34 anos. Com tudo isto, esta opção foi um autêntico brinde para o Liverpool.

 

O que vimos depois desse início desconfortável para o Liverpool foi que viram o enorme espaço em frente de Salah, Firmino e Mané e começaram a lançar bolas longas, ultrapassando a pressão italiana e lançando Jaguares contra Fiats. Com Salah e Firmino na forma em que estão (este último recebe menos atenção que o egípcio mas é o jogador chave do ataque do Liverpool) nem foi necessário Mané estar em forma (deveria ter saído com pelo menos dois ou três golos). Salah saiu com 2 golos e 2 assistências e Firmino o mesmo. O Liverpool marcou 5 mas ficou a sensação que poderiam e deveriam marcar cada vez que ultrapassavam o meio campo em velocidade (ou seja, a cada 2 minutos).

 

A realidade é que o Liverpool não fez um grande jogo. Não teve grande controlo no meio campo até já estar pelo menos a 3-0 e a defesa sentiu-se sempre desconfortável. Só que perante os brindes romanos também não precisou de o fazer. Os dois golos da Roma no final poderão deixar a impressão que os italianos poderão novamente recuperar em casa, mas ninguém acredita que, perante o que se viu em Liverpool, a Roma mantenha o seu registo de não sofrer golos em casa nesta edição da Liga dos Campeões. Mesmo se voltarem ao 4-3-3, é improvável (para dizer o mínimo) que o Liverpool não marque um ou dois golos em contra-ataque em Roma. Klopp pode começar a pensar na final.

 

Bayern de Munique 1 - 2 Real Madrid

Um jogo estranho. Um resultado de 5-2 para o Bayern teria sido lógico perante o que vimos, mas o resultado final não espanta. O Real Madrid tem actualmente uma aura de inevitabilidade (mais que de invencibilidade) na Liga dos Campeões que dá a sensação que, por muito mal que joguem, podem sempre ultrapassar os adversários.

 

O jogo foi técnica e tacticamente fraco. Muitos maus passes, opções erradas de jogadores e treinadores (embora Heynckes tivesse menos soluções dado o número de lesões que tinha antes e teve durante o jogo) e golos a resultar de erros clamorosos. Comecemos pelos golos. O dos alemães surgiu por Isco - nominalmente a começar como médio esquerdo - ter ido para o centro e Marcelo ter dado a impressão de se dirigir ao bar para beber um cafézinho. Kimmich subiu sem oposição num flanco esquerdo madridista a fazer lembrar o filme Lawrence da Arábia e marcou quando Navas se lançou para um cruzamento que nunca chegou. O golo de Marcelo resultou de umas carambolas em frente da defesa do Bayern que deveria ter despachado a bola sem complicações. O golo de Asensio acabou por resultar de um momento de paragem cerebral de Rafinha, que entregou ao espanhol a bola e que, depois de uma troca com Lucas Pérez, marcou o golo sozinho perante Ulreich. Nenhuma destas observações serve para atacar os golos em si, todos eles muito bem marcados com excelentes remates, mas toda a sua construção resultou de erros clamorosos.

 

No resto do jogo vimos o Bayern a penetrar com alguma facilidade a defesa do Bayern e a falhar vários golos. Ribéry particularmente deve ter deixado os rins de Carvajal em geleia e o defesa espanhol deve ter agradecido a lesão para poder descansar da tareia. De permeio vimos Navas salvar alguns golos, Müller e Lewandowski a falhar golos de forma estranha, uma defesa madridista que parecia um conjunto de solteiros e casados em bolas paradas. Só surgiu algum equilíbrio quando Zidane finalmente reconheceu que a melhor solução defensiva era mudar a configuração ofensiva. A entrada de Asensio para o flanco esquerdo abrandou Kimmich e a de Benzema (com Ronaldo a descair para a esquerda e Asensio agora na direita) finalmente controlou as subidas pelos flancos e reduziu o risco.

 

Não devemos esquecer a influência que as lesões tiveram nas opções de Heynckes em mudar o jogo a partir do banco. Thiago teve de entrar cedo para o lugar de Robben (ver o holandês perante Marcelo é sempre apetecível), Süle foi obrigado a render Boateng e, já na segunda parte, foi necessário ver Tolisso a render Martinez, que parecia algo afectado por alguma pancada na cabeça. Foi no entanto interessante ver o tandem de Thiago e James Rodriguez a abrir buracos no meio campo do Real Madrid com os passes e a qualidade técnica que têm e fiquei sempre com pena de não ver Robben na direita a oferecer mais uma opção de passe e a esticar a defesa dos espanhóis.

 

Se há alguma coisa que dá a sensação que o Real Madrid está na pole position para chegar à final é precisamente o facto de chegarem a essa posição sem terem jogado bem. Fazem-no tantas vezes que a tal sensação de inevitabilidade se vai apoderando dos adversários. No entanto há duas estatísticas que poderão dar consolo aos alemães: foi o primeiro jogo de Ronaldo na Liga dos Campeões nesta época em que marcou e, mais relevante ainda, não conseguiu sequer registar um remate à baliza. O Bayern tem de marcar dois golos no Bernabéu, mas se melhorar a pontaria em relação à primeira mão, é tarefa que não parece ser de maneira nenhuma inalcançável.

 

Daqui a uma semana veremos o resto.

 

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