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Comentador de Bancada

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Meias finais da Liga dos Campeões (2ª mão)

Real Madrid 2 - 2 Bayern de Munique (4 - 3 no total das duas mãos)

Como tinha escrito na semana passada, o Real Madrid tem neste momento uma aura de inevitabilidade quando joga na Liga dos Campeões. O jogo desta terça-feira ajudou a mantê-la e, mais ainda, a reforçá-la. Mais ainda que no jogo da 1ª mão, o jogo de Madrid trouxe um Bayern completamente dominante e capaz de penetrar com imensa facilidade na defesa dos espanhóis. O sistema de jogo que Jupp Heynckes levou para este jogo foi em tudo idêntico ao que teve em Munique a partir do momento em que Robben saiu lesionado. As única diferenças foram as entrada de Niklas Süle e Corentin Tolisso para o lugar dos lesionados Boteng e Martinez e o regresso de Alaba depois de lesão.

 

No lado do Real Madrid tivemos a surpresa da ausência de Casemiro do onze inicial e vimos algumas outras mudanças, como Lucas Perez a defesa direito (como tinha terminado o jogo da semana passada) e Modrić essencialmente a médio direito. A médio defensivo estava Kovačić, um jogador que no passado era mais um médio ofensivo mas que em Madrid tem vindo a ser obrigado a aprender tarefas defensivas para poder ter tempo de jogo. A sua presença foi um problema para o Real Madrid, que perdeu a presença de Casemiro em frente da defesa e deu imenso tempo a James Rodriguez e a Thiago para procurar espaços e distribuir jogo.

 

No lado esquerdo, Marcelo tinha teoricamente a presença de Asensio para o ajudar a lidar com Müller e Kimmich, mas a verdade é que Asensio passou ao lado do jogo, flectindo constantemente para o centro do terreno e deixando o flanco desguarnecido. Kimmich esteve sempre à vontade para subir como quis e dar largura pelo seu flanco, o que se viu também com o seu golo. Já Müller passou o jogo desmarcado, parecendo que tinha um campo de forças em sua volta que não permitia a aproximação de defesas. A única coisa que surpreendeu foi não ter conseguido marcar um golo.

 

O lado esquerdo do Bayern foi o flanco com uma combinação difícil de travar: Ribéry dribla, passa e cria e Alaba sobe, dando largura e ocupando o lateral. O Real passou o jogo a tentar lidar com esta ameaça e nunca o conseguiu fazer de forma convincente.

 

Os golos vieram de três erros. No primeiro, o erro foi de Sergio Ramos  e no segundo o erro foi de Alaba. No terceiro... Bom, quanto menos se falar de Ulreich neste caso melhor. O guarda redes alemão não esteve mal, mas aquele tipo de erro não é só proibido, é impensável a este nível. Dois erros clamorosos (Rafinha na primeira mão e de Ulreich nesta) decidiram a eliminatória. O Real Madrid aparentou ser muito frágil, mas também que se é necessário ganhar com sofrimento... sabe fazê-lo.

 

Roma 4 - 2 Liverpool (6 - 7 no total das duas mãos)

Golos, golos golos. Foi um jogo entre uma equipa que ganha marcando mais que o adversário e uma equipa que tinha que marcar obrigatoriamente 3 golos no mínimo para se poder apurar. Isso abriu imenso o jogo e permitiu aos avançados brilharem.

 

Eusebio Di Francesco neste jogo abandonou a ideia dos 3 centrais. Foi claro que tinha sido uma má ideia na primeira mão e nesta decidiu avançar para o seu 4-3-3 preferido. Foi no entanto um 4-3-3 atípico, onde jogou com dois avançados centro (Schick e Džeko) e um avançado mais encostado à esquerda (El Sharaawy, embora com liberdade para vaguear). A largura pela direita era dada com as subidas de Florenzi e com a cobertura de Nainggolan, o que no entanto abriu espaços atrás. Não foi então de espantar que fosse por este flanco que o liverpool marcasse o primeiro golo, com um erro de Nainggolan e Mané a ficar liberto para o 0-1. A táctica fazia no entanto algum sentido, com a ideia de ocupar os dois centrais do Liverpool, sabendo que se Džeko ficasse sozinho perante eles, van Dijk poderia marcá-lo e minimizar os erros. Com Schick a ocupar o holandês, Džeko caía para a zona de Lovren e obrigava-o a escolher entre manter a posição e deixar o bósnio sozinho, ou ir atrás dele e abrir espaços atrás.

 

Este é um problema frequente para o Liverpool. Com 3 médios centro muito semelhantes mas nenhum médio especificamente mais defensivo, a defesa fica muito exposta a jogadores que explorem o espaço entre a defesa e o meio campo. A solução é avançar a equipa para reduzir os espaços, mas isso abre espaço atrás da defesa. Contra a Roma no entanto isso não foi tão problemático dado que nem Schick nem Džeko são muito rápidos. El Sharaawy no entanto ofereceu muitos problemas a Alexander-Arnold e encontrou frequentemente espaço entre linhas e na zona entre Alexander-Arnold e Lovren.

 

A Roma no entanto perdeu muito por não marcar o primeiro golo e por ter cometido os erros que deram os dois golos que permitiram ao Liverpool ir para os balneários na frente. Na segunda parte corrigiram um pouco o posicionamento, Džeko tornou-se mais móvel e passou a noite a atormentar a defesa e, por fim, com a entrada de Ünder e a mudança do desenho táctico para algo mais semelhante a um 4-2-4, o Liverpool ficou extremamente exposto aos ataques da Roma. O Liverpool nunca deixou de atacar, mas com a Roma a empurrar o Liverpool para perto da sua área, os 3 homens da frente ficaram mais sós e a Roma pôde arriscar dar-lhes mais espaço. Na verdade, nada perdiam.

 

No fim a Roma acabou por ter uma muito meritória vitória no jogo que não chegou para a eliminatória. A sua aventura europeia chegou ao fim graças a um erro táctico na primeira mão e a dois erros (um individual e outro colectivo) na segunda. Se continuarem a evoluir, os italianos não serão adversários muito apetecíveis para a próxima época. Especialmente porque há poucos jogadores nesta equipa que sejam automaticamente desejados pelos gigantes europeus - as vitórias foram fruto de excelente trabalho colectivo.

 

Já o Liverpool terá de jogar o seu jogo habitual na final contra o Real Madrid. Não tem verdadeira alternativa ao seu onze inicial devido a lesões e a limitações do plantel, pelo que há poucas escolhas tácticas. Depende tudo de deixar os seus 3 avançados brilhar. Se o conseguirem poderão vencer um Real algo frágil. Caso contrário, a inevitabilidade madrilena voltará a surgir.

Meias finais da Liga dos Campeões (1ª mão)

As primeiras mãos das meias finais da Liga dos Campeões estão jogadas e temos já duas equipas em excelente posição para vencerem a competição. Por curiosidade são também duas do top 5 com maior número de troféus na competição.

 

Liverpool 5 - 2 Roma

O jogo resume-se numa frase: completo falhanço táctico de Eusebio Di Francesco. Um normal apologista do 4-3-3, tinha-o abandonado para a segunda mão do jogo contra o Barcelona na eliminatória anterior. Na altura o 3-5-2 com linha elevada e pressão alta resultaram na perfeição e o Barcelona perdeu 3-0, sendo eliminado pela regra dos golos fora de casa. A táctica tinha funcionado porque o Barcelona está a jogar esta época num 4-4-2 muito afunilado, onde a largura de jogo é dada pelos laterais. Com o 3-5-2 di francesco tinha conseguido lidar com Messi e Suárez jogando 3 contra 2 atrás e tinha usado os laterais (muito ofensivos e subidos) para empurrar os laterais adversários para trás, evitando assim uma opção de sair a jogar pelos flancos. Aceitou nessa altura ter um jogador a menos no centro do campo porque os catalães jogavam com pouca intensidade e porque era sempre possível ultrapassar essa zona com bolas longas para os dois avançados, Džeko e Schick, altos, fortes e capazes de segurar a bola.

 

A táctica funcionou perfeitamente e a Roma conseguiu ir marcando os golos suficientes para vencer a eliminatória. Foi um triunfo correctamente elogiado pelo lado táctico e como demonstrava que a táctica correcta pode vencer um jogo ou uma eliminatória.

 

Da mesma forma, o jogo de terça-feira demonstrou como a táctica errada pode resultar no oposto. Contra o Liverpool Di Francesco escolheu exactamente a mesma táctica, com a única diferença de jogar com Ünder no lugar de Schick. O problema é que onde o Barcelona joga sem largura, com apenas dois avançados relativamente lentos e não tem muita intensidade, o Liverpool joga com jogadores encostados às linhas laterais, tem 3 avançados muito rápidos e é provavelmente a equipa mais feroz na Europa a aplicar pressão alta.

 

Isto não quer dizer que a táctica não funcionasse. O início do jogo trouxe problemas ao Liverpool. Os ingleses não têm nenhum jogador capaz de distribuir o jogo a partir de trás e enfrentaram dificuldades ara ultrapassar a pressão dos romanos. Só que para jogar com tal táctica contra o Liverpool, é necessário manter enorme disciplina táctica e ter energia para longos períodos, além de ser necessário ter os jogadores ideais para as tarefas necessárias. Não foi o caso da Roma, com 3 centrais altos, lentos e sem grandes qualidades de condução de bola. Além disso o jogador encarregue de os apoiar era De Rossi, que já tem 34 anos. Com tudo isto, esta opção foi um autêntico brinde para o Liverpool.

 

O que vimos depois desse início desconfortável para o Liverpool foi que viram o enorme espaço em frente de Salah, Firmino e Mané e começaram a lançar bolas longas, ultrapassando a pressão italiana e lançando Jaguares contra Fiats. Com Salah e Firmino na forma em que estão (este último recebe menos atenção que o egípcio mas é o jogador chave do ataque do Liverpool) nem foi necessário Mané estar em forma (deveria ter saído com pelo menos dois ou três golos). Salah saiu com 2 golos e 2 assistências e Firmino o mesmo. O Liverpool marcou 5 mas ficou a sensação que poderiam e deveriam marcar cada vez que ultrapassavam o meio campo em velocidade (ou seja, a cada 2 minutos).

 

A realidade é que o Liverpool não fez um grande jogo. Não teve grande controlo no meio campo até já estar pelo menos a 3-0 e a defesa sentiu-se sempre desconfortável. Só que perante os brindes romanos também não precisou de o fazer. Os dois golos da Roma no final poderão deixar a impressão que os italianos poderão novamente recuperar em casa, mas ninguém acredita que, perante o que se viu em Liverpool, a Roma mantenha o seu registo de não sofrer golos em casa nesta edição da Liga dos Campeões. Mesmo se voltarem ao 4-3-3, é improvável (para dizer o mínimo) que o Liverpool não marque um ou dois golos em contra-ataque em Roma. Klopp pode começar a pensar na final.

 

Bayern de Munique 1 - 2 Real Madrid

Um jogo estranho. Um resultado de 5-2 para o Bayern teria sido lógico perante o que vimos, mas o resultado final não espanta. O Real Madrid tem actualmente uma aura de inevitabilidade (mais que de invencibilidade) na Liga dos Campeões que dá a sensação que, por muito mal que joguem, podem sempre ultrapassar os adversários.

 

O jogo foi técnica e tacticamente fraco. Muitos maus passes, opções erradas de jogadores e treinadores (embora Heynckes tivesse menos soluções dado o número de lesões que tinha antes e teve durante o jogo) e golos a resultar de erros clamorosos. Comecemos pelos golos. O dos alemães surgiu por Isco - nominalmente a começar como médio esquerdo - ter ido para o centro e Marcelo ter dado a impressão de se dirigir ao bar para beber um cafézinho. Kimmich subiu sem oposição num flanco esquerdo madridista a fazer lembrar o filme Lawrence da Arábia e marcou quando Navas se lançou para um cruzamento que nunca chegou. O golo de Marcelo resultou de umas carambolas em frente da defesa do Bayern que deveria ter despachado a bola sem complicações. O golo de Asensio acabou por resultar de um momento de paragem cerebral de Rafinha, que entregou ao espanhol a bola e que, depois de uma troca com Lucas Pérez, marcou o golo sozinho perante Ulreich. Nenhuma destas observações serve para atacar os golos em si, todos eles muito bem marcados com excelentes remates, mas toda a sua construção resultou de erros clamorosos.

 

No resto do jogo vimos o Bayern a penetrar com alguma facilidade a defesa do Bayern e a falhar vários golos. Ribéry particularmente deve ter deixado os rins de Carvajal em geleia e o defesa espanhol deve ter agradecido a lesão para poder descansar da tareia. De permeio vimos Navas salvar alguns golos, Müller e Lewandowski a falhar golos de forma estranha, uma defesa madridista que parecia um conjunto de solteiros e casados em bolas paradas. Só surgiu algum equilíbrio quando Zidane finalmente reconheceu que a melhor solução defensiva era mudar a configuração ofensiva. A entrada de Asensio para o flanco esquerdo abrandou Kimmich e a de Benzema (com Ronaldo a descair para a esquerda e Asensio agora na direita) finalmente controlou as subidas pelos flancos e reduziu o risco.

 

Não devemos esquecer a influência que as lesões tiveram nas opções de Heynckes em mudar o jogo a partir do banco. Thiago teve de entrar cedo para o lugar de Robben (ver o holandês perante Marcelo é sempre apetecível), Süle foi obrigado a render Boateng e, já na segunda parte, foi necessário ver Tolisso a render Martinez, que parecia algo afectado por alguma pancada na cabeça. Foi no entanto interessante ver o tandem de Thiago e James Rodriguez a abrir buracos no meio campo do Real Madrid com os passes e a qualidade técnica que têm e fiquei sempre com pena de não ver Robben na direita a oferecer mais uma opção de passe e a esticar a defesa dos espanhóis.

 

Se há alguma coisa que dá a sensação que o Real Madrid está na pole position para chegar à final é precisamente o facto de chegarem a essa posição sem terem jogado bem. Fazem-no tantas vezes que a tal sensação de inevitabilidade se vai apoderando dos adversários. No entanto há duas estatísticas que poderão dar consolo aos alemães: foi o primeiro jogo de Ronaldo na Liga dos Campeões nesta época em que marcou e, mais relevante ainda, não conseguiu sequer registar um remate à baliza. O Bayern tem de marcar dois golos no Bernabéu, mas se melhorar a pontaria em relação à primeira mão, é tarefa que não parece ser de maneira nenhuma inalcançável.

 

Daqui a uma semana veremos o resto.

 

Uma antevisão do Mundial

A uns 3 meses do mundial, vale a pena dar uma espreitadela ao estado da selecção portuguesa.

 

A covocatória

Com base nas últimas convocatórias e em algumas suposições, fiz uma lista dos jogadores que poderão ser chamados por Fernando Santos para a competição. Nesta lista estão os jogadores que eu considero como tendo lugar garantido (20 deles) e os que eu penso que estarão a discutir o último lugar. A lista é:

 

Guarda Redes        Defesas        Médios        Avançados
Rui Patrício        Cédric Soares        William Carvalho        Cristiano Ronaldo
Anthony Lopes        Nélson semedo        Danilo        André Silva
José Sá (1a)        Fábio Coentrão        João Moutinho        Gélson Martins
Bruno Varela (1b)        Raphael Guerreiro        Adrien Silva        Ricardo Quaresma
Beto (1b)        Pepe        João Mário        Gonçalo Guedes (3a)
         José Fonte        André Gomes        Ronny Lopes (3c)
         Luís Neto        Bernardo Silva    
         Rúben Dias (2a)        Bruno Fernandes (3b)    
         Bruno Alves (2b)        
         Edgar Ié (2b)        

 

 

Notas: os números apontam para os jogadores que estarão a disputar uma das posições (o 1 refere-se a guarda-redes, o 2 a defesas e o 3 a médios/avançados). A notação a, b, c refere-se à ordem que eu coloco como a mais provável na escolha. a é o preferido, b o segundo e c o terceiro.

 

Para esclarecer as minhas opiniões sobre os jogadores que estarão a competir por um lugar: José Sá tinha vindo a jogar mas voltou ao banco. Será no entanto mais fiável que Bruno Varela. Ainda poderá aparecer aqui Beto. Nos centrais, penso que Rúben Dias poderá jogar. Tem a mesma frequência de jogos que Bruno Alves, mas num campeonato mais competitivo e tem experiência de jogos europeus. Edgar Ié tem jogado com frequência no Lille, mas pode também sofrer na comparação da qualidade de equipa. No meio-campo/ataque, a questão pode passar por qual a preferência de Fernando Santos. Se por um médio, penso que a escolha ideal seria Bruno fernandes, que tem tido um excelente campeonato com o Sporting. Mas estou convencido que quer Ronaldo a ponta de lança (mesmo que livre) e que preferirá ter Guedes dado que de outra forma apenas teria Gelson martins e Quaresma a extremos (e este último é mais eficaz saindo do banco). Ronny lopes seria interessante, com o campeonato que tem feito, mas duvido que vá à Rússia.

 

Esta lista depende obviamente de todos os jogadores estarem disponíveis e não terem lesões. Em caso de nenhuma indisponibilidade eu teria talvez colocado Ricardo Ferreira na lista dos centrais, mas lesionou-se recentemente. A lista também demonstra as poucas opções disponíveis em algumas posições. Os nossos centrais, com a potencial excepção de Rúben Dias, estarão todos na casa dos 30 (e não por pouco). Os laterais esquerdos preferenciais lesionam-se com frequência. Adrien Silva e André Silva têm jogado pouco. Bernardo Silva andava a jogar pouco mas recebeu alguns jogos recentemente. Para médios defensivos parecemos estar limitados a William e Danilo. Boas opções, sem dúvida, mas esperemos que nenhum se lesione até Junho.

 

Esta também não é necessariamente a minha lista. Eu preferiria levar Bruno fernandes e Ronny Lopes a Quaresma, talvez arriscasse levar um central menos e ter Cancelo ou Pizzi na lista devido à versatilidade. Não sei se levaria André Gomes ou José Fonte, que têm estado em muito má forma, mas as opções são reduzidas.

 

As esperanças

Portugal apanhará Espanha, Marrocos e Irão, por esta ordem de jogos. Ter a Espanha no início pode ser um perigo, especialmente se Portugal perder e ganhar nervos. Suponho que Santos irá jogar com cuidado, evitando perder (e talvez Lopetegui faça o mesmo) para poder vencer os dois jogos restantes (ou apenas um deles e empatando o outro) e apurar-se. O Irão, no último dia, pode ser também perigoso se Portugal necessitar de vencer. São especialistas a fechar a porta e nao é por acaso que se qualificaram antes de todas as outras equipas asiáticas (e das primeiras em geral). São sólidos e em Queiroz têm alguém que conhece a selecção portuguesa. Contra Marrocos o risco será na imprevisibilidade do meio-campo, embora o ataque seja menos forte. A defesa tem o excelente Benatia e o português Manuel da Costa. Creio que Portugal acabará por passar com 1 vitória e 2 empates em segundo lugar no grupo.

 

Se assim for, é muito provável que Portugal encontre o Uruguai nos oitavos, num encontro com alguns velhos conhecidos da liga portuguesa. Suárez e Cavani são temíveis e Godin e Benitez sólidos, mas os uruguaios terão uma equipa desequilibrada e creio que os portugueses podem vencer. Nos quartos de final apanharíamos o vencedor de um teórico França-Croácia, muito provavelmente a França. Nesses quartos de final creio que os franceses poderiam muito bem ser fortes demais para nós.

 

Quartos de final pode saber a pouco para os campeões europeus, mas com a principal estrela em declínio e uma equipa muito desequilibrada, não creio que fosse mau resultado. Espero no entanto que, se assim for, Portugal saia pelo menos com o "prémio do público" e jogue bom futebol. Sei que Fernando Santos almejará a mais, mas pessoalmente só aguentarei o futebol feio do último Europeu se Portugal chegar no mínimo às meias finais.

 

Campeão Mundial? Possivelmente a Alemanha. Tem a melhor combinação de jogadores de qualidade, banco, jogo de equipa, e variedade de opções (técnicas e tácticas). E muita experiência. logo atrás estarão a Espanha e a França, especialmente olhando para a qualidade dos jogadores. O Brasil fechará o lote dos principais favoritos. A partir daqui não vejo mais nenhuma equipa que se destaque, a não ser que Sampaoli faça milagres na preparação e Messi tenha finalmente o mundial maradoniano que os argentinos esperam há uma década. Daqui a 3 meses saberemos.

Coisas a resolver até ao Mundial

Felizmente que me enganei e que Portugal se qualificou sem engulhos para o Mundial. A Suíça ajudou, apresentando-se como uma equipa muito fraquinha que só não perdeu por bastante mais porque não calhou. Quem os apanhar nos play-off não se deverá preocupar por aí além.

 

Agora que Portugal está apurado, está na hora de começar a preparar o trabalho para uma competição de um mês onde haverá potencialmente 7 jogos (média de um jogo a cada 4 dias). Há certas áreas que Fernando Santos terá que definir depressa.

 

 

Também publicado aqui.

À porta do Mundial?

Andorra-Portugal

Aos 60 minutos do jogo do passado sábado com Andorra dei por mim a pensar que se Portuga não conseguisse vencer esse jogo, não mereceria ir ao Mundial (o empate teria utomaticamente enviado Portugal para o play-off). Nessa altura estávamos já na segunda parte e Fernando Santos tinha enviado a cavalaria na forma de Cristiano Ronaldo. Ao mesmo tempo tinha corrigido um enorme erro: começar o jogo com 3 jogadores que jogam na ala -Bernardo Silva, Gelson Martins e Ricardo Quaresma - decisão que terá sido a principal repsonsável pela exibição quase completamente inofensiva que Portugal teve na primeira parte.

 

Não se trata da qualidade de cada um dos jogadores. Qualquer um deles podia começar o jogo e eu não teria tido objecções a dois deles (embora eu preferisse sempre Quaresma presente para jogar na ala esquerda, onde é mais eficaz que os outros dois). Só que jogar com os 3 e adicionar-lhes dois laterais muito ofensivos era receita para congestionar a ala. Com a preferência de Bernardo Silva e Gelson Martins pela direita e com a maior capacidade de Nelson Semedo em subir e descer pelo flanco, acabámos por ver Portugal a tentar transformar a lateral ofensiva direita nas portagens da ponte 25 de Abril em hora de ponta. A certa altura julgo ter visto estes 3 e Quaresma num espaço de terreno não maior que 4 metros quadrados.

 

A partir deste momento foi fácil a Andorra defender: colocaram-se recuados, encheram a grande área e foram lidando calmamente com os cruzamentos. Com apenas André Silva dentro da grande área era fácil aos 284 defesas centrais andorrenhos marcá-lo. A solução, além da entrada de outro avançado, teria sido o uso de médios centro a entrar na área vindos de trás e a aproveitar cruzamentos atrasados. Neste aspecto teria sido um melhor uso de Nélson Semedo, que vai bem à linha fazer cruzamentos atrasados rasteiros mas está aquém de Cédric Soares na precisão de cruzamentos a partir de posições mais afastadas da área. Não por acaso os dois golos surgiram da adição de corpos na grande área adversária. No primeiro Ronaldo duplicou o número de jogadores a marcar e no segundo a presença de William Carvalho, vindo de trás, deu um alvo ao cruzamento de Ronaldo e permitiu confundir os andorrenhos.

 

No final o essencial foram os 3 pontos, mais que os golos, onde já estamos destacados o suficiente dos suíços para que seja um não-tema. Para este jogo faltará saber que Portugal iremos ver. Os suíços não têm grandes estrelas (Xhaka e Shaqiri são os mais conhecidos) mas têm um bom colectivo e vários jogadores de bom nível e com capacidade de oferecer consistência à equipa (Lichtsteiner, Rodriguez, Schär, Frei, Embolo, Mehmedi...). Têm tirado o máximo proveito de um grupo fraco e têm demonstado eficácia ao vencer até agora todos os seus jogos.

 

Em condições normais Portugal deveria vencer este jogo. O problema é que os portugueses são pouco pacientes e se após 20 minutos Portugal ainda não tiver marcado (ou estiver perto de o fazer) o público poder-se-à virar contra a selecção e fazer começar os assobios, assim aumentado a pressão. Pessoalmente tenho algum receio do que irá suceder se Cristiano Ronaldo não estiver ao seu melhor. Fernando Santos demonstrou ser finalmente capaz de retirar o máximo de Ronaldo (embora isso seja ajudado pela emergência de André Silva, que ofereceu finalmente um parceiro capaz de atrair algumas atenções de defesas), mas também tornou a equipa excessivamente dependente dele (e não vale a pena falar da final do Euro: foi um caso único - literalmente).

 

Titulares na terça feira serão provavelmente Patrício, Pepe, Cédric, Eliseu, William, João Mário, Bernardo, André Silva e Ronaldo. Depois ficará por saber quem será o segundo central e se jogará Quaresma (ou Gelson) ou Danilo (ou André Gomes). Na segunda questão trata-se de definir se Fernando Santos aposta num 4-4-2 com alas invertidos (Bernardo à direita e Quaresma/Gelson à esquerda) ou num falso 4-3-3 com Ronaldo a começar nominalmente no flanco esquerdo mas a ir para onde quer, com outro médio (André Gomes ou João Mário) a descair para a esquerda. Esta segunda parte seria provavelmente mais segura. A Suíça tem uma boa dupla na direita, com Shaqiri e Lichtsteiner a oferecerem qualidade no ataque e defesa, pelo que seria aconselhável fazer Lichtsteiner reduzir as investidas no flanco (com a ameaça de Ronaldo a descair para ali) e oferecer protecção a Eliseu contra Shaqiri (usando um dos médios). Além disso um jogador extra no meio campo ajudaria a combater o meio campo suíço e estabilizar uma zona onde os helvéticos esperarão poder controlar o jogo.

 

Amanhã veremos, mas para já vou para o jogo com expectativas algo em baixa. Ainda não vi nada da selecção que me dê segurança. Espero estar enganado.

A "obscenidade" das transferências no futebol

Neymar Jr. transferiu-se para o Paris St. Germain pelo valor mais alto da história do futebol: 222 milhões de euros. Com este valor vieram os adjectivos: obsceno, pornográfico, ofensivo, etc. Não se trata apenas dos 222 milhões da transferência, mas também dos 30 milhões líquidos por época, os 38 milhões em pagamentos aos agentes envolvidos (incluindo o pai de Neymar). Assumindo uma taxa de 50%, o custo da transferência será de 112 milhões por ano ao longo de 5 anos (assumindo que o salário se mantém constante, o que nunca é certo).

 

A primeira pergunta que se impõe é: conseguirá o PSG pagar tal investimento sem infringir as regras do Fair Play financeiro da UEFA? Esta pergunta é relevante não apenas de um ponto de vista financeiro mas também moral: se o clube consegue pagar os custos, como dizer que é imoral?

 

 

Também aqui.

Portugal na Taça das Confederações

No ano passado coloquei a questão: deve Portugal jogar para a vitória na Taça das Confederações ou simplesmente rodar jogadores e fazer cumprir calendário? A pergunta não era ociosa. Como se vê agora com a Alemanha, Joachim Löw decidiu-se pela segunda opção, fazendo alinhar jovens e alguns jogadores mais experientes que poderão não ter ainda a presença no mundial do próximo ano garantida a 100%. Fernando Santos, como sabemos, optou pela primeira opção: levar a equipa mais forte e tentar vencer a competição.

 

É uma opção lógica, tal como a alternativa o seria. Para uma equipa como a Alemanha, capaz de fazer alinhar uma segunda linha de jogadores e ainda ser candidata ao título, fazer descansar alguns jogadores seria sensível. Portugal, contudo, tem uma base de talento mais reduzida. Uma opção por descansar os jogadores mais experientes ou com mais jogos nas pernas acarretaria inevitavelmente maus resultados desportivos. Era uma opção de tudo ou nada.

 

 

 

Previsão da final: Juventus - Real Madrid

A final de amanhã da Liga dos Campeões promete ser das mais interessantes dos último anos. Será preciso recuar a 2008/09 para encontrar uma final onde as duas equipas mais fortes da competição se terão encontrado (Barcelona, que venceu 2-0 o Manchester United) como neste ano.

 

O Real Madrid vem de um ano onde Zidane surpreendeu (quase) toda a gente como treinador. Se havia muitos que duvidavam do seu sucesso na Liga dos Campeões do ano passado, este ano conseguiu vencer a liga e regressar à final, sendo a primeira equipa desde o Manchester United em 2008/09 a ter a possibilidade de defender um título e assim quebrar a maldição da competição (desde que terminou o formato da antiga Taça dos Campeões com a época de 1991/92) de nenhuma equipa conseguir reter o título (a última equipa que o conseguiu foi o AC Milan em 1988-90). Aquilo que Zidane trouxe ao Real Madrid mede-se menos em termos de inovações ou brilhantismos tácticos e mais na forma como gere a equipa (mais abaixo). Nada de espectacular na forma, mas silenciosamente eficiente levando a resultados fantásticos (um pouco como o jogador Zidane).

 

A Juventus conseguiu incrivelmente evoluir para lá da equipa que tinha perdido a final com o Barcelona há dois anos, mantendo apenas Buffon e Bonnucci nos dois 11 iniciais (entre o de então e o mais provável de amanhã). Chiellini, Barzagli, Lichtsteiner, Marchisio e Sturaro ainda fazem parte do plantel da Juventus, mas ou não iniciaram o jogo em 2015 ou não o iniciarão amanhã. No entanto, e apesar da perda de Prilo, Vidal, Pogba, Morata, Tevez ou Evra, a Juventus está indubitavelmente mais forte, ainda mais equilibrada e flexível que há dois anos. Este ano conseguiu sofrer apenas 3 golos em toda a competição e apenas um na fase de grupos, contra o Mónaco na segunda mão de uma eliminatória que estava já quase decidida. É uma equipa que parece estar confirtável a defender e a atacar e tem múltiplas formas de atacar colectivamente os seus oponentes e oferece um equilíbrio único.

 

 

Irá o VAR reduzir a qualidade da arbitragem?

Na sequência do meu post anterior sobre a introdução do vídeo-árbitro, fica uma outra reflexão baseada num exercício de imaginação de situações. Escolhi 3 casos genéricos para os quais uma matriz de análise oferece 4 cenários para cada caso: a infracção existe ou não, e o árbitro assinala ou não a potencial infracção. Caso a caso:

a) um caso de potencial penalty

  1) O penalty existe e o árbitro assinala: nada sucede. Decisão acertada e ninguém contesta.

  2) O penalty existe e o árbitro não assinala: o vídeo-árbitro revê e assinala o penalty. Não há contestação.

 3) O penalty não existe e o árbitro assinala: o vídeo-árbitro cancela a decisão mas a equipa que defendia contesta porque a decisão do árbitro elimina a possibilidade de um contra-ataque.

  4) O penalty não existe e o árbitro não assinala: Decisão acertada e ninguém contesta.

b) um caso de potencial fora de jogo

  1) O fora de jogo existe e o árbitro assinala: nada sucede. Decisão acertada e ninguém contesta.

  2) O fora de jogo existe e o árbitro não assinala: o vídeo-árbitro revê e assinala o fora de jogo. Não há contestação.

  3) O fora de jogo não existe e o árbitro assinala: o vídeo-árbitro cancela a decisão mas a equipa que atacava contesta porque a decisão do árbitro elimina a possibilidade de uma oportunidade de golo.

  4) O fora de jogo não existe e o árbitro não assinala: Decisão acertada e ninguém contesta.

c) um caso de potencial falta (possivelmente grave)

  1) A falta existe e o árbitro assinala: nada sucede. Decisão acertada e ninguém contesta.

  2) A falta existe e o árbitro não assinala: o vídeo-árbitro revê e assinala a falta. Não há contestação.

  3) A falta não existe e o árbitro assinala: o vídeo-árbitro cancela a decisão mas a equipa que atacava contesta porque a decisão do árbitro elimina a possibilidade de um ataque.

  4) A falta não existe e o árbitro não assinala: Decisão acertada e ninguém contesta.

  5) Caso adicional: o vídeo-árbitro decide que uma falta merece cartão amarelo ou vermelho ou rescinde a decisão do árbitro de o mostrar.

 

A linha comum a estes casos é que se o árbitro assinalar erradamente uma infracção, será contestado. Em caso de não assinalar infracções (ou não mostrar cartões) o peso da decisão recai no vídeo-árbitro e o árbitro de campo não é contestado. Se os árbitros de qualidade irão sempre procurar tomar a melhor decisão possível, os restantes poderão refugiar-se na opção de assinalar apenas as infracções mais óbvias, que resistam facilmente à revisão do vídeo-árbitro. Neste caso o ritmo de jogo será afectado por constantes pedidos de revisão de casos.

 

Poderei estar errado, claro está, mas é perfeitamente possível que de facto os árbitros joguem pelo seguro para evitar a contestação no momento, defendendo-se com a explicação de não conseguirem ver. A ver vamos o que acontece ao longo do ano.

 

PS - a minha análise acima parte obviamente do princípio que se o vídeo-árbitro toma uma decisão, essa não será contestada. Isto obviamente não sucederá sempre, mas tinha que limitar os meus casos.

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