urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancadaComentador de BancadacomentadordebancadaLiveJournal / SAPO Blogscomentadordebancada2018-12-25T19:40:23Zurn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:21966João André2018-07-26T18:03:00Pequena ode a um mundial que não deveria ter existido2018-12-25T18:05:54Z2018-12-25T19:40:23Z<p style="text-align: justify;">Um guarda redes com cãibras a aguentar um prolongamento e a defender dois penalties. Um médio a perder a bola por lhe dar um torque e não ter pernas para a ir buscar mas depois a recuperar a bola e a virá-la de flanco. Um avançado a mal poder correr excepto quando cheirou uma bola e lhe acertou de forma perfeita para acabar com o sonho inglês. Um jogador a marcar dois penalties em jogos decisivos depois de correr 120 minutos em cada e nós a sabermos que estaria pronto para repetir a dose no terceiro jogo consecutivo. Um desempenho de sonho a negar a equipa do melhor jogador do mundo e outro funcional, da equipa secundária, quando não precisaria de o fazer. Três jogos consecutivos a recuperar de desvantagens para se apurar para a final com o equivalente de um jogo a mais e um dia menos. E isto é só o mundial da Croácia.</p>
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<p style="text-align: justify;">(<em>Hrvatska! Hrvatska! - ouve-se da minha janela, gritado a 950 km de distânci</em>a)</p>
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<p style="text-align: justify;">A Inglaterra sonhou como não o fazia há 28 anos e conseguiu ser parada sem que o cortejo de juízes surgisse no horizonte. A Rússia sacudiu a etiqueta de segunda pior equipa do mundial para estar a um passe (ou remate) das meias-finais. A Bélgica recuperou de uma desvantagem de dois golos contra o Japão e depois venceu o Brasil, em desempenhos que deixaram os adeptos do mundo inteiro (excepto japoneses e brasileiros, à vez) a torcer por eles. Lukaku especialmente deixou água na boca contra os japoneses ao não tocar a bola antes do último remate do jogo e a fazer verdadeiro <em>bullying</em> artístico a quem lhe apareceu pela frente - ou pelo ombro - frente aos brasileiros. Meunier, no seu jeito de gigante desengonçado e trapalhão tem sido calmamente o melhor lateral direito do mundial - a sua ausência foi excessivamente notada. Outros dois laterais direitos deram-nos aqueles que poderão ter sido os melhores ou mais belos golos do mundial.</p>
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<p style="text-align: justify;">(<em>pausa para respirar</em>)</p>
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<p style="text-align: justify;">Ronaldo teve um jogo a falar da melhor cabra de todos os tempos** e foi abafado por dois golos excepcionais, um deles resultante de uma tabelinha de 100 metros. O VAR apareceu na fase de grupos e deve ter bebido tanta vodka que desapareceu nas eliminatórias. Mbappé apanhou uma multa por excesso de velocidade num jogo e decidiu atormentar as polícias de trânsito nas defesas adversárias apenas em trajectos curtos. Lilian Thuram foi descoberto na Rússia, 24 anos mais novo e com outra cor de pele, mas não engana ninguém. De Bruyne foi dando lições de geometria euclidiana com os seus passes saídos directamente do Elementos. O cliché inglês da fila às espera do comboio em forma de bola nos livres indirectos e cantos.</p>
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<p style="text-align: justify;">(<em>Neymar rebola... e rebola... e rebola...</em>)</p>
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<p style="text-align: justify;">Os remates de Coutinho. Godín a defender toda a área, duro quando necessário, com <em>souplesse</em> quando possível. Varane a varrer a sua defesa no ar e no chão, mais rápido que Hazard a correr, que Fellaini a saltar e mais forte que Lukaku, mas sempre com classe. Kanté a varrer a direita e a esquerda de Pogba - ao mesmo tempo. A trivela de Quaresma. Os 3 metros e meio de altura de Yerri Mina. A trivela de Quaresma. Aliou Cissé a destilar <em>coolness</em>. A trivela de Quaresma. O Japão a jogar para perder o último jogo na fase grupos e ser apurado por serem bons rapazes. Neuer a ala esquerdo. Kroos a fazer de Bom, Mau e Vilão num único jogo. Quase duas vezes. Honda a entrar em campo para marcar um golo do empate ao fim de 6 minutos. A Inglaterra a vencer um desempate por penalties.</p>
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<p style="text-align: justify;">(<em>esperemos: o Panamá está ainda a celebrar os golos</em>)</p>
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<p style="text-align: justify;">El-Hadary a não ser substituído depois de ser o mais velho jogador a jogar um mundial e a defender um penalty. Tal memória deveria ter sido gravada para sempre sem necessidade de o ver a conceder golos. Marrocos a dominar 3 jogos e não vencer nenhum. Dinamarca e França a oferecerem uma cura para o stress. Já disse que a Islândia se qualificou para um mundial com uma população de 300 mil? O cineasta vindo do frio a defender um penalty ao melhor jogador do mundo*. Rojo a mostrar aos seus avançados como se marca um golo. Os dois suíços que provocaram os sérvios por causa do Kosovo depois de serem provocados pelos russos. O guarda redes iraniano que dormiu no chão mas que defendia quase tudo, inclusivamente um penalty do mais valioso trintão do mundo***. Lozano. Kompany porque simplesmente gosto do tipo. Fellaini porque é daqueles tipos que é impossível de não se gostar quando estamos longe dos seus cotovelos. Kane porque vai ser o melhor marcador com 3 penalties, 2 sobras e 1 bola tabelada na canela. Auto-golos porque vão ultrapassar Kane. Brasil a ser eliminado mais cedo que há 4 anos mas com melhor sabor na boca.</p>
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<p style="text-align: justify;">(<em>preparar o fim</em>)</p>
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<p style="text-align: justify;">Um mundial de sol, festa, jogos abertos como não há muito, jogadores a lutar até ao limite das forças e ainda mais além, selecções a celebrar mesmo depois de serem goleadas, um anfitrião a abrir as janelas fechadas há muito para mostrar que sabe de hospitalidade mesmo quando volte a fechar a casa, de pena por as equipas africanas não passarem a fase de grupos depois de iluminarem os seus jogos no campo e nas bancada, equipas a serem eliminadas sem recriminação, cerveja a esgotar, a presidente croata, a ausência de Putin, alfabetos cirílico e latino, sol da meia-noite - ou perto disso.</p>
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<p style="text-align: justify;">E teremos sempre a quaresma de Trivela em Saransk.</p>
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<p style="text-align: justify;">* - escolha pessoal, discordem à vontade.</p>
<p style="text-align: justify;">** - Referência à barbicha - <em>goatee</em> em inglês - e a GOAT, acrónimo para <em>Greatest Of All Times</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">*** - pelo menos no futebol.</p>
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<p style="text-align: justify;">(também <a href="https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/tag/mundial+2018" rel="noopener">aqui</a>)</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:22047João André2018-07-21T18:06:00Pequena análise ao Mundial de Portugal2018-12-25T18:07:19Z2018-12-25T18:07:19Z<p style="text-align: justify;">O primeiro jogo, contra a Espanha, deu-me esperança que Ronaldo estivesse ao seu melhor nível e Portugal jogasse bem o suficiente para o apoiar. A Espanha tinha-me parecido estar a jogar bastante bem e só tendo sido batida por uma boa organização defensiva e uma actuação brilhante de Ronaldo. Os jogos subsequentes, de Portugal e Espanha, indicaram que talvez não fosse bem assim, nem para Portugal nem para a Espanha (à hora que escrevo está empatada a um golo com a Rússia).</p>
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<p style="text-align: justify;">Portugal tinha a desculpa contra a Espanha de saber que não veria muito a bola. Contra Marrocos e Irão isso não sucederia. Fernando Santos insistiu em esquemas e jogadores que pouco ou nada fizeram e com toda a gente à espera que Ronaldo resolvesse tudo. Contra Marrocos Portugal teve muita sorte em não perder (esta também é necessária) e contra o Irão o jogo foi sofrível e mesmo com o penalty mal assinalado em favor do Irão o resultado não foi incorrecto.</p>
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<p style="text-align: justify;">Contra o Uruguai Fernando Santos corrigiu alguns erros tácticos, mas algo tarde e de forma dubiosa. Com Bernardo Silva na ala direita, era necessário jogar com um lateral mais inclinado a procurar a linha final para permitir a Bernardo Silva mais liberdade. Infelizmente isto surgiu ao 4º jogo, sem verdadeiras rotinas, e Cédric não mereceria ser enviado para o banco. No ataque haveria alguma lógica em jogar com Gonçalo Guedes, mas apenas se fosse um avançado mais móvel. Encostado aos centrais, especialmente Godín e Gimenez, foi o equivalente a oferecer-lhes um chá mate. Mais tarde fez entrar Quaresma para alargar o jogo, mas infelizmente retirou Adrien em vez de João Mário (que, sendo apenas sofrível, fez o seu melhor jogo do mundial).</p>
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<p style="text-align: justify;">O azar foi também que o melhor jogador português do mundial, Pepe, cometeu um erro enorme que deu o segundo golo aos uruguaios. Há no entanto alturas em que temos que dar o mérito ao adversário. Fernando Santos foi emendando a mão e Portugal não jogou mal, mas os Uruguaios têm uma defesa quase impenetrável. O resto da equipa é disciplinada e com mais <em>garra charrua</em> por jogador que o resto das equipas mundiais em conjunto. E, no ataque, têm dois avançados de enorme qualidade, que jogam de olhos fechados, sacrificam-se pela equipa e não são egoístas. A comandar tudo, provavelmente o melhor seleccionador dos últimos 20 ou 30 anos: Tabarez. Os uruguaios marcaram primeiro em duas ocasiões. Depois de concederem um golo, só o fariam outra vez se Ronaldo descobrisse alguma coisa especial. Não o conseguiu e Portugal volta para casa.</p>
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<p style="text-align: justify;">Jogadores</p>
<p style="text-align: justify;">Positivo: Patrício, Pepe, José Fonte, Cédric, Adrien, Quaresma (apesar de ter tentado ser expulso contra o Uruguai) e Ronaldo. Note-se que os considero positivos, não necessariamente muito bons.</p>
<p style="text-align: justify;">Razoáveis: William, Guerreiro, Moutinho, Ricardo.</p>
<p style="text-align: justify;">Negativos: João Mário, Bernardo (apesar de ter melhorado imenso no último jogo), Guedes.</p>
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<p style="text-align: justify;">Os únicos que foram muito bons, e ainda assim, apenas a espaços, foram Ronaldo, Patrício e Pepe. Os único que foi consistentemente muito mau foi João Mário. Guedes esteve perto, mas teve algum trabalho de equipa decente nos dois primeiros jogos (ao mesmo tmmepo que demonstrava cabalmente o erro de o colocar a ponta de lança). Destes grupos, não há queixas a Patrício porque nada podia fazer nos golos que sofreu (talvez o primeiro do Uruguai, mas seria difícil). Os outros despareceram de tempos a tempos e foi nesta inconsistência que Portugal teve uma passagem pouco notória no mundial.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:21556João André2018-07-16T15:17:00Mundial 2018 - análise2018-07-16T14:18:56Z2018-07-16T14:18:56Z<p style="text-align: justify;">E o mundial terminou. Teve surpresas, bons jogos, controvérsia, novidades, algumas estrelas de Verão, uma nova super-estrela, muito sol, muita alegria, nenhum problema notório, um vencedor consensual, histórias agradáveis e futebol em geral mais aberto, mesmo quando com poucos golos. Foi melhor que os últimos dois mundiais e nos últimos 30 anos só 2006 terá estado ao mesmo nível. Foi um belo mundial.</p>
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<p style="text-align: justify;">França campeã. Não totalmente estranho, nem para mim nem para ninguém. Tinha-os colocado <a href="https://comentadordebancada.blogs.sapo.pt/mundial-2018-candidatos-20146" rel="noopener">no meu lote de candidatos</a> e apontado como a melhor equipa no papel. Na altura pensei que não tivessem o equilíbrio necessário, mas Deschamps conseguiu-o com alguns sacrifícios de talento e um desenho táctico assimétrico para proteger um lado (esquerdo, com Matuidi) e libertar o outro (direito, com Mbappé). Nas laterais sacrificou Sidibé e Mendy e fez alinhar dois jovens centrais versáteis (Pavard e Hernández) que foram dos mais seguros do torneio. No meio campo teve um Pogba em modo de segurança, só mostrando a sua qualidade quando necessário e sabendo que tinha o fenómeno Kanté nas costas. Em todos os jogos depois do de abertura deram sempre a ideia que não estavam a jogar ao seu máximo e, embora tivessem sempre que subir um degrau a cada jogo, deu sempre a ideia que tinham mais uns níveis de reserva se tal fosse necessário.</p>
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<p style="text-align: justify;">A Croácia capturou a imaginação no torneio e terá conquistado a maioria dos espectadores neutros. A forma como jogaram 3 prolongamentos seguidos, com jogadores lesionados, sem nunca deixarem o cansaço vencê-los e lograrem ainda ter força mental suficiente para passarem dois desempates por penalties seguidos, tudo isso os alçou à categoria de heróis. Na altura tinha-me esquecido deles <a href="https://comentadordebancada.blogs.sapo.pt/mundial-2018-segunda-linha-20261" rel="noopener">na segunda linha</a> (<a href="https://comentadordebancada.blogs.sapo.pt/mundial-dia-5-20886" rel="noopener">corrigi parcialmente a mão</a>, mas já mais tarde) mas não devia. Com todos os cilindros a funcionarem perfeitamente, os croatas seriam uma mão cheia para qualquer adversário. Provaram-no e demonstraram que só não seriam superiores à França. Modrić mereceu o seu prémio de melhor jogador, Rakitić foi excepcional, Perišić foi sempre um problema para quem o apanhou pela frente e Mandžukić deu sempr o equilíbrio necessário à equipa. Foi pena não os ver vencer, mas a caminhada fez sonhar.</p>
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<a name="cutid1"></a><div class="ljcut" text="Ler mais...">
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<p style="text-align: justify;">Os belgas apresentaram a sua "Geração d'Ouro" no máximo, mas chocaram contra uma geração ainda mais dourada e mais equilibrada. Nas meias finais, o principal problema que acabaram por ter não foi o menor rendimento de uma das suas estrelas, mas a ausência da menor das individualidades: Meunier. Na sua ausência, os belgas não tiveram nenhum lateral de raiz e isso notou-se. Foram obrigados a mover jogadores pelo campo, o que deu num desenho táctico desequilibrado que nunca conseguiu penetrar a defesa francesa. Não foi por acaso que, pouco depois de entrar, Mertens colocou 3 cruzamentos perigosos na área francesa: com ele os belgas tiverm largura e poderam sobrecarregar um dos lados da defesa francesa. Infelizmente para esta táctica, Varane e Umtiti estiveram imperiais. Alguns jogadores conseguiram ir brilhando ao longo do torneio, mas os dois melhores terão sido Lukaku e Meunier, pelo equilíbrio e inteligência com que jogaram. Hazard demonstrou toda a sua qualidade técnica mas também a sua falta de inteligência táctica. Perdi conta às vezes que Hazard, tendo-se libertado da marcação e em corrida em direcção à defesa adversária, optou por prosseguir com a bola nos pés, tentando um drible mais ou deixando-se cercar pelos adversários quando tinha colegas em excelentes posições. Tais decisões em jogadores como Ronaldo ou Messi que marcam um golo por jogo podem ser aceites. Hazard não está ao mesmo nível.</p>
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<p style="text-align: justify;">A Inglaterra surpreendeu um pouco, mas também teve jogos relativamente simples. Quando fazemos o balanço do seu torneio, os ingleses saíram com 4 vitórias (ou 3 e 1 empate se ignorarmos o prolongamento) e 3 derrotas (2 e 1 empate), duas delas contra a mesma equipa (Bélgica). As vitórias foram contra equipas mais fracas (Panamá, Tunísia, Suécia) ou semelhantes mas sem a estrela (Colômbia, sem James Rodriguez). Isso não nos deve no entanto fazer ignorar que, pela primeira vez desde há muito, os ingleses se apresentaram com uma equipa sem óbvias mega-estrelas, com jogadores jovens e cheios de potencial e que conseguiram afastar velhos fantasmas (como as vitórias em jogos a eliminar e as marcações de penalties). Mesmo tendo-se sobrevalorizado a influência táctica de Southgate, houve certos elementos que mereceram atenção. Foi notório que o seu cérebro táctico se esgotou no desenho do 3-3-2-2 em que adicionou Walker aos centrais. Sempre que tinha que mudar, fazia-o entre jogadores na mesma posição (Dier por Henderson, Rose por Young, Rashford por Sterling) e nunca tocava no estilo. No entanto introduziu elementos de modernidade ao questionar axiomas muito velhos: os penalties não são lotarias e é possível treinar para eles; as bolas paradas podem ser repensadas (fiz aquele comboio várias vezes no basquetebol); os jogadores não precisam de estar em reclusão; a experiência pode ser sobrevalorizada; etc. Se Southgate souber continuar a fazer evoluir a sua equipa e encontrar alguém que adicione criatividade, o Euro2020 poderá ser inglês.</p>
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<p style="text-align: justify;">Dos outros, a Rússia foi a outra surpresa da edição. Aceitaram as suas limitações, apresentaram um estilo que os protegesse delas e jogasse para as suas forças, foram empurrados pela sua nação e tiveram sorte. E mostraram o valor de pontas de lança "à antiga" como Dzíuba, a qualidade de médios como Golovin e Tcherichev e a mente táctica de Tchertchessov. Os uruguaios tiveram o azar de perder Cavani. Nota-se que é uma equipa que, sendo mais que a soma das partes, não se pode dar ao luxo de perder partes como aquela. A própria defesa perde sem Cavani, dado que os adversários se sentem mais à vontade para atacar sem o risco das combinações Suárez/Cavani (aquela tabela de 100 metros contra Portugal... ai ai...) Os uruguais poerderam assim a oportunidade de adicionarem mais um título. Talvez não vencessem uma França que, no jogo contra eles, mostrou pela promeira vez as suas credenciais de verdadeira candidata, mas teriam tornado o jogo muito mais difícil.</p>
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<p style="text-align: justify;">O Brasil demonstrou nalguns momentos enorme qualidade, mas acabou por sofrer por não ter alternativas fora o seu desenho táctico único. Durante a qualificação jogou em 4-3-3, com Casemiro, Renato Augusto e Paulinho no meio campo. Casemiro segurava o meio campo, Renato Augusto distribuía o jogo e Paulinho subia para causar desequilíbrios. No mundial Tite optou por trazer Coutinho para o meio campo, fazer entrar Willian e remover Renato Augusto. O desenho passou a ser um 4-2-3-1 onde Coutinho tinha a obrigação de recuar quando necessário. Viu-se que isso estava fora das suas capacidades e, quanto mais defendesse, menos efectivo seria no ataque. A falta de Casemiro contra a Bélgica também se notou imenso, como se notou a incapacidade de Fagner de lidar com a qualidade de Hazard (que se tivesse aproveitado melhor a forma como se libertava, a Bélgica não teria tido de defender no final). No fim o que faltou foi ter alternativas. Cada jogador que entrava acabava a substituir um jogador na mesma posição. Ainda que as características fossem diferentes (Douglas Costa é muitíssimo diferente de Willian), o estilo não mudou. Neymar, por seu lado, apesar de ter entrado para o anedotário mundial, soube mostrar qualidade. Infelizmente fê-lo apenas a espaços e sem apoio suficiente. E o Brasil continuará a esperar.</p>
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<p style="text-align: justify;">Menções para o Japão e México, duas equipas que souberam mostrar vontade, que dominaram por períodos adversários mais fortes e tiveram jogadores em destaque (Inui para os japoneses e Lozano para os mexicanos). Os japoneses tiveram um momento caricato na fase de grupos, quando a perder decidiram manter a posse de bola para se apurarem por <em>fair-play</em>, num dos momentos mais irónicos da história dos mundiais. Depois, nos quartos de final, tentaram vencer o jogo com a última oportunidade com um canto e acabaram por perder quando a Bélgica contra-atacou de imediato. Fosse o Ying e Yiang uma invenção japonesa e haveria muitas piadas a fazer. Tenho a certeza que os japoneses terão as suas referências, mas não as conheço.</p>
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<p style="text-align: justify;">O Senegal mereceria mais, especialmente Cissé, que mostrou que os países africanos deveriam apostar mais nos seus próprios treinadores em vez de irem sempre buscar estrangeiros. Ainda no tema de países africanos, os nigerianos mostraram que têm uma equipa de qualidade e jovem à espera de explodir. Uzoho, Iwobi, Onazi, Ndidi, todos eles mostraram qualidade. Os sérvios têm qualidade pela equipa, mas infelizmente continuam a sofrer de falta de consistência ao longo dos 90 minutos. Os suíços mostraram qualidade a espaços mas também alguma apatia - falta-lhes qualidade no ataque. O Irão teria merecido mais, especialmente o seu guarda-redes Beiranvand.</p>
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<p style="text-align: justify;">A minha equipa do torneio (arbitrariamente em 4-3-3):</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Guarda-redes:</strong> Danijel Subašić. Herói de dois desempates por penalties, sem culpa nos golos concedidos e jogou dois jogos lesionados. Outros: Pickford, Akinfeev.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Defesa:</strong> Meunier (o mais consistente lateral do mundial), Varane (que escrever...), Diego Godín (provavelmente o melhor defesa puro do mundo) e Lucas Hernández (defendeu, subiu, mostrou maturidade). Outros a mencionar: Vrsaljko, Vida, Umtiti, Yerri Mina, Davinsón Sánchez, John Stones, Harry Maguire, Kieran Trippier.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Meio Campo:</strong> Ngolo Kanté (o homem tem 3 pulmões e 4 pernas, juro), Paul Pogba (sem pretensões mas sólido e decisivo quando necessário), Luka Modrić (o coração e cérebro da equipa num só corpinho). Outros: de Bruyne, Tcherichev, Golovin, Betancur, Casemiro, Rakitić, Inui.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ataque:</strong> Mbappé (um prodígio de técnica, força, velocidade e inteligência), Romelu Lukaku (técnica, velocidade e inteligência num corpo que faz medo a seguranças de discoteca), Ivan Perišić (velocidade, inteligência e, acima de tudo, um desejo imbatível). Outros: Lozano, Hazard, Griezmann, Mandžukić, Ronaldo, Cavani.</p>
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<p style="text-align: justify;">Sobre Portugal, escreverei noutra altura.</p>
</div>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:21175João André2018-06-20T15:08:00Portugal Adormecido 1 - Marrocos 02018-06-20T15:22:27Z2018-06-20T15:22:27Z<p style="text-align: justify;">Antes de mais: considero o resultado justo porque qualquer resultado é justo se não houver interferência de factores não-desportivos (arbitragem, corrução, etc). Uma equipa que marca numa única oportunidade pode vencer outra que tem 30 remates à baliza sem marcar. A eficácia e a sorte são parte do jogo. Este jogo não viu um caso tão extremo, mas foi perto de inacreditável que Portugal tenha vencido este jogo contra uma equipa de Marrocos claramente superior.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O jogo começou quase com o golo português, ainda antes de haver qualquer definição táctica. O jogo a sério começou depois do 1-0.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tacticamente</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Fernando Santos fez uma única alteração: Bruno Fernandes saiu do onze inicial para entrar João Mário. Bruno Fernandes não tinha parecido estar ao nível necessário e João Mário tem experiência a jogar na posição que Fernando Santos lhe pede: algo entre médio esquerdo, médio centro e médio ofensivo. No resto o desenho habitual: 4-4-2, por vezes mais um 4-2-2-2 em que os médios exteriores (João Mário e Bernardo Silva) apoiam os laterais a defender e os laterais oferecem a largura ao jogo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente Hervé Renard, o seleccionador de Marrocos, identificou as alas como o ponto fraco a explorar em Portugal e lançou alas clássicos aos laterais portugueses com o apoio dos laterais e sempre de um dos médios centro. O resultado era que as laterais estavam constantemente expostas, especialmente quando algum dos médios exteriores não apoiava o seu lateral. Isso foi o caso no flanco esquerdo português. Raphaël Guerreiro demonstrou constantemente que estava com pouca rotina (passou muito da época lesionado) e João Mário não dava quase nenhum apoio. Nordin Amrabat teve sempre liberdade para se lançar a Guerreiro, usando a sua velocidade, força e técnica para fazer a vida negra ao português. Sem ajuda de João Mário, foi possível a Nabil Dirar apoiar e causar problemas sem fim.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No lado direito de Portugal, Cédric Soares tinha menos problemas devido ao apoio de Bernardo Silva. O jogador do Manchester City foi quase inexistente no ataque (nisto não foi diferente do resto da equipa) mas ia apoiando a defesa. No centro do terreno, William Carvalho e João Moutinho estavam reluctantes em apoiar as alas e desguarnecer o centro, o que se compreendia. O resultado eram alas completamente sobrecarregadas e um meio campo português quase sem nada para fazer.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">As coisas melhoraram um pouco com uma mudança táctica para um 4-5-1 (que teoricamente seria um 4-3-3 no ataque), com Gonçalo Guedes a sair do centro do terreno para a ala esquerda e João Mário a mudar-se para o centro do terreno. Isto inicialmente equilibrou a equipa, porque Guedes deu um pouco mais de apoio e Dirar estava mais cauteloso nas suas investidas ofensivas. A melhor oportunidade portuguesa surgiu da subida de Guedes pela esquerda, recebendo um passe perfeito de Ronaldo e rematando na direcção do braço do guarda-redes marroquino quando deveria ter marcado.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O problema foi que os portugueses, tendo conseguido um pouco mais de espaço para jogar enquanto os marroquinos avaliavam as consequências da mudança táctica, desperdiçaram esta conquista com um jogo lento, muito lento, lentíssimo, sem qualquer urgência, atenção ou determinação, que fazia com que as únicas opções atacantes fossem bolas longas de Pepe para os flancos. Perante isto, os marroquinos passaram a apoiar os alas com os médios centro e voltaram a causar estragos - e muitas oportunidades que foram desperdiçando.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Displicência</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os marroquinos foram sempre perigosos e só má finalização, falta de sorte e, em duas ocasiões, Rui Patrício, os impediram de marcar. Poucas diferenças existiram no jogo dos marroquinos, que de vez em quando mudavam posições aos jogadores (com Zyach e Amrabat a trocar ocasionalmente de ala) e continuavam sempre a empurrar os portugueses para a sua área e só o falhanço nos remates e o trabalho de Pepe e José Fonte foram poupando os portugueses.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Aquilo que se foi notando foi no entanto o extremamente fraco jogo dos portugueses, que por vezes demonstravam imensas falhas: pouca familiaridade com as funções que tinham - Gonçalo Guedes a não atacar um cruzamento da direita e a esperar que a bola lhe caísse - acção típica de um ala; pouca urgência no passe - quase toda a gente não chamada Fonte, Pepe e Moutinho; pouca atenção nas suas funções - William a descair para entre os centrais deixando 3 a marcar 1 quando os marroquinos tinham dois jogadores em frente da área; e simples falta de cuidado - Guedes, Gélson, Bernardo Silva, todos a tentar driblar pelo meio da floresta quando deveriam procurar trocas de bola.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Os portugueses foram constantemente descuidados e até Fernando Santos foi culpado disto. Ter deixado Guedes até ao final não fez sentido, ter esperado tanto tempo para retirar João Mário também não e não percebi porque razão fez entrar Bruno Fernandes quando o jogo estava a pedir um Adrien Silva. João Moutinho foi constantemente explorado nas bolas paradas dos marroquinos: a bola acabava invariavelmente na zona onde estivesse Moutinho, para explorar a sua falta de altura. Fernando Santos deveria ter metido Moutinho fora da área (mesmo que na barreira) e colocado outro jogador para evitar este problema.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Aquilo que os marroquinos fizeram vezes sem conta foi isolar os portugueses: Guerreiro, Cédric, Moutinho (nas bolas paradas), William. E defensivamente fizeram o mesmo, obrigando os portugueses a pensar que tinham que driblar pelos adversários, em vez de receber apoio para triangulações. Haveria formas de resolver estes problemas, mas a atitude portuguesa não ajudou.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No fim, Portugal venceu com muita sorte e Marrocos tornou-se a primeira equipa eliminada neste mundial. Agora que venha o Irão e que Portugal jogue melhor. Independentemente do resultado do jogo Espanha-Irão, os iranianos chegarão ao último jogo com possibilidade de se qualificar. Se Portugal não melhorar (e deixar de depender de Ronaldo para tudo), a selecção corre sérios riscos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Os jogadores</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Patrício, Pepe e Fonte foram heróis. Pepe e Fonte tiveram falhas, mas nada de excepcional, viram-se frequentemente obrigados a enfrentar múltiplos jogadores vindos em velocidade. Patrício foi perfeito. Cédric e Guerreiro foram os mártires. Não estiveram particularmente mal dada a falta de apoio, mas ainda assim esperar-se-ia mais. William Carvalho esteve razoável na posse de bola, mas sofreu da mesma falta de urgência - felizmente que a sua força física lhe permitiu aguentar os adversários sem perder a bola. Infelizmente esteve muito fraco defensivamente, tendo ganho poucas bolas ou afastado poucas vezes o perigo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">João Moutinho foi o melhor português. Recuperou imensas bolas, foi o melhor a passar a bola (a competição não era muita, diga-se a verdade) e ainda contribuiu com a assistência para o golo. Teve muita sorte de não sair com amarelo - fez várias faltas num período curto de tempo - mas sem ele Portugal teria precisado de um milagre ainda maior.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Bernardo Silva ajudou bastante defensivamente e ocasionalmente libertou-se da pressão. Mas também esteve miserável a passar a bola, mas foi dando mais protecção a Cédric que aquela que Gélson ofereceu. Gonçalo Guedes esteve ocasionalmente bem defensivamente e quando aparecia ofensivamente causava problemas - terá sido por isso que se foi mantendo - mas desapareceu muito frequentemente. Deveria ter marcado quando Ronaldo o isolou e esse erro poderia ter custado caro.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Ronaldo... Marcou o golo, esteve afastado da bola, exceptuando quando os portugueses o tratavam como se fosse um Peter Crouch. Quase marcou numa jogada que inventou sozinho e deveria ter acabado com uma assistência para Guedes. Deve estar a rezar para que os outros jogadores acordem da letargia e deixem de pensar que ele resolve tudo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Gélson, Bruno Fernandes e Adrien. Entraram mal. Bruno Fernandes estava a dormir, Gelson parecia um puto cheio de vontade convidado para o jogo dos crescidos, a correr muito mas sem saber para quê ou para onde. Adrien entrou tarde e não teve possibilidade de apanhar o ritmo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">João Mário. O quanto menos se disser dele melhor. Decisões erradas, mexeu-se por vezes como se fosse um amador convidado a jogar uma peladinha com profissionais, não defendeu, não atacou, corria para ir pedir a bola a dois metros dos colegas e devolvia-lhes a bola mas agora sob pressão... A única coisa que fez bem foi recuperar 3 bolas (tantas como William, mas em locais menos perigosos) e em pelo menos um dos casos perdeu-a de imediato por se lançar pelos adversários. Se não mostrar mais nos treinos, arrisca-se a não jogar mais neste mundial. Deveria ter saído ao fim de meia hora. E eu a pedir que ele entrasse para o lugar de Fernandes no primeiro jogo...</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:20886João André2018-06-19T11:26:00Mundial - dia 52018-06-19T10:37:21Z2018-06-19T10:37:21Z<p style="text-align: justify;">A primeira jornada está (quase) completa (faltam os últimos 2 jogos) e decido deixar já uns apontamentos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Candidatos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dos 4 candidatos <a href="http://comentadordebancada.blogs.sapo.pt/mundial-2018-candidatos-20146" rel="noopener">que apontei</a>, a Espanha foi a única que verdadeiramente me impressionou. Depois da confusão com o despedimento de Lopetegui conseguiram manter-se focados, jogaram o seu jogo característico (a espaços de forma irresistível) e demonstraram força mental ao conseguirem duas vezes empatar depois de estarem a perder. Também foram bastante seguros a defender, com os golos a surgirem fruto do génio de Ronaldo e um erro de De Gea. Uma vez que não voltarão a enfrentar Ronaldo até à final (se ambos lá chegarem), terão ganho confiança. Para mais Diego Costa parece ter encontrado o seu nicho.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Os alemães?... Li comentários sobre a falta que a velocidade de Sané estaria a fazer. Talvez, mas o problema não estava numa posição específica. Brandt, Reus e outros são rápidos q.b. O problema era a lentidão de processos, da execução de passes, movimentações, etc. A jogarem assim podem correr riscos, especialmente depois da vitória dos suecos, notórios por serem difíceis de quebrar. Muito dependerá de como os jogadores reajam.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Os brasileiros conseguiram simultâneamente impressionar e desiludir. Impressionou a forma como conseguiram penetrar a organizada defesa suíça, muitas vezes parecendo que era fácil. Por outro lado foi estranho como conseguiam não aproveitar essas oportunidades. Penso que se conseguirem afinar os processos, especiamente no remate, que serão aquilo que muitos (não eu, pelo menos até agora) os consideram: os maiores candidatos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Já os franceses pareceram o que têm parecido constantemente sob Deschamps: uma manta de retalhos de jogadores fabulosos e que parece que se juntaram para uma jogatana de domingo e que até à hora do jogo nunca se tinham visto na vida. No jogo com a Austrália valeu que a qualidade individual (e um pouco de sorte) bastaram. Ainda assim, apesar da desilusão, foram o único candidato a vencer.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Segunda linha</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Portugal - <a href="http://comentadordebancada.blogs.sapo.pt/ronaldo-3-espanha-3-20671" rel="noopener">oremos a Ronaldo</a> nosso que (por vezes) está no céu.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A Argentina, a jogar assim, bem precisa de orar a Messi. De outra forma não dará em nada. Conseguiram um penalty duvidoso, foi-lhes negado outro mais claro (na minha opinião) e Messi não marcou. De resto necessitaram que Agüero inventasse espaço para marcar o golo. No resto do jogo, um deserto de ideias.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A Croácia não estava <a href="http://comentadordebancada.blogs.sapo.pt/mundial-2018-segunda-linha-20261" rel="noopener">no meu post</a> mas deveria. Futebol fluido, rápido e lento conforme a necessidade e, desde que não haja erros clamorosos da defesa, normalmente seguros. Modrić não parece afectado pelos problemas extra futebol e a Croácia começa a merecer que se lhes preste atenção.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A Bélgica jogou como se os jogadore snão tivessem vontade de ali estar, como se o resultado fosse uma formalidade que aconteceria mais minuto menos minuto. Tinham razão, como o demonstraram já na segunda parte do jogo contra um muito limitado Panamá, mas as grandes equipas não jogam com aquela displicência. Hazard receberá elogios pela assistência para o segundo golo (primeiro de Lukaku) mas a maioria das suas decisões foram más, optando por reter a bola e tentar penetrar florestas de jogadores quando tinha colegas para trocar a bola. A Bélgica teve a vitória mais expressiva, mas continua sem convencer.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A Inglaterra esteve a minutos de ter o início habitual: sair sem vitória. Foram na primeira parte claramente superiores a uma Tunísia mediana e deveriam ter vencido o jogo com as oportunidades da primeira meia hora. Depois da igualdade junto ao intervalo demonstraram a fragilidade mental habitual. Valeu-lhes que têm um Ronaldo mental (mesmo que não noutros aspectos) em Kane, que marcou os dois golos. Agora vão embandeirar em arco a pensar que os quartos de final serão uma formalidade (será quase impossível não saírem do grupo). Os adversários, esses, estão já a marcar Kyle Walker no mapa.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O grupo H é o mais interessante e tem dois potenciais candidatos de segunda linha: Polónia e Colômbia. Depois dos jogos de hoje veremos se há razões para o pensar.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Rápidas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A Islândia continua a ser um fenómeno de dedicação e conquista quem os vê. Os uruguaios ganharam o jogo quando os egípcios perceberam que Salah não entraria. Irão e Marrocos foram uma excelente inspiração para terminar um relatório. Perú... que pena não terem vencido. O México poderá surpreender, há ali muita qualidade.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Veremos a segunda jornada e quem ficará já apurado. Bélgica e Inglaterra serão quase certas. O México penso que será a outra equipa. Das outras não creio que haja uma única que esteja descansada, seja pela qualidade do oponente, seja por não terem vencido o primeiro jogo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O que vemos é que há poucos bombos da festa. A Arábia Saudita é um, o Panamá poderia ser outro contra outros adversários. Os restantes sabem pelo menos o essencial de defender para poderem fazer a vida difícil aos adversários.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:20671João André2018-06-15T22:22:00Ronaldo 3 - Espanha 32018-06-15T22:03:37Z2018-06-15T22:03:37Z<p style="text-align: justify;">Tento não ir por estes títulos, mas hoje é dos dias em que não há volta a dar. Ronaldo segurou Portugal contra uma Espanha muito boa e que cometeu o erro de não ter acabado o jogo quando deveria. Ronaldo acordou e, ao 45º livre directo por Portugal em fases finais, finalmente marcou e empatou a Espanha. O jogo, no entanto, foi dos melhores que alguma vez se terão jogado em fases de grupos de mundiais. É de longe o melhor deste torneio até agora e será difícil ultrapassá-lo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Início</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se a Espanha não surpreendeu e apresentou o onze esperado, incluindo Nacho no lugar de Carvajal, Fernando Santos terá surepreendido um pouco com Bruno Fernandes e Gonçalo Guedes no onze inicial. Se Guedes já parecia estar a ser preparado para começar os jogos, pelo menos a julgar pelos amigáveis, Bruno Fernandes terá sido mais surpreendente. A táctica no entanto parecia ser a de conter os passes rendilhados dos espanhóis no meio campo, fechar a defesa e lançar contra-ataques rápidos para o espaço entre o meio campo e defesa espanhóis e explorar a menor mobilidade de Piqué e Ramos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">De início a táctica funcionou perfeitamente. As movimentações rápidas dos portugueses deixaram Nacho isolado frente a Ronaldo e o penalty deu o 1-0. No resto da primeira parte ainda houve duas boas oportunidades para Gonçalo Guedes fazer o 2-0, especialmente a segunda. Pouco depois disso, veio o momento Diego Costa. O aríete embateu contra Pepe, Fonte e Cédric e marcou o golo do 1-1. Provavelmente terá feito falta sobre Pepe, mas é dessas sobras que o espanhol vive.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Isco quase fez o segundo golo num excelente remate e não teria sido menos do que merecia. Isco estava sempre disponível para receber a bola, entregando-a perfeitamente e, sempre que necessário, mantendo a sua posse com uma técnica fabulosa que fazia parecer que era impossível tirar a bola. Pelo meio ia tamém explorando os espaços entre defesa e meio campo que os portugueses deixavam com a sua linha de quatro jogadores a meio campo, especialmente com o posicionamento de William Carvalho, que bloqueava bem o centro do terreno mas não descaía para cortar linhas de passe em frente da defesa.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Valeu pouco depois o erro de De Gea que deixou Portugal na frente ao intervalo. Aqui Guedes fez o seu trabalho perfeitamente, recebendo a bola, criando espaço e deixando para Ronaldo rematar. De Gea deveria ter defendido, mas não nos vamos agora queixar.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Segunda parte</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os espanhóis começaram a segunda parte como terminaram a primeira, mas com uma diferença: a velocidade na troca de bola era estonteante e deixava os portugueses a perseguir sombras. Sempre que chegavam perto de um jogador com bola já esta tinha passado por mais dois. Esses rendilhados em velocidade abriram a defesa portuguesa em algumas ocasiões, mas faltava sempre alguém que finalizasse. O empate acabou por chegar numa bola parada estudada onde Busquets demonstrou maior experiência que Guedes para chegar a uma bola e a colocar no meio da área, onde Costa chegou mais depressa que a defesa portuguesa. Era merecido e os espanhóis continuaram a fazer por merecer esse empate.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O 3-2, esse... Se continuarem a jogar o mundial até 2026, o golo de Nacho provavelmente continuará a figurar entre os melhores do torneio, se não for mesmo o melhor. O remate é perfeitamente executado, a bola vai com velocidade, altura e ainda curva na direcção do poste. Nem com mais 10 centímetros de braços Patrício lá chegaria.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Com a vantagem, os espanhóis entraram na sua táctica defensiva preferida: manter a bola. Não valeu de nada fazer entrar João Mário, Quaresma ou André Silva, porque o problema não era de pessoal. Os espanhóis simplesmente mantinham a posse da bola e deveriam ter matado o jogo em várias ocasiões.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Não o fizeram e foi Ronaldo quem marcou o golo tratando do assunto ele próprio, essencialmente sozinho, demonstrando uma força mental incrível. Ainda houve tempo para Portugal quase vencer o jogo, valendo Busquets a bloquear o remate de Quaresma e o facto de Ronaldo estar a jogar ao pé coxinho e não conseguir cabecear da melhor forma um excelente cruzamento de João Mário.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em geral</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O resultado foi bom para ambas as equipas. Portugal terá ganho alento do facto de Ronaldo parecer ter ido com o arsenal completo para a Rússia. Alguns jogadores pareceram estar bem e apesar do excelente futebol, foram poucas as situações em que os espanhóis conseguiram realmente entrar na defesa portuguesa.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Os espanhóis conseguiram demonstrar a qualidade do jogo. Há poucas equipas que tenham jogadores capazes de, por si mesmos, combater a Espanha. Na verdade apenas o ciborgue Ronaldo e o extraterrestre Messi. As outras poderão ter de procurar outras soluções. Felizmente para elas que Fernando Santos apontou o caminho: lançar jogadores rápidos para as costas do meio campo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Pela mostra deste jogo, absolutamente fantástico e que merece entrar na história dos mundiais, Portugal e Espanha apurar-se-ão sem grandes problemas. A questão poderá passar por quem passa em primeiro e em segundo. Veremos daqui a uns dias após o segundo jogo.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:20261João André2018-06-15T14:26:00Mundial 2018 - segunda linha2018-06-15T15:31:19Z2018-06-15T15:31:19Z<p style="text-align: justify;">Nesta previsão, vêm os que estarão, por uma ou outra razão, na segunda linha de candidatos. Justifico-me em cada caso.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bélgica</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Haverá quem os coloque como candidatos a par de uma Alemanha ou Brasil. Não o faço porque continua a ser uma equipa excessivamente desequilibrada e cheia de incerteza. Martinez é um treinador de qualidade, mas limitado e algo dogmático nas suas ideias. Hazard é um jogador imparável quando no seu dia, mas um passageiro que deixa a equipa a jogar com 10 se não o for. Os 3 centrais são excepcionais, mas dependem de ter Kompany saudável, o que não é certo (e o subsitituto natural, Vermaelen, passa ainda mais tempo na enfermaria). Os laterais são suspeitos, especialmente à esquerda (Meunier à direita não deslumbra mas é sólido o suficiente). No ataque Lukaku é excelente, mas a ala direita é entregue a mertens, que tem deslumbrado a jogar a ponta de lança.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">De Bruyne, Dembelé e Witsel podem muito bem ser um trio excepcional, mas raramente deslubraram pela selecção. Fellaini dá mais consistência, mas menos qualidade de posse de bola e de passe. Aliás, a escolha no meio campo esclarece perfeitamente as dificuldades da Bélgica: imensa qualidade, mas dificuldades em a colocar no campo de forma equilibrada.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No seu dia, os belgas podem vencer qualquer adversário. Para serem campeões, necessitam de vencer mais equipas. E faltar-lhes-à qualidade para isso.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Portugal</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Já escrevi sobre a selecção portuguesa <a href="http://comentadordebancada.blogs.sapo.pt/antevisao-do-mundial-de-portugal-19848" rel="noopener">aqui</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Em resumo, Portugal tem uma equipa muito boa, mas há grande diferença entre a qualidade de Ronaldo e do resto da equipa. Falta saber o estado de espírito dos (ex-)jogadores do Sporting, embora não seja a primeira vez que os jogadores vão à selecção obter conforto e esquecer os problemas no clube. E, claro, falta saber o que acontecerá na defesa, onde apenas Cédric e Pepe oferecem alguma segurança (e a de Pepe, dada a sua idade, é muito relativa).</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Se Portugal estiver no seu melhor, podemos esperar algo de bastante bom, especialmente na versão de trancas à porta dos jogos a eliminar no europeu. No entanto poderá ser curto contra as melhores equipas. Pessoalmente preferiria ver os quartos de final como máximo com a equipa a jogar futebol bonito, mas penso que ficarei desapontado. Ainda assim, e mesmo que não o acredite, seria agradável ficar desapontado com a beleza e deslumbrado pelo resultado final.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Argentina</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Lionel Messi e Jorge Sampaoli. Resumem-se a isto as esperanças reais dos argentinos. A equipa tem a qualidade no ataque e uma defesa muito incerta. Se Sampaoli conseguir implementar um estilo de jogo semelhante ao que impôs com o Chile (duvidoso, dada a diferença de estilos e de idades dos argentinos) e Messi estiver ao seu melhor, os argentinos poderão conseguir vencer. Caso contrário poderão ficar também pelos quartos de final.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Há ainda a questão de como emparelhar Messi. O sonho seria ver Aguero na frente apoiado por Messi e Dybala, mas isto não tem funcionado e afunila o jogo da equipa. Di María é um parceiro preferido de Messi, mas só permite essa alternativa numa das alas, com a outra sem jogador comparável (pelo menos em qualidade). Depois, ainda é necessário ganhar as bolas e o meio campo já não tem um Mascherano com a qualidade de anteriormente. Espero alguns momentos de magia e as individualidades a carregarem a Argentina contra adversários mais fracos ou comparáveis. Depois disso certamente que cairão.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Inglaterra</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim, eu sei, são ingleses e perdem nos penalties nos quartos ou oitavos de final ou então nem saem do grupo. No entanto o grupo não é dos mais difíceis e apanharão alguém do grupo H, também sem pesos pesados, nos oitavos. Isso abre espaço para enfrentarem um Brasil ou Alemanha nos quartos de final e serem eliminados, mas num dia bom, nunca se sabe.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Os ingleses têm uma equipa jovem, que joga num sistema que reflecte aqueles a que os jogadores estão habituados nos clubes, e explora o desenvolvimento técnico e táctico que os mais jovens têm tido no contacto com Guardiola, Klopp, Pochetino ou Mourinho. Têm um ponta de lança que pode ser considerado o mais completo do mundo no momento e alguns jogadores verdadeiramente excitantes quando no seu melhor (Sterling, Alli). Têm também equilíbrio e possibilidade de variar o desenho táctico e escolher jogar com posse de bola ou de forma mais directa (usando Vardy, por exemplo).</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A sua maior fraqueza está na maior novidade que Southgate introduziu: Kyle Walker a central. Embora isto empreste valocidade na defesa e qualidade no transporte de bola, também os expõe a atacantes mais altos e fortes. Não é difícil imaginar Lukaku a encostar-se a Walker para explorar esta opção e assim abrir a defesa (Stones seria obrigado a deslocar-se para a direita para apoiar e abriria assim o centro). O outro ponto fraco é a mentalidade inglesa: mesmo quando jogam de outra forma nos clubes, os ingleses parecem estar sempre a um clique de optar pelos passes longos e momentos Roy of the Rovers. Quando funciona, esses momentos criam heróis. Mais frequente é eliminarem a própria equipa.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:20146João André2018-06-15T13:11:00Mundial 2018 - candidatos2018-06-15T13:26:29Z2018-06-15T13:26:29Z<p style="text-align: justify;">Sei que isto chega tarde, mas avancemos com a minha lista de considerações sobre as selecções que vejo como verdadeiras candidatas ao título. Não há garantias que o vençam, são apenas as minhas apostas mais altas para isso, com base nas equipas e/ou consistência.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alemanha</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não surepreende ninguém. Têm uma equipa que perdeu alguns jogadores fundamentais depois de 2014 (Lahm, Mertesacker, Schweinsteiger, Klose) mas parece de alguma forma ainda mais impressionante. Boateng e Hummels fazem uma dupla excepcional e estão habituados a jogar juntos. Hector pode ser apenas razoável mas não é pior que Höwedes há 4 anos a lateral esquerdo. Schweinsteiger não está mas Kroos recuou e a equipa está menos dependente de um duplo pivot defensivo. Klose foi-se e o seu oportunismo fará falta, mas Werner oferece qualidades mais alinhadas com o estilo da selecção.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Há quem considere que os alemães terão estagnado, mas penso que isso será uma percepção errada. Joachim Löw aproveitou a qualificação para ir introduzindo variações tácticas e agora a selecção é capaz de jogar em 4-3-3, 4-2-3-1 ou 3-5-2 e 3-4-3 quase sem se notar a diferença. Houve quem criticasse a ausência de Sané nos convocados, mas Löw pensa que ele não rende o mesmo na selecção que rendeu no Manchester City e tem em contrapartida outros jogadores altamente talentosos (finalmente teremos a oportunidade de ver o fabuloso Reus num campeonato). A grande dúvida prende-se com Neuer e as condições em que se apresentará. Se oferecer garantias, o estilo alemão muda completamente e a equipa subirá no terreno. Sem ele, a alternativa é Ter Stegen, um guarda-redes fabuloso mas que não dá as mesmas garantias com um defesa subida. Aqui poderá residir a grande dúvida sobre a Alemanha. Se Neuer estiver apto, penso que a Alemanha será a vencedora.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Espanha</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A saída de Lopetegui lançou dúvidas, mas os espanhóis conhecem-se perfeitamente e Hierro não é exactamente um desconhecido dos jogadores. A maior dúvida relaciona-se com a capacidade deste de introduzir mudanças tácticas na equipa, antes ou durante o jogo, para explorar fraquezas ou limitar o perigo de um adversário.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No resto os espanhóis têm uma equipa sólida, criativa e eficiente. De Gea é provavelmente o melhor guarda-redes no torneio. Piqué e Ramos conhecem-se perfeitamente e formam uma dupla complementar e formidável. O meio campo (Busquets, Thiago, Koke, Iniesta, Silva, Isco...) é... bem, o meio campo espanhol. Pegam na bola, levam-na para um passeio e só a trazem de volta a casa depois da meia noite ainda feita cinderela mesmo que a fada madrinha não o queira.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A maior fraqueza é o ataque. Costa não liga bem com o resto da equipa, mas pode causar problemas suficientes a uma defesa para abrir espaços para os colegas. Aspas é mais fraco, mas liga bem com os colegas. Rodrigo está a meio em termos de qualidade, mas tem uma mobilidade que pode ser muito preciosa. Além disso, os espanhóis podem sempre jogar sem ponta de lança. Isco marcou 3 golos à Itália quando a Espanha jogou em 4-3-3-0. Se vencerem o grupo, como espero, terão caminho aberto até às meias finais e depois provavelmente jogarão a final contra a Alemanha. Dependendo das considerações acima, poderão então vencer... ou não.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Brasil</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Há 4 anos perderam 7-1 e ficaram traumatizados. Terão resolvido o problema? Neymar não jogou na altura por lesão e agora vem de outra, mas está fresco. Gabriel Jesus, Coutinho, Costa, etc, não estiveram no massacre pelos alemães. Luiz não estará, mas Marcelo (o pior jogador desse jogo) sim. Mais importante, Tite não é Scolari.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Os brasileiros estão mais fortes e mais equilibrados. Os guarda-redes são excepcionais. Os centrais são sólidos, embora se mantenham questões sobre a qualidade de Thiago Silva. O principal problema defensivo é a falta de Daniel Alves, mas pelo menos existe cobertura suficiente com um meio campo sólido e inteligente (Casemiro, Fernandinho, Paulinho, Renato Augusto). O ataque não está tão dependente de Neymar, com Jesus, Willian, Coutinho, Costa, Firmino, a oferecerem excelentes alternativas se a estrela não estiver nos seus melhores dias.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No entanto não deixo de pensar que talvez a pressão venha a ser demasiado e que há excessivas vulnerabilidades defensivas para ficarem descansados. Nos últimos 4 campeonatos do mundo e 4 campeonatos da Europa, <a href="http://www.espn.com/soccer/fifa-world-cup/4/blog/post/3523881/world-cup-will-reward-good-defence-how-do-brazil-france-germany-and-spain-rate" rel="noopener">os vencedores sofreram um total de 5 golos num total de 29 jogos</a>. É um golo a cada seis jogos e isto incluindo golos sem significado, como o do Brasil no 7-1 da Alemanha. Os campeões sofrem poucos golos e esta equipa brasileira não parece capaz disso. Por isso penso que ficará pelas meias finais, mas com melhor imagem que em 2014.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>França</strong></p>
<p style="text-align: justify;">No papel é a equipa mais forte. Deixar em casa Martial, Rabiot, Payet, Sissoko, Koscielny, Coman, etc, não é ara qualquer um. O problema de Didier Deschamps é conseguir que os que convocou possam brilhar. Ou, de outra forma, como juntar Mbappé, Pogba, Dembelé, Griezmann, Fekir, etc, no mesmo onze? Como os juntar e quais deixar no banco?</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Há dois anos, no Europeu, os problemas eram apenas dois: Griezmann e Pogba. Deschamps na altura essencialmente conseguiu extrair mais de Griezmann e menos de Pogba. Neste momento tem que lhe adicionar Mbappé e alguns outros, que têm vindo a exigir cada vez mais atenção e tempo. Uma das dificuldades é que o esquema que extrai o máximo de alguns jogadores não faz o mesmo de outros. Para jogar com Griezmann no máximo, é necessário que Giroud comece o jogo num "2" no ataque. Isto provavelmente seria a melhor hipótese para Pogba se a França alinhasse com 3 centrais, mas isso não sucederá. Assim, e para jogar com 3 homens no meio campo, há que alinhar com 3 no ataque (desviando Griezmann e talvez Mbappé para começar na ala) ou fazer entrar Fekir para a posição atrás de Griezmann e Giroud, provocando congestão no meio campo e deixando Mbappé e Dembelé no banco.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Há múltiplas combinações possíveis, mas parece-me que qualquer uma delas sacrificará jogadores de enorme qualidade ou exigirá deles funções com as quais não estão familiarizados. Nalguns casos isso não seria um problema, mas quando estes jogadores são tão jovens, poderão não se adaptar suficientemente para melhorar a equipa. Isso será um problema.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Acima falei dos problemas defensivos do Brasil. Em teoria os da França serão menos notórios, com Varane, Umtiti, Kanté, etc. Mas Lloris não está no seu melhor, Sidibé e Mendy são laterais extremamente ofensivos, com pouca experiência e Mendy vem de uma lesão longa. Há também a falta de um verdadeiro líder de equipa que coloque ordem no campo (como Blanc ou o próprio Deschamps em 1998 e 2000). Tudo isso conspira contra os franceses. Ainda assim, a qualidade individual é suficiente para que provavelmente cheguem às meias finais (provavelmente eliminando Portugal pelo caminho). Mais que isso estará provavelmente fora do seu alcance.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:19848João André2018-05-29T08:28:00Antevisão do Mundial de Portugal2018-05-29T09:01:12Z2018-05-29T09:01:12Z<p style="text-align: justify;">E dentro de 2 semanas começa o novo campeonato do mundo. Como no passado <a href="http://comentadordebancada.blogs.sapo.pt/tag/euro2016" rel="noopener">Euro2016</a> irei deixar uma antevisão. Nos próximos dias referirei os principais candidatos e uma ou outra previsão garantida de falhar, mas começo com Portugal.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Selecção</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Uma comparação directa dos jogadores escolhidos há 2 anos e dos escolhidos agora demonstra que a média de idades é exactamente a mesma (28,5 anos), embora a mediana das idades seja quase ano e meio mais baixa. Isto reflecte o facto de os jogadores chamados agora e que estiveram ausentes em 2016 são em média dois anos e meio mais novos que os que eles substituíram. Estes jogadores trazem em média 21 internacionalizações a menos que os anteriores convocados (inevitável quando temos Gelson Martins a substituir Nani ou Ruben Dias a substituir Ricardo Carvalho), mas a equipa no seu total tem em média o mesmo número de intenacionalizações: 37 em ambos os casos, reflectindo a experiência extra que os restantes jogadores coleccionaram nos últimos dois anos. Em termos de golos a média é de 6 golos por jogador em comparação com 5 em 2016, mas a mediana é exactamente a mesma: um golo por jogador. Isto reflecte a dependência que a selecção tem de Cristiano Ronaldo, que teve uma média de um golo internacional por jogo nos últimos dois anos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Isto é apenas uma análise estatística que indica que o perfil da equipa em geral não é incrivelmente distinto do de 2016. Há no entanto alguns pontos fundamentais de diferença. O primeiro é a dependência ainda mais clara dos golos de Ronaldo (59% dos golos da selecção contra 51% em 2016). O segundo é a idade dos centrais: actualmente é de 32 anos de idade contra quase 35 em 2016. Isto à partida seria vantajoso, mas resulta da substituição de Ricardo Carvalho (38 anos em 2016) por Rúben Dias (21 anos). Em 2016 Carvalho acabou por não jogar demasiado depois de se ver que já não tinha andamento para o torneio e agora será improvável vermos Dias a não ser que haja calamidades por parte de Fonte ou Alves. Se nos restringirmos aos 3 favoritos para a posição de central, a idade média aumentou 2 anos (os 3 estão 2 anos mais velhos) de 33,5 para 35,5 anos de idade. Por muito que os jogadores digam que a idade é só um número, a verdade é que não é assim, especialmente numa era de pressão alta e de jogo cada vez mais rápido.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A outra posição onde Portugal está em desvantagem é na de trinco. Portugal tem dois bons jogadores para a posição, com características diferentes, William Carvalho e Danilo. Com a lesão de Danilo, Fernando Santos optou por chamar Manuel Fernandes, um jogador que não tem um passado específico de médio defensivo e já tem 32 anos de idade, tendo passado os últimos 7 anos na Turquia e Rússia. A não ser que Fernando Santos opte de facto por uma política de rotação, é muito provável que o grosso dos jogos recaia sobre William Carvalho, um jogador de qualidade mas que costuma ter dificuldades quando enfrenta adversários rápidos no meio campo e tem dificuldades em se virar para perseguir jogadores que corram nas suas costas.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No restante da equipa Fernando Santos tem qualidade suficiente, especialmente quando comparada com a do Euro2016. André Silva é o parceiro perfeito de Ronaldo no ataque, móvel, físico, capaz de marcar golos por si mesmo mas também satisfeito em trabalhar para a estrela. A versão portuguesa de Benzema (salvaguardadas as devidas diferenças). No meio campo Bernardo Silva oferece enorme qualidade na posse de bola e opções para aliviar pressão. Gelson Martins e Gonçalo Guedes são ambos melhores que Rafa Silva ou Nani em 2016 e com eles Portugal ganha qualidade nos flancos (o que se torna necessário dada a cada vez menor velocidade de Quaresma, independentemente da qualidade dos seus cruzamentos).</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Nas laterais poder-se-ia contestar a escolha de Ricardo Pereira no lugar de Nélson Semedo, mas este teve uma época algo intermitente no Barcelona enquanto que Ricardo Pereira foi altamente consistente com o FC Porto e ainda oferece mais uma opção nas alas. Na esquerda e na ausência de Coentrão, Mário Rui (com os jogos que conseguiu na recta final do campeonato italiano com o Nápoles) foi uma opção simples, dada a falta de alternativas. No resto as escolhas são simples e lógicas.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Campeonato</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O principal obstáculo a Portugal na competição é a sua calendarização. Seria preferível ter o jogo com a Espanha no final da fase de grupos, numa fase em que ambas as equipas já poderiam estar apuradas. Assim, uma possível (muito possível na verdade) derrota contra a Espanha poderá levar a um aumento da tensão na equipa portuguesa e dificultar a tarefa contra Marrocos e Irão, duas equipas que concederão a iniciativa a Portugal (que prefere ter alguns espaços) e são organizadas na defesa e poderão conseguir segurar um 0-0. Assim, uma derrota contra a Espanha e empate contra Marrocos deixaria Portugal com poucas probabilidades de se qualificar para os oitavos de final (dependendo de resultados nos outros jogos).</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Assumindo que a lógica é seguida e Portugal se qualifica em segundo lugar no grupo (atrás da Espanha), irá enfrentar o vencedor do grupo A, provavelmente o Uruguai, equipa que está perfeitamente ao alcance dos portugueses (mesmo que nunca seja boa ideia ficar descansado contra uma equipa de Tabarez, especialmente vendo Suárez e Cavani lançados aos centrais portugueses). Depois disso Portugal enfrentará o vencedor do jogo entre provavelmente a França e o segundo classificado do grupo D (Argentina, Islândia, Croácia e Nigéria). Admitindo que a França vence esse jogo (muito provável), a reedição da final do Euro2016 irá provavelmente resultar na eliminação portuguesa.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Terminar a competição nos quartos de final não seria de desdenhar, mesmo sendo-se o campeão europeu. Uma análise fria ao Euro2016 resulta numa vitória muito improvável de Portugal, onde a única vitória nos 90 minutos surgiu nas meias finais contra o País de Gales e onde Portugal apenas saiu da fase de grupos graças a uma bola no poste nos últimos momentos fo jogo contra a Hungria. A realidade é que Portugal teve imensa sorte na competição e, independentemente de ter aproveitado perfeitamente todos os golpes de sorte que tiveram, os portugueses não podem esperar ser novamente bafejados pela fortuna a este ponto.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No final, a sorte de Portugal estará dependente do mundial que Ronaldo consiga ter. Se pegar nos jogos e os moldar à sua vontade, Portugal pode ir muito longe (o mesmo se pode dizer exactamente da mesma forma da Argentina e Messi). No entanto, no futebol moderno, tal domínio (à la Maradona em 1986) é altamente improvável. Os adversários sabem bem quais as forças e fraquezas de Ronaldo e concentrar-se-ão em o deixar isolado e lhe cortar acesso à bola. É impossível apagar completamente Ronaldo, mas se o conseguirem em larga medida, mesmo que Ronaldo se envolva na construção muito mais na selecção portuguesa que no Real Madrid, Portugal sofrerá e será reduzido à sua condição sem Ronaldo: uma equipa de qualidade, mas não boa o suficiente para mais que passar a fase de grupos.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:19688João André2018-05-28T13:16:00Real Madrid 3 - 1 Liverpool2018-05-28T12:15:52Z2018-05-28T12:16:27Z<p style="text-align: justify;">Depois de <a href="http://comentadordebancada.blogs.sapo.pt/primeira-antevisao-da-final-da-liga-dos-18824" rel="noopener">dois</a> <a href="http://comentadordebancada.blogs.sapo.pt/segunda-antevisao-da-final-da-liga-dos-19206" rel="noopener">posts</a> a reflectir sobre o que seria a final da Liga dos Campeões, acabámos com um jogo que, a título pessoal, perdeu muito do interesse por volta dos 30 minutos, ou seja, quando Mohammed Salah saiu lesionado. Comecemos no entanto pelo fim do meu último post: previ uma vitória do Liverpool por 4-2 e o resultado foi uma vitória do Real Madrid por 3-1. Para isso contribuíram alguns factores distintos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<a name="cutid1"></a><div class="ljcut" text="Ler mais...">
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O início do jogo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O jogo começou como se esperaria. O Liverpool é provavelmente a melhor equipa europeia a contra-atacar e como tal era importante que marcasse primeiro. Isso significa que os ingleses começaram o jogo com o pé a carregar completamente no acelerador e criaram uma situação de algum perigo logo por volta dos 20 segundos de jogo. O Liverpool pressionou muito alto e sempre que ganhavam a posse de bola atacavam rapidamente com rápidas troca de bola e posição que abriram a defesa do Real Madrid com frequência. No entanto só ocasionalmente nos primeiros 30 minutos os ingleses conseguiram causar problemas a Keylor Navas.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Defensivamente o Liverpool pressionava alto e parecia haver uma tentativa deliberada de fazer o Real Madrid jogar pelo lado esquerdo, talvez para obrigar Marcelo a subir e envolver Salah o máximo possível. Isto era notório especialmente em dois aspectos: Firmino pressionava essencialmente colocando-se de forma a bloquear o passe de Ramos para Varane, e Salah (inicialmente, mais tarde Mané) colocava-se de forma a dificultar o passe para Kroos ou entre Kroos e Marcelo. O objectivo parecia ser de facto obrigar Marcelo a ficar envolvido o máximo possível e, no caso de a bola estar no meio campo, tentar que a posse de bola ficasse por conta de Casemiro.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Por altura em que Salah se lesionou numa disputa de bola com Ramos, o resultado de 4-2 seria já improvável, dado que dependeria de o Liverpool marcar cedo. O lance irá certamente ser analisado e reanalisado e a responsabilidade de Ramos dependerá da parcialidade do observador. Parece no entanto claro que a experiência de Ramos foi importante embora talvez não houvesse intenção de causar verdadeiro dano a Salah.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Após a saída de Salah</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Com a saída de Salah ficou clara a falta de opções de Klopp para mudar alguma coisa. A entrada de Lallana foi a solução lógica embora implicasse a entrada de um jogador que tinha clara falta de forma e ritmo. Para implementar a pressão alta que Klopp desejaria seria necessário ter melhores condições físicas, pelo que Klopp optou por mudar um pouco o desenho táctico para um 4-4-2 mais descaído para a direita (para onde Mané foi depois da substituição).</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Pouco depois da entrada de Lallana, foi Carvajal quem teve de sair em lágrimas devido a lesão. No entanto, enquanto Salah teve que ser substituído por um jogador saído de lesão e com poucos jogos nas pernas, Zidane pôde fazer entrar um jogador em forma que foi chamado à selecção espanhola para o campeonato do mundo noq ue foi o melhor exemplo da profundidade do banco madrileno em comparação com o do Liverpool.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Erros</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu teria esperado que o início da segunda parte fosse semelhante ao da primeira parte, com o Liverpool a pressionar e a criar ocasiões de golo. No entanto o que se viu foi um Liverpool algo retraído, com menos energia e permitindo ao Real Madrid trocar a bola mais à vontade. No entanto isso não levou a muitas ou claras oportunidades de golo até ao (provavelmente) pior erro de sempre de um guarda-redes numa final europeia. É difícil compreender o erro de Karius, pelo que não vale a pena escrever mais sobre o assunto.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O golo teve pelo menos o condão de acordar o Liverpool, que recomeçou a pressionar o Real Madrid e a criar oportunidades de golo, tendo chegado rapidamente ao 1-1 por Mané, o seu melhor jogador. Depois disso o Liverpool tentou conservar um pouco a energia, sabendo que tinham poucas alternativas a partir do banco, e o Real Madrid começou a criar oportunidades. Isco teve a oportunidade de fazer o golo e pouco depois foi substituído por Bale, numa mudança que virou o jogo em favor de Zidane.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A entrada de Bale deu de imediato largura ao jogo do Real e obrigou os laterais do Liverpool (Trent-Arnold e Robertson) a ficar mais recuados. Num 4-4-2 como o do Liverpool com Lallana, o resultado foi que os desenhos tácticos das duas equipas se trocaram. A energia de Bale veio também causar mais problemas a um Liverpool a quem faltava o melhor jogador. O golo surgiu no entanto num lance de brilhantismo individual, com Bale a fazer um golo do nada com um fabuloso pontapé de bicicleta.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O Liverpool no entanto não deixou de atacar e tentar vencer, com Mané a atingir o poste num remate de fora da área. As trocas de bola em frente da defesa do Real continuavam a causar problemas aos defesas e Mané e Firmino a arrastar os espanhóis. A vantagem que o Real tinha estava no entanto em Casemiro e Nacho, que assumiam posições perto dos centrais para fazer dobras e permitir a Varane e Ramos colarem-se aos avançados do Liverpool. Na ausência de um avançado esquerdo, Nacho ficava então livre e isso terá criado a maior vantagem defensiva no jogo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">E depois veio o segundo erro de Karius. Se qualquer dos erros poderiam ser desculpados como falhas de concentração, dois erros deste tipo no mesmo jogo e numa final da Liga dos Campeões são indesculpáveis e mesmo um treinador empático como Klopp terá dificuldade em permitir que Karius volte a jogar pelo Liverpool. Não será estranho, mesmo que seja cruel, que Karius tenha acabado aqui com as suas possibilidades de ter uma carreira ao mais alto nível. O mais provável é que volte em breve para a Alemanha para um clube do meio da tabela.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Depois do 3-1, acabou-se o jogo. O Liverpool ainda foi atacando, mas foi o Real quem esteve mais perto de novo golo (com cortes no último momento de Lovren e Robertson a negarem o golo a Bale e Ronaldo, respectivamente). No fim, o Real ganhou. Como cantam os seus adeptos: "<em>así gana el real</em>".</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Inevitabilidade</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Escrevi algumas vezes sobre a aura de inevitabilidade do Real Madrid. Aqui repetiu-se. Teve sorte, sem dúvida. Salah lesionou-se, Karius cometeu dois erros enormes, o Liverpool não tinha sequer banco em boas condições físicas. No entanto a sorte não existe apenas para um lado e, no longo prazo, acaba por se equilibrar. Aquilo que esta equipa consegue fazer é tirar partido da sorte que tem, graças à qualidade técnica, física e mental dos seus jogadores. Ramos não terá querido lesionar Salah, mas usou toda a sua experiência no lance. Karius congelou mentalmente no primeiro golo, mas Benzema não correu à bola só para fazer figura de corpo presente. Karius deixou a bola entrar no terceiro golo, mas o remate de Bale era forte e levou efeito.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A qualidade que mais impressiona neste Real Madrid é a mentalidade resiliente que têm e que lhes permite vencer mesmo quando não jogam bem ou quando jogam pior. Não é sustentável num campeonato, o que é demonstrável nos 17 pontos de diferença para um Barcelona que foi muito mais regular. Mas numa competição relativamente curte e a eliminar, esta mentalidade é fundamental. Ninguém a possui como Ramos e companhia.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O Real Madrid tem agora 3 Ligas dos Campeões seguidas, 4 nos últimos 5 anos. Ronaldo é o jogador com mais Ligas dos Campeões (neste formato) e está em segundo na lista de vencedores desta Taça (juntamente com vários outros jogadores e atrás de Gento). O Real Madrid tem aqui uma dinastia, mas apesar de ser o domínio da competição mais forte desde os tempos de Dí Stefano, esta equipa provavelmente não receberá os elogios de outras do passado (Real Madrid 1956-60, Ajax anos 70, Bayern anos 70, Milan anos 80/90, Barcelona de Guardiola) porque não deslumbra. A sua principal qualidade é ganhar. Não convencerá muitas pessoas, mas os adeptos do clube não se importarão. A verdade é que mais ninguém se aproxima sequer das suas 13 taças, as quais mais que duplicaram as do Liverpool.</p>
</div>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:19206João André2018-05-25T14:40:00Segunda antevisão da final da Liga dos Campeões2018-05-25T13:56:47Z2018-05-25T13:56:47Z<p style="text-align: justify;">Na verdade, não muito a adicionar ao que escrevi <a href="https://comentadordebancada.blogs.sapo.pt/primeira-antevisao-da-final-da-liga-dos-18824#cutid1" rel="noopener">há duas semanas</a>. O principal novo aspecto é a melhoria de forma de Bale, que leva a pensar se ele não começará o jogo, ou no lugar de Isco ou no de Benzema. Não creio que Zidane abdique de Isco dado ser o melhor jogador a explorar o espaço entre defesa e meio-campo adversários. Seria mais provável que abdicasse de Benzema, mas penso que isso seria um erro. Bale não tem a mesma capacidade de Benzema para jogar no centro. Prefere ficar encostado à linha e flectir para o centro, de forma a criar desequilíbrios ou rematar de longe. Só que isso poderia trazê-lo para os terrenos de Isco e complicar o futebol rendilhado do espanhol, para o qual Benzema é melhor opção.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Do lado do Liverpool, enfrentar Bale levaria no entanto a um dilema para a defesa e meio-campo: manter as posições e arriscar que Bale aproveite os espaços, dedicar-lhe a atenção de Milner e reduzir a presença no meio-campo (dois homens do Liverpool para 3 ou 4 do R. Madrid), ou arriscar que Robertson e van Dijk são suficientes para lidar com o galês? Penso que Klopp não se adaptará extensivamente. O Liverpool tem um estilo de jogo que é o que funciona e Klopp joga para as suas forças, não para minimizar as suas fraquezas. O Liverpool jogará provavelmente muito subido, pressionando intensamente a defesa e meio campo do Real e tentado aplicar o seu concento de <em>gegenpressing</em>, ganhando as bolas e tentando chegar o mais depressa possível ao golo. Na defesa o objectivo será o de tentar obter a bola e lançá-la rapidamente para os flancos para Salah e Mané a perseguirem e aproveitarem o (provável) adiantamento de Carvajal e Marcelo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">É quase impossível fzer uma boa previsão do resultado de amanhã. Mesmo que uma das equipas marque cedo, não creio que haja muita mudança no teor do jogo. O Liverpool quase de certeza não mudará o estilo de jogo independentemente de se ver a vencer ou perder, por isso o Real Madrid também não o fará. Mas arrisco um prognóstico polémico: 4-2 para o Liverpool, com os golos do Real Madrid a chegarem tarde no jogo. Como qualquer prognóstico vale o que vale e está provavelmente completamente errado. Amanhã veremos o quanto.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:19093João André2018-05-14T22:38:00Um Sporting em (r)evolução e convulsão2018-05-14T21:48:28Z2018-05-14T21:48:28Z<p style="text-align: justify;">Não tenho o hábito de me debruçar sobre os aspectos políticos ou administrativos de clubes, tal como prefiro não olhar para a arbitragem. Parecem-me sempre áreas onde se abre um buraco que nunca tem fundo e onde só nos podemos sujar cada vez mais. Só que a actual situação do Sporting é uma a que, mesmo sendo benfiquista, não consigo ficar imune. Deixo então a minha própria reflexão sobre o que se passa, mesmo avisando desde já que (quase) nada sei sobre as manobras políticas ou actores neste filme.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Antes de mais emprestemos um pouco de sanidade ao assunto: o Sporting Clube de Portugal é um clube centenário, com uma história rica e distinta e que não se esgota no futebol, longe disso. Não será por causa de uma ou outra pessoa (ou uma ou outra administração) que o clube desaparecerá. A força do clube e dos seus sócios e adeptos nunca o deixaria, por muito que possa sofrer de permeio.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Há no entanto que atentar que Bruno de Carvalho, com as suas acções mais recentes, parece estar a fazer o possível por isso. Não é intencional, como óbvio. Se há coisa que é absolutamente clara é que Bruno de Carvalho é um homem de convicções sportinguistas profundas e que ama intensamente o clube. Só que é aí que começa o problema: Bruno de Carvalho ama tanto o clube que o quer salvar a todo o custo e entretanto convenceu-se que só ele o pode fazer e que quem não esteja com ele está contra o clube. Ele provavelmente vê neste momento a sua pessoa como uma extensão do clube, ou talvez como a sua reflexão. Tudo o que faz é em prol do clube, mesmo quando, ou especialmente quando, toda a gente em volta lhe diz que está a proceder mal.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<a name="cutid1"></a><div class="ljcut" text="Ler mais...">
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Desde que assumiu a presidência do Sporting em 2013, Bruno de Carvalho (BdC) tem vindo a demonstrar um trabalho de recuperação notável. A situação financeira foi estabilizada, as modalidades pareceram ter nova vida e o futebol, o centro de qualquer clube português, teve resultados que superaram qualquer dos 5 anos anteriores. Fiz uma pequena avaliação dos resultados do Sporting no campeonato nacional em termos de posição, percentagem de pontos possíveis e diferença de golos (entre marcados e sofridos) por jogo em cada uma das épocas. Há uma clara diferença entre o pré-BdC e após ele assumir a presidência. No primeiro ano isso terá sido talvez mais circunstancial e mais devido a uma injecção anímica. Nos anos subsequentes há já notória influência de outro trabalho na administração.</p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="2008-2018 classificacoes 3 grandes.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6e02d3b7/21017419_MDoau.jpeg" alt="2008-2018 classificacoes 3 grandes.jpg" /></p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="2008-2018 dif golos 3 grandes.jpg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bf007f001/21017420_Dq9rT.jpeg" alt="2008-2018 dif golos 3 grandes.jpg" /></p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="2008-2018 pontos 3 grandes.jpg" src="https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B1e066f17/21017421_DTzVB.jpeg" alt="2008-2018 pontos 3 grandes.jpg" /></p>
<p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><span style="font-size: 10pt;">Os gráficos demonstram a classificação final, percentagem de pontos obtidos (relativamente aos possíveis) e diferença entre golos marcados e sofridos divididos pelo número de jogos da época. O ano corresponde ao ano em que terminou cada época. A área sombreada corresponde ao período desde que BdC é presidente.</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">O que se vê claramente é uma melhoria do Sporting neste período. Só em 2008/09 o Sporting teve melhor capacidade de capturar pontos que nestes últimos 5 anos e não teve melhor diferença de golos. Ou seja, o Sporting tornou.se mais eficaz (mais pontos) e mais agradável (melhor equilíbrio entre golos marcados e sofridos). Ainda mais que isso, o Sporting estabilizou, alternando durante algum tempo com o FC Porto na busca do segundo lugar e tendo estado muito perto do título em 2015/16 (a percentagem de pontos teria dado o título em alguns dos outros anos). O que se passou então?</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Penso que o que se passou foi precisamente a percepção de BdC que o Sporting tinha estabilizado. Deixou de continuar a melhorar e, pior ainda, ficou dois anos consecutivos em 3º lugar. Em vez de se focar na melhoria generalizada e contínua do Sporting e perceber que a excelência do Benfica e que tinha trazido 4 campeonatos consecutivos nunca poderia prolongar-se muito mais tempo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O desequilíbrio emocional de BdC tem no entanto raízes profundas. Quando chegou ao Sporting prometeu algo do género de não permitir que agentes governassem as transferências do Sporting (algo perfeitamente razoável e desejável) mas também deu pelo menos a entender que não trataria com agentes como intermediários. Ora o futebol moderno vive destes intermediários, os quais servem para estabelecer primeiros contactos para averiguar o interesse das diversas partes num negócio, determinar os custos de transferência e exigências salariais e evitar comprometimentos que podem ser embaraçosos (quando não ilegais). Não sei se BdC cumpriu ou não esta promessa, mas é de crer, dada a sua paixão, que pelo menos o tentou.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Isso em si nada tem de mal, mas estabelece um parâmetro que se vê repetidamente: BdC rejeita liminarmente os métodos clássicos da indústria onde se envolveu e abana com o edifício. A indústria, que não gosta de quem quer mudar radicalmente as coisas, empurra de volta. Não sei se terá sido determinante, mas o Sporting passou depois a ter uma abordagem às transferências algo errática, com investimento em jogadores já mais velhos (alguns deles antigos jogadores ou objectivos de Jesus, como Bruno César, Brian Ruiz e Coentrão) e deixando sair jogadores promissores. Isto não passa de especulação, mas é possível que os jogadores mais jovens (como Esgaio) tenham saído em parte por pressão dos seus agentes, que viram as portas dos escritórios de Alvalade fechadas e assim procuraram situações mais favoráveis para os seus clientes.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Sejam quais forem as razões, BdC acabou por ser responsável pela construção de um plantel que se pareceu com uma manta de retalhos e com uma qualidade algo baixa. Sendo também um plantel construído à base de jogadores de qualidade média e que nunca criaram raízes e cuja atitude seria, na melhor das hipóteses, apenas profissional e nunca espelharia a paixão de Patrício, William ou Gelson, acabou também com jogadores que não têm o incentivo extra em situações que vêem como perdidas. Talvez (e mais uma vez especulo) tenha sido também isso que motivou os seus comentários a atacar jogadores após certos jogos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O verniz estalou claramente após o jogo com o Atlético de Madrid. O facto de não ter piorado e de o Sporting ter tido uma sequência de vitórias (inclusive contra o mesmo Atlético de Madrid, mesmo que perdendo a eliminatória), demonstra claramente como os jogadores se sentiram atacados na sua dignidade pessoal e profissional e, no caso dos sportinguistas "da casa", no seu amor ao clube. Quando BdC começou a seu guerra contra os jogadores não percebeu que a face do clube não é o presidente, mas os jogadores. Quando perdeu Rui Patrício acabou por perder o plantel inteiro. Quando perdeu o plantel, perdeu também Jorge Jesus, que percebeu que no próximo ano não teria nenhuma equipa para treinar.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O final da época, com a derrota na Madeira, foi penosa para o Sporting. Pelo que entendi, os jogadores foram acometidos de uma apatia inexplicável para quem tinha a possibilidade de conseguir a passagem para a Liga dos Campeões da próxima época se conseguissem um resultado melhor que o Benfica. Caso o Benfica tivesse partido para uma vantagem confortável, talvez se entendesse essa apatia (o Sporting estava em desvantagem em caso de igualdade pontual) mas os jogadores pareceram ter-se rendido antes do golo do Benfica. outra vez especulação, mas talvez as notícias de hoje não tenham surgido em consequência directa do resultado mas de um sequência de eventos anterior ao jogo com o Marítimo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Agora vemos então o Sporting à beira de jogar uma final da Taça de Portugal sem treinador e, talvez, sem plantel. Fala-se no treinador da equipa B ou dos guarda-redes para orientar a equipa, mas falta saber se o farão e que equipa A terão para orientar. E, mesmo que a tenham, se conseguirão que haja um mínimo de motivação. Haverá certamente muitas voltas até sábado, tal como as houve após o jogo com o Atlético de Madrid, mas parece certo que a situação não está boa e, pelo que vou lendo (sempre com uns grãos de sal) parece que Jesus não estará no Sporting no próximo ano e muitos jogadores poderão não querer ficar por lá e talvez até forcem a saída (o que levará a transferências por valores baixos).</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O que fazer agora? Bom, não sendo sportinguista nem estando devidamente a par da situação, tenho dificuldades em ter ideias. A sensação que me dá é que esta administração do Sporting tem feito um bom trabalho e talvez mereça mais tempo para o continuar de forma tranquila. O ideal seria que emergisse um/a líder de dentro da administração que pudesse assumir a presidência sem que se convocassem eleições que não mais serviriam que para lavar a roupa suja em público e de ânimos exaltados. A situação tem que arrefecer e isso só me parece possível sem Bruno de Carvalho.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A culpa de BdC é óbvia, mas por outro lado é também vítima de ter tido vontade a mais. Quis mudar muitas coisas depressa demais em vez de simplesmente ter um trabalho de fundo, sustentado e sustentável (especialmente na parte política, interna e externa ao clube) que mudasse o rumo sem fazer ondas a mais. Com ou sem razão, assim que BdC abanou com o barco, os restantes actores (internos e externos ao Sporting) começaram a actuar contra ele. Quando se quer transformar convém saber fazê-lo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Espero que o Sporting saia disto em breve. O clube recebeu bases nos últimos 5 anos que ajudam a construir um futuro sólido. Seria pena que fossem destruídas devido a uma pessoa que, por muito amor que tenha ao clube, sofre de excessiva incontinência verbal e de provável mitomania.</p>
</div>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:18824João André2018-05-10T14:49:00Primeira antevisão da final da Liga dos Campeões2018-05-11T11:47:30Z2018-05-11T11:47:30Z<p style="text-align: justify;">Há pouco tempo li que o Real Madrid seria difícil de antecipar e que por isso mesmo o Liverpool teria dificuldade em ter um plano efectivo contra os espanhóis na final da Liga dos Campeões. Pessoalmente discordo muito dessa perspectiva, não porque esteja errada na análise mas porque erra a conclusão. É que o Real Madrid é tão imprevisível quanto o Liverpool será previsível.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<a name="cutid1"></a><div class="ljcut" text="Ler mais...">
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Liverpool</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O Liverpool, por opção e por circunstâncias, tem um onze inicial quase completamente fixo para a final. Em parte isto é devido à excelência do onze inicial e em parte devido à falta de alternativas, seja por lesão ou por falta de qualidade. O meio-campo, com as lesões de Oxlade-Chamberlain e de Can, está fixo com Henderson, Wijnaldum e Milner. O ataque está certo com Salah, Firmino e Mané. A defesa tem a certeza de Alexander-Arnold, Lovren, van Dijk e Robertson. O guarda-redes será Karius. Potenciais variações seriam com Clyne a defesa direito (improvável dada a qualidade do trabalho de Alexander-Arnold ao longo do ano) ou Matip na defesa (apesar da fragilidade de Lovren isto é improvável dado que perturbaria a parceria entre o croata e o holandês). A única surpresa possível seria se Klopp optasse por Lallana no lugar de Mané para colocar mais um jogador no meio-campo, mas com a falta de ritmo do inglês, é mais provável que se sente no banco e entre em caso de necessidade ou se houver vontade de mudar o sistema.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Isto significa que a escolha de Klopp será mais orientada para as opções de pressionar num bloco alto ou recuar um pouco mais. A indecisão estará relacionada com as suas fraquezas e as suas forças. O ponto forte do Liverpool é jogar em bloco alto, com pressão intensa (que é iniciado com os avançados) e tentativa de recuperar a bola imediatamente após a perder e lançar contra-golpes imediatos. O problema é que isto expõe a defesa a adversários rápidos ou experientes a explorar espaços. Se tentar minimizar este problema, Klopp pode optar por recuar a defesa, que no entanto retira alguma da ameaça ao seu ataque. No fim, a escolha será entre maximizar as suas forças ou minimizar as fraquezas.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Real Madrid</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Falta de opções é algo que Zinedine Zidane não tem. Há óbvias primeiras escolhas, mas mesmo muitos dos jogadores da sua segunda linha poderiam facilmente ser titulares no Liverpool. A grande dúvida prende-se sobre a escolha do esquema a usar e qual o onze inicial para o aplicar. Zidane há muito que abdicou do BBC para o ataque, pelo menos em jogos importantes. No entanto Benzema e Ronaldo são essencialmente obrigatórios nestes jogos. Benzema tem sido muito contestado, mas Ronaldo gosta de o ter ao seu lado para ajudar a abrir espaços e isso habitualmente é quanto basta para o francês começar um jogo. Bale, apesar de alguns golos mais recentemente, não tem recebido a confiança de Zidane nos últimos meses e é improvável que jogue.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Isso leva a que haja 4 possíveis jogadores para a posição que se abre. Isco, Lucas Vázquez, Marco Asensio e Mateo Kovačić, isto assumindo que Kroos, Casemiro e Modrić começam o jogo. Com o Liverpool como oponente, o ideal seria jogar com Isco. Oferece qualidade com a bola nos pés e move-se bem no espaço entre defesa e meio campo adversários, zona onde o Liverpool não coloca nenhum especialista. Jogar com Vázquez ou Asensio faria sentido para dar largura ao jogo ou para oferecer apoio à defesa. Nessa lógica Kovačić faria sentido, para permitir a Casemiro descair algo mais para a defesa e ajudar a bloquear as entradas de Salah ou Mané e evitar que Firmino arraste Ramos ou Varane.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Apesar disso, penso que Isco começará o jogo. O Real Madrid será muito provavelmente pressionado ainda na defesa e ter jogadores capazes de não perder a bola será muito importante. Modrić irá provavelmente descair para a direita para dar largura ao jogo e Kroos jogará mais recuado para apoiar Casemiro. No entanto o essencial do jogo ofensivo do Real Madrid passará por ultrapassar a pressão alta do Liverpool. Uma vez isso feito, veremos muito provavelmente Isco, Ronaldo e Benzema a atacar a frágil defesa dos ingleses.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O ponto fraco defensivo do Real Madrid é fácil de apontar: Marcelo. Apesar de ser melhor defesa do que se costuma pensar, Marcelo estará muito exposto contra o Liverpool. Marcelo tem a função de ser o ala esquerdo quando no ataque, o que significa que muitas vezes é muito lento a recuperar a posição, ficando então o flanco exposto ao contra-ataque. Numa situação em que tenha que enfrentar o melhor jogador do Liverpool, Salah, que é também extremamente rápido e gosta de se manter encostado à linha (o que complica a dobra de Sergio Ramos), é muito provável que seja dali que venha o maior perigo para o real Madrid. É também muito possível que Zidane faça a sua escolha de onze e esquema inicial em função deste aspecto.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Considerações gerais</p>
<p style="text-align: justify;">A maior parte das pesosas esperará um jogo com muitos golos. Há até quem se deixe levar pelo entusiasmo e veja possibilidades de se bater o recorde de golos marcados numa final da Taça/Liga dos Campeões (em 1960, Real Madrid 7 - 3 Eintracht de Frankfurt). Não me parece possível, embora espere de facto golos. O Liverpool é uma equipa que se sente bem a atacar e tem dificuldades defensivas. O Real Madrid é uma equipa onde as estrelas estão no ataque e abre muitos buracos defensivos, esecialmente se pressionada. No entanot também é possível imaginar um jogo mais defensivo e aborrecido, onde o Liverpool tenta jogar mais contido e recuado, confiando em van Dijk para ancorar a defesa e reduzindo os epaços para os atacantes do Real e depois dar espaço para lançar contra-ataques com bolas longas para o seu trio de avançados. O Real Madrid, por seu lado, poderia então ter um jogo mais lento (o que conviria à maioria das suas estrelas, já mais velhas) e ir esperando pelo momento certo para marcar um golo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Penso que muito dependerá de quando surja o primeiro golo. Se cedo nalguma das partes, poderemos ter muitos golos. Se demorar a surgir, o jogo poderá arrastar-se e tornar a final pouco memorável. No entanto julgo que veremos um jogo aberto e com bastantes golos. Esperemos que assim seja.</p>
</div>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:18433João André2018-05-04T14:37:00Meias finais da Liga dos Campeões (2ª mão)2018-05-04T13:56:54Z2018-05-04T13:56:54Z<p style="text-align: justify;"><strong>Real Madrid 2 - 2 Bayern de Munique (4 - 3 no total das duas mãos)</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Como <a href="http://comentadordebancada.blogs.sapo.pt/meias-finais-da-liga-dos-campeoes-1a-18346" rel="noopener">tinha escrito</a> na semana passada, o Real Madrid tem neste momento uma aura de inevitabilidade quando joga na Liga dos Campeões. O jogo desta terça-feira ajudou a mantê-la e, mais ainda, a reforçá-la. Mais ainda que no jogo da 1ª mão, o jogo de Madrid trouxe um Bayern completamente dominante e capaz de penetrar com imensa facilidade na defesa dos espanhóis. O sistema de jogo que Jupp Heynckes levou para este jogo foi em tudo idêntico ao que teve em Munique a partir do momento em que Robben saiu lesionado. As única diferenças foram as entrada de Niklas Süle e Corentin Tolisso para o lugar dos lesionados Boteng e Martinez e o regresso de Alaba depois de lesão.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No lado do Real Madrid tivemos a surpresa da ausência de Casemiro do onze inicial e vimos algumas outras mudanças, como Lucas Perez a defesa direito (como tinha terminado o jogo da semana passada) e Modrić essencialmente a médio direito. A médio defensivo estava Kovačić, um jogador que no passado era mais um médio ofensivo mas que em Madrid tem vindo a ser obrigado a aprender tarefas defensivas para poder ter tempo de jogo. A sua presença foi um problema para o Real Madrid, que perdeu a presença de Casemiro em frente da defesa e deu imenso tempo a James Rodriguez e a Thiago para procurar espaços e distribuir jogo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No lado esquerdo, Marcelo tinha teoricamente a presença de Asensio para o ajudar a lidar com Müller e Kimmich, mas a verdade é que Asensio passou ao lado do jogo, flectindo constantemente para o centro do terreno e deixando o flanco desguarnecido. Kimmich esteve sempre à vontade para subir como quis e dar largura pelo seu flanco, o que se viu também com o seu golo. Já Müller passou o jogo desmarcado, parecendo que tinha um campo de forças em sua volta que não permitia a aproximação de defesas. A única coisa que surpreendeu foi não ter conseguido marcar um golo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O lado esquerdo do Bayern foi o flanco com uma combinação difícil de travar: Ribéry dribla, passa e cria e Alaba sobe, dando largura e ocupando o lateral. O Real passou o jogo a tentar lidar com esta ameaça e nunca o conseguiu fazer de forma convincente.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Os golos vieram de três erros. No primeiro, o erro foi de Sergio Ramos e no segundo o erro foi de Alaba. No terceiro... Bom, quanto menos se falar de Ulreich neste caso melhor. O guarda redes alemão não esteve mal, mas aquele tipo de erro não é só proibido, é impensável a este nível. Dois erros clamorosos (Rafinha na primeira mão e de Ulreich nesta) decidiram a eliminatória. O Real Madrid aparentou ser muito frágil, mas também que se é necessário ganhar com sofrimento... sabe fazê-lo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Roma 4 - 2 Liverpool (6 - 7 no total das duas mãos)</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Golos, golos golos. Foi um jogo entre uma equipa que ganha marcando mais que o adversário e uma equipa que tinha que marcar obrigatoriamente 3 golos no mínimo para se poder apurar. Isso abriu imenso o jogo e permitiu aos avançados brilharem.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Eusebio Di Francesco neste jogo abandonou a ideia dos 3 centrais. Foi claro que tinha sido uma <a href="http://comentadordebancada.blogs.sapo.pt/meias-finais-da-liga-dos-campeoes-1a-18346" rel="noopener">má ideia na primeira mão</a> e nesta decidiu avançar para o seu 4-3-3 preferido. Foi no entanto um 4-3-3 atípico, onde jogou com dois avançados centro (Schick e Džeko) e um avançado mais encostado à esquerda (El Sharaawy, embora com liberdade para vaguear). A largura pela direita era dada com as subidas de Florenzi e com a cobertura de Nainggolan, o que no entanto abriu espaços atrás. Não foi então de espantar que fosse por este flanco que o liverpool marcasse o primeiro golo, com um erro de Nainggolan e Mané a ficar liberto para o 0-1. A táctica fazia no entanto algum sentido, com a ideia de ocupar os dois centrais do Liverpool, sabendo que se Džeko ficasse sozinho perante eles, van Dijk poderia marcá-lo e minimizar os erros. Com Schick a ocupar o holandês, Džeko caía para a zona de Lovren e obrigava-o a escolher entre manter a posição e deixar o bósnio sozinho, ou ir atrás dele e abrir espaços atrás.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Este é um problema frequente para o Liverpool. Com 3 médios centro muito semelhantes mas nenhum médio especificamente mais defensivo, a defesa fica muito exposta a jogadores que explorem o espaço entre a defesa e o meio campo. A solução é avançar a equipa para reduzir os espaços, mas isso abre espaço atrás da defesa. Contra a Roma no entanto isso não foi tão problemático dado que nem Schick nem Džeko são muito rápidos. El Sharaawy no entanto ofereceu muitos problemas a Alexander-Arnold e encontrou frequentemente espaço entre linhas e na zona entre Alexander-Arnold e Lovren.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A Roma no entanto perdeu muito por não marcar o primeiro golo e por ter cometido os erros que deram os dois golos que permitiram ao Liverpool ir para os balneários na frente. Na segunda parte corrigiram um pouco o posicionamento, Džeko tornou-se mais móvel e passou a noite a atormentar a defesa e, por fim, com a entrada de Ünder e a mudança do desenho táctico para algo mais semelhante a um 4-2-4, o Liverpool ficou extremamente exposto aos ataques da Roma. O Liverpool nunca deixou de atacar, mas com a Roma a empurrar o Liverpool para perto da sua área, os 3 homens da frente ficaram mais sós e a Roma pôde arriscar dar-lhes mais espaço. Na verdade, nada perdiam.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No fim a Roma acabou por ter uma muito meritória vitória no jogo que não chegou para a eliminatória. A sua aventura europeia chegou ao fim graças a um erro táctico na primeira mão e a dois erros (um individual e outro colectivo) na segunda. Se continuarem a evoluir, os italianos não serão adversários muito apetecíveis para a próxima época. Especialmente porque há poucos jogadores nesta equipa que sejam automaticamente desejados pelos gigantes europeus - as vitórias foram fruto de excelente trabalho colectivo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Já o Liverpool terá de jogar o seu jogo habitual na final contra o Real Madrid. Não tem verdadeira alternativa ao seu onze inicial devido a lesões e a limitações do plantel, pelo que há poucas escolhas tácticas. Depende tudo de deixar os seus 3 avançados brilhar. Se o conseguirem poderão vencer um Real algo frágil. Caso contrário, a inevitabilidade madrilena voltará a surgir.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:18346João André2018-04-26T14:46:00Meias finais da Liga dos Campeões (1ª mão)2018-04-26T14:40:17Z2018-04-26T14:40:17Z<p style="text-align: justify;">As primeiras mãos das meias finais da Liga dos Campeões estão jogadas e temos já duas equipas em excelente posição para vencerem a competição. Por curiosidade são também duas do top 5 com maior número de troféus na competição.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Liverpool 5 - 2 Roma</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O jogo resume-se numa frase: completo falhanço táctico de Eusebio Di Francesco. Um normal apologista do 4-3-3, tinha-o abandonado para a segunda mão do jogo contra o Barcelona na eliminatória anterior. Na altura o 3-5-2 com linha elevada e pressão alta resultaram na perfeição e o Barcelona perdeu 3-0, sendo eliminado pela regra dos golos fora de casa. A táctica tinha funcionado porque o Barcelona está a jogar esta época num 4-4-2 muito afunilado, onde a largura de jogo é dada pelos laterais. Com o 3-5-2 di francesco tinha conseguido lidar com Messi e Suárez jogando 3 contra 2 atrás e tinha usado os laterais (muito ofensivos e subidos) para empurrar os laterais adversários para trás, evitando assim uma opção de sair a jogar pelos flancos. Aceitou nessa altura ter um jogador a menos no centro do campo porque os catalães jogavam com pouca intensidade e porque era sempre possível ultrapassar essa zona com bolas longas para os dois avançados, Džeko e Schick, altos, fortes e capazes de segurar a bola.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A táctica funcionou perfeitamente e a Roma conseguiu ir marcando os golos suficientes para vencer a eliminatória. Foi um triunfo correctamente elogiado pelo lado táctico e como demonstrava que a táctica correcta pode vencer um jogo ou uma eliminatória.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Da mesma forma, o jogo de terça-feira demonstrou como a táctica errada pode resultar no oposto. Contra o Liverpool Di Francesco escolheu exactamente a mesma táctica, com a única diferença de jogar com Ünder no lugar de Schick. O problema é que onde o Barcelona joga sem largura, com apenas dois avançados relativamente lentos e não tem muita intensidade, o Liverpool joga com jogadores encostados às linhas laterais, tem 3 avançados muito rápidos e é provavelmente a equipa mais feroz na Europa a aplicar pressão alta.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Isto não quer dizer que a táctica não funcionasse. O início do jogo trouxe problemas ao Liverpool. Os ingleses não têm nenhum jogador capaz de distribuir o jogo a partir de trás e enfrentaram dificuldades ara ultrapassar a pressão dos romanos. Só que para jogar com tal táctica contra o Liverpool, é necessário manter enorme disciplina táctica e ter energia para longos períodos, além de ser necessário ter os jogadores ideais para as tarefas necessárias. Não foi o caso da Roma, com 3 centrais altos, lentos e sem grandes qualidades de condução de bola. Além disso o jogador encarregue de os apoiar era De Rossi, que já tem 34 anos. Com tudo isto, esta opção foi um autêntico brinde para o Liverpool.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O que vimos depois desse início desconfortável para o Liverpool foi que viram o enorme espaço em frente de Salah, Firmino e Mané e começaram a lançar bolas longas, ultrapassando a pressão italiana e lançando Jaguares contra Fiats. Com Salah e Firmino na forma em que estão (este último recebe menos atenção que o egípcio mas é o jogador chave do ataque do Liverpool) nem foi necessário Mané estar em forma (deveria ter saído com pelo menos dois ou três golos). Salah saiu com 2 golos e 2 assistências e Firmino o mesmo. O Liverpool marcou 5 mas ficou a sensação que poderiam e deveriam marcar cada vez que ultrapassavam o meio campo em velocidade (ou seja, a cada 2 minutos).</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A realidade é que o Liverpool não fez um grande jogo. Não teve grande controlo no meio campo até já estar pelo menos a 3-0 e a defesa sentiu-se sempre desconfortável. Só que perante os brindes romanos também não precisou de o fazer. Os dois golos da Roma no final poderão deixar a impressão que os italianos poderão novamente recuperar em casa, mas ninguém acredita que, perante o que se viu em Liverpool, a Roma mantenha o seu registo de não sofrer golos em casa nesta edição da Liga dos Campeões. Mesmo se voltarem ao 4-3-3, é improvável (para dizer o mínimo) que o Liverpool não marque um ou dois golos em contra-ataque em Roma. Klopp pode começar a pensar na final.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bayern de Munique 1 - 2 Real Madrid</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Um jogo estranho. Um resultado de 5-2 para o Bayern teria sido lógico perante o que vimos, mas o resultado final não espanta. O Real Madrid tem actualmente uma aura de inevitabilidade (mais que de invencibilidade) na Liga dos Campeões que dá a sensação que, por muito mal que joguem, podem sempre ultrapassar os adversários.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O jogo foi técnica e tacticamente fraco. Muitos maus passes, opções erradas de jogadores e treinadores (embora Heynckes tivesse menos soluções dado o número de lesões que tinha antes e teve durante o jogo) e golos a resultar de erros clamorosos. Comecemos pelos golos. O dos alemães surgiu por Isco - nominalmente a começar como médio esquerdo - ter ido para o centro e Marcelo ter dado a impressão de se dirigir ao bar para beber um cafézinho. Kimmich subiu sem oposição num flanco esquerdo madridista a fazer lembrar o filme Lawrence da Arábia e marcou quando Navas se lançou para um cruzamento que nunca chegou. O golo de Marcelo resultou de umas carambolas em frente da defesa do Bayern que deveria ter despachado a bola sem complicações. O golo de Asensio acabou por resultar de um momento de paragem cerebral de Rafinha, que entregou ao espanhol a bola e que, depois de uma troca com Lucas Pérez, marcou o golo sozinho perante Ulreich. Nenhuma destas observações serve para atacar os golos em si, todos eles muito bem marcados com excelentes remates, mas toda a sua construção resultou de erros clamorosos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No resto do jogo vimos o Bayern a penetrar com alguma facilidade a defesa do Bayern e a falhar vários golos. Ribéry particularmente deve ter deixado os rins de Carvajal em geleia e o defesa espanhol deve ter agradecido a lesão para poder descansar da tareia. De permeio vimos Navas salvar alguns golos, Müller e Lewandowski a falhar golos de forma estranha, uma defesa madridista que parecia um conjunto de solteiros e casados em bolas paradas. Só surgiu algum equilíbrio quando Zidane finalmente reconheceu que a melhor solução defensiva era mudar a configuração ofensiva. A entrada de Asensio para o flanco esquerdo abrandou Kimmich e a de Benzema (com Ronaldo a descair para a esquerda e Asensio agora na direita) finalmente controlou as subidas pelos flancos e reduziu o risco.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Não devemos esquecer a influência que as lesões tiveram nas opções de Heynckes em mudar o jogo a partir do banco. Thiago teve de entrar cedo para o lugar de Robben (ver o holandês perante Marcelo é sempre apetecível), Süle foi obrigado a render Boateng e, já na segunda parte, foi necessário ver Tolisso a render Martinez, que parecia algo afectado por alguma pancada na cabeça. Foi no entanto interessante ver o tandem de Thiago e James Rodriguez a abrir buracos no meio campo do Real Madrid com os passes e a qualidade técnica que têm e fiquei sempre com pena de não ver Robben na direita a oferecer mais uma opção de passe e a esticar a defesa dos espanhóis.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Se há alguma coisa que dá a sensação que o Real Madrid está na <em>pole position</em> para chegar à final é precisamente o facto de chegarem a essa posição sem terem jogado bem. Fazem-no tantas vezes que a tal sensação de inevitabilidade se vai apoderando dos adversários. No entanto há duas estatísticas que poderão dar consolo aos alemães: foi o primeiro jogo de Ronaldo na Liga dos Campeões nesta época em que marcou e, mais relevante ainda, não conseguiu sequer registar um remate à baliza. O Bayern tem de marcar dois golos no Bernabéu, mas se melhorar a pontaria em relação à primeira mão, é tarefa que não parece ser de maneira nenhuma inalcançável.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Daqui a uma semana veremos o resto.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:18138João André2018-03-12T16:24:00Uma antevisão do Mundial2018-03-12T17:05:10Z2018-03-12T17:13:32Z<p style="text-align: justify;">A uns 3 meses do mundial, vale a pena dar uma espreitadela ao estado da selecção portuguesa.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A covocatória</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Com base nas últimas convocatórias e em algumas suposições, fiz uma lista dos jogadores que poderão ser chamados por Fernando Santos para a competição. Nesta lista estão os jogadores que eu considero como tendo lugar garantido (20 deles) e os que eu penso que estarão a discutir o último lugar. A lista é:</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td><strong>Guarda Redes</strong></td>
<td> </td>
<td><strong> Defesas</strong></td>
<td> </td>
<td><strong> Médios</strong></td>
<td> </td>
<td><strong> Avançados</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>Rui Patrício</td>
<td> </td>
<td> Cédric Soares</td>
<td> </td>
<td> William Carvalho</td>
<td> </td>
<td> Cristiano Ronaldo</td>
</tr>
<tr>
<td>Anthony Lopes</td>
<td> </td>
<td> Nélson semedo</td>
<td> </td>
<td> Danilo</td>
<td> </td>
<td> André Silva</td>
</tr>
<tr>
<td>José Sá (1a)</td>
<td> </td>
<td> Fábio Coentrão</td>
<td> </td>
<td> João Moutinho</td>
<td> </td>
<td> Gélson Martins</td>
</tr>
<tr>
<td>Bruno Varela (1b)</td>
<td> </td>
<td> Raphael Guerreiro</td>
<td> </td>
<td> Adrien Silva</td>
<td> </td>
<td> Ricardo Quaresma</td>
</tr>
<tr>
<td>Beto (1b)</td>
<td> </td>
<td> Pepe</td>
<td> </td>
<td> João Mário</td>
<td> </td>
<td> Gonçalo Guedes (3a)</td>
</tr>
<tr>
<td> </td>
<td> </td>
<td> José Fonte</td>
<td> </td>
<td> André Gomes</td>
<td> </td>
<td> Ronny Lopes (3c)</td>
</tr>
<tr>
<td> </td>
<td> </td>
<td> Luís Neto</td>
<td> </td>
<td> Bernardo Silva</td>
<td> </td>
<td> </td>
</tr>
<tr>
<td> </td>
<td> </td>
<td> Rúben Dias (2a)</td>
<td> </td>
<td> Bruno Fernandes (3b)</td>
<td> </td>
<td> </td>
</tr>
<tr>
<td> </td>
<td> </td>
<td> Bruno Alves (2b)</td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
</tr>
<tr>
<td> </td>
<td> </td>
<td> Edgar Ié (2b)</td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
<td> </td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Notas: os números apontam para os jogadores que estarão a disputar uma das posições (o 1 refere-se a guarda-redes, o 2 a defesas e o 3 a médios/avançados). A notação a, b, c refere-se à ordem que eu coloco como a mais provável na escolha. a é o preferido, b o segundo e c o terceiro.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Para esclarecer as minhas opiniões sobre os jogadores que estarão a competir por um lugar: José Sá tinha vindo a jogar mas voltou ao banco. Será no entanto mais fiável que Bruno Varela. Ainda poderá aparecer aqui Beto. Nos centrais, penso que Rúben Dias poderá jogar. Tem a mesma frequência de jogos que Bruno Alves, mas num campeonato mais competitivo e tem experiência de jogos europeus. Edgar Ié tem jogado com frequência no Lille, mas pode também sofrer na comparação da qualidade de equipa. No meio-campo/ataque, a questão pode passar por qual a preferência de Fernando Santos. Se por um médio, penso que a escolha ideal seria Bruno fernandes, que tem tido um excelente campeonato com o Sporting. Mas estou convencido que quer Ronaldo a ponta de lança (mesmo que livre) e que preferirá ter Guedes dado que de outra forma apenas teria Gelson martins e Quaresma a extremos (e este último é mais eficaz saindo do banco). Ronny lopes seria interessante, com o campeonato que tem feito, mas duvido que vá à Rússia.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Esta lista depende obviamente de todos os jogadores estarem disponíveis e não terem lesões. Em caso de nenhuma indisponibilidade eu teria talvez colocado Ricardo Ferreira na lista dos centrais, mas lesionou-se recentemente. A lista também demonstra as poucas opções disponíveis em algumas posições. Os nossos centrais, com a potencial excepção de Rúben Dias, estarão todos na casa dos 30 (e não por pouco). Os laterais esquerdos preferenciais lesionam-se com frequência. Adrien Silva e André Silva têm jogado pouco. Bernardo Silva andava a jogar pouco mas recebeu alguns jogos recentemente. Para médios defensivos parecemos estar limitados a William e Danilo. Boas opções, sem dúvida, mas esperemos que nenhum se lesione até Junho.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Esta também não é necessariamente a minha lista. Eu preferiria levar Bruno fernandes e Ronny Lopes a Quaresma, talvez arriscasse levar um central menos e ter Cancelo ou Pizzi na lista devido à versatilidade. Não sei se levaria André Gomes ou José Fonte, que têm estado em muito má forma, mas as opções são reduzidas.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>As esperanças</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Portugal apanhará Espanha, Marrocos e Irão, por esta ordem de jogos. Ter a Espanha no início pode ser um perigo, especialmente se Portugal perder e ganhar nervos. Suponho que Santos irá jogar com cuidado, evitando perder (e talvez Lopetegui faça o mesmo) para poder vencer os dois jogos restantes (ou apenas um deles e empatando o outro) e apurar-se. O Irão, no último dia, pode ser também perigoso se Portugal necessitar de vencer. São especialistas a fechar a porta e nao é por acaso que se qualificaram antes de todas as outras equipas asiáticas (e das primeiras em geral). São sólidos e em Queiroz têm alguém que conhece a selecção portuguesa. Contra Marrocos o risco será na imprevisibilidade do meio-campo, embora o ataque seja menos forte. A defesa tem o excelente Benatia e o português Manuel da Costa. Creio que Portugal acabará por passar com 1 vitória e 2 empates em segundo lugar no grupo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Se assim for, é muito provável que Portugal encontre o Uruguai nos oitavos, num encontro com alguns velhos conhecidos da liga portuguesa. Suárez e Cavani são temíveis e Godin e Benitez sólidos, mas os uruguaios terão uma equipa desequilibrada e creio que os portugueses podem vencer. Nos quartos de final apanharíamos o vencedor de um teórico França-Croácia, muito provavelmente a França. Nesses quartos de final creio que os franceses poderiam muito bem ser fortes demais para nós.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Quartos de final pode saber a pouco para os campeões europeus, mas com a principal estrela em declínio e uma equipa muito desequilibrada, não creio que fosse mau resultado. Espero no entanto que, se assim for, Portugal saia pelo menos com o "prémio do público" e jogue bom futebol. Sei que Fernando Santos almejará a mais, mas pessoalmente só aguentarei o futebol feio do último Europeu se Portugal chegar no mínimo às meias finais.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Campeão Mundial? Possivelmente a Alemanha. Tem a melhor combinação de jogadores de qualidade, banco, jogo de equipa, e variedade de opções (técnicas e tácticas). E muita experiência. logo atrás estarão a Espanha e a França, especialmente olhando para a qualidade dos jogadores. O Brasil fechará o lote dos principais favoritos. A partir daqui não vejo mais nenhuma equipa que se destaque, a não ser que Sampaoli faça milagres na preparação e Messi tenha finalmente o mundial maradoniano que os argentinos esperam há uma década. Daqui a 3 meses saberemos.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:17677João André2017-10-13T12:15:00Coisas a resolver até ao Mundial2017-10-13T11:17:54Z2017-10-13T12:03:41Z<p style="text-align: justify;">Felizmente que me enganei e que Portugal se qualificou sem engulhos para o Mundial. A Suíça ajudou, apresentando-se como uma equipa muito fraquinha que só não perdeu por bastante mais porque não calhou. Quem os apanhar nos play-off não se deverá preocupar por aí além.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Agora que Portugal está apurado, está na hora de começar a preparar o trabalho para uma competição de um mês onde haverá potencialmente 7 jogos (média de um jogo a cada 4 dias). Há certas áreas que Fernando Santos terá que definir depressa.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<a name="cutid1"></a><div class="ljcut" text="Ler mais...">
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1. Como lidar com Cristiano Ronaldo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ronaldo carregou com a selecção às costas na fase qualificação, com 15 dos 36 golos portugueses. O único jogo em que Portugal perdeu, Ronaldo estava ausente (o primeiro, derrota de 2-0 com a Suíça). Além da pura quantidade de golos marcados, Ronaldo também abriu o marcador ou fez o segundo golo que ofereceu tranquilidade em vários jogos. E mesmo quando não está a ser influente, a sua presença condiciona imenso os adversários, que não arriscam deixá-lo sozinho (amiúde tem 2 adversários por perto), o que abre espaços para outros.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Só que Ronaldo terá 33 anos de idade no próximo mundial e, é actualmente óbvio, já não está no pico das suas capacidades. É um predador mais eficaz que no passado e tem beneficiado da emergência de André Silva e Bernardo Silva, que atraem atenções e criam espaço para ele (além de oferecerem melhores parceiros que Éder ou Postiga), mas é de prever que a sua influência será cada vez mais reduzida ou espaçada. Como maximizar o seu impacto será essencial. Nisto beneficia da gestão de Zidane, que tem cuidado de Ronaldo, mas a cert alatura não bastará. A verdade é que Fernando Santos terá de criar um estilo de jogo que não necessite de Ronaldo mas que esteja feito para que ele tenha o máximo de impacto. Isto não será fácil.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, será bom que Ronaldo se habitue a deixar outros marcar mesmo quando tem oportunidades de o fazer ele mesmo. Contra a Suíça ele perdeu uma oportunidade incrível quando isolado por João Mário. Se Ronaldo tinha boas opções para fazer o golo, a opção mais sensata (e igualmente a mais justa, depois do trabalho que fez) teria sido deixar a bola para o lado, onde João Mário encostaria. A sua fome de golos é fundamental para Portugal, mas não pode eclipsar o resto da equipa.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2. Tratar do centro da defesa</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se Ronaldo terá 33 anos, Pepe terá 35, Bruno Alves 36, José Fonte 34 e Neto 30. Mesmo numa época em que o limite de idade para defesas é cada vez mais elevado, esta média de idades não augura nada de bom. Dado que não parece que Rúben Semedo, Paulo Oliveira ou Rúben Dis venham a conseguir um lugar no avião a não ser em caso de lesões, será esta a lista de centrais na Rússia. Jogar com centrais trintões significa que a defesa tem de jogar recuada, para não ser apanhada com bolas sobre o topo e por avançados rápidos. Como Ronaldo também já não tem a velocidade de outrora, não se pode contar com ele para contra-ataques rápidos. Isso irá colocar uma enorme pressão sobre os médios e laterais, que terão de correr imenso. Num torneio com jogos a 4 dias e viagens de permeio, isso poderá ser demasiado. O que me leva ao ponto seguinte.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3. Equilibrar o resto da equipa</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Como escrevi acima, os laterais e os médios terão de correr muito. Entre os laterais há alguma abundância de qualidade, pelo menos no lado direito. Cédric é ainda a primeira escolha e Nélson Semedo só poderá melhorar. Ambos são jogadores capazes de fazer o flanco sem dificuldades e ainda existe Cancelo de reserva. No lado esquerdo muito dependerá de ter Raphäel Guerreiro em condições e, idealmente, poder usar Coentrão (se não estiver lesionado). Ter de depender de Eliseu será preocupante, até porque também ele continua a perder velocidade e pulmão (nota-se já), além de não ter a qualidade de Coentrão.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No meio campo temos imensa qualidade e equilíbrio. Danilo e William Carvalho são ambos bons escudos da defesa e são diferentes o suficiente para oferecerem opções tácticas distintas. Adrien Silva, Moutinho ou Pizzi cumprem funções semelhantes mas de forma diferente, o que é sempre útil. Para a criatividade existe João Mário e, caso recupere níveis passados, Renato Sanches poderá oferecer energia. E ainda existem André Gomes ou Bruno Fernandes, que também poderão complementar o meio campo. Isto será útil porque o meio campo terá que equilibrar tudo. Assumindo que Ronaldo e André Silva começarão sempre os jogos, será necessário que um dos médios caia mais para a lateral (direita ou esquerda, de acordo com as necessidades) para equilibrar a equipa. Isso melhora a ocupação de espaços, mas retira eficácia ao jogador sacrificado nessa função.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Será também importante definir muito cedo o que fazer com William Carvalho e em que jogos. William tem melhor qualidade de passe que Danilo, mas menor disciplina defensiva e menor presença física. Fernando Santos já o fez jogar algumas vezes, juntamente com Danilo, numa função de médio <em>box to box</em>, à inglesa. Nessa função William pode ser importante, talvez ainda mais que como médio defensivo, especialmente se (como eu penso), Renato Sanches não estará em 2018 ao seu nível de 2016 e, como tal, não poderá cumprir essa função.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4. Alas, alas, alas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Durante as últimas duas ou três décadas Portugal foi conhecido como uma fábrica de alas. Futre, Figo, Conceição, (até Paneira ou Capucho), Ronaldo, Nani e já nem sei quem mais. Agora parecemos estar limitados a Gelson Martins e Gonçalo Guedes. Quaresma está a ficar demasiado velho (embora os seus cruzamentos continuem a "ter olhos") e Bernardo Silva, embora jogue na ala, não é um ala clássico, antes um organizador de jogo que começa nominalmente na direita. A dificuldade de usar alas é manifesta até no facto de Gelson Martins ser um extremo clássico (é mais eficaz não "invertido") e como tal menos adequado ao actual conceito de extremos invertidos apoiados por laterais ofensivos. Sabe fazê-lo, evidentemente, mas se prefere encostar à linha lateral, os lateral tem menos espaço por onde subir. Já Gonçalo Guedes parece começar a tornar-se um avançado multifunções, sem ser um extremo clássico mas mais orientado para estar na ala apenas de forma a encontrar espaço antes de seguir para o centro. Além disso ainda falta saber se estará ao nível necessário para ir para um Mundial.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Isto é importante porque, tendo dois avançados em André Silva e Ronaldo que sabem jogar bem de cabeça, é importante ter quem os alimente. Isso pode normalmente ser feito por laterais ou extremos, mas à falta de extremos o jogo tornar-se-à perigosamente dependente dos laterais, com todo o risco que isso acarreta em termos de lesões ou forma (ver ponto 3). Uma forma de compensar é fazer alinhar um meio campo com 4 homens em que os mais laterais também sobem, mas isso traz outros problemas em si mesmos. Decidir como criar largura no campo sem sobrecarregar os laterais será essencial.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5. André Silva</strong></p>
<p style="text-align: justify;">André Silva poderá um dia ver um super-jogador capaz de vencer bolas de ouro por si só. Talvez. Hoje, a sua maior importância é retirar pressão de Ronaldo e ir molhando a sopa quando possível. Isto é importante e, jogando no Milan, a sua qualidade táctica só poderá melhorar. Um aspecto importante a melhorar será no entanto a sua disciplina. Neste caso com duas vertentes: a mais literal, que se manifesta em cartões, e outra que se manifesta em comportamento em campo e manter a cabeça fria. André Silva tem infelizmente o hábito de se lançar aos adversários e de cair de forma demasiado fácil ou teátrica. Será importante que alguém o chame e lhe indique que não só ele não tem um estatuto elevado para ser protegido pelos árbitros, como também não convém reclamar demasiado. Cartões amarelos, especialmente em torneios, poderão custar muito, mas mesmo muito caro.</p>
</div>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Também publicado <a href="http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/coisas-a-resolver-ate-ao-mundial-9628451" rel="noopener">aqui</a>.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:17607João André2017-10-09T14:13:00À porta do Mundial?2017-10-09T14:15:41Z2017-10-09T14:15:41Z<p style="text-align: justify;"><strong>Andorra-Portugal</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Aos 60 minutos do jogo do passado sábado com Andorra dei por mim a pensar que se Portuga não conseguisse vencer esse jogo, não mereceria ir ao Mundial (o empate teria utomaticamente enviado Portugal para o play-off). Nessa altura estávamos já na segunda parte e Fernando Santos tinha enviado a cavalaria na forma de Cristiano Ronaldo. Ao mesmo tempo tinha corrigido um enorme erro: começar o jogo com 3 jogadores que jogam na ala -Bernardo Silva, Gelson Martins e Ricardo Quaresma - decisão que terá sido a principal repsonsável pela exibição quase completamente inofensiva que Portugal teve na primeira parte.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Não se trata da qualidade de cada um dos jogadores. Qualquer um deles podia começar o jogo e eu não teria tido objecções a dois deles (embora eu preferisse sempre Quaresma presente para jogar na ala esquerda, onde é mais eficaz que os outros dois). Só que jogar com os 3 e adicionar-lhes dois laterais muito ofensivos era receita para congestionar a ala. Com a preferência de Bernardo Silva e Gelson Martins pela direita e com a maior capacidade de Nelson Semedo em subir e descer pelo flanco, acabámos por ver Portugal a tentar transformar a lateral ofensiva direita nas portagens da ponte 25 de Abril em hora de ponta. A certa altura julgo ter visto estes 3 e Quaresma num espaço de terreno não maior que 4 metros quadrados.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A partir deste momento foi fácil a Andorra defender: colocaram-se recuados, encheram a grande área e foram lidando calmamente com os cruzamentos. Com apenas André Silva dentro da grande área era fácil aos 284 defesas centrais andorrenhos marcá-lo. A solução, além da entrada de outro avançado, teria sido o uso de médios centro a entrar na área vindos de trás e a aproveitar cruzamentos atrasados. Neste aspecto teria sido um melhor uso de Nélson Semedo, que vai bem à linha fazer cruzamentos atrasados rasteiros mas está aquém de Cédric Soares na precisão de cruzamentos a partir de posições mais afastadas da área. Não por acaso os dois golos surgiram da adição de corpos na grande área adversária. No primeiro Ronaldo duplicou o número de jogadores a marcar e no segundo a presença de William Carvalho, vindo de trás, deu um alvo ao cruzamento de Ronaldo e permitiu confundir os andorrenhos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No final o essencial foram os 3 pontos, mais que os golos, onde já estamos destacados o suficiente dos suíços para que seja um não-tema. Para este jogo faltará saber que Portugal iremos ver. Os suíços não têm grandes estrelas (Xhaka e Shaqiri são os mais conhecidos) mas têm um bom colectivo e vários jogadores de bom nível e com capacidade de oferecer consistência à equipa (Lichtsteiner, Rodriguez, Schär, Frei, Embolo, Mehmedi...). Têm tirado o máximo proveito de um grupo fraco e têm demonstado eficácia ao vencer até agora todos os seus jogos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Em condições normais Portugal deveria vencer este jogo. O problema é que os portugueses são pouco pacientes e se após 20 minutos Portugal ainda não tiver marcado (ou estiver perto de o fazer) o público poder-se-à virar contra a selecção e fazer começar os assobios, assim aumentado a pressão. Pessoalmente tenho algum receio do que irá suceder se Cristiano Ronaldo não estiver ao seu melhor. Fernando Santos demonstrou ser finalmente capaz de retirar o máximo de Ronaldo (embora isso seja ajudado pela emergência de André Silva, que ofereceu finalmente um parceiro capaz de atrair algumas atenções de defesas), mas também tornou a equipa excessivamente dependente dele (e não vale a pena falar da final do Euro: foi um caso único - literalmente).</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Titulares na terça feira serão provavelmente Patrício, Pepe, Cédric, Eliseu, William, João Mário, Bernardo, André Silva e Ronaldo. Depois ficará por saber quem será o segundo central e se jogará Quaresma (ou Gelson) ou Danilo (ou André Gomes). Na segunda questão trata-se de definir se Fernando Santos aposta num 4-4-2 com alas invertidos (Bernardo à direita e Quaresma/Gelson à esquerda) ou num falso 4-3-3 com Ronaldo a começar nominalmente no flanco esquerdo mas a ir para onde quer, com outro médio (André Gomes ou João Mário) a descair para a esquerda. Esta segunda parte seria provavelmente mais segura. A Suíça tem uma boa dupla na direita, com Shaqiri e Lichtsteiner a oferecerem qualidade no ataque e defesa, pelo que seria aconselhável fazer Lichtsteiner reduzir as investidas no flanco (com a ameaça de Ronaldo a descair para ali) e oferecer protecção a Eliseu contra Shaqiri (usando um dos médios). Além disso um jogador extra no meio campo ajudaria a combater o meio campo suíço e estabilizar uma zona onde os helvéticos esperarão poder controlar o jogo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Amanhã veremos, mas para já vou para o jogo com expectativas algo em baixa. Ainda não vi nada da selecção que me dê segurança. Espero estar enganado.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:17127João André2017-08-07T14:26:00A "obscenidade" das transferências no futebol2017-08-07T13:26:43Z2017-08-07T13:26:43Z<p style="text-align: justify;">Neymar Jr. transferiu-se para o Paris St. Germain pelo valor mais alto da história do futebol: 222 milhões de euros. Com este valor vieram os adjectivos: obsceno, pornográfico, ofensivo, etc. Não se trata apenas dos <a href="https://www.theguardian.com/football/2017/aug/02/neymar-psg-barcelona-tells-team-mates-leave" rel="noopener">222 milhões da transferência, mas também dos 30 milhões líquidos por época, os 38 milhões em pagamentos aos agentes envolvidos (incluindo o pai de Neymar)</a>. Assumindo uma taxa de 50%, o custo da transferência será de 112 milhões por ano ao longo de 5 anos (assumindo que o salário se mantém constante, o que nunca é certo).</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A primeira pergunta que se impõe é: conseguirá o PSG pagar tal investimento sem infringir as regras do Fair Play financeiro da UEFA? Esta pergunta é relevante não apenas de um ponto de vista financeiro mas também moral: se o clube consegue pagar os custos, como dizer que é imoral?</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<a name="cutid1"></a><div class="ljcut" text="Ler mais...">
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Os preços</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Numa transferência há sempre 3 preços: 1) o do mercado (a que se chega por consenso e depende de múltiplos factores); 2) o do clube vendedor (que tem a sua forma de avaliar); e 3) o do clube comprador. Como se pode imaginar, se os preços 2) e 3) coincidem, a tranferência é possível. Este número, no entanto, raramente coincide com o valor de mercado. Neste caso o valor do clube vendedor foi imposto através da cláusula de rescisão. Talvez fosse baixo, mas nesse caso o Barcelona admitirá que o valor de 222 milhões não é elevado para Neymar, dado que <em>se soubessem</em>, teriam provavelmente colocado o valor mais acima (para comparação, o de Ronaldo é de mil milhões de euros). Ou seja, o preço a que avaliariam Neymar <strong>hoje</strong> seria provavelmente mais alto. Como tal, não se podem queixar.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Como contabilizar então o valor de Neymar para o PSG? Se olharmos para o facto de Neymar ter sido o principal responsável pela reviravolta do Barcelona contra o PSG (vitória por 6-1 na 2ª mão depois de uma derrota por 4-0 na 1ª), poderemos dizer que o PSG vê Neymar como a peça que pode levantar o clube ao nível onde quer chegar. Sendo Neymar neste momento o melhor candidato a suceder a Messi e Ronaldo como o melhor jogador do mundo quando aqueles deixarem o trono vazio, este conceito é provavelmente bastante próximo da realidade. Assim sendo, além dos potenciais prémios monetários por vitórias, a chegada de Neymar pode elevar também a marca do clube (a sua <em>brand value</em>) e atrair receitas extra. Será também com isto que os dirigentes do PSG estarão a contar.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Sendo assim, poderemos dizer que o PSG não está a cometer nenhuma imoralidade. Se consegue de facto pagar os valores envolvidos sem ter de recorrer aos cofres do Qatar, então não é mais imoral que alguém de classe média comprar um Mercedes classe E, mesmo que tenha para tal que se livrar de algumas outras despesas para poder pagar as prestações.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A moral</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quando falamos da imoralidade (ou obscenidade) dos valores no desporto (e olhar para os valores nos desportos americanos não muda o panorama, apenas não costuma haver custos de transferências), estamos a criar uma comparação com o "mundo real", onde o trabalhador comum, mesmo um empresário de uma pequena ou média empresa, receberá na sua carreira toda um valor que talvez ande pelo que Neymar receberá por semana. E isto é já olhando para os valores mais elevados dos salários.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Só que isto não leva em conta um aspecto essencial: Neymar é indubitavelmente um dos 10 melhores profissionais do mundo na sua profissão. Quantas pessoas poderão dizer que conhecem sequer alguém na mesma categoria na sua área profissional? Poucas, muito poucas, especialmente porque não se entrega um bisturi de ouro ao melhor cirurgião, um alicate de prata ao segundo melhor electricista nem uma caneta de bronze ao terceiro melhor escritor (há prémios para os escritores, mas são de tipo diferente).</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>No mundo real</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Há no entanto outro aspecto a considerar. Se um arquitecto pudesse ser visto como o melhor do mundo, o que implicaria isso? Talvez que saberia desenhar edifícios vistos como sublimes, calcular todas as forças que estariam em jogo, definir quais os materiais a usar em função das suas propriedades, planear as diversas fases da construção do edifício, fazer a análise financeira completa do projecto, etc, etc, etc. Talvez tal arquitecto merecesse receber 50 milhões por projecto e lograsse um projecto por ano.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Só que a realidade não vaoi por esse caminho. O mercado prefere antes escolher um arquitecto que cumpra a função do desenho do edifício, enhgenheiros civis que façam o projecto de construção, engenheiros de materiais que escolham o comento e o aço, etc. Ou seja, o mercado escolhe talvez 50 profissionais, provavelmente a um custo médio inferior a 1 milhão por área (mesmo quando múltiplas pessoas estarão envolvidas em cada uma), que possam garantir que o risco do projecto não recai exclusivamente sobre uma pessoa.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No futebol isso não se passa. Não é possível substituir Neymar (ou Ronaldo, ou Messi, ou Neuer) por 10, 20 ou 30 outros jogadores. No futebol entram 11 jogadores em campo. Mesmo que seja possível substituir Neymar por 3 jogadores diferentes (ou de estilos diferentes) num plantel, isso pode trazer felxibilidade táctica, mas sempre a custo da qualidade intrínseca de cada um (uma vez que apenas um pode jogar de cada vez). Além disso, sustituir Neymar por 3 jogadores (a título de exemplo e lendo notícias: Coutinho do Liverpool, Dembelé do Dortmund, Verratti do PSG) provavelmente custaria mais dinheiro que o próprio Neymar.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Assim, a substituição de Neymar no futebol reduz a qualidade e aumenta o custo. A substituição do arquitecto aumenta a qualidade e reduz o custo. É por isso que os valores no futebol são (consideravelmente) mais elevados. A isto acresce o facto de todos nós pagarmos pela transferência. Quem tem televisão, mesmo sem assinaturas de canais desportivos, acaba por pagar a transferência. Quem assina canais desportivos, é sócio de um clube, compra <em>merchandising</em> ou vai aos estádios de futebol acaba por contribuir ainda mais.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Há no entanto duas perspectivas extra a considerar:</p>
<p style="text-align: justify;">1) a esmagadora maioria dos jogadores de futebol não ganha assim tanto dinheiro. A maior parte deles, mesmo os profissionais, receberão salários pouco mais elevados que a média do país. E apenas por dezena e meia de anos.</p>
<p style="text-align: justify;">2) comparar os Neymar e Ronaldo e Messi do futebol com os trabalhadores comuns faz tanto sentido como comparar com Bill Gates, Jeff Bezos ou Amancio Ortega. Mesmo com estes milhões todos, Neymar estará ainda muito aquém do que aqueles mangnatas possuem.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">É então obsceno? Na minha opinião não. Não mais obsceno que as fortunas das pessoas mais ricas do mundo (ou sequer de Portugal). Se quisermos ficar ofendidos com os valores da transferência de Neymar, fiquemos então ofendidos também com os negócios das maiores empresas do mundo. Na comparação o futebol só sofrerá por ser pequenino...</p>
</div>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Também <a href="http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/a-obscenidade-das-transferencias-no-9462636" rel="noopener">aqui</a>.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:16452João André2017-07-11T10:52:00Depois das Confederações e a um ano do Mundial2017-07-11T09:53:55Z2017-07-11T09:53:55Z<p style="text-align: justify;">Afazeres impediram que eu fizesse qualquer comentário final à Taça das Confederações, mas depois de ler <a href="http://sporting.blogs.sapo.pt/no-fim-ganhou-a-alemanha-3334133" rel="noopener">o comentário do Pedro Correia</a> lembrei-me disso. Vamos apenas por pensamentos que me ficam.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<a name="cutid1"></a><div class="ljcut" text="Ler mais...">
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alemanha completa</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Joachim Löw tinha decidido levar uma equipa algo experimental, com apenas alguns jogadores já completamente estabelecidos na selecção principal aos quais adicionou vários jovens e outros jogadores mais experientes mas raramente vistos na selecção. Chamar-lhes "equipa B" é no entanto enganador. Kimmich, Hector e Draxler podem hoje ser considerados titulares naturais (mesmo que não indiscutíveis). Ter Stegen seria titular se não tivesse o monstro Neuer pela frente. Mustafi foi campeão mundial em 2014 e esteve também no Euro 2016. Can também fez parte desta última equipa e Rüdiger tem já sido com frequência. Aliás, 8 dos jogadores tinham já pelo menos 10 internacionalizações antes do torneio e existia bastante experiência.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Não deixa no entanto de ser assustador que uma equipa sem experiência de jogar junta tenha vencido de forma tão sólida o torneio. Mesmo que na ausência de outras grandes selecções, a Alemanha demonstrou enorme solidez colectiva, soube aproveitar os erros alheios e aguentar a pressão dos adversários. Ou seja, demonstrou as habituais características das selecções teutónicas, mas adicionou-lhes as mais recentes, como a qualidade técnica, o passe, a pressão alta e a fantasia de alguns jogadores.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Quando esta equipa tiver à disposição as estrelas que faltam - tomemos fôlego: Neuer, Boateng, Hummels, Gündoğan, Khedira, Kroos, Weigl, Özil, Sané, Müller e Reus, numa escolha rápida e assumindo que estão todos disponíveis (algo questionável) - e a eles adicionarmos algumas estrelas mais jovens (que tenham ou não ido à Taça das Confederações) que ainda poderão conseguir chegar ao Mundial - Max Meyer, Mahmoud Dahoud, Brandt, Henrichs, Süle, Goretzka, Werner - vemos a selecção (provavelmente) mais impressionante do Mundial da Rússia. Claro que isto não significa que Löw vencerá novamente, mas será difícil contestar que os alemães são os indiscutíveis favoritos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Chile impressionante mas pouco penetrante</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ao contrário <a href="http://sporting.blogs.sapo.pt/no-fim-ganhou-a-alemanha-3334133" rel="noopener">do Pedro</a>, eu considero o Chile uma equipa bastante impressionante. Não se vence a Copa América (duas vezes, mesmo que a do ano passado tenha sido algo diluída) por puro acaso. Sorte pode ajudar, mas não basta. Aliás, nisso o Chile assemelha-se a Portugal: uma equipa imperfeita, com algumas estrelas, mas que devido a um jogo colectivo forte e alguma sorte conseguiu vencer a sua competição continental. Só que o Chile tem ainda menos estrelas que Portugal. Apenas Bravo, Sánchez, Vidal e Medel jogam em equipas que se podem considerar de topo. Depois deles apenas Aránguiz (Bayer Leverkusen) estará numa equipa de maior renome.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Actualmente poucas selecções haverá que consigam o nível de fluência táctica e técnica que estes chilenos, cujo núcleo joga junto há mais de uma década, conseguem atingir. Os seus níveis de energia são também enormes e foi quase inacreditável ver a forma como pressionaram a Alemanha até ao fim no jogo da final. A sua principal falha é a falta de jogadores capazes de contribuir com golos. Alexis Sánchez é o melhor marcador, seguido de Vargas e Vidal, mas mais nenhum jogador chega aos 10 golos na sua carreira pela selecção. E se contra equipas mais pequenas Sánchez se pode ocupar da finalização, contra equipas mais fortes ele é necessário em terrenos mais recuados (aparece por todo o lado) e isso limita o seu impacto no marcador.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Também não seria má ideia lembrar que o Chile deveria ter-se apurado para a final sem necessidade de penalties e prolongamento, tendo tido um penalty ignorado mesmo no final do jogo com Portugal (estou para ver as discussões sobre o VAR no próximo ano <a href="http://comentadordebancada.blogs.sapo.pt/colocar-os-carros-a-frente-dos-bois-15350" rel="noopener">na Liga Portuguesa</a> <a href="http://comentadordebancada.blogs.sapo.pt/ira-o-var-reduzir-a-qualidade-da-15790" rel="noopener">nestas situações</a>). Não sabemos o impacto que a decisão poderia ter tido na final, com um Chile mais fresco (sem esquecer que o penalty poderia ter sido falhado), mas isso são conjecturas. A realidade é que o Chile é uma selecção que sabe como se vencem torneios, seja em penalties, prolongamentos ou com <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Copa_Am%C3%A9rica_Centenario_knockout_stage#Mexico_vs_Chile" rel="noopener">7-0 a equipas perto do seu nível</a>, o Chile sabe o que é necessário. E isso viu-se aqui. No próximo ano a equipa terá mais um ano nas pernas e será quase impossível vencer o mundial, mas irá certamente causar dissabores.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Outras selecções</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Neste torneio ficou claro que o nível das diferentes equipas, mesmo perante tão pequena amostra (8 equipas), é bastante distinto. Nova Zelândia e Rússia (apesar do esforço desta por jogar em casa) não pertencem a este campeonato. Camarões é uma selecção com talento e potencial, mas que aproveitou o torneio essencialmente para ganhar experiência. A Austrália demonstrou que a escolha por participar nas competições asiáticas tem dado os seus frutos. Os australianos demonstraram organização, flexibilidade táctica e capacidade de causar problemas. Se Austrália e Nova Zelândia tivessem trocado de grupo, seria muito possível que tivessem chegado às meias-finais.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O México é um caso diferente. Tem alguns jogadores de enorme qualidade, como Javier Hernandez, Andrés Guardado, Carlos Vela ou até os irmãos dos Santos, mas continua a ser uma selecção ainda desequilibrada (não há melhor formade ver a falta de complementariedade que a presença continuada de Rafael Márquez na equipa). E no entanto uma equipa capaz de causar problemas e mesmo a derrota por 4-1 contra a Alemanha nas meias-finais foi enganadora, com os mexicanos a encostarem os alemães à sua área de forma continuada num domínio que não foi consentido. Está no entanto ainda longe do potencial que uma nação com tal tamaho e implantação do futebol pode ter. O máximo que continuarão a poder aspirar no mundial será sair da fase de grupos e, talvez, chegar aos quartos de final.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Portugal</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Há coisas que estão claríssimas na selecção portuguesa. a primeira: Pepe é o único central de top da selecção portuguesa e o máximo a que este conjunto de jogadores pode aspirar é a um bom período de forma de José Fonte. Há uma certa necessidade de ver Rúben Semedo e Paulo Oliveira terem boas épocas e subirem um (ou dois) degraus para que o centro da defesa chegue ao nível do resto da equipa. Nas laterais Portugal está bem servido. Cédric Soares foi mais impressionante e teve um torneio excelente (terá sido o melhor português), defendendo e atacando com enorme qualidade. Do lado esquerdo Raphäel Guerreiro é titular e, fora uma baixa de forma ou lesões, teremos segurança. Seria bom que Coentrão reencontrasse a sua melhor forma no Sporting para haver alternativa, no entanto, embora os laterais direitos alternativos (como Cancelo) poderiam também jogar à esquerda.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Outra certeza: Bernardo Silva tem que jogar de início. A sua capacidade de drible e encontrar espaços é fundamental para aliviar a pressão adversária e desequilibrar o adversário, forçando a defesa a mover-se na sua direcção e abrindo espaço no lado esquerdo para mudanças rápidas de flanco. Além disso, as suas combinações com Cédric Soares foram talvez o melhor método de ataque da equipa. Entre os outros jogadores falta alguma variedade no que diz respeito a construção de jogo. Adrien Silva tem grande variedade de passe, mas é mais um canivete suíço que um abre latas. João Moutinho tem mais capacidade de incisão, mas está longe de ser um criativo. André Gomes cumpriu um pouco essas funções no passado mas também não são essas as suas características. O jogador mais próximo de poder jogar como tradicional "10" seria Bernardo Silva, mas é provável que seja necessário mantê-lo resguardado na ala. A disponibilidade de jogadores neste molde poderá levar a uma mudança na abordagem à criatividade.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No ataque André Silva é outra necessidade. Tem golos nas botas (e na cabeça) mas a sua principal função é a criação de espaços para Cristiano Ronaldo. O movimento de André Silva arrasta defesas e abre buracos na defesa para Ronaldo poder explorar os seus instintos predadores, mas sempre com a consciência que deixá-lo livre pode causar dissabores.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Nas alas o que me deixou confuso foi a insistência em colocar Gelson Martins na ala esquerda. Embora seja comum ver hoje extremos invertidos (dextros na esquerda e canhotos na direita), isso é feito normalmente com a intenção de ver o jogador a flectir para o meio e abrir espaço na ala para a subida do lateral. Neste caso isso tornou-se estranho, dado que Gelson Martins jogou (pelo que notei ao longo da época) sempre pela ala direita e pode ser visto como um ala clássico, que desce à linha e cruza para os jogadores na área. A sua qualidade de drible é indiscutível e a sua velocidade consideravelmente superior à de Quaresma e Nani. A ala esquerda pareceu ser um ambiente estranho, onde não se sentia à vontade. Talvez algo a explorar no futuro, mas na selecção não se devem inventar novas posições para os jogadores, antes explorar os seus pontos fortes.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Em termos gerais, não deixa de ser curioso que Portugal tenha alcançado glória e troféus precisamente na altura em que abandonou as suas características mais típicas: a sua geração de ouro abandonou o palco; o seu melhor jogador de todos os tempos começa na rota descendente da sua carreira; e abandonou o sistema mais reconhecível de jogo que popularizou a equipa, com alas criativos e um desenho de 4-3-3. Hoje Portugal encontrou finalmente o sistema que maximiza o uso de Ronaldo e este necessita de um 4-4-2 com outro ponta de lança para finalmente ser eficaz. Portugal é hoje mais sólido defensivamente mas menos criativo que em qualquer momento dos últimos 25 anos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Para o próximo ano, Portugal precisa de sorte na conjugação de alguns factores:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li style="text-align: justify;">É necessário que Pepe não se lesione e receba apoio através da emergência de pelo menos mais um central de qualidade;</li>
<li style="text-align: justify;">Bernardo Silva, André Silva (e outros potenciais jogadores que se transfiram para fora do país onde jogam hoje) terão que se adaptar, receber suficientes minutos de jogo para manterem a forma e não se lesionar (e, igualmente, não sofrer por começar a época tarde depois deste torneio);</li>
<li style="text-align: justify;">Cristiano Ronaldo terá que continuar a gerir os seus minutos de jogo para poder chegar ao final da época como nesta;</li>
<li style="text-align: justify;">Coentrão necessita de recuperar pelo menos parte da forma e Guerreiro necessita de se manter saudável - neste momento não há alternativas viáveis (Eliseu não está ao mesmo nível e não está a ficar novo);</li>
<li style="text-align: justify;">Pelo menos mais um jogador criativo necessitará de emergir para criar alternativas na construção do jogo e começar a fasear a saída de jogadores como Nani ou Quaresma, que ainda têm momentos de qualidade mas são cada vez menos fiáveis.</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Depois disso é preciso que Portugal volte a ter sorte como no Europeu do ano passado. Entre bolas no poste a minutos de terminar o último jogo da fase de grupos, equipas mais fáceis que no outro lado do quadro, equipas que pareceram estranhamente apáticas depois e terem sido convincentes anteriormente ou exibições únicas na final, Portugal necessitou de uma estrela muito grande a brilhar. Para que possa sequer sonhar com o sucesso dentro de um ano, é necessário que regresse. Sem isso, voltaremos a participações honradas, mas talvez menos bonitas (porque com um futebol mais aborrecido) que no passado.</p>
</div>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:16218João André2017-06-26T16:43:00Portugal na Taça das Confederações2017-06-26T16:06:47Z2017-06-26T16:06:47Z<p style="text-align: justify;">No ano passado <a href="http://comentadordebancada.blogs.sapo.pt/balanco-ao-europeu-de-portugal-12172" rel="noopener">coloquei a questão</a>: deve Portugal jogar para a vitória na Taça das Confederações ou simplesmente rodar jogadores e fazer cumprir calendário? A pergunta não era ociosa. Como se vê agora com a Alemanha, Joachim Löw decidiu-se pela segunda opção, fazendo alinhar jovens e alguns jogadores mais experientes que poderão não ter ainda a presença no mundial do próximo ano garantida a 100%. Fernando Santos, como sabemos, optou pela primeira opção: levar a equipa mais forte e tentar vencer a competição.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">É uma opção lógica, tal como a alternativa o seria. Para uma equipa como a Alemanha, capaz de fazer alinhar uma segunda linha de jogadores e ainda ser candidata ao título, fazer descansar alguns jogadores seria sensível. Portugal, contudo, tem uma base de talento mais reduzida. Uma opção por descansar os jogadores mais experientes ou com mais jogos nas pernas acarretaria inevitavelmente maus resultados desportivos. Era uma opção de tudo ou nada.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<a name="cutid1"></a><div class="ljcut" text="Ler mais...">
<p style="text-align: justify;">Justifica-se porque Portugal é um país sem tradição de títulos ao mais alto nível. A Taça das Confederações pode proporcionar um troféu "barato", dada a ausência da maioria das grandes selecções mundiais. Os principais opositores seriam sempre a Alemanha, Chile e México e a ausência de Espanha, Brasil, França ou Argentina automaticamente aumenta as possibilidades de vencer. Para mais o troféu ajudaria a criar uma cultura de títulos, algo que é importante para de facto os vencer regularmente.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado também teria feito algum sentido dar descanso a alguns dos jogadores. O caso mais óbvio é o de Ronaldo, com 32 anos e a bom nível no final de época pela primeira vez desde há vários anos graças à gestão do seu esforço por Zidane no Real Madrid. No entanto também outros jogadores beneficiariam. Bernardo Silva jogou mais de 60 vezes esta época, João Moutinho, André Gomes e William Carvalho mais de 50, e Gelson Martins, André Silva, Quaresma e Pizzi andarão perto. Os centrais não terão jogado tanto e estão em posições menos sujeitas a desgaste, mas pela idade que têm (29, 33, 34 3 35 anos de idade) beneficiariam de um Verão descansado. Ninguém garante a Fernando Santos que alguns destes jogadores não venham a ser integrados à pressa nas respectivas equipas e sofram pela ausência de uma pré-época. Isto será ainda pior no caso de jogadores como Bernardo Silva e André Silva, que terão ainda que se adaptar a novos clubes e países (e outros jogadores se irão provavelmente seguir).</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Isto dito, vejamos como vai a competição.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tácticas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Fernando Santos começou a competição usando o seu sistema preferido e o tradicional da selecção: 4-3-3. Depois de um resultado menos positivo com o 2-2- com o México a agulha mudou. Essencialmente, aquilo que Fernando Santos acabou por ter que reconhecer foi a necessidade de fazer jogar Ronaldo a ponta de lança. Colocá-lo na ala pode ser sensível contra equipas mais fracas, mas em torneios deste tipo pode ser contraprodutivo. A mão foi emendada no segundo jogo, fazendo entrar André Silva para ponta de lança, colocando Bernardo Silva na ala direita e preferindo um 4-4-2 semelhante ao do Mónaco.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A maior diferença em relação ao sistema de Jardim, além dos jogadores, é a ausência de um ala esquerdo mais natural. Jogar com André Gomes no flanco oferece maior qualidade de passe mas limita o ataque. Seria uma boa opção com a subida do lateral, mas Cédric tem subido bastante mais que Raphaël Guerreiro, talvez para oferecer espaço a Ronaldo para escapar para aqueles terrenos e assim fugir à marcação dos centrais. Isso significa que Portugal tem jogado mais descaído para a direita e tem uma forma algo assimétrica, especialmente com a tendência de Bernardo Silva em cortar para o centro.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A opção por José Fonte no primeiro jogo não correu muito bem. A principal expressão do erro foi na forma como Fonte foi batido no cabeceamento que deu o segundo golo ao México, mas já se tinha notado que a sua forma do ano passado pareia estar longe (já na segunda parte da época, após a transferência para o West Ham, José Fonte parecia ter estado aquém das suas exibições pelo Southampton).</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Jogar com Adrien ou João Moutinho no meio campo não parece fazer muita diferença. São jogadores semelhantes no estilo e na posição. Moutinho oferece mais experiência e qualidade de passe e Adrien é mais forte defensivamente e pode ameaçar em remates de longe. Aquilo que se poderia perguntar é se não valeria a pena estudar a possibilidade de jogar com outro tipo de jogador à esquerda, alguém capaz de oferecer largura e velocidade, mantendo alguma segurança defensiva. Na ausência de João Mário, o único jogador com esse tipo de características seria Pizzi, mas este está mais à vontade à direita. Outra opção poderia ser fazer avançar Guerreiro para o meio campo (onde jogou nesta época pelo Dortmund) e jogar com Eliseu, mas com Guerreiro lesionado esta opção é mais improvável.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Aquilo que é notório são essencialmente três aspectos. 1) André Silva é um parceiro perfeito para Ronaldo. A sua posição e o seu movimento atraem atenção e dão liberdade a Ronaldo e, quando este atrai os jogadores, André Silva é perigoso por si mesmo. Deve ser este o foco do ataque português; 2) Bernardo Silva oferece muito a esta equipa para além de qualquer contribuição com golos ou assistências. A sua capacidade de drible e de concentrar a atenção de vários adversários para depois mudar rapidamente de flanco ajuda a criar imensos espaços para os seus colegas e oferece alternativas; 3) a defesa continua a ser vulnerável, especialmente a velocidade e a jogadores que chegam tarde à área. Estes devem ser coberto pelos médios centro, mas William Carvalho tem aqui o seu ponto mais fraco e não tem apoio suficiente do outro médio centro em 4-4-2. Se Portugal for eliminado, será provavelmente por aqui.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Próximo(s) jogo(s)</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Agora chega o Chile. Sem Pepe (suspenso) e talvez Guerreiro e Bernardo Silva. O Chile é uma equipa que joga muito subida e pressiona muito acima no terreno. Isso é um ponto a favor de ter William Carvalho a jogar de início, embora Danilo provavelmente fosse melhor opção para cobrir as investidas de Vidal à área. Outra opção - que será provavelmente usada em todo o caso - é optar por bolas longas e explorar o jogo aéreo de Ronaldo e André Silva, bem como a sua velocidade, contra os chilenos, mais baixos e a jogar muito subidos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Será no entanto fundamental que os alas apoiem os laterais portugueses, dado que o 3-4-3/3-5-2 chileno depende muito dos laterais ofensivos (Isla e Beausejour) oferecerem largura e profundidade ao jogo. No entanto raramente estão isolados, tendo frequentemente o apoio de Alexis Sánchez ou Vargas ou de outro médio para sobrecarregar o flanco adversário. Outra coisa que o Chile faz extremamente bem é atrair a defesa adversária para um flanco para abrir espaço para a subida rápida do outro lateral e criar desequilíbrios. este movimento funciona especialmente após conbinações entre Beausejour e Sanchez e passe largo para o flanco direito onde Isla tem largo espaço para correr e entrar na área.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A outra grande ameaça é através da entrada dos médios na área para terminarem jogadas. Arturo Vidal é especialmente bom neste tipo de jogada e tem um enorme entendimento com Sánchez (bem como com o resto da equipa), com quem tem jogado desde há muito. Os chilenos conseguem criar intrincadas combinações de passes rápidos que encontram médios a entrar na área e aproveitar a desposicionação de defesas que tentam fechar as linhas de passe. Outra opção é, mais uma vez, atrair a defesa para um flanco e depois colocar a bola num médio vindo de detrás.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Para Portugal a melhor via de ataque será usando a dupla Ronaldo-André Silva. Bernardo Silva (caso jogue) poderá ter dificuldades se não tiver bom apoio no centro do terreno (nesse aspecto João Moutinho seria melhor opção). Devido à forma como o Chile joga, a zona do terreno onde Portugal poderá encontrar mais espaços será atrás da defesa. Por outro lado, o jogo chileno exige uma enorme intensidade de jogo, o que leva os jogadores a cansarem-se após 20 a 30 minutos de cada parte. Esse será o melhor período para Portugal pressionar o Chile. Se tentar igualar a intensidade chilena estará a arriscar perder a batalha.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Outra coisa fundamental será manter a disciplina. Eliseu, Bruno Alves e um ou outro jogador têm o hábito de ver amarelo. Perante uma equipa que sobrecarrega tão facilmente os seus adversários, estes jogadores terão que refrear os seus instintos e ter duplamente cuidado com as suas posições.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Final? Falaremos se Portugal lá chegar.</p>
</div>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:16113João André2017-06-03T18:36:00Previsão da final: Juventus - Real Madrid2017-06-03T17:41:12Z2017-06-03T17:41:12Z<p style="text-align: justify;">A final de amanhã da Liga dos Campeões promete ser das mais interessantes dos último anos. Será preciso recuar a 2008/09 para encontrar uma final onde as duas equipas mais fortes da competição se terão encontrado (Barcelona, que venceu 2-0 o Manchester United) como neste ano.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O Real Madrid vem de um ano onde Zidane surpreendeu (quase) toda a gente como treinador. Se havia muitos que duvidavam do seu sucesso na Liga dos Campeões do ano passado, este ano conseguiu vencer a liga e regressar à final, sendo a primeira equipa desde o Manchester United em 2008/09 a ter a possibilidade de defender um título e assim quebrar a maldição da competição (desde que terminou o formato da antiga Taça dos Campeões com a época de 1991/92) de nenhuma equipa conseguir reter o título (a última equipa que o conseguiu foi o AC Milan em 1988-90). Aquilo que Zidane trouxe ao Real Madrid mede-se menos em termos de inovações ou brilhantismos tácticos e mais na forma como gere a equipa (mais abaixo). Nada de espectacular na forma, mas silenciosamente eficiente levando a resultados fantásticos (um pouco como o jogador Zidane).</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A Juventus conseguiu incrivelmente evoluir para lá da equipa que tinha perdido a final com o Barcelona há dois anos, mantendo apenas Buffon e Bonnucci nos dois 11 iniciais (entre o de então e o mais provável de amanhã). Chiellini, Barzagli, Lichtsteiner, Marchisio e Sturaro ainda fazem parte do plantel da Juventus, mas ou não iniciaram o jogo em 2015 ou não o iniciarão amanhã. No entanto, e apesar da perda de Prilo, Vidal, Pogba, Morata, Tevez ou Evra, a Juventus está indubitavelmente mais forte, ainda mais equilibrada e flexível que há dois anos. Este ano conseguiu sofrer apenas 3 golos em toda a competição e apenas um na fase de grupos, contra o Mónaco na segunda mão de uma eliminatória que estava já quase decidida. É uma equipa que parece estar confirtável a defender e a atacar e tem múltiplas formas de atacar colectivamente os seus oponentes e oferece um equilíbrio único.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<a name="cutid1"></a><div class="ljcut" text="Ler mais...">
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">É quase irresistível definir o jogo como o ataque do Real Madrid contra a defesa da Juventus. As duas equipas têm contudo muito mais ao seu dispôr que as suas faces mais visíveis.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Real Madrid</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Zidane teve essencialmente 3 méritos ao longo da época:</p>
<p style="text-align: justify;">a) o seu carisma e passado como jogador equivalente a qualquer outro do planetel deu-lhe autoridade e respeito para conseguir que a sua principal estrela, Cristiano Ronaldo, descansasse mais a frescura que isto lhe conferiu viu-se nos 8 golos marcados nas duas últimas eliminatórias, contra Bayern de Munique e Atlético de Madrid.</p>
<p style="text-align: justify;">b) o estatuto que possui no clube, inclusive perante Florentino Pérez, permitiu ter o capital suficiente para não ter de jogar sempre com as estrelas e, fundamentalnos jogos mais importantes, poder incluir Casemiro, que deu equilíbrio ao meio campo e foi evoluindo ao longo da época.</p>
<p style="text-align: justify;">c) voltando ao tema do respeito que tem no plantel, conseguiu que os jogadores suplentes tivessem sempre desempenhos ao mais alto nível quando chamados, o que leva a que Isco ou Asensio possam ser incluídos na equipa em desfavor de Bale, mesmo que este esteja disponível. Tal deu a entender ao plantel que existia uma forma de meritocracia e que valia a pena lutar por lugares.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Tacticamente, Zidane faz alinhar a equipa em 4-3-3 (se tiver Bale, Asensio ou Lucas Perez) ou 4-4-2 (com Isco ou também Asensio). Em qualquer dos casos a largura é dada habitualmente por Carvajal e Marcelo, dois laterais muito ofensivos, que têm como função compensar o posicionamento muito central dos jogadores do meio-campo. No caso em que Perez, Bale ou Asensio alinham do lado direito, Carvajal posiciona-se um pouco mais abaixo. Pronto para ir à linha mas sendo mais provável que ofereça uma opção de passe ao ala e cruze de posições mais atrasadas. Já à esquerda Marcelo sobe sempre muito, sendo nos movimentos atacantes mais um médio que um lateral ofensivo. Isto não é resultado apenas do seu hábito ofensivo mas também do que oferece, sendo tecnicamente mais parecido com um médio que com um lateral clássico. Aliás, nos últimos meses Marcelo tem sido a principal arma de construção ofensiva, não em subidas simples pelo seu flanco mas na forma como corta para o centro do terreno e oferece a opção de mais um jogador criativo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No meio campo, Casemiro é o jogdor que fica mais recuado, tendo ofensivamente a função de manter o equilíbrio no meio campo e oferecer mais uma linha de passe. Casemiro tem habitualmente altas percentagens de passes acertados, em parte porque os seus passes são muito simples. Isso pode fazê-lo parecer limitado, mas a verdade é que a sua função é absolutamente imprescindível, dado que permite a Kroos e Modrić tempo para respirar e reposicionarem-se quando expostos a pressão intensa. Kroos e Modrić são dois jogadores que, oferecendo características diferentes, acabam por oferecer a mesma função. Modrić é mais móvel e capaz de se mover em espaços exíguos. Kroos tem uma variedade de passe incrível e encontra frequentemente espaços com passes de 20 ou 30 metros. Mais que isso, tanto o croata como o alemão são duas estrelas que se sacrificam pela equipa, correndo, fazendo intercepções e <em>tackles</em> para conseguir de novo a posse da bola.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No ataque a função dos centrais (provavelmente Sérgio Ramos e Varane) não passa simplesmente por subir em bolas paradas. Tanto Varane como Ramos (mais este) são capazes de subir com a bola controlada e contornar a pressão aos médios centrais. São igualmente capazes de fazer bons passes longos, libertando Ronaldo, Benzema e companhia, especialmente para correr para o espaço aberto em frente.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No ataque o Real Madrid continua a funcionar em função de Ronaldo. Hoje em dia Ronaldo é essencialmente um ponta de lança, um predador de área (ou suas imediações), mas não típico. Embora continue a terminar jogadas perto do golo, a sua posição é mais recuada e continua a usar a sua incrível aceleração e poder físico (hoje de forma mais racionada) para chegar aos passes dos colegas antes da defesa. Para que ele tenha essas possibilidades muito contribui o trabalho de Benzema, que luta contra os centrais de forma mais "tradicional" e flecte muito para os flancos, de forma a puxar os centrais e criar espaços para Ronaldo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Fundamental nos últimos jogos tem sido o trabalho de Isco. Habitualmente preterido em favor de Bale, hoje em dia pode dizer que está no onze inicial por mérito próprio e que lá ficaria mesmo com Bale a 100% (pelo menos tal não seria de espantar). Isco torna o 4-3-3 do Real Madrid em algo que se parece mais com um 4-3-1-2, onde Isco é o jogador mais livre (a seguir a Ronaldo). Aquilo que Isco oferece é algo de distinto de todo o resto da equipa. Sendo um jogador com um estilo tipicamente de rua, Isco mexe-se sem problemas em espaços curtos e cria situações de perigo do nada. Embora tenha adicionado mais golos e assistências ao seu reportório, Isco é o jogador que melhor cria oportunidades ao se libertar da pressão de dois ou três adversários e de repente criar do nada vantagens numéricas. No jogo de hoje, será provavelmente o jogador mais importante do Real Madrid.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Juventus</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Embora uma defesa com Barzagli, Bonnuci, Chiellini e Buffon seja imponente, a verdade é que toda a equipa está perfeitamente equilibrada. No papel isto não seria de esperar, especialmente quando Allegri alinha com o seu sistema de 5 estrelas (Pjanić, Cuadrado, Dybala, Higuaín e Mandžukić). Com apenas Khedira para oferecer equilíbrio, não se esperaria que este sistema alinhasse, mas a verdade é que com o trabalho que Cuadrado, Pjanić, Dybala e Mandžukić oferecem, apenas Higuaín fica livre para tarefas quase exclusivamente ofensivas. Mandžukić é especialmente o jogador decisivo, um ponta de lança a alinhar na ala esquerda e por vezes com funções de lateral ofensivo. O croata tem uma tal capacidade de trabalho que compensa a falta de velocidade e equilibra a equipa. Tem ainda a vantagem de criar desequilíbrios contra o lateral direito, oferecendo um alvo para cruzamentos largos vindos da direita.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A grande dúvida para o jogo desta noite é se Allegri escolhe jogar com uma defesa a 4 ou a 3. Se a 4, Barzagli começará no banco e Cuadrado começará o jogo, com um desenho táctico de 4-2-3-1. Se a 3, será Cuadrado que ficará no banco e o desenho será mais difícil de definir, mas talvez possa ser caracterizado como um 3-4-2-1, com Dani Alves e Alex Sandro mais vistos como médios e Dybala a fugir para a direita. Este segundo caso será o mais provável, visto que é também provável que Isco alinhe de início. Neste caso a Juventus teria 3 jogadores na defesa para 2 avançados, laterais a enfrentar laterais e aceitaria inferioridade numérica no meio campo para poder criar desequilíbrios nos flancos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Aqui muito dependerá da capacidade de Pjanić em encontrar Dybala ou Mandžukić no ataque e da capacidade destes dois para ajudar o meio campo. É esta a vantagem da Juventus, que é capaz de ter uma flexibilidade táctica muito mais ausente do jogo do Real Madrid. Alex Sandro e Dani Alves são jogadores com enorme capacidade de defender e em segundos estar já no ataque. Dani Alves oferece ainda algo de difícil de definir: uma enorme experiência de vencer títulos. Isso mesmo viu-se na eliminatória contra o Mónaco, quando Alves contribuiu com 3 assistências e 1 golo para os 4 golos da Juventus. Alex Sandro não é tão decisivo, mas é igualmente um lateral muito moderno, sendo um misto de lateral, médio exterior e médio centro e ainda de médio ala.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Dybala é o jogador mais imprevisível da equipa e igualmente o mais talentoso. Tem uma enorem capacidade técnica e é extremamente criativo, mas alia isso a uma enorme eficácia, com os seus movimentos sempre com objectivos bem definidos e raramente tendo toques supérfluos na bola. Os golos que marcou contra o Barcelona nos quartos de final exemplificaram isso na perfeição, com movimentos excelentes, grande sentido de oportunidade e economia de acções. É no entanto um jogador muito moderno no sentido em que, mesmo podendo ser considerado a estrela da equipa, trabalha imenso defensivamente e ajuda bastante a sua defesa. Isso, mais uma vez, oferece equilíbrio à equipa.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Higuaín é de certa forma a grande incógnita. Tornou-se o 4º jogador mais caro de sempre quando se transferiu do Nápoles para a Juventus e foi preencher uma vaga que a maioria não julgava existir. Contudo, com 32 golos este ano, tem vindo a justificar o preço neste mercado inflaccionado e foi decisivo nas meias finais, contrariando a noção que não rende na Liga dos Campeões. Mais que isso, a sua capacidade física e os seus movimentos tornam a tarefa dos centrais adversários extremamente difícil e mesmo quando não marca golos acaba por crias imensos espaços para os seus colegas de equipa aproveitarem.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Khedira é a chave da equipa. Traz pulmão, energia, força, disciplina e capacidade de passe curto. Traz também uma enorme capacidade de liderança e experiência de títulos. É quem liga o meio campo e aparece muitas vezes perto da área adversária para se envolver no ataque ou finalizar as jogadas. Não é fácil defini-lo, sendo simultâneamente um médio defensivo, um médio centro simples ou um jogador <em>box-to-box</em>, devido às suas características. Dá liberdade a Pjanić e confinça ao sector defensivo. E terá muita motivação para vencer o Real Madrid, de onde se transferiu a custo zero quando a direcção (contra os desejos dos jogadores) o deixou sair.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O jogo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Duas grandes incógnitas existem em termos tácticos. Do lado do Real Madrid: joga Isco ou Bale? Do lado da Juventus: 3 ou 4 defesas? Poderemos colocar outras questões: quem será o lateral direito do Real? Haverá outras surpresas tácticas?</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Se Isco alinhar e Allegri optar por 2 centrais, poderá ter problemas com um excesso de jogadores no centro. Se o oposto suceder, Bale jogar de início e a Juventus jogar com 3 centrais, estes poderão não ter quem marcar ou Barzagli poderá ser arrastado para a direita devido ao movimento de Ronaldo. Se Zidane decidir alinhar com um <em>joker</em> como Asensio de início ou colocar Iso no flanco, poderá ganhar flexibilidade táctica que lhe permita adaptar-se à defesa da Juventus.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Será provavelmente neste aspecto que se decidirá a final: conseguirá Zidane criar dificuldades à defesa da Juventus colocando os italianos perante escolhas desconfortáveis. Isto é tão mais importante porque é difícil imaginar a Juventus a não marcar pelo menos um golo a uma defesa comparativamente tão frágil como a do Real Madrid. Mas se o ataque <em>madrileño</em> conseguir ganhar os espaços que quer, então o Real vencerá.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Pessoalmente inclino-me para uma vitória da Juventus. É a equipa mais flexível tacticamente e com jogadores mais capazes de se aplicarem em múltiplas tarefas. É também a única das duas equipas capaz de ser defensiva, ofensiva ou contra-atacante com igual eficácia. O Real Madrid, por seu lado, tem imensas dificuldades de aguentar períodos em que é dominado. Esta diferença, mais que a de qualidade entre as estrelas ofensivas (onde o Real leva vantagem clara) irá provavelmente ser decisiva.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Além de tudo, este seria o troféu que Buffon mereceria para o fim da sua carreira. Gostaria de o ver, aos 39 anos, a levantar o troféu "das orelhas grandes". Algo de absolutamente merecido para um dos maiores guarda-redes de todos os tempos.</p>
</div>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:15790João André2017-05-23T14:42:00Irá o VAR reduzir a qualidade da arbitragem?2017-05-23T14:54:12Z2017-05-23T14:54:12Z<p style="text-align: justify;">Na sequência <a href="http://comentadordebancada.blogs.sapo.pt/colocar-os-carros-a-frente-dos-bois-15350" rel="noopener">do meu post anterior sobre a introdução do vídeo-árbitro</a>, fica uma outra reflexão baseada num exercício de imaginação de situações. Escolhi 3 casos genéricos para os quais uma matriz de análise oferece 4 cenários para cada caso: a infracção existe ou não, e o árbitro assinala ou não a potencial infracção. Caso a caso:</p>
<p style="text-align: justify;">a) um caso de potencial penalty</p>
<p style="text-align: justify;"> 1) O penalty existe e o árbitro assinala: nada sucede. Decisão acertada e ninguém contesta.</p>
<p style="text-align: justify;"> 2) O penalty existe e o árbitro não assinala: o vídeo-árbitro revê e assinala o penalty. Não há contestação.</p>
<p style="text-align: justify;"> 3) O penalty não existe e o árbitro assinala: o vídeo-árbitro cancela a decisão mas a equipa que defendia contesta porque a decisão do árbitro elimina a possibilidade de um contra-ataque.</p>
<p style="text-align: justify;"> 4) O penalty não existe e o árbitro não assinala: Decisão acertada e ninguém contesta.</p>
<p style="text-align: justify;">b) um caso de potencial fora de jogo</p>
<p style="text-align: justify;"> 1) O fora de jogo existe e o árbitro assinala: nada sucede. Decisão acertada e ninguém contesta.</p>
<p style="text-align: justify;"> 2) O fora de jogo existe e o árbitro não assinala: o vídeo-árbitro revê e assinala o fora de jogo. Não há contestação.</p>
<p style="text-align: justify;"> 3) O fora de jogo não existe e o árbitro assinala: o vídeo-árbitro cancela a decisão mas a equipa que atacava contesta porque a decisão do árbitro elimina a possibilidade de uma oportunidade de golo.</p>
<p style="text-align: justify;"> 4) O fora de jogo não existe e o árbitro não assinala: Decisão acertada e ninguém contesta.</p>
<p style="text-align: justify;">c) um caso de potencial falta (possivelmente grave)</p>
<p style="text-align: justify;"> 1) A falta existe e o árbitro assinala: nada sucede. Decisão acertada e ninguém contesta.</p>
<p style="text-align: justify;"> 2) A falta existe e o árbitro não assinala: o vídeo-árbitro revê e assinala a falta. Não há contestação.</p>
<p style="text-align: justify;"> 3) A falta não existe e o árbitro assinala: o vídeo-árbitro cancela a decisão mas a equipa que atacava contesta porque a decisão do árbitro elimina a possibilidade de um ataque.</p>
<p style="text-align: justify;"> 4) A falta não existe e o árbitro não assinala: Decisão acertada e ninguém contesta.</p>
<p style="text-align: justify;"> 5) Caso adicional: o vídeo-árbitro decide que uma falta merece cartão amarelo ou vermelho ou rescinde a decisão do árbitro de o mostrar.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A linha comum a estes casos é que se o árbitro assinalar erradamente uma infracção, será contestado. Em caso de não assinalar infracções (ou não mostrar cartões) o peso da decisão recai no vídeo-árbitro e o árbitro de campo não é contestado. Se os árbitros de qualidade irão sempre procurar tomar a melhor decisão possível, os restantes poderão refugiar-se na opção de assinalar apenas as infracções mais óbvias, que resistam facilmente à revisão do vídeo-árbitro. Neste caso o ritmo de jogo será afectado por constantes pedidos de revisão de casos.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Poderei estar errado, claro está, mas é perfeitamente possível que de facto os árbitros joguem pelo seguro para evitar a contestação no momento, defendendo-se com a explicação de não conseguirem ver. A ver vamos o que acontece ao longo do ano.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">PS - a minha análise acima parte obviamente do princípio que se o vídeo-árbitro toma uma decisão, essa não será contestada. Isto obviamente não sucederá sempre, mas tinha que limitar os meus casos.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:15514João André2017-05-12T15:48:00Analisando a influência de Jesus no Sporting2017-05-12T14:49:58Z2017-05-12T14:49:58Z<p style="text-align: justify;"><a href="http://search.espn.com/Gabriele-Marcotti" rel="noopener">Gabrielle Marcotti</a>, cujos textos gosto imenso de ler, costuma escrever sobre o tema de mudar de treinadores que se deveria sempre tomar uma decisão com base num critério: a equipa evoluiu? Trago isto à baila a propósito de Jorge Jesus e a contestação de que é alvo no Sporting.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Quando foi contratado, Jesus constituiu um verdadeiro golpe de génio. Vindo do rival, com quem tinha vencido os dois campeonatos anteriores, e confessando-se sportinguista, Jesus era um tónico para os adeptos leoninos. Não era barato, mas também isso demonstrava a recém-reconquistada capacidade financeira do clube. É um treinador que gosta de futebol de ataque, valoriza jogadores e vinha com experiência de vitória e de jogar na Liga dos Campeões. Para dizer a verdade, era difícil encontrar um candidato melhor.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<a name="cutid1"></a><div class="ljcut" text="Ler mais...">
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Passados dois anos, que mudou na descrição acima? Alguma coisa? Para dizer a verdade... não (fora o óbvio facto de ter deixado de ser campeão). Jesus continua a ser um treinador atacante, que valoriza jogadores (João Mário, Gélson, entre outros) e continua a ter experiência de Liga dos Campeões. Só que isto ignorou os defeitos de Jesus, começando por o seu registo na Europa não ser particularmente brilhante, mesmo no Benfica.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Antes de mais, Jesus é um treinador com um enorme ego. Compreende-se parcialmente mas que, para si, justifica certas decisões, por muito teimosas que sejam. Gosta de se convencer que descobre novas posições para os seus jogadores (especialmente para os alas, cuja velocidade aprecia também noutras zonas do campo). Gosta também de acreditar que os adversários necessitam de se adaptar às suas equipas e não usa sistemas específicos para cada jogo (o que lhe traz dissabores na Europa). Outro hábito é o de ser muitíssimo fiel a jogadores que aprecia, mesmo quando começam a decair com a idade, não atingem o nível esperado ou estão em baixa de forma.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Isto significa que Jesus insiste no mesmo sistema e não muda se a tal não for obrigado. No Benfica, após o sucesso da primeira época (em que teve à disposição um plantel excepcional), foi necessário que Luís Filipe Vieira começasse a controlar os seus excessos e limitar a sua influência nas contratações para que o sucesso começasse a surgir de forma consistente. No fundo, aquilo de que Jorge Jesus necessita (embora não deseje) é de um director de futebol com apoio da direcção do clube e força para o controlar.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">No Sporting isso não sucede. Confesso que não estou familiarizado com a estrutura do departamento de futebol do clube (nem de nenhum outro), mas não me parece que, mesmo existindo um director de futebol, ele exerça muita influência sobre Jesus. As aquisições de Bruno César (com quem trabalhou no Benfica), de Brian Ruiz e de Joel Campbell (este por empréstimo) indicam que Jesus continua a receber os jogadores que deseja sempre que isso é possível. Isto não é uma crítica à escolha destes jogadores em concreto, apenas uma nota sobre como Jesus recebeu jogadores que cobiçou no passado. Além disso, a frequência com que Jesus continua a falar para a comunicação social e a parecer fazer as declarações que entende, denota também alguma falta de mão sobre ele.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Nada disto quer dizer que Jesus seja um mau treinador, bem pelo contrário. A revista FourFourTwo colocou-o na <a href="https://www.fourfourtwo.com/features/fourfourtwos-50-best-football-managers-world-2016-no10-jorge-jesus" rel="noopener">10ª posição do seu ranking</a> dos <a href="https://www.fourfourtwo.com/features/fourfourtwos-50-best-football-managers-world-2016?utm_m_medium=t" rel="noopener">melhores treinadores do mundo em 2016</a>. O seu registo é bem conhecido: tem títulos em Portugal e alguns brilharetes na Europa, especialmente quando abdica do seu estilo louco e assume posições mais pragmáticas, como quando <a href="http://www.uefa.com/uefaeuropaleague/season=2014/matches/round=2000473/match=2012679/postmatch/report/" rel="noopener">conseguiu eliminar a Juventus</a> nas meias-finais da Liga Europa em 2014. A lista dos jogadores que valorizou é também excepcional: David Luiz, Fábio Coentrão, Javi García, Di María, Gaitán, Garay, Matić, Witsel, Enzo Pérez, Oblak, Maxi Pereira (mesmo que saindo a custo zero), André Gomes, João Mário, Slimani, Adrien Silva, Gelson Martins (mesmo que estes não tenham saído). Todos jogadores de grande qualidade ou que, sob Jesus, tiveram prestações acima do que seria de esperar deles.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Quando os spoprtinguistas se queixam dele, deveriam talvez mostrar mais impaciência com uma direcção que não parece ter uma estratégia tão clara no plano desportivo quanto do plano directivo. Bruno de Carvalho é alguém que se presta a críticas fáceis. Pessoalmente não gosto do seu estilo e sou da opinião que mente frequentemente quando tem vontade de tomar posições populistas (se bem que está longe, muito longe, de ser o único presidente de clube que o faz, mesmo em Lisboa). É no entanto alguém obviamente apaixonado e que tem conseguido reerguer o seu clube. Se conseguir evitar passar tanto tempo envolvido com o futebol (e delegar num bom director de futebol as funções relevantes), o clube só teria a beneficiar.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A pergunta que levantei no início do post deveria então ser respondida: o Sporting evoluiu desde que Jorge Jesus tomou conta do banco? Pessoalmente penso que sim. Em parte porque o próprio clube estabilizou e passou a poder oferecer melhores jogadores aos seus treinadores, mas Jesus emprestou um élan e ambição ao clube que permite aos sportinguistas estarem hoje bastamente insatisfeitos com a prestação do clube. Mais que pensar em remover o treinador, os sportinguistas deveriam talvez pedir ao clube que Jesus tenha as condições ideais para fazer aquilo que faz melhor: treinar. Se isso suceder, estou em crer que a insatisfação será bastante menor.</p>
</div>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:comentadordebancada:15350João André2017-05-05T09:12:00Colocar os carros à frente dos bois2017-05-05T08:31:29Z2017-05-05T08:31:29Z<p style="text-align: justify;">A partir da próxima época a Liga Portuguesa passará a ter o sistema VAR, Video Assistant Referee. Sempre me senti algo dividido em relação a isto, em parte porque é preciso limitar a acção do árbitro assistente (não pode estar a rever toda e qualquer decisão ou não-decisão do árbitro) e em parte porque só é possível em ligas com capacidade financeira para tal (fala-se num investimento de 1 milhão de euros).</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente há muita gente que <a href="http://sporting.blogs.sapo.pt/para-o-ano-somos-campeoes-3217243" rel="noopener">vê isto como um remédio</a> para todas as supostas más decisões dos árbitros. Falou.se muito do caso piloto testado durante o mais recente França-Espanha, mas esse envolveu apenas jogadas que deram golo. Houve portanto uma pausa no jogo (devido ao golo) que permitiu ao árbitro receber a informação do VAR e corrigir a decisão. Que fazer numa jogada de suposto penalty ou cartão vermelho, quando uma equipa pára para o exigir? Pegando numa situação como a do Benfica-Sporting e nos casos de potencial penalty, o que sucederia? O árbitro pararia o jogo? E se a outra equipa aproveitasse a distracção dos aversários (ocupados a pedir a revisão do lance) para contra-atacar? Pararíamos o jogo?</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Há obviamente soluções. Basta dizer que qualquer situação duvidosa será revista imediatamente mas o árbitro informado da decisão apenas quando o jogo páre. Aceitarão isso os jogadores? E se a decisão continuar a ser duvidosa (como no caso desses potenciais penalties)?</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">O importante nesta questão é que se entenda que, antes de qualquer implementação de um VAR, deveria ser operada uma mudança de mentalidade na Liga. Os jogadores deveriam ver mais facilmente cartões amarelos e vermelhos por protestos. Os árbitros deveriam ser mais protegidos, tanto no campo como antes e depois dos jogos (com castigos a treinadores e dirigentes por declarações que coloquem pressão sobre os árbitros).</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Fala-se muito do rugby como exemplo, mas ali há um enorme respeito pelo árbitro e os jogadores sabem que têm que acatar as decisões sem reclamação. Será que um<a href="https://www.theguardian.com/world/2009/jan/06/gay-rights-rugby-union" rel="noopener"> árbitro gay</a> teria sido tão bem aceite como <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Nigel_Owens" rel="noopener">Nigel Owens</a>? No próximo ano veremos queixas que os árbitros atrás dos ecrãs estão comprados, as imagens foram escolhidas a dedo e sei lá que mais. Usar o sistem VAR antes de limpar as atitudes no futebol não passa de tapar o sol com uma peneira e colocar os carros à frente dos bois.</p>