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Comentador de Bancada

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Meias finais da Liga dos Campeões (2ª mão)

Real Madrid 2 - 2 Bayern de Munique (4 - 3 no total das duas mãos)

Como tinha escrito na semana passada, o Real Madrid tem neste momento uma aura de inevitabilidade quando joga na Liga dos Campeões. O jogo desta terça-feira ajudou a mantê-la e, mais ainda, a reforçá-la. Mais ainda que no jogo da 1ª mão, o jogo de Madrid trouxe um Bayern completamente dominante e capaz de penetrar com imensa facilidade na defesa dos espanhóis. O sistema de jogo que Jupp Heynckes levou para este jogo foi em tudo idêntico ao que teve em Munique a partir do momento em que Robben saiu lesionado. As única diferenças foram as entrada de Niklas Süle e Corentin Tolisso para o lugar dos lesionados Boteng e Martinez e o regresso de Alaba depois de lesão.

 

No lado do Real Madrid tivemos a surpresa da ausência de Casemiro do onze inicial e vimos algumas outras mudanças, como Lucas Perez a defesa direito (como tinha terminado o jogo da semana passada) e Modrić essencialmente a médio direito. A médio defensivo estava Kovačić, um jogador que no passado era mais um médio ofensivo mas que em Madrid tem vindo a ser obrigado a aprender tarefas defensivas para poder ter tempo de jogo. A sua presença foi um problema para o Real Madrid, que perdeu a presença de Casemiro em frente da defesa e deu imenso tempo a James Rodriguez e a Thiago para procurar espaços e distribuir jogo.

 

No lado esquerdo, Marcelo tinha teoricamente a presença de Asensio para o ajudar a lidar com Müller e Kimmich, mas a verdade é que Asensio passou ao lado do jogo, flectindo constantemente para o centro do terreno e deixando o flanco desguarnecido. Kimmich esteve sempre à vontade para subir como quis e dar largura pelo seu flanco, o que se viu também com o seu golo. Já Müller passou o jogo desmarcado, parecendo que tinha um campo de forças em sua volta que não permitia a aproximação de defesas. A única coisa que surpreendeu foi não ter conseguido marcar um golo.

 

O lado esquerdo do Bayern foi o flanco com uma combinação difícil de travar: Ribéry dribla, passa e cria e Alaba sobe, dando largura e ocupando o lateral. O Real passou o jogo a tentar lidar com esta ameaça e nunca o conseguiu fazer de forma convincente.

 

Os golos vieram de três erros. No primeiro, o erro foi de Sergio Ramos  e no segundo o erro foi de Alaba. No terceiro... Bom, quanto menos se falar de Ulreich neste caso melhor. O guarda redes alemão não esteve mal, mas aquele tipo de erro não é só proibido, é impensável a este nível. Dois erros clamorosos (Rafinha na primeira mão e de Ulreich nesta) decidiram a eliminatória. O Real Madrid aparentou ser muito frágil, mas também que se é necessário ganhar com sofrimento... sabe fazê-lo.

 

Roma 4 - 2 Liverpool (6 - 7 no total das duas mãos)

Golos, golos golos. Foi um jogo entre uma equipa que ganha marcando mais que o adversário e uma equipa que tinha que marcar obrigatoriamente 3 golos no mínimo para se poder apurar. Isso abriu imenso o jogo e permitiu aos avançados brilharem.

 

Eusebio Di Francesco neste jogo abandonou a ideia dos 3 centrais. Foi claro que tinha sido uma má ideia na primeira mão e nesta decidiu avançar para o seu 4-3-3 preferido. Foi no entanto um 4-3-3 atípico, onde jogou com dois avançados centro (Schick e Džeko) e um avançado mais encostado à esquerda (El Sharaawy, embora com liberdade para vaguear). A largura pela direita era dada com as subidas de Florenzi e com a cobertura de Nainggolan, o que no entanto abriu espaços atrás. Não foi então de espantar que fosse por este flanco que o liverpool marcasse o primeiro golo, com um erro de Nainggolan e Mané a ficar liberto para o 0-1. A táctica fazia no entanto algum sentido, com a ideia de ocupar os dois centrais do Liverpool, sabendo que se Džeko ficasse sozinho perante eles, van Dijk poderia marcá-lo e minimizar os erros. Com Schick a ocupar o holandês, Džeko caía para a zona de Lovren e obrigava-o a escolher entre manter a posição e deixar o bósnio sozinho, ou ir atrás dele e abrir espaços atrás.

 

Este é um problema frequente para o Liverpool. Com 3 médios centro muito semelhantes mas nenhum médio especificamente mais defensivo, a defesa fica muito exposta a jogadores que explorem o espaço entre a defesa e o meio campo. A solução é avançar a equipa para reduzir os espaços, mas isso abre espaço atrás da defesa. Contra a Roma no entanto isso não foi tão problemático dado que nem Schick nem Džeko são muito rápidos. El Sharaawy no entanto ofereceu muitos problemas a Alexander-Arnold e encontrou frequentemente espaço entre linhas e na zona entre Alexander-Arnold e Lovren.

 

A Roma no entanto perdeu muito por não marcar o primeiro golo e por ter cometido os erros que deram os dois golos que permitiram ao Liverpool ir para os balneários na frente. Na segunda parte corrigiram um pouco o posicionamento, Džeko tornou-se mais móvel e passou a noite a atormentar a defesa e, por fim, com a entrada de Ünder e a mudança do desenho táctico para algo mais semelhante a um 4-2-4, o Liverpool ficou extremamente exposto aos ataques da Roma. O Liverpool nunca deixou de atacar, mas com a Roma a empurrar o Liverpool para perto da sua área, os 3 homens da frente ficaram mais sós e a Roma pôde arriscar dar-lhes mais espaço. Na verdade, nada perdiam.

 

No fim a Roma acabou por ter uma muito meritória vitória no jogo que não chegou para a eliminatória. A sua aventura europeia chegou ao fim graças a um erro táctico na primeira mão e a dois erros (um individual e outro colectivo) na segunda. Se continuarem a evoluir, os italianos não serão adversários muito apetecíveis para a próxima época. Especialmente porque há poucos jogadores nesta equipa que sejam automaticamente desejados pelos gigantes europeus - as vitórias foram fruto de excelente trabalho colectivo.

 

Já o Liverpool terá de jogar o seu jogo habitual na final contra o Real Madrid. Não tem verdadeira alternativa ao seu onze inicial devido a lesões e a limitações do plantel, pelo que há poucas escolhas tácticas. Depende tudo de deixar os seus 3 avançados brilhar. Se o conseguirem poderão vencer um Real algo frágil. Caso contrário, a inevitabilidade madrilena voltará a surgir.

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