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Comentador de Bancada

Comentador de Bancada

Portugal Adormecido 1 - Marrocos 0

Antes de mais: considero o resultado justo porque qualquer resultado é justo se não houver interferência de factores não-desportivos (arbitragem, corrução, etc). Uma equipa que marca numa única oportunidade pode vencer outra que tem 30 remates à baliza sem marcar. A eficácia e a sorte são parte do jogo. Este jogo não viu um caso tão extremo, mas foi perto de inacreditável que Portugal tenha vencido este jogo contra uma equipa de Marrocos claramente superior.

 

O jogo começou quase com o golo português, ainda antes de haver qualquer definição táctica. O jogo a sério começou depois do 1-0.

 

Tacticamente

Fernando Santos fez uma única alteração: Bruno Fernandes saiu do onze inicial para entrar João Mário. Bruno Fernandes não tinha parecido estar ao nível necessário e João Mário tem experiência a jogar na posição que Fernando Santos lhe pede: algo entre médio esquerdo, médio centro e médio ofensivo. No resto o desenho habitual: 4-4-2, por vezes mais um 4-2-2-2 em que os médios exteriores (João Mário e Bernardo Silva) apoiam os laterais a defender e os laterais oferecem a largura ao jogo.

 

Infelizmente Hervé Renard, o seleccionador de Marrocos, identificou as alas como o ponto fraco a explorar em Portugal e lançou alas clássicos aos laterais portugueses com o apoio dos laterais e sempre de um dos médios centro. O resultado era que as laterais estavam constantemente expostas, especialmente quando algum dos médios exteriores não apoiava o seu lateral. Isso foi o caso no flanco esquerdo português. Raphaël Guerreiro demonstrou constantemente que estava com pouca rotina (passou muito da época lesionado) e João Mário não dava quase nenhum apoio. Nordin Amrabat teve sempre liberdade para se lançar a Guerreiro, usando a sua velocidade, força e técnica para fazer a vida negra ao português. Sem ajuda de João Mário, foi possível a Nabil Dirar apoiar e causar problemas sem fim.

 

No lado direito de Portugal, Cédric Soares tinha menos problemas devido ao apoio de Bernardo Silva. O jogador do Manchester City foi quase inexistente no ataque (nisto não foi diferente do resto da equipa) mas ia apoiando a defesa. No centro do terreno, William Carvalho e João Moutinho estavam reluctantes em apoiar as alas e desguarnecer o centro, o que se compreendia. O resultado eram alas completamente sobrecarregadas e um meio campo português quase sem nada para fazer.

 

As coisas melhoraram um pouco com uma mudança táctica para um 4-5-1 (que teoricamente seria um 4-3-3 no ataque), com Gonçalo Guedes a sair do centro do terreno para a ala esquerda e João Mário a mudar-se para o centro do terreno. Isto inicialmente equilibrou a equipa, porque Guedes deu um pouco mais de apoio e Dirar estava mais cauteloso nas suas investidas ofensivas. A melhor oportunidade portuguesa surgiu da subida de Guedes pela esquerda, recebendo um passe perfeito de Ronaldo e rematando na direcção do braço do guarda-redes marroquino quando deveria ter marcado.

 

O problema foi que os portugueses, tendo conseguido um pouco mais de espaço para jogar enquanto os marroquinos avaliavam as consequências da mudança táctica, desperdiçaram esta conquista com um jogo lento, muito lento, lentíssimo, sem qualquer urgência, atenção ou determinação, que fazia com que as únicas opções atacantes fossem bolas longas de Pepe para os flancos. Perante isto, os marroquinos passaram a apoiar os alas com os médios centro e voltaram a causar estragos - e muitas oportunidades que foram desperdiçando.

 

Displicência

Os marroquinos foram sempre perigosos e só má finalização, falta de sorte e, em duas ocasiões, Rui Patrício, os impediram de marcar. Poucas diferenças existiram no jogo dos marroquinos, que de vez em quando mudavam posições aos jogadores (com Zyach e Amrabat a trocar ocasionalmente de ala) e continuavam sempre a empurrar os portugueses para a sua área e só o falhanço nos remates e o trabalho de Pepe e José Fonte foram poupando os portugueses.

 

Aquilo que se foi notando foi no entanto o extremamente fraco jogo dos portugueses, que por vezes demonstravam imensas falhas: pouca familiaridade com as funções que tinham - Gonçalo Guedes a não atacar um cruzamento da direita e a esperar que a bola lhe caísse - acção típica de um ala; pouca urgência no passe - quase toda a gente não chamada Fonte, Pepe e Moutinho; pouca atenção nas suas funções - William a descair para entre os centrais deixando 3 a marcar 1 quando os marroquinos tinham dois jogadores em frente da área; e simples falta de cuidado - Guedes, Gélson, Bernardo Silva, todos a tentar driblar pelo meio da floresta quando deveriam procurar trocas de bola.

 

Os portugueses foram constantemente descuidados e até Fernando Santos foi culpado disto. Ter deixado Guedes até ao final não fez sentido, ter esperado tanto tempo para retirar João Mário também não e não percebi porque razão fez entrar Bruno Fernandes quando o jogo estava a pedir um Adrien Silva. João Moutinho foi constantemente explorado nas bolas paradas dos marroquinos: a bola acabava invariavelmente na zona onde estivesse Moutinho, para explorar a sua falta de altura. Fernando Santos deveria ter metido Moutinho fora da área (mesmo que na barreira) e colocado outro jogador para evitar este problema.

 

Aquilo que os marroquinos fizeram vezes sem conta foi isolar os portugueses: Guerreiro, Cédric, Moutinho (nas bolas paradas), William. E defensivamente fizeram o mesmo, obrigando os portugueses a pensar que tinham que driblar pelos adversários, em vez de receber apoio para triangulações. Haveria formas de resolver estes problemas, mas a atitude portuguesa não ajudou.

 

No fim, Portugal venceu com muita sorte e Marrocos tornou-se a primeira equipa eliminada neste mundial. Agora que venha o Irão e que Portugal jogue melhor. Independentemente do resultado do jogo Espanha-Irão, os iranianos chegarão ao último jogo com possibilidade de se qualificar. Se Portugal não melhorar (e deixar de depender de Ronaldo para tudo), a selecção corre sérios riscos.

 

Os jogadores

Patrício, Pepe e Fonte foram heróis. Pepe e Fonte tiveram falhas, mas nada de excepcional, viram-se frequentemente obrigados a enfrentar múltiplos jogadores vindos em velocidade. Patrício foi perfeito. Cédric e Guerreiro foram os mártires. Não estiveram particularmente mal dada a falta de apoio, mas ainda assim esperar-se-ia mais. William Carvalho esteve razoável na posse de bola, mas sofreu da mesma falta de urgência - felizmente que a sua força física lhe permitiu aguentar os adversários sem perder a bola. Infelizmente esteve muito fraco defensivamente, tendo ganho poucas bolas ou afastado poucas vezes o perigo.

 

João Moutinho foi o melhor português. Recuperou imensas bolas, foi o melhor a passar a bola (a competição não era muita, diga-se a verdade) e ainda contribuiu com a assistência para o golo. Teve muita sorte de não sair com amarelo - fez várias faltas num período curto de tempo - mas sem ele Portugal teria precisado de um milagre ainda maior.

 

Bernardo Silva ajudou bastante defensivamente e ocasionalmente libertou-se da pressão. Mas também esteve miserável a passar a bola, mas foi dando mais protecção a Cédric que aquela que Gélson ofereceu. Gonçalo Guedes esteve ocasionalmente bem defensivamente e quando aparecia ofensivamente causava problemas - terá sido por isso que se foi mantendo - mas desapareceu muito frequentemente. Deveria ter marcado quando Ronaldo o isolou e esse erro poderia ter custado caro.

 

Ronaldo... Marcou o golo, esteve afastado da bola, exceptuando quando os portugueses o tratavam como se fosse um Peter Crouch. Quase marcou numa jogada que inventou sozinho e deveria ter acabado com uma assistência para Guedes. Deve estar a rezar para que os outros jogadores acordem da letargia e deixem de pensar que ele resolve tudo.

 

Gélson, Bruno Fernandes e Adrien. Entraram mal. Bruno Fernandes estava a dormir, Gelson parecia um puto cheio de vontade convidado para o jogo dos crescidos, a correr muito mas sem saber para quê ou para onde. Adrien entrou tarde e não teve possibilidade de apanhar o ritmo.

 

João Mário. O quanto menos se disser dele melhor. Decisões erradas, mexeu-se por vezes como se fosse um amador convidado a jogar uma peladinha com profissionais, não defendeu, não atacou, corria para ir pedir a bola a dois metros dos colegas e devolvia-lhes a bola mas agora sob pressão... A única coisa que fez bem foi recuperar 3 bolas (tantas como William, mas em locais menos perigosos) e em pelo menos um dos casos perdeu-a de imediato por se lançar pelos adversários. Se não mostrar mais nos treinos, arrisca-se a não jogar mais neste mundial. Deveria ter saído ao fim de meia hora. E eu a pedir que ele entrasse para o lugar de Fernandes no primeiro jogo...

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