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Comentador de Bancada

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Real Madrid 3 - 1 Liverpool

Depois de dois posts a reflectir sobre o que seria a final da Liga dos Campeões, acabámos com um jogo que, a título pessoal, perdeu muito do interesse por volta dos 30 minutos, ou seja, quando Mohammed Salah saiu lesionado. Comecemos no entanto pelo fim do meu último post: previ uma vitória do Liverpool por 4-2 e o resultado foi uma vitória do Real Madrid por 3-1. Para isso contribuíram alguns factores distintos.

 

 

O início do jogo

O jogo começou como se esperaria. O Liverpool é provavelmente a melhor equipa europeia a contra-atacar e como tal era importante que marcasse primeiro. Isso significa que os ingleses começaram o jogo com o pé a carregar completamente no acelerador e criaram uma situação de algum perigo logo por volta dos 20 segundos de jogo. O Liverpool pressionou muito alto e sempre que ganhavam a posse de bola atacavam rapidamente com rápidas troca de bola e posição que abriram a defesa do Real Madrid com frequência. No entanto só ocasionalmente nos primeiros 30 minutos os ingleses conseguiram causar problemas a Keylor Navas.

 

Defensivamente o Liverpool pressionava alto e parecia haver uma tentativa deliberada de fazer o Real Madrid jogar pelo lado esquerdo, talvez para obrigar Marcelo a subir e envolver Salah o máximo possível. Isto era notório especialmente em dois aspectos: Firmino pressionava essencialmente colocando-se de forma a bloquear o passe de Ramos para Varane, e Salah (inicialmente, mais tarde Mané) colocava-se de forma a dificultar o passe para Kroos ou entre Kroos e Marcelo. O objectivo parecia ser de facto obrigar Marcelo a ficar envolvido o máximo possível e, no caso de a bola estar no meio campo, tentar que a posse de bola ficasse por conta de Casemiro.

 

Por altura em que Salah se lesionou numa disputa de bola com Ramos, o resultado de 4-2 seria já improvável, dado que dependeria de o Liverpool marcar cedo. O lance irá certamente ser analisado e reanalisado e a responsabilidade de Ramos dependerá da parcialidade do observador. Parece no entanto claro que a experiência de Ramos foi importante embora talvez não houvesse intenção de causar verdadeiro dano a Salah.

 

Após a saída de Salah

Com a saída de Salah ficou clara a falta de opções de Klopp para mudar alguma coisa. A entrada de Lallana foi a solução lógica embora implicasse a entrada de um jogador que tinha clara falta de forma e ritmo. Para implementar a pressão alta que Klopp desejaria seria necessário ter melhores condições físicas, pelo que Klopp optou por mudar um pouco o desenho táctico para um 4-4-2 mais descaído para a direita (para onde Mané foi depois da substituição).

 

Pouco depois da entrada de Lallana, foi Carvajal quem teve de sair em lágrimas devido a lesão. No entanto, enquanto Salah teve que ser substituído por um jogador saído de lesão e com poucos jogos nas pernas, Zidane pôde fazer entrar um jogador em forma que foi chamado à selecção espanhola para o campeonato do mundo noq ue foi o melhor exemplo da profundidade do banco madrileno em comparação com o do Liverpool.

 

Erros

Eu teria esperado que o início da segunda parte fosse semelhante ao da primeira parte, com o Liverpool a pressionar e a criar ocasiões de golo. No entanto o que se viu foi um Liverpool algo retraído, com menos energia e permitindo ao Real Madrid trocar a bola mais à vontade. No entanto isso não levou a muitas ou claras oportunidades de golo até ao (provavelmente) pior erro de sempre de um guarda-redes numa final europeia. É difícil compreender o erro de Karius, pelo que não vale a pena escrever mais sobre o assunto.

 

O golo teve pelo menos o condão de acordar o Liverpool, que recomeçou a pressionar o Real Madrid e a criar oportunidades de golo, tendo chegado rapidamente ao 1-1 por Mané, o seu melhor jogador. Depois disso o Liverpool tentou conservar um pouco a energia, sabendo que tinham poucas alternativas a partir do banco, e o Real Madrid começou a criar oportunidades. Isco teve a oportunidade de fazer o golo e pouco depois foi substituído por Bale, numa mudança que virou o jogo em favor de Zidane.

 

A entrada de Bale deu de imediato largura ao jogo do Real e obrigou os laterais do Liverpool (Trent-Arnold e Robertson) a ficar mais recuados. Num 4-4-2 como o do Liverpool com Lallana, o resultado foi que os desenhos tácticos das duas equipas se trocaram. A energia de Bale veio também causar mais problemas a um Liverpool a quem faltava o melhor jogador. O golo surgiu no entanto num lance de brilhantismo individual, com Bale a fazer um golo do nada com um fabuloso pontapé de bicicleta.

 

O Liverpool no entanto não deixou de atacar e tentar vencer, com Mané a atingir o poste num remate de fora da área. As trocas de bola em frente da defesa do Real continuavam a causar problemas aos defesas e Mané e Firmino a arrastar os espanhóis. A vantagem que o Real tinha estava no entanto em Casemiro e Nacho, que assumiam posições perto dos centrais para fazer dobras e permitir a Varane e Ramos colarem-se aos avançados do Liverpool. Na ausência de um avançado esquerdo, Nacho ficava então livre e isso terá criado a maior vantagem defensiva no jogo.

 

E depois veio o segundo erro de Karius. Se qualquer dos erros poderiam ser desculpados como falhas de concentração, dois erros deste tipo no mesmo jogo e numa final da Liga dos Campeões são indesculpáveis e mesmo um treinador empático como Klopp terá dificuldade em permitir que Karius volte a jogar pelo Liverpool. Não será estranho, mesmo que seja cruel, que Karius tenha acabado aqui com as suas possibilidades de ter uma carreira ao mais alto nível. O mais provável é que volte em breve para a Alemanha para um clube do meio da tabela.

 

Depois do 3-1, acabou-se o jogo. O Liverpool ainda foi atacando, mas foi o Real quem esteve mais perto de novo golo (com cortes no último momento de Lovren e Robertson a negarem o golo a Bale e Ronaldo, respectivamente). No fim, o Real ganhou. Como cantam os seus adeptos: "así gana el real".

 

Inevitabilidade

Escrevi algumas vezes sobre a aura de inevitabilidade do Real Madrid. Aqui repetiu-se. Teve sorte, sem dúvida. Salah lesionou-se, Karius cometeu dois erros enormes, o Liverpool não tinha sequer banco em boas condições físicas. No entanto a sorte não existe apenas para um lado e, no longo prazo, acaba por se equilibrar. Aquilo que esta equipa consegue fazer é tirar partido da sorte que tem, graças à qualidade técnica, física e mental dos seus jogadores. Ramos não terá querido lesionar Salah, mas usou toda a sua experiência no lance. Karius congelou mentalmente no primeiro golo, mas Benzema não correu à bola só para fazer figura de corpo presente. Karius deixou a bola entrar no terceiro golo, mas o remate de Bale era forte e levou efeito.

 

A qualidade que mais impressiona neste Real Madrid é a mentalidade resiliente que têm e que lhes permite vencer mesmo quando não jogam bem ou quando jogam pior. Não é sustentável num campeonato, o que é demonstrável nos 17 pontos de diferença para um Barcelona que foi muito mais regular. Mas numa competição relativamente curte e a eliminar, esta mentalidade é fundamental. Ninguém a possui como Ramos e companhia.

 

O Real Madrid tem agora 3 Ligas dos Campeões seguidas, 4 nos últimos 5 anos. Ronaldo é o jogador com mais Ligas dos Campeões (neste formato) e está em segundo na lista de vencedores desta Taça (juntamente com vários outros jogadores e atrás de Gento). O Real Madrid tem aqui uma dinastia, mas apesar de ser o domínio da competição mais forte desde os tempos de Dí Stefano, esta equipa provavelmente não receberá os elogios de outras do passado (Real Madrid 1956-60, Ajax anos 70, Bayern anos 70, Milan anos 80/90, Barcelona de Guardiola) porque não deslumbra. A sua principal qualidade é ganhar. Não convencerá muitas pessoas, mas os adeptos do clube não se importarão. A verdade é que mais ninguém se aproxima sequer das suas 13 taças, as quais mais que duplicaram as do Liverpool.

 

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