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Comentador de Bancada

Comentador de Bancada

Mundial 2018 - candidatos

Sei que isto chega tarde, mas avancemos com a minha lista de considerações sobre as selecções que vejo como verdadeiras candidatas ao título. Não há garantias que o vençam, são apenas as minhas apostas mais altas para isso, com base nas equipas e/ou consistência.

 

Alemanha

Não surepreende ninguém. Têm uma equipa que perdeu alguns jogadores fundamentais depois de 2014 (Lahm, Mertesacker, Schweinsteiger, Klose) mas parece de alguma forma ainda mais impressionante. Boateng e Hummels fazem uma dupla excepcional e estão habituados a jogar juntos. Hector pode ser apenas razoável mas não é pior que Höwedes há 4 anos a lateral esquerdo. Schweinsteiger não está mas Kroos recuou e a equipa está menos dependente de um duplo pivot defensivo. Klose foi-se e o seu oportunismo fará falta, mas Werner oferece qualidades mais alinhadas com o estilo da selecção.

 

Há quem considere que os alemães terão estagnado, mas penso que isso será uma percepção errada. Joachim Löw aproveitou a qualificação para ir introduzindo variações tácticas e agora a selecção é capaz de jogar em 4-3-3, 4-2-3-1 ou 3-5-2 e 3-4-3 quase sem se notar a diferença. Houve quem criticasse a ausência de Sané nos convocados, mas Löw pensa que ele não rende o mesmo na selecção que rendeu no Manchester City e tem em contrapartida outros jogadores altamente talentosos (finalmente teremos a oportunidade de ver o fabuloso Reus num campeonato). A grande dúvida prende-se com Neuer e as condições em que se apresentará. Se oferecer garantias, o estilo alemão muda completamente e a equipa subirá no terreno. Sem ele, a alternativa é Ter Stegen, um guarda-redes fabuloso mas que não dá as mesmas garantias com um defesa subida. Aqui poderá residir a grande dúvida sobre a Alemanha. Se Neuer estiver apto, penso que a Alemanha será a vencedora.

 

Espanha

A saída de Lopetegui lançou dúvidas, mas os espanhóis conhecem-se perfeitamente e Hierro não é exactamente um desconhecido dos jogadores. A maior dúvida relaciona-se com a capacidade deste de introduzir mudanças tácticas na equipa, antes ou durante o jogo, para explorar fraquezas ou limitar o perigo de um adversário.

 

No resto os espanhóis têm uma equipa sólida, criativa e eficiente. De Gea é provavelmente o melhor guarda-redes no torneio. Piqué e Ramos conhecem-se perfeitamente e formam uma dupla complementar e formidável. O meio campo (Busquets, Thiago, Koke, Iniesta, Silva, Isco...) é... bem, o meio campo espanhol. Pegam na bola, levam-na para um passeio e só a trazem de volta a casa depois da meia noite ainda feita cinderela mesmo que a fada madrinha não o queira.

 

A maior fraqueza é o ataque. Costa não liga bem com o resto da equipa, mas pode causar problemas suficientes a uma defesa para abrir espaços para os colegas. Aspas é mais fraco, mas liga bem com os colegas. Rodrigo está a meio em termos de qualidade, mas tem uma mobilidade que pode ser muito preciosa. Além disso, os espanhóis podem sempre jogar sem ponta de lança. Isco marcou 3 golos à Itália quando a Espanha jogou em 4-3-3-0. Se vencerem o grupo, como espero, terão caminho aberto até às meias finais e depois provavelmente jogarão a final contra a Alemanha. Dependendo das considerações acima, poderão então vencer... ou não.

 

Brasil

Há 4 anos perderam 7-1 e ficaram traumatizados. Terão resolvido o problema? Neymar não jogou na altura por lesão e agora vem de outra, mas está fresco. Gabriel Jesus, Coutinho, Costa, etc, não estiveram no massacre pelos alemães. Luiz não estará, mas Marcelo (o pior jogador desse jogo) sim. Mais importante, Tite não é Scolari.

 

Os brasileiros estão mais fortes e mais equilibrados. Os guarda-redes são excepcionais. Os centrais são sólidos, embora se mantenham questões sobre a qualidade de Thiago Silva. O principal problema defensivo é a falta de Daniel Alves, mas pelo menos existe cobertura suficiente com um meio campo sólido e inteligente (Casemiro, Fernandinho, Paulinho, Renato Augusto). O ataque não está tão dependente de Neymar, com Jesus, Willian, Coutinho, Costa, Firmino, a oferecerem excelentes alternativas se a estrela não estiver nos seus melhores dias.

 

No entanto não deixo de pensar que talvez a pressão venha a ser demasiado e que há excessivas vulnerabilidades defensivas para ficarem descansados. Nos últimos 4 campeonatos do mundo e 4 campeonatos da Europa, os vencedores sofreram um total de 5 golos num total de 29 jogos. É um golo a cada seis jogos e isto incluindo golos sem significado, como o do Brasil no 7-1 da Alemanha. Os campeões sofrem poucos golos e esta equipa brasileira não parece capaz disso. Por isso penso que ficará pelas meias finais, mas com melhor imagem que em 2014.

 

França

No papel é a equipa mais forte. Deixar em casa Martial, Rabiot, Payet, Sissoko, Koscielny, Coman, etc, não é ara qualquer um. O problema de Didier Deschamps é conseguir que os que convocou possam brilhar. Ou, de outra forma, como juntar Mbappé, Pogba, Dembelé, Griezmann, Fekir, etc, no mesmo onze? Como os juntar e quais deixar no banco?

 

Há dois anos, no Europeu, os problemas eram apenas dois: Griezmann e Pogba. Deschamps na altura essencialmente conseguiu extrair mais de Griezmann e menos de Pogba. Neste momento tem que lhe adicionar Mbappé e alguns outros, que têm vindo a exigir cada vez mais atenção e tempo. Uma das dificuldades é que o esquema que extrai o máximo de alguns jogadores não faz o mesmo de outros. Para jogar com Griezmann no máximo, é necessário que Giroud comece o jogo num "2" no ataque. Isto provavelmente seria a melhor hipótese para Pogba se a França alinhasse com 3 centrais, mas isso não sucederá. Assim, e para jogar com 3 homens no meio campo, há que alinhar com 3 no ataque (desviando Griezmann e talvez Mbappé para começar na ala) ou fazer entrar Fekir para a posição atrás de Griezmann e Giroud, provocando congestão no meio campo e deixando Mbappé e Dembelé no banco.

 

Há múltiplas combinações possíveis, mas parece-me que qualquer uma delas sacrificará jogadores de enorme qualidade ou exigirá deles funções com as quais não estão familiarizados. Nalguns casos isso não seria um problema, mas quando estes jogadores são tão jovens, poderão não se adaptar suficientemente para melhorar a equipa. Isso será um problema.

 

Acima falei dos problemas defensivos do Brasil. Em teoria os da França serão menos notórios, com Varane, Umtiti, Kanté, etc. Mas Lloris não está no seu melhor, Sidibé e Mendy são laterais extremamente ofensivos, com pouca experiência e Mendy vem de uma lesão longa. Há também a falta de um verdadeiro líder de equipa que coloque ordem no campo (como Blanc ou o próprio Deschamps em 1998 e 2000). Tudo isso conspira contra os franceses. Ainda assim, a qualidade individual é suficiente para que provavelmente cheguem às meias finais (provavelmente eliminando Portugal pelo caminho). Mais que isso estará provavelmente fora do seu alcance.

Análise: França - Alemanha

Este jogo tinha tudo para ser o mais interessante do Europeu: duas equipas capazes de jogar bom futebol, com o maior leque de opções tácticas e individuais à sua disposição, que gostam de ter a bola nos pés, com jogadores de enorme qualidade e, além de tudo, era um França-Alemanha, um jogo com suficiente história (mesmo que pouco recente) a apimentar tudo.

 

Löw e Deschamps tinham opções tácticas a tomar antes do jogo. Do lado alemão Löw tinha de decidir não só quem jogava no lugar dos lesionados Gomez e Khedira e do suspenso Hummels, mas também como colocaria os jogadores. Havia a especulação sobre se preferiria deixar o 3-5-2 do jogo com a Itália, numa forma de contrariar a dupla atacante francesa (Giroud e Griezmann). O argumento em contrário era a falta de Hummels, o que lhe retiraria a possibilidade de ter mais um jogador capaz de construir jogo a partir da defesa. A solução poderia ser jogar com Can a central (posição em que jogou no passado pelo Liverpool) mas isso arriscaria que Deschamps instruísse Giroud a colar-se a Can e a deixá-lo isolado.

 

No final Löw foi fiel a si próprio e, sem a motivação de enfrentar o seu papão (a Alemanha venceu pela primeira vez uma eliminatória contra a Itália nas meias-finais), o seleccionador alemão decidiu confiar na capacidade dos seus jogadores em manter a posse de bola e fez entrar simplesmente Schweinsteiger para o meio campo, Can como substituto directo para Khedira e Draxler para o ataque, com Müller a passar para ponta de lança. E aí começou a perder o jogo (embora, em força da verdade, tivesse poucas alternativas).

 

 

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