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Comentador de Bancada

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Ronaldo 3 - Espanha 3

Tento não ir por estes títulos, mas hoje é dos dias em que não há volta a dar. Ronaldo segurou Portugal contra uma Espanha muito boa e que cometeu o erro de não ter acabado o jogo quando deveria. Ronaldo acordou e, ao 45º livre directo por Portugal em fases finais, finalmente marcou e empatou a Espanha. O jogo, no entanto, foi dos melhores que alguma vez se terão jogado em fases de grupos de mundiais. É de longe o melhor deste torneio até agora e será difícil ultrapassá-lo.

 

Início

Se a Espanha não surpreendeu e apresentou o onze esperado, incluindo Nacho no lugar de Carvajal, Fernando Santos terá surepreendido um pouco com Bruno Fernandes e Gonçalo Guedes no onze inicial. Se Guedes já parecia estar a ser preparado para começar os jogos, pelo menos a julgar pelos amigáveis, Bruno Fernandes terá sido mais surpreendente. A táctica no entanto parecia ser a de conter os passes rendilhados dos espanhóis no meio campo, fechar a defesa e lançar contra-ataques rápidos para o espaço entre o meio campo e defesa espanhóis e explorar a menor mobilidade de Piqué e Ramos.

 

De início a táctica funcionou perfeitamente. As movimentações rápidas dos portugueses deixaram Nacho isolado frente a Ronaldo e o penalty deu o 1-0. No resto da primeira parte ainda houve duas boas oportunidades para Gonçalo Guedes fazer o 2-0, especialmente a segunda. Pouco depois disso, veio o momento Diego Costa. O aríete embateu contra Pepe, Fonte e Cédric e marcou o golo do 1-1. Provavelmente terá feito falta sobre Pepe, mas é dessas sobras que o espanhol vive.

 

Isco quase fez o segundo golo num excelente remate e não teria sido menos do que merecia. Isco estava sempre disponível para receber a bola, entregando-a perfeitamente e, sempre que necessário, mantendo a sua posse com uma técnica fabulosa que fazia parecer que era impossível tirar a bola. Pelo meio ia tamém explorando os espaços entre defesa e meio campo que os portugueses deixavam com a sua linha de quatro jogadores a meio campo, especialmente com o posicionamento de William Carvalho, que bloqueava bem o centro do terreno mas não descaía para cortar linhas de passe em frente da defesa.

 

Valeu pouco depois o erro de De Gea que deixou Portugal na frente ao intervalo. Aqui Guedes fez o seu trabalho perfeitamente, recebendo a bola, criando espaço e deixando para Ronaldo rematar. De Gea deveria ter defendido, mas não nos vamos agora queixar.

 

Segunda parte

Os espanhóis começaram a segunda parte como terminaram a primeira, mas com uma diferença: a velocidade na troca de bola era estonteante e deixava os portugueses a perseguir sombras. Sempre que chegavam perto de um jogador com bola já esta tinha passado por mais dois. Esses rendilhados em velocidade abriram a defesa portuguesa em algumas ocasiões, mas faltava sempre alguém que finalizasse. O empate acabou por chegar numa bola parada estudada onde Busquets demonstrou maior experiência que Guedes para chegar a uma bola e a colocar no meio da área, onde Costa chegou mais depressa que a defesa portuguesa. Era merecido e os espanhóis continuaram a fazer por merecer esse empate.

 

O 3-2, esse... Se continuarem a jogar o mundial até 2026, o golo de Nacho provavelmente continuará a figurar entre os melhores do torneio, se não for mesmo o melhor. O remate é perfeitamente executado, a bola vai com velocidade, altura e ainda curva na direcção do poste. Nem com mais 10 centímetros de braços Patrício lá chegaria.

 

Com a vantagem, os espanhóis entraram na sua táctica defensiva preferida: manter a bola. Não valeu de nada fazer entrar João Mário, Quaresma ou André Silva, porque o problema não era de pessoal. Os espanhóis simplesmente mantinham a posse da bola e deveriam ter matado o jogo em várias ocasiões.

 

Não o fizeram e foi Ronaldo quem marcou o golo tratando do assunto ele próprio, essencialmente sozinho, demonstrando uma força mental incrível. Ainda houve tempo para Portugal quase vencer o jogo, valendo Busquets a bloquear o remate de Quaresma e o facto de Ronaldo estar a jogar ao pé coxinho e não conseguir cabecear da melhor forma um excelente cruzamento de João Mário.

 

Em geral

O resultado foi bom para ambas as equipas. Portugal terá ganho alento do facto de Ronaldo parecer ter ido com o arsenal completo para a Rússia. Alguns jogadores pareceram estar bem e apesar do excelente futebol, foram poucas as situações em que os espanhóis conseguiram realmente entrar na defesa portuguesa.

 

Os espanhóis conseguiram demonstrar a qualidade do jogo. Há poucas equipas que tenham jogadores capazes de, por si mesmos, combater a Espanha. Na verdade apenas o ciborgue Ronaldo e o extraterrestre Messi. As outras poderão ter de procurar outras soluções. Felizmente para elas que Fernando Santos apontou o caminho: lançar jogadores rápidos para as costas do meio campo.

 

Pela mostra deste jogo, absolutamente fantástico e que merece entrar na história dos mundiais, Portugal e Espanha apurar-se-ão sem grandes problemas. A questão poderá passar por quem passa em primeiro e em segundo. Veremos daqui a uns dias após o segundo jogo.

Mundial 2018 - candidatos

Sei que isto chega tarde, mas avancemos com a minha lista de considerações sobre as selecções que vejo como verdadeiras candidatas ao título. Não há garantias que o vençam, são apenas as minhas apostas mais altas para isso, com base nas equipas e/ou consistência.

 

Alemanha

Não surepreende ninguém. Têm uma equipa que perdeu alguns jogadores fundamentais depois de 2014 (Lahm, Mertesacker, Schweinsteiger, Klose) mas parece de alguma forma ainda mais impressionante. Boateng e Hummels fazem uma dupla excepcional e estão habituados a jogar juntos. Hector pode ser apenas razoável mas não é pior que Höwedes há 4 anos a lateral esquerdo. Schweinsteiger não está mas Kroos recuou e a equipa está menos dependente de um duplo pivot defensivo. Klose foi-se e o seu oportunismo fará falta, mas Werner oferece qualidades mais alinhadas com o estilo da selecção.

 

Há quem considere que os alemães terão estagnado, mas penso que isso será uma percepção errada. Joachim Löw aproveitou a qualificação para ir introduzindo variações tácticas e agora a selecção é capaz de jogar em 4-3-3, 4-2-3-1 ou 3-5-2 e 3-4-3 quase sem se notar a diferença. Houve quem criticasse a ausência de Sané nos convocados, mas Löw pensa que ele não rende o mesmo na selecção que rendeu no Manchester City e tem em contrapartida outros jogadores altamente talentosos (finalmente teremos a oportunidade de ver o fabuloso Reus num campeonato). A grande dúvida prende-se com Neuer e as condições em que se apresentará. Se oferecer garantias, o estilo alemão muda completamente e a equipa subirá no terreno. Sem ele, a alternativa é Ter Stegen, um guarda-redes fabuloso mas que não dá as mesmas garantias com um defesa subida. Aqui poderá residir a grande dúvida sobre a Alemanha. Se Neuer estiver apto, penso que a Alemanha será a vencedora.

 

Espanha

A saída de Lopetegui lançou dúvidas, mas os espanhóis conhecem-se perfeitamente e Hierro não é exactamente um desconhecido dos jogadores. A maior dúvida relaciona-se com a capacidade deste de introduzir mudanças tácticas na equipa, antes ou durante o jogo, para explorar fraquezas ou limitar o perigo de um adversário.

 

No resto os espanhóis têm uma equipa sólida, criativa e eficiente. De Gea é provavelmente o melhor guarda-redes no torneio. Piqué e Ramos conhecem-se perfeitamente e formam uma dupla complementar e formidável. O meio campo (Busquets, Thiago, Koke, Iniesta, Silva, Isco...) é... bem, o meio campo espanhol. Pegam na bola, levam-na para um passeio e só a trazem de volta a casa depois da meia noite ainda feita cinderela mesmo que a fada madrinha não o queira.

 

A maior fraqueza é o ataque. Costa não liga bem com o resto da equipa, mas pode causar problemas suficientes a uma defesa para abrir espaços para os colegas. Aspas é mais fraco, mas liga bem com os colegas. Rodrigo está a meio em termos de qualidade, mas tem uma mobilidade que pode ser muito preciosa. Além disso, os espanhóis podem sempre jogar sem ponta de lança. Isco marcou 3 golos à Itália quando a Espanha jogou em 4-3-3-0. Se vencerem o grupo, como espero, terão caminho aberto até às meias finais e depois provavelmente jogarão a final contra a Alemanha. Dependendo das considerações acima, poderão então vencer... ou não.

 

Brasil

Há 4 anos perderam 7-1 e ficaram traumatizados. Terão resolvido o problema? Neymar não jogou na altura por lesão e agora vem de outra, mas está fresco. Gabriel Jesus, Coutinho, Costa, etc, não estiveram no massacre pelos alemães. Luiz não estará, mas Marcelo (o pior jogador desse jogo) sim. Mais importante, Tite não é Scolari.

 

Os brasileiros estão mais fortes e mais equilibrados. Os guarda-redes são excepcionais. Os centrais são sólidos, embora se mantenham questões sobre a qualidade de Thiago Silva. O principal problema defensivo é a falta de Daniel Alves, mas pelo menos existe cobertura suficiente com um meio campo sólido e inteligente (Casemiro, Fernandinho, Paulinho, Renato Augusto). O ataque não está tão dependente de Neymar, com Jesus, Willian, Coutinho, Costa, Firmino, a oferecerem excelentes alternativas se a estrela não estiver nos seus melhores dias.

 

No entanto não deixo de pensar que talvez a pressão venha a ser demasiado e que há excessivas vulnerabilidades defensivas para ficarem descansados. Nos últimos 4 campeonatos do mundo e 4 campeonatos da Europa, os vencedores sofreram um total de 5 golos num total de 29 jogos. É um golo a cada seis jogos e isto incluindo golos sem significado, como o do Brasil no 7-1 da Alemanha. Os campeões sofrem poucos golos e esta equipa brasileira não parece capaz disso. Por isso penso que ficará pelas meias finais, mas com melhor imagem que em 2014.

 

França

No papel é a equipa mais forte. Deixar em casa Martial, Rabiot, Payet, Sissoko, Koscielny, Coman, etc, não é ara qualquer um. O problema de Didier Deschamps é conseguir que os que convocou possam brilhar. Ou, de outra forma, como juntar Mbappé, Pogba, Dembelé, Griezmann, Fekir, etc, no mesmo onze? Como os juntar e quais deixar no banco?

 

Há dois anos, no Europeu, os problemas eram apenas dois: Griezmann e Pogba. Deschamps na altura essencialmente conseguiu extrair mais de Griezmann e menos de Pogba. Neste momento tem que lhe adicionar Mbappé e alguns outros, que têm vindo a exigir cada vez mais atenção e tempo. Uma das dificuldades é que o esquema que extrai o máximo de alguns jogadores não faz o mesmo de outros. Para jogar com Griezmann no máximo, é necessário que Giroud comece o jogo num "2" no ataque. Isto provavelmente seria a melhor hipótese para Pogba se a França alinhasse com 3 centrais, mas isso não sucederá. Assim, e para jogar com 3 homens no meio campo, há que alinhar com 3 no ataque (desviando Griezmann e talvez Mbappé para começar na ala) ou fazer entrar Fekir para a posição atrás de Griezmann e Giroud, provocando congestão no meio campo e deixando Mbappé e Dembelé no banco.

 

Há múltiplas combinações possíveis, mas parece-me que qualquer uma delas sacrificará jogadores de enorme qualidade ou exigirá deles funções com as quais não estão familiarizados. Nalguns casos isso não seria um problema, mas quando estes jogadores são tão jovens, poderão não se adaptar suficientemente para melhorar a equipa. Isso será um problema.

 

Acima falei dos problemas defensivos do Brasil. Em teoria os da França serão menos notórios, com Varane, Umtiti, Kanté, etc. Mas Lloris não está no seu melhor, Sidibé e Mendy são laterais extremamente ofensivos, com pouca experiência e Mendy vem de uma lesão longa. Há também a falta de um verdadeiro líder de equipa que coloque ordem no campo (como Blanc ou o próprio Deschamps em 1998 e 2000). Tudo isso conspira contra os franceses. Ainda assim, a qualidade individual é suficiente para que provavelmente cheguem às meias finais (provavelmente eliminando Portugal pelo caminho). Mais que isso estará provavelmente fora do seu alcance.

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