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Comentador de Bancada

Comentador de Bancada

Portugal Adormecido 1 - Marrocos 0

Antes de mais: considero o resultado justo porque qualquer resultado é justo se não houver interferência de factores não-desportivos (arbitragem, corrução, etc). Uma equipa que marca numa única oportunidade pode vencer outra que tem 30 remates à baliza sem marcar. A eficácia e a sorte são parte do jogo. Este jogo não viu um caso tão extremo, mas foi perto de inacreditável que Portugal tenha vencido este jogo contra uma equipa de Marrocos claramente superior.

 

O jogo começou quase com o golo português, ainda antes de haver qualquer definição táctica. O jogo a sério começou depois do 1-0.

 

Tacticamente

Fernando Santos fez uma única alteração: Bruno Fernandes saiu do onze inicial para entrar João Mário. Bruno Fernandes não tinha parecido estar ao nível necessário e João Mário tem experiência a jogar na posição que Fernando Santos lhe pede: algo entre médio esquerdo, médio centro e médio ofensivo. No resto o desenho habitual: 4-4-2, por vezes mais um 4-2-2-2 em que os médios exteriores (João Mário e Bernardo Silva) apoiam os laterais a defender e os laterais oferecem a largura ao jogo.

 

Infelizmente Hervé Renard, o seleccionador de Marrocos, identificou as alas como o ponto fraco a explorar em Portugal e lançou alas clássicos aos laterais portugueses com o apoio dos laterais e sempre de um dos médios centro. O resultado era que as laterais estavam constantemente expostas, especialmente quando algum dos médios exteriores não apoiava o seu lateral. Isso foi o caso no flanco esquerdo português. Raphaël Guerreiro demonstrou constantemente que estava com pouca rotina (passou muito da época lesionado) e João Mário não dava quase nenhum apoio. Nordin Amrabat teve sempre liberdade para se lançar a Guerreiro, usando a sua velocidade, força e técnica para fazer a vida negra ao português. Sem ajuda de João Mário, foi possível a Nabil Dirar apoiar e causar problemas sem fim.

 

No lado direito de Portugal, Cédric Soares tinha menos problemas devido ao apoio de Bernardo Silva. O jogador do Manchester City foi quase inexistente no ataque (nisto não foi diferente do resto da equipa) mas ia apoiando a defesa. No centro do terreno, William Carvalho e João Moutinho estavam reluctantes em apoiar as alas e desguarnecer o centro, o que se compreendia. O resultado eram alas completamente sobrecarregadas e um meio campo português quase sem nada para fazer.

 

As coisas melhoraram um pouco com uma mudança táctica para um 4-5-1 (que teoricamente seria um 4-3-3 no ataque), com Gonçalo Guedes a sair do centro do terreno para a ala esquerda e João Mário a mudar-se para o centro do terreno. Isto inicialmente equilibrou a equipa, porque Guedes deu um pouco mais de apoio e Dirar estava mais cauteloso nas suas investidas ofensivas. A melhor oportunidade portuguesa surgiu da subida de Guedes pela esquerda, recebendo um passe perfeito de Ronaldo e rematando na direcção do braço do guarda-redes marroquino quando deveria ter marcado.

 

O problema foi que os portugueses, tendo conseguido um pouco mais de espaço para jogar enquanto os marroquinos avaliavam as consequências da mudança táctica, desperdiçaram esta conquista com um jogo lento, muito lento, lentíssimo, sem qualquer urgência, atenção ou determinação, que fazia com que as únicas opções atacantes fossem bolas longas de Pepe para os flancos. Perante isto, os marroquinos passaram a apoiar os alas com os médios centro e voltaram a causar estragos - e muitas oportunidades que foram desperdiçando.

 

Displicência

Os marroquinos foram sempre perigosos e só má finalização, falta de sorte e, em duas ocasiões, Rui Patrício, os impediram de marcar. Poucas diferenças existiram no jogo dos marroquinos, que de vez em quando mudavam posições aos jogadores (com Zyach e Amrabat a trocar ocasionalmente de ala) e continuavam sempre a empurrar os portugueses para a sua área e só o falhanço nos remates e o trabalho de Pepe e José Fonte foram poupando os portugueses.

 

Aquilo que se foi notando foi no entanto o extremamente fraco jogo dos portugueses, que por vezes demonstravam imensas falhas: pouca familiaridade com as funções que tinham - Gonçalo Guedes a não atacar um cruzamento da direita e a esperar que a bola lhe caísse - acção típica de um ala; pouca urgência no passe - quase toda a gente não chamada Fonte, Pepe e Moutinho; pouca atenção nas suas funções - William a descair para entre os centrais deixando 3 a marcar 1 quando os marroquinos tinham dois jogadores em frente da área; e simples falta de cuidado - Guedes, Gélson, Bernardo Silva, todos a tentar driblar pelo meio da floresta quando deveriam procurar trocas de bola.

 

Os portugueses foram constantemente descuidados e até Fernando Santos foi culpado disto. Ter deixado Guedes até ao final não fez sentido, ter esperado tanto tempo para retirar João Mário também não e não percebi porque razão fez entrar Bruno Fernandes quando o jogo estava a pedir um Adrien Silva. João Moutinho foi constantemente explorado nas bolas paradas dos marroquinos: a bola acabava invariavelmente na zona onde estivesse Moutinho, para explorar a sua falta de altura. Fernando Santos deveria ter metido Moutinho fora da área (mesmo que na barreira) e colocado outro jogador para evitar este problema.

 

Aquilo que os marroquinos fizeram vezes sem conta foi isolar os portugueses: Guerreiro, Cédric, Moutinho (nas bolas paradas), William. E defensivamente fizeram o mesmo, obrigando os portugueses a pensar que tinham que driblar pelos adversários, em vez de receber apoio para triangulações. Haveria formas de resolver estes problemas, mas a atitude portuguesa não ajudou.

 

No fim, Portugal venceu com muita sorte e Marrocos tornou-se a primeira equipa eliminada neste mundial. Agora que venha o Irão e que Portugal jogue melhor. Independentemente do resultado do jogo Espanha-Irão, os iranianos chegarão ao último jogo com possibilidade de se qualificar. Se Portugal não melhorar (e deixar de depender de Ronaldo para tudo), a selecção corre sérios riscos.

 

Os jogadores

Patrício, Pepe e Fonte foram heróis. Pepe e Fonte tiveram falhas, mas nada de excepcional, viram-se frequentemente obrigados a enfrentar múltiplos jogadores vindos em velocidade. Patrício foi perfeito. Cédric e Guerreiro foram os mártires. Não estiveram particularmente mal dada a falta de apoio, mas ainda assim esperar-se-ia mais. William Carvalho esteve razoável na posse de bola, mas sofreu da mesma falta de urgência - felizmente que a sua força física lhe permitiu aguentar os adversários sem perder a bola. Infelizmente esteve muito fraco defensivamente, tendo ganho poucas bolas ou afastado poucas vezes o perigo.

 

João Moutinho foi o melhor português. Recuperou imensas bolas, foi o melhor a passar a bola (a competição não era muita, diga-se a verdade) e ainda contribuiu com a assistência para o golo. Teve muita sorte de não sair com amarelo - fez várias faltas num período curto de tempo - mas sem ele Portugal teria precisado de um milagre ainda maior.

 

Bernardo Silva ajudou bastante defensivamente e ocasionalmente libertou-se da pressão. Mas também esteve miserável a passar a bola, mas foi dando mais protecção a Cédric que aquela que Gélson ofereceu. Gonçalo Guedes esteve ocasionalmente bem defensivamente e quando aparecia ofensivamente causava problemas - terá sido por isso que se foi mantendo - mas desapareceu muito frequentemente. Deveria ter marcado quando Ronaldo o isolou e esse erro poderia ter custado caro.

 

Ronaldo... Marcou o golo, esteve afastado da bola, exceptuando quando os portugueses o tratavam como se fosse um Peter Crouch. Quase marcou numa jogada que inventou sozinho e deveria ter acabado com uma assistência para Guedes. Deve estar a rezar para que os outros jogadores acordem da letargia e deixem de pensar que ele resolve tudo.

 

Gélson, Bruno Fernandes e Adrien. Entraram mal. Bruno Fernandes estava a dormir, Gelson parecia um puto cheio de vontade convidado para o jogo dos crescidos, a correr muito mas sem saber para quê ou para onde. Adrien entrou tarde e não teve possibilidade de apanhar o ritmo.

 

João Mário. O quanto menos se disser dele melhor. Decisões erradas, mexeu-se por vezes como se fosse um amador convidado a jogar uma peladinha com profissionais, não defendeu, não atacou, corria para ir pedir a bola a dois metros dos colegas e devolvia-lhes a bola mas agora sob pressão... A única coisa que fez bem foi recuperar 3 bolas (tantas como William, mas em locais menos perigosos) e em pelo menos um dos casos perdeu-a de imediato por se lançar pelos adversários. Se não mostrar mais nos treinos, arrisca-se a não jogar mais neste mundial. Deveria ter saído ao fim de meia hora. E eu a pedir que ele entrasse para o lugar de Fernandes no primeiro jogo...

Ronaldo 3 - Espanha 3

Tento não ir por estes títulos, mas hoje é dos dias em que não há volta a dar. Ronaldo segurou Portugal contra uma Espanha muito boa e que cometeu o erro de não ter acabado o jogo quando deveria. Ronaldo acordou e, ao 45º livre directo por Portugal em fases finais, finalmente marcou e empatou a Espanha. O jogo, no entanto, foi dos melhores que alguma vez se terão jogado em fases de grupos de mundiais. É de longe o melhor deste torneio até agora e será difícil ultrapassá-lo.

 

Início

Se a Espanha não surpreendeu e apresentou o onze esperado, incluindo Nacho no lugar de Carvajal, Fernando Santos terá surepreendido um pouco com Bruno Fernandes e Gonçalo Guedes no onze inicial. Se Guedes já parecia estar a ser preparado para começar os jogos, pelo menos a julgar pelos amigáveis, Bruno Fernandes terá sido mais surpreendente. A táctica no entanto parecia ser a de conter os passes rendilhados dos espanhóis no meio campo, fechar a defesa e lançar contra-ataques rápidos para o espaço entre o meio campo e defesa espanhóis e explorar a menor mobilidade de Piqué e Ramos.

 

De início a táctica funcionou perfeitamente. As movimentações rápidas dos portugueses deixaram Nacho isolado frente a Ronaldo e o penalty deu o 1-0. No resto da primeira parte ainda houve duas boas oportunidades para Gonçalo Guedes fazer o 2-0, especialmente a segunda. Pouco depois disso, veio o momento Diego Costa. O aríete embateu contra Pepe, Fonte e Cédric e marcou o golo do 1-1. Provavelmente terá feito falta sobre Pepe, mas é dessas sobras que o espanhol vive.

 

Isco quase fez o segundo golo num excelente remate e não teria sido menos do que merecia. Isco estava sempre disponível para receber a bola, entregando-a perfeitamente e, sempre que necessário, mantendo a sua posse com uma técnica fabulosa que fazia parecer que era impossível tirar a bola. Pelo meio ia tamém explorando os espaços entre defesa e meio campo que os portugueses deixavam com a sua linha de quatro jogadores a meio campo, especialmente com o posicionamento de William Carvalho, que bloqueava bem o centro do terreno mas não descaía para cortar linhas de passe em frente da defesa.

 

Valeu pouco depois o erro de De Gea que deixou Portugal na frente ao intervalo. Aqui Guedes fez o seu trabalho perfeitamente, recebendo a bola, criando espaço e deixando para Ronaldo rematar. De Gea deveria ter defendido, mas não nos vamos agora queixar.

 

Segunda parte

Os espanhóis começaram a segunda parte como terminaram a primeira, mas com uma diferença: a velocidade na troca de bola era estonteante e deixava os portugueses a perseguir sombras. Sempre que chegavam perto de um jogador com bola já esta tinha passado por mais dois. Esses rendilhados em velocidade abriram a defesa portuguesa em algumas ocasiões, mas faltava sempre alguém que finalizasse. O empate acabou por chegar numa bola parada estudada onde Busquets demonstrou maior experiência que Guedes para chegar a uma bola e a colocar no meio da área, onde Costa chegou mais depressa que a defesa portuguesa. Era merecido e os espanhóis continuaram a fazer por merecer esse empate.

 

O 3-2, esse... Se continuarem a jogar o mundial até 2026, o golo de Nacho provavelmente continuará a figurar entre os melhores do torneio, se não for mesmo o melhor. O remate é perfeitamente executado, a bola vai com velocidade, altura e ainda curva na direcção do poste. Nem com mais 10 centímetros de braços Patrício lá chegaria.

 

Com a vantagem, os espanhóis entraram na sua táctica defensiva preferida: manter a bola. Não valeu de nada fazer entrar João Mário, Quaresma ou André Silva, porque o problema não era de pessoal. Os espanhóis simplesmente mantinham a posse da bola e deveriam ter matado o jogo em várias ocasiões.

 

Não o fizeram e foi Ronaldo quem marcou o golo tratando do assunto ele próprio, essencialmente sozinho, demonstrando uma força mental incrível. Ainda houve tempo para Portugal quase vencer o jogo, valendo Busquets a bloquear o remate de Quaresma e o facto de Ronaldo estar a jogar ao pé coxinho e não conseguir cabecear da melhor forma um excelente cruzamento de João Mário.

 

Em geral

O resultado foi bom para ambas as equipas. Portugal terá ganho alento do facto de Ronaldo parecer ter ido com o arsenal completo para a Rússia. Alguns jogadores pareceram estar bem e apesar do excelente futebol, foram poucas as situações em que os espanhóis conseguiram realmente entrar na defesa portuguesa.

 

Os espanhóis conseguiram demonstrar a qualidade do jogo. Há poucas equipas que tenham jogadores capazes de, por si mesmos, combater a Espanha. Na verdade apenas o ciborgue Ronaldo e o extraterrestre Messi. As outras poderão ter de procurar outras soluções. Felizmente para elas que Fernando Santos apontou o caminho: lançar jogadores rápidos para as costas do meio campo.

 

Pela mostra deste jogo, absolutamente fantástico e que merece entrar na história dos mundiais, Portugal e Espanha apurar-se-ão sem grandes problemas. A questão poderá passar por quem passa em primeiro e em segundo. Veremos daqui a uns dias após o segundo jogo.

Mundial 2018 - segunda linha

Nesta previsão, vêm os que estarão, por uma ou outra razão, na segunda linha de candidatos. Justifico-me em cada caso.

 

Bélgica

Haverá quem os coloque como candidatos a par de uma Alemanha ou Brasil. Não o faço porque continua a ser uma equipa excessivamente desequilibrada e cheia de incerteza. Martinez é um treinador de qualidade, mas limitado e algo dogmático nas suas ideias. Hazard é um jogador imparável quando no seu dia, mas um passageiro que deixa a equipa a jogar com 10 se não o for. Os 3 centrais são excepcionais, mas dependem de ter Kompany saudável, o que não é certo (e o subsitituto natural, Vermaelen, passa ainda mais tempo na enfermaria). Os laterais são suspeitos, especialmente à esquerda (Meunier à direita não deslumbra mas é sólido o suficiente). No ataque Lukaku é excelente, mas a ala direita é entregue a mertens, que tem deslumbrado a jogar a ponta de lança.

 

De Bruyne, Dembelé e Witsel podem muito bem ser um trio excepcional, mas raramente deslubraram pela selecção. Fellaini dá mais consistência, mas menos qualidade de posse de bola e de passe. Aliás, a escolha no meio campo esclarece perfeitamente as dificuldades da Bélgica: imensa qualidade, mas dificuldades em a colocar no campo de forma equilibrada.

 

No seu dia, os belgas podem vencer qualquer adversário. Para serem campeões, necessitam de vencer mais equipas. E faltar-lhes-à qualidade para isso.

 

Portugal

Já escrevi sobre a selecção portuguesa aqui.

 

Em resumo, Portugal tem uma equipa muito boa, mas há grande diferença entre a qualidade de Ronaldo e do resto da equipa. Falta saber o estado de espírito dos (ex-)jogadores do Sporting, embora não seja a primeira vez que os jogadores vão à selecção obter conforto e esquecer os problemas no clube. E, claro, falta saber o que acontecerá na defesa, onde apenas Cédric e Pepe oferecem alguma segurança (e a de Pepe, dada a sua idade, é muito relativa).

 

Se Portugal estiver no seu melhor, podemos esperar algo de bastante bom, especialmente na versão de trancas à porta dos jogos a eliminar no europeu. No entanto poderá ser curto contra as melhores equipas. Pessoalmente preferiria ver os quartos de final como máximo com a equipa a jogar futebol bonito, mas penso que ficarei desapontado. Ainda assim, e mesmo que não o acredite, seria agradável ficar desapontado com a beleza e deslumbrado pelo resultado final.

 

Argentina

Lionel Messi e Jorge Sampaoli. Resumem-se a isto as esperanças reais dos argentinos. A equipa tem a qualidade no ataque e uma defesa muito incerta. Se Sampaoli conseguir implementar um estilo de jogo semelhante ao que impôs com o Chile (duvidoso, dada a diferença de estilos e de idades dos argentinos) e Messi estiver ao seu melhor, os argentinos poderão conseguir vencer. Caso contrário poderão ficar também pelos quartos de final.

 

Há ainda a questão de como emparelhar Messi. O sonho seria ver Aguero na frente apoiado por Messi e Dybala, mas isto não tem funcionado e afunila o jogo da equipa. Di María é um parceiro preferido de Messi, mas só permite essa alternativa numa das alas, com a outra sem jogador comparável (pelo menos em qualidade). Depois, ainda é necessário ganhar as bolas e o meio campo já não tem um Mascherano com a qualidade de anteriormente. Espero alguns momentos de magia e as individualidades a carregarem a Argentina contra adversários mais fracos ou comparáveis. Depois disso certamente que cairão.

 

Inglaterra

Sim, eu sei, são ingleses e perdem nos penalties nos quartos ou oitavos de final ou então nem saem do grupo. No entanto o grupo não é dos mais difíceis e apanharão alguém do grupo H, também sem pesos pesados, nos oitavos. Isso abre espaço para enfrentarem um Brasil ou Alemanha nos quartos de final e serem eliminados, mas num dia bom, nunca se sabe.

 

Os ingleses têm uma equipa jovem, que joga num sistema que reflecte aqueles a que os jogadores estão habituados nos clubes, e explora o desenvolvimento técnico e táctico que os mais jovens têm tido no contacto com Guardiola, Klopp, Pochetino ou Mourinho. Têm um ponta de lança que pode ser considerado o mais completo do mundo no momento e alguns jogadores verdadeiramente excitantes quando no seu melhor (Sterling, Alli). Têm também equilíbrio e possibilidade de variar o desenho táctico e escolher jogar com posse de bola ou de forma mais directa (usando Vardy, por exemplo).

 

A sua maior fraqueza está na maior novidade que Southgate introduziu: Kyle Walker a central. Embora isto empreste valocidade na defesa e qualidade no transporte de bola, também os expõe a atacantes mais altos e fortes. Não é difícil imaginar Lukaku a encostar-se a Walker para explorar esta opção e assim abrir a defesa (Stones seria obrigado a deslocar-se para a direita para apoiar e abriria assim o centro). O outro ponto fraco é a mentalidade inglesa: mesmo quando jogam de outra forma nos clubes, os ingleses parecem estar sempre a um clique de optar pelos passes longos e momentos Roy of the Rovers. Quando funciona, esses momentos criam heróis. Mais frequente é eliminarem a própria equipa.

Antevisão do Mundial de Portugal

E dentro de 2 semanas começa o novo campeonato do mundo. Como no passado Euro2016 irei deixar uma antevisão. Nos próximos dias referirei os principais candidatos e uma ou outra previsão garantida de falhar, mas começo com Portugal.

 

Selecção

Uma comparação directa dos jogadores escolhidos há 2 anos e dos escolhidos agora demonstra que a média de idades é exactamente a mesma (28,5 anos), embora a mediana das idades seja quase ano e meio mais baixa. Isto reflecte o facto de os jogadores chamados agora e que estiveram ausentes em 2016 são em média dois anos e meio mais novos que os que eles substituíram. Estes jogadores trazem em média 21 internacionalizações a menos que os anteriores convocados (inevitável quando temos Gelson Martins a substituir Nani ou Ruben Dias a substituir Ricardo Carvalho), mas a equipa no seu total tem em média o mesmo número de intenacionalizações: 37 em ambos os casos, reflectindo a experiência extra que os restantes jogadores coleccionaram nos últimos dois anos. Em termos de golos a média é de 6 golos por jogador em comparação com 5 em 2016, mas a mediana é exactamente a mesma: um golo por jogador. Isto reflecte a dependência que a selecção tem de Cristiano Ronaldo, que teve uma média de um golo internacional por jogo nos últimos dois anos.

 

Isto é apenas uma análise estatística que indica que o perfil da equipa em geral não é incrivelmente distinto do de 2016. Há no entanto alguns pontos fundamentais de diferença. O primeiro é a dependência ainda mais clara dos golos de Ronaldo (59% dos golos da selecção contra 51% em 2016). O segundo é a idade dos centrais: actualmente é de 32 anos de idade contra quase 35 em 2016. Isto à partida seria vantajoso, mas resulta da substituição de Ricardo Carvalho (38 anos em 2016) por Rúben Dias (21 anos). Em 2016 Carvalho acabou por não jogar demasiado depois de se ver que já não tinha andamento para o torneio e agora será improvável vermos Dias a não ser que haja calamidades por parte de Fonte ou Alves. Se nos restringirmos aos 3 favoritos para a posição de central, a idade média aumentou 2 anos (os 3 estão 2 anos mais velhos) de 33,5 para 35,5 anos de idade. Por muito que os jogadores digam que a idade é só um número, a verdade é que não é assim, especialmente numa era de pressão alta e de jogo cada vez mais rápido.

 

A outra posição onde Portugal está em desvantagem é na de trinco. Portugal tem dois bons jogadores para a posição, com características diferentes, William Carvalho e Danilo. Com a lesão de Danilo, Fernando Santos optou por chamar Manuel Fernandes, um jogador que não tem um passado específico de médio defensivo e já tem 32 anos de idade, tendo passado os últimos 7 anos na Turquia e Rússia. A não ser que Fernando Santos opte de facto por uma política de rotação, é muito provável que o grosso dos jogos recaia sobre William Carvalho, um jogador de qualidade mas que costuma ter dificuldades quando enfrenta adversários rápidos no meio campo e tem dificuldades em se virar para perseguir jogadores que corram nas suas costas.

 

No restante da equipa Fernando Santos tem qualidade suficiente, especialmente quando comparada com a do Euro2016. André Silva é o parceiro perfeito de Ronaldo no ataque, móvel, físico, capaz de marcar golos por si mesmo mas também satisfeito em trabalhar para a estrela. A versão portuguesa de Benzema (salvaguardadas as devidas diferenças). No meio campo Bernardo Silva oferece enorme qualidade na posse de bola e opções para aliviar pressão. Gelson Martins e Gonçalo Guedes são ambos melhores que Rafa Silva ou Nani em 2016 e com eles Portugal ganha qualidade nos flancos (o que se torna necessário dada a cada vez menor velocidade de Quaresma, independentemente da qualidade dos seus cruzamentos).

 

Nas laterais poder-se-ia contestar a escolha de Ricardo Pereira no lugar de Nélson Semedo, mas este teve uma época algo intermitente no Barcelona enquanto que Ricardo Pereira foi altamente consistente com o FC Porto e ainda oferece mais uma opção nas alas. Na esquerda e na ausência de Coentrão, Mário Rui (com os jogos que conseguiu na recta final do campeonato italiano com o Nápoles) foi uma opção simples, dada a falta de alternativas. No resto as escolhas são simples e lógicas.

 

Campeonato

O principal obstáculo a Portugal na competição é a sua calendarização. Seria preferível ter o jogo com a Espanha no final da fase de grupos, numa fase em que ambas as equipas já poderiam estar apuradas. Assim, uma possível (muito possível na verdade) derrota contra a Espanha poderá levar a um aumento da tensão na equipa portuguesa e dificultar a tarefa contra Marrocos e Irão, duas equipas que concederão a iniciativa a Portugal (que prefere ter alguns espaços) e são organizadas na defesa e poderão conseguir segurar um 0-0. Assim, uma derrota contra a Espanha e empate contra Marrocos deixaria Portugal com poucas probabilidades de se qualificar para os oitavos de final (dependendo de resultados nos outros jogos).

 

Assumindo que a lógica é seguida e Portugal se qualifica em segundo lugar no grupo (atrás da Espanha), irá enfrentar o vencedor do grupo A, provavelmente o Uruguai, equipa que está perfeitamente ao alcance dos portugueses (mesmo que nunca seja boa ideia ficar descansado contra uma equipa de Tabarez, especialmente vendo Suárez e Cavani lançados aos centrais portugueses). Depois disso Portugal enfrentará o vencedor do jogo entre provavelmente a França e o segundo classificado do grupo D (Argentina, Islândia, Croácia e Nigéria). Admitindo que a França vence esse jogo (muito provável), a reedição da final do Euro2016 irá provavelmente resultar na eliminação portuguesa.

 

Terminar a competição nos quartos de final não seria de desdenhar, mesmo sendo-se o campeão europeu. Uma análise fria ao Euro2016 resulta numa vitória muito improvável de Portugal, onde a única vitória nos 90 minutos surgiu nas meias finais contra o País de Gales e onde Portugal apenas saiu da fase de grupos graças a uma bola no poste nos últimos momentos fo jogo contra a Hungria. A realidade é que Portugal teve imensa sorte na competição e, independentemente de ter aproveitado perfeitamente todos os golpes de sorte que tiveram, os portugueses não podem esperar ser novamente bafejados pela fortuna a este ponto.

 

No final, a sorte de Portugal estará dependente do mundial que Ronaldo consiga ter. Se pegar nos jogos e os moldar à sua vontade, Portugal pode ir muito longe (o mesmo se pode dizer exactamente da mesma forma da Argentina e Messi). No entanto, no futebol moderno, tal domínio (à la Maradona em 1986) é altamente improvável. Os adversários sabem bem quais as forças e fraquezas de Ronaldo e concentrar-se-ão em o deixar isolado e lhe cortar acesso à bola. É impossível apagar completamente Ronaldo, mas se o conseguirem em larga medida, mesmo que Ronaldo se envolva na construção muito mais na selecção portuguesa que no Real Madrid, Portugal sofrerá e será reduzido à sua condição sem Ronaldo: uma equipa de qualidade, mas não boa o suficiente para mais que passar a fase de grupos.

Uma antevisão do Mundial

A uns 3 meses do mundial, vale a pena dar uma espreitadela ao estado da selecção portuguesa.

 

A covocatória

Com base nas últimas convocatórias e em algumas suposições, fiz uma lista dos jogadores que poderão ser chamados por Fernando Santos para a competição. Nesta lista estão os jogadores que eu considero como tendo lugar garantido (20 deles) e os que eu penso que estarão a discutir o último lugar. A lista é:

 

Guarda Redes        Defesas        Médios        Avançados
Rui Patrício        Cédric Soares        William Carvalho        Cristiano Ronaldo
Anthony Lopes        Nélson semedo        Danilo        André Silva
José Sá (1a)        Fábio Coentrão        João Moutinho        Gélson Martins
Bruno Varela (1b)        Raphael Guerreiro        Adrien Silva        Ricardo Quaresma
Beto (1b)        Pepe        João Mário        Gonçalo Guedes (3a)
         José Fonte        André Gomes        Ronny Lopes (3c)
         Luís Neto        Bernardo Silva    
         Rúben Dias (2a)        Bruno Fernandes (3b)    
         Bruno Alves (2b)        
         Edgar Ié (2b)        

 

 

Notas: os números apontam para os jogadores que estarão a disputar uma das posições (o 1 refere-se a guarda-redes, o 2 a defesas e o 3 a médios/avançados). A notação a, b, c refere-se à ordem que eu coloco como a mais provável na escolha. a é o preferido, b o segundo e c o terceiro.

 

Para esclarecer as minhas opiniões sobre os jogadores que estarão a competir por um lugar: José Sá tinha vindo a jogar mas voltou ao banco. Será no entanto mais fiável que Bruno Varela. Ainda poderá aparecer aqui Beto. Nos centrais, penso que Rúben Dias poderá jogar. Tem a mesma frequência de jogos que Bruno Alves, mas num campeonato mais competitivo e tem experiência de jogos europeus. Edgar Ié tem jogado com frequência no Lille, mas pode também sofrer na comparação da qualidade de equipa. No meio-campo/ataque, a questão pode passar por qual a preferência de Fernando Santos. Se por um médio, penso que a escolha ideal seria Bruno fernandes, que tem tido um excelente campeonato com o Sporting. Mas estou convencido que quer Ronaldo a ponta de lança (mesmo que livre) e que preferirá ter Guedes dado que de outra forma apenas teria Gelson martins e Quaresma a extremos (e este último é mais eficaz saindo do banco). Ronny lopes seria interessante, com o campeonato que tem feito, mas duvido que vá à Rússia.

 

Esta lista depende obviamente de todos os jogadores estarem disponíveis e não terem lesões. Em caso de nenhuma indisponibilidade eu teria talvez colocado Ricardo Ferreira na lista dos centrais, mas lesionou-se recentemente. A lista também demonstra as poucas opções disponíveis em algumas posições. Os nossos centrais, com a potencial excepção de Rúben Dias, estarão todos na casa dos 30 (e não por pouco). Os laterais esquerdos preferenciais lesionam-se com frequência. Adrien Silva e André Silva têm jogado pouco. Bernardo Silva andava a jogar pouco mas recebeu alguns jogos recentemente. Para médios defensivos parecemos estar limitados a William e Danilo. Boas opções, sem dúvida, mas esperemos que nenhum se lesione até Junho.

 

Esta também não é necessariamente a minha lista. Eu preferiria levar Bruno fernandes e Ronny Lopes a Quaresma, talvez arriscasse levar um central menos e ter Cancelo ou Pizzi na lista devido à versatilidade. Não sei se levaria André Gomes ou José Fonte, que têm estado em muito má forma, mas as opções são reduzidas.

 

As esperanças

Portugal apanhará Espanha, Marrocos e Irão, por esta ordem de jogos. Ter a Espanha no início pode ser um perigo, especialmente se Portugal perder e ganhar nervos. Suponho que Santos irá jogar com cuidado, evitando perder (e talvez Lopetegui faça o mesmo) para poder vencer os dois jogos restantes (ou apenas um deles e empatando o outro) e apurar-se. O Irão, no último dia, pode ser também perigoso se Portugal necessitar de vencer. São especialistas a fechar a porta e nao é por acaso que se qualificaram antes de todas as outras equipas asiáticas (e das primeiras em geral). São sólidos e em Queiroz têm alguém que conhece a selecção portuguesa. Contra Marrocos o risco será na imprevisibilidade do meio-campo, embora o ataque seja menos forte. A defesa tem o excelente Benatia e o português Manuel da Costa. Creio que Portugal acabará por passar com 1 vitória e 2 empates em segundo lugar no grupo.

 

Se assim for, é muito provável que Portugal encontre o Uruguai nos oitavos, num encontro com alguns velhos conhecidos da liga portuguesa. Suárez e Cavani são temíveis e Godin e Benitez sólidos, mas os uruguaios terão uma equipa desequilibrada e creio que os portugueses podem vencer. Nos quartos de final apanharíamos o vencedor de um teórico França-Croácia, muito provavelmente a França. Nesses quartos de final creio que os franceses poderiam muito bem ser fortes demais para nós.

 

Quartos de final pode saber a pouco para os campeões europeus, mas com a principal estrela em declínio e uma equipa muito desequilibrada, não creio que fosse mau resultado. Espero no entanto que, se assim for, Portugal saia pelo menos com o "prémio do público" e jogue bom futebol. Sei que Fernando Santos almejará a mais, mas pessoalmente só aguentarei o futebol feio do último Europeu se Portugal chegar no mínimo às meias finais.

 

Campeão Mundial? Possivelmente a Alemanha. Tem a melhor combinação de jogadores de qualidade, banco, jogo de equipa, e variedade de opções (técnicas e tácticas). E muita experiência. logo atrás estarão a Espanha e a França, especialmente olhando para a qualidade dos jogadores. O Brasil fechará o lote dos principais favoritos. A partir daqui não vejo mais nenhuma equipa que se destaque, a não ser que Sampaoli faça milagres na preparação e Messi tenha finalmente o mundial maradoniano que os argentinos esperam há uma década. Daqui a 3 meses saberemos.

Coisas a resolver até ao Mundial

Felizmente que me enganei e que Portugal se qualificou sem engulhos para o Mundial. A Suíça ajudou, apresentando-se como uma equipa muito fraquinha que só não perdeu por bastante mais porque não calhou. Quem os apanhar nos play-off não se deverá preocupar por aí além.

 

Agora que Portugal está apurado, está na hora de começar a preparar o trabalho para uma competição de um mês onde haverá potencialmente 7 jogos (média de um jogo a cada 4 dias). Há certas áreas que Fernando Santos terá que definir depressa.

 

 

Também publicado aqui.

À porta do Mundial?

Andorra-Portugal

Aos 60 minutos do jogo do passado sábado com Andorra dei por mim a pensar que se Portuga não conseguisse vencer esse jogo, não mereceria ir ao Mundial (o empate teria utomaticamente enviado Portugal para o play-off). Nessa altura estávamos já na segunda parte e Fernando Santos tinha enviado a cavalaria na forma de Cristiano Ronaldo. Ao mesmo tempo tinha corrigido um enorme erro: começar o jogo com 3 jogadores que jogam na ala -Bernardo Silva, Gelson Martins e Ricardo Quaresma - decisão que terá sido a principal repsonsável pela exibição quase completamente inofensiva que Portugal teve na primeira parte.

 

Não se trata da qualidade de cada um dos jogadores. Qualquer um deles podia começar o jogo e eu não teria tido objecções a dois deles (embora eu preferisse sempre Quaresma presente para jogar na ala esquerda, onde é mais eficaz que os outros dois). Só que jogar com os 3 e adicionar-lhes dois laterais muito ofensivos era receita para congestionar a ala. Com a preferência de Bernardo Silva e Gelson Martins pela direita e com a maior capacidade de Nelson Semedo em subir e descer pelo flanco, acabámos por ver Portugal a tentar transformar a lateral ofensiva direita nas portagens da ponte 25 de Abril em hora de ponta. A certa altura julgo ter visto estes 3 e Quaresma num espaço de terreno não maior que 4 metros quadrados.

 

A partir deste momento foi fácil a Andorra defender: colocaram-se recuados, encheram a grande área e foram lidando calmamente com os cruzamentos. Com apenas André Silva dentro da grande área era fácil aos 284 defesas centrais andorrenhos marcá-lo. A solução, além da entrada de outro avançado, teria sido o uso de médios centro a entrar na área vindos de trás e a aproveitar cruzamentos atrasados. Neste aspecto teria sido um melhor uso de Nélson Semedo, que vai bem à linha fazer cruzamentos atrasados rasteiros mas está aquém de Cédric Soares na precisão de cruzamentos a partir de posições mais afastadas da área. Não por acaso os dois golos surgiram da adição de corpos na grande área adversária. No primeiro Ronaldo duplicou o número de jogadores a marcar e no segundo a presença de William Carvalho, vindo de trás, deu um alvo ao cruzamento de Ronaldo e permitiu confundir os andorrenhos.

 

No final o essencial foram os 3 pontos, mais que os golos, onde já estamos destacados o suficiente dos suíços para que seja um não-tema. Para este jogo faltará saber que Portugal iremos ver. Os suíços não têm grandes estrelas (Xhaka e Shaqiri são os mais conhecidos) mas têm um bom colectivo e vários jogadores de bom nível e com capacidade de oferecer consistência à equipa (Lichtsteiner, Rodriguez, Schär, Frei, Embolo, Mehmedi...). Têm tirado o máximo proveito de um grupo fraco e têm demonstado eficácia ao vencer até agora todos os seus jogos.

 

Em condições normais Portugal deveria vencer este jogo. O problema é que os portugueses são pouco pacientes e se após 20 minutos Portugal ainda não tiver marcado (ou estiver perto de o fazer) o público poder-se-à virar contra a selecção e fazer começar os assobios, assim aumentado a pressão. Pessoalmente tenho algum receio do que irá suceder se Cristiano Ronaldo não estiver ao seu melhor. Fernando Santos demonstrou ser finalmente capaz de retirar o máximo de Ronaldo (embora isso seja ajudado pela emergência de André Silva, que ofereceu finalmente um parceiro capaz de atrair algumas atenções de defesas), mas também tornou a equipa excessivamente dependente dele (e não vale a pena falar da final do Euro: foi um caso único - literalmente).

 

Titulares na terça feira serão provavelmente Patrício, Pepe, Cédric, Eliseu, William, João Mário, Bernardo, André Silva e Ronaldo. Depois ficará por saber quem será o segundo central e se jogará Quaresma (ou Gelson) ou Danilo (ou André Gomes). Na segunda questão trata-se de definir se Fernando Santos aposta num 4-4-2 com alas invertidos (Bernardo à direita e Quaresma/Gelson à esquerda) ou num falso 4-3-3 com Ronaldo a começar nominalmente no flanco esquerdo mas a ir para onde quer, com outro médio (André Gomes ou João Mário) a descair para a esquerda. Esta segunda parte seria provavelmente mais segura. A Suíça tem uma boa dupla na direita, com Shaqiri e Lichtsteiner a oferecerem qualidade no ataque e defesa, pelo que seria aconselhável fazer Lichtsteiner reduzir as investidas no flanco (com a ameaça de Ronaldo a descair para ali) e oferecer protecção a Eliseu contra Shaqiri (usando um dos médios). Além disso um jogador extra no meio campo ajudaria a combater o meio campo suíço e estabilizar uma zona onde os helvéticos esperarão poder controlar o jogo.

 

Amanhã veremos, mas para já vou para o jogo com expectativas algo em baixa. Ainda não vi nada da selecção que me dê segurança. Espero estar enganado.

Portugal na Taça das Confederações

No ano passado coloquei a questão: deve Portugal jogar para a vitória na Taça das Confederações ou simplesmente rodar jogadores e fazer cumprir calendário? A pergunta não era ociosa. Como se vê agora com a Alemanha, Joachim Löw decidiu-se pela segunda opção, fazendo alinhar jovens e alguns jogadores mais experientes que poderão não ter ainda a presença no mundial do próximo ano garantida a 100%. Fernando Santos, como sabemos, optou pela primeira opção: levar a equipa mais forte e tentar vencer a competição.

 

É uma opção lógica, tal como a alternativa o seria. Para uma equipa como a Alemanha, capaz de fazer alinhar uma segunda linha de jogadores e ainda ser candidata ao título, fazer descansar alguns jogadores seria sensível. Portugal, contudo, tem uma base de talento mais reduzida. Uma opção por descansar os jogadores mais experientes ou com mais jogos nas pernas acarretaria inevitavelmente maus resultados desportivos. Era uma opção de tudo ou nada.

 

 

 

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