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Comentador de Bancada

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Real Madrid 3 - 1 Liverpool

Depois de dois posts a reflectir sobre o que seria a final da Liga dos Campeões, acabámos com um jogo que, a título pessoal, perdeu muito do interesse por volta dos 30 minutos, ou seja, quando Mohammed Salah saiu lesionado. Comecemos no entanto pelo fim do meu último post: previ uma vitória do Liverpool por 4-2 e o resultado foi uma vitória do Real Madrid por 3-1. Para isso contribuíram alguns factores distintos.

 

 

Segunda antevisão da final da Liga dos Campeões

Na verdade, não muito a adicionar ao que escrevi há duas semanas. O principal novo aspecto é a melhoria de forma de Bale, que leva a pensar se ele não começará o jogo, ou no lugar de Isco ou no de Benzema. Não creio que Zidane abdique de Isco dado ser o melhor jogador a explorar o espaço entre defesa e meio-campo adversários. Seria mais provável que abdicasse de Benzema, mas penso que isso seria um erro. Bale não tem a mesma capacidade de Benzema para jogar no centro. Prefere ficar encostado à linha e flectir para o centro, de forma a criar desequilíbrios ou rematar de longe. Só que isso poderia trazê-lo para os terrenos de Isco e complicar o futebol rendilhado do espanhol, para o qual Benzema é melhor opção.

 

Do lado do Liverpool, enfrentar Bale levaria no entanto a um dilema para a defesa e meio-campo: manter as posições e arriscar que Bale aproveite os espaços, dedicar-lhe a atenção de Milner e reduzir a presença no meio-campo (dois homens do Liverpool para 3 ou 4 do R. Madrid), ou arriscar que Robertson e van Dijk são suficientes para lidar com o galês? Penso que Klopp não se adaptará extensivamente. O Liverpool tem um estilo de jogo que é o que funciona e Klopp joga para as suas forças, não para minimizar as suas fraquezas. O Liverpool jogará provavelmente muito subido, pressionando intensamente a defesa e meio campo do Real e tentado aplicar o seu concento de gegenpressing, ganhando as bolas e tentando chegar o mais depressa possível ao golo. Na defesa o objectivo será o de tentar obter a bola e lançá-la rapidamente para os flancos para Salah e Mané a perseguirem e aproveitarem o (provável) adiantamento de Carvajal e Marcelo.

 

É quase impossível fzer uma boa previsão do resultado de amanhã. Mesmo que uma das equipas marque cedo, não creio que haja muita mudança no teor do jogo. O Liverpool quase de certeza não mudará o estilo de jogo independentemente de se ver a vencer ou perder, por isso o Real Madrid também não o fará. Mas arrisco um prognóstico polémico: 4-2 para o Liverpool, com os golos do Real Madrid a chegarem tarde no jogo. Como qualquer prognóstico vale o que vale e está provavelmente completamente errado. Amanhã veremos o quanto.

Primeira antevisão da final da Liga dos Campeões

Há pouco tempo li que o Real Madrid seria difícil de antecipar e que por isso mesmo o Liverpool teria dificuldade em ter um plano efectivo contra os espanhóis na final da Liga dos Campeões. Pessoalmente discordo muito dessa perspectiva, não porque esteja errada na análise mas porque erra a conclusão. É que o Real Madrid é tão imprevisível quanto o Liverpool será previsível.

 

 

Meias finais da Liga dos Campeões (2ª mão)

Real Madrid 2 - 2 Bayern de Munique (4 - 3 no total das duas mãos)

Como tinha escrito na semana passada, o Real Madrid tem neste momento uma aura de inevitabilidade quando joga na Liga dos Campeões. O jogo desta terça-feira ajudou a mantê-la e, mais ainda, a reforçá-la. Mais ainda que no jogo da 1ª mão, o jogo de Madrid trouxe um Bayern completamente dominante e capaz de penetrar com imensa facilidade na defesa dos espanhóis. O sistema de jogo que Jupp Heynckes levou para este jogo foi em tudo idêntico ao que teve em Munique a partir do momento em que Robben saiu lesionado. As única diferenças foram as entrada de Niklas Süle e Corentin Tolisso para o lugar dos lesionados Boteng e Martinez e o regresso de Alaba depois de lesão.

 

No lado do Real Madrid tivemos a surpresa da ausência de Casemiro do onze inicial e vimos algumas outras mudanças, como Lucas Perez a defesa direito (como tinha terminado o jogo da semana passada) e Modrić essencialmente a médio direito. A médio defensivo estava Kovačić, um jogador que no passado era mais um médio ofensivo mas que em Madrid tem vindo a ser obrigado a aprender tarefas defensivas para poder ter tempo de jogo. A sua presença foi um problema para o Real Madrid, que perdeu a presença de Casemiro em frente da defesa e deu imenso tempo a James Rodriguez e a Thiago para procurar espaços e distribuir jogo.

 

No lado esquerdo, Marcelo tinha teoricamente a presença de Asensio para o ajudar a lidar com Müller e Kimmich, mas a verdade é que Asensio passou ao lado do jogo, flectindo constantemente para o centro do terreno e deixando o flanco desguarnecido. Kimmich esteve sempre à vontade para subir como quis e dar largura pelo seu flanco, o que se viu também com o seu golo. Já Müller passou o jogo desmarcado, parecendo que tinha um campo de forças em sua volta que não permitia a aproximação de defesas. A única coisa que surpreendeu foi não ter conseguido marcar um golo.

 

O lado esquerdo do Bayern foi o flanco com uma combinação difícil de travar: Ribéry dribla, passa e cria e Alaba sobe, dando largura e ocupando o lateral. O Real passou o jogo a tentar lidar com esta ameaça e nunca o conseguiu fazer de forma convincente.

 

Os golos vieram de três erros. No primeiro, o erro foi de Sergio Ramos  e no segundo o erro foi de Alaba. No terceiro... Bom, quanto menos se falar de Ulreich neste caso melhor. O guarda redes alemão não esteve mal, mas aquele tipo de erro não é só proibido, é impensável a este nível. Dois erros clamorosos (Rafinha na primeira mão e de Ulreich nesta) decidiram a eliminatória. O Real Madrid aparentou ser muito frágil, mas também que se é necessário ganhar com sofrimento... sabe fazê-lo.

 

Roma 4 - 2 Liverpool (6 - 7 no total das duas mãos)

Golos, golos golos. Foi um jogo entre uma equipa que ganha marcando mais que o adversário e uma equipa que tinha que marcar obrigatoriamente 3 golos no mínimo para se poder apurar. Isso abriu imenso o jogo e permitiu aos avançados brilharem.

 

Eusebio Di Francesco neste jogo abandonou a ideia dos 3 centrais. Foi claro que tinha sido uma má ideia na primeira mão e nesta decidiu avançar para o seu 4-3-3 preferido. Foi no entanto um 4-3-3 atípico, onde jogou com dois avançados centro (Schick e Džeko) e um avançado mais encostado à esquerda (El Sharaawy, embora com liberdade para vaguear). A largura pela direita era dada com as subidas de Florenzi e com a cobertura de Nainggolan, o que no entanto abriu espaços atrás. Não foi então de espantar que fosse por este flanco que o liverpool marcasse o primeiro golo, com um erro de Nainggolan e Mané a ficar liberto para o 0-1. A táctica fazia no entanto algum sentido, com a ideia de ocupar os dois centrais do Liverpool, sabendo que se Džeko ficasse sozinho perante eles, van Dijk poderia marcá-lo e minimizar os erros. Com Schick a ocupar o holandês, Džeko caía para a zona de Lovren e obrigava-o a escolher entre manter a posição e deixar o bósnio sozinho, ou ir atrás dele e abrir espaços atrás.

 

Este é um problema frequente para o Liverpool. Com 3 médios centro muito semelhantes mas nenhum médio especificamente mais defensivo, a defesa fica muito exposta a jogadores que explorem o espaço entre a defesa e o meio campo. A solução é avançar a equipa para reduzir os espaços, mas isso abre espaço atrás da defesa. Contra a Roma no entanto isso não foi tão problemático dado que nem Schick nem Džeko são muito rápidos. El Sharaawy no entanto ofereceu muitos problemas a Alexander-Arnold e encontrou frequentemente espaço entre linhas e na zona entre Alexander-Arnold e Lovren.

 

A Roma no entanto perdeu muito por não marcar o primeiro golo e por ter cometido os erros que deram os dois golos que permitiram ao Liverpool ir para os balneários na frente. Na segunda parte corrigiram um pouco o posicionamento, Džeko tornou-se mais móvel e passou a noite a atormentar a defesa e, por fim, com a entrada de Ünder e a mudança do desenho táctico para algo mais semelhante a um 4-2-4, o Liverpool ficou extremamente exposto aos ataques da Roma. O Liverpool nunca deixou de atacar, mas com a Roma a empurrar o Liverpool para perto da sua área, os 3 homens da frente ficaram mais sós e a Roma pôde arriscar dar-lhes mais espaço. Na verdade, nada perdiam.

 

No fim a Roma acabou por ter uma muito meritória vitória no jogo que não chegou para a eliminatória. A sua aventura europeia chegou ao fim graças a um erro táctico na primeira mão e a dois erros (um individual e outro colectivo) na segunda. Se continuarem a evoluir, os italianos não serão adversários muito apetecíveis para a próxima época. Especialmente porque há poucos jogadores nesta equipa que sejam automaticamente desejados pelos gigantes europeus - as vitórias foram fruto de excelente trabalho colectivo.

 

Já o Liverpool terá de jogar o seu jogo habitual na final contra o Real Madrid. Não tem verdadeira alternativa ao seu onze inicial devido a lesões e a limitações do plantel, pelo que há poucas escolhas tácticas. Depende tudo de deixar os seus 3 avançados brilhar. Se o conseguirem poderão vencer um Real algo frágil. Caso contrário, a inevitabilidade madrilena voltará a surgir.

Meias finais da Liga dos Campeões (1ª mão)

As primeiras mãos das meias finais da Liga dos Campeões estão jogadas e temos já duas equipas em excelente posição para vencerem a competição. Por curiosidade são também duas do top 5 com maior número de troféus na competição.

 

Liverpool 5 - 2 Roma

O jogo resume-se numa frase: completo falhanço táctico de Eusebio Di Francesco. Um normal apologista do 4-3-3, tinha-o abandonado para a segunda mão do jogo contra o Barcelona na eliminatória anterior. Na altura o 3-5-2 com linha elevada e pressão alta resultaram na perfeição e o Barcelona perdeu 3-0, sendo eliminado pela regra dos golos fora de casa. A táctica tinha funcionado porque o Barcelona está a jogar esta época num 4-4-2 muito afunilado, onde a largura de jogo é dada pelos laterais. Com o 3-5-2 di francesco tinha conseguido lidar com Messi e Suárez jogando 3 contra 2 atrás e tinha usado os laterais (muito ofensivos e subidos) para empurrar os laterais adversários para trás, evitando assim uma opção de sair a jogar pelos flancos. Aceitou nessa altura ter um jogador a menos no centro do campo porque os catalães jogavam com pouca intensidade e porque era sempre possível ultrapassar essa zona com bolas longas para os dois avançados, Džeko e Schick, altos, fortes e capazes de segurar a bola.

 

A táctica funcionou perfeitamente e a Roma conseguiu ir marcando os golos suficientes para vencer a eliminatória. Foi um triunfo correctamente elogiado pelo lado táctico e como demonstrava que a táctica correcta pode vencer um jogo ou uma eliminatória.

 

Da mesma forma, o jogo de terça-feira demonstrou como a táctica errada pode resultar no oposto. Contra o Liverpool Di Francesco escolheu exactamente a mesma táctica, com a única diferença de jogar com Ünder no lugar de Schick. O problema é que onde o Barcelona joga sem largura, com apenas dois avançados relativamente lentos e não tem muita intensidade, o Liverpool joga com jogadores encostados às linhas laterais, tem 3 avançados muito rápidos e é provavelmente a equipa mais feroz na Europa a aplicar pressão alta.

 

Isto não quer dizer que a táctica não funcionasse. O início do jogo trouxe problemas ao Liverpool. Os ingleses não têm nenhum jogador capaz de distribuir o jogo a partir de trás e enfrentaram dificuldades ara ultrapassar a pressão dos romanos. Só que para jogar com tal táctica contra o Liverpool, é necessário manter enorme disciplina táctica e ter energia para longos períodos, além de ser necessário ter os jogadores ideais para as tarefas necessárias. Não foi o caso da Roma, com 3 centrais altos, lentos e sem grandes qualidades de condução de bola. Além disso o jogador encarregue de os apoiar era De Rossi, que já tem 34 anos. Com tudo isto, esta opção foi um autêntico brinde para o Liverpool.

 

O que vimos depois desse início desconfortável para o Liverpool foi que viram o enorme espaço em frente de Salah, Firmino e Mané e começaram a lançar bolas longas, ultrapassando a pressão italiana e lançando Jaguares contra Fiats. Com Salah e Firmino na forma em que estão (este último recebe menos atenção que o egípcio mas é o jogador chave do ataque do Liverpool) nem foi necessário Mané estar em forma (deveria ter saído com pelo menos dois ou três golos). Salah saiu com 2 golos e 2 assistências e Firmino o mesmo. O Liverpool marcou 5 mas ficou a sensação que poderiam e deveriam marcar cada vez que ultrapassavam o meio campo em velocidade (ou seja, a cada 2 minutos).

 

A realidade é que o Liverpool não fez um grande jogo. Não teve grande controlo no meio campo até já estar pelo menos a 3-0 e a defesa sentiu-se sempre desconfortável. Só que perante os brindes romanos também não precisou de o fazer. Os dois golos da Roma no final poderão deixar a impressão que os italianos poderão novamente recuperar em casa, mas ninguém acredita que, perante o que se viu em Liverpool, a Roma mantenha o seu registo de não sofrer golos em casa nesta edição da Liga dos Campeões. Mesmo se voltarem ao 4-3-3, é improvável (para dizer o mínimo) que o Liverpool não marque um ou dois golos em contra-ataque em Roma. Klopp pode começar a pensar na final.

 

Bayern de Munique 1 - 2 Real Madrid

Um jogo estranho. Um resultado de 5-2 para o Bayern teria sido lógico perante o que vimos, mas o resultado final não espanta. O Real Madrid tem actualmente uma aura de inevitabilidade (mais que de invencibilidade) na Liga dos Campeões que dá a sensação que, por muito mal que joguem, podem sempre ultrapassar os adversários.

 

O jogo foi técnica e tacticamente fraco. Muitos maus passes, opções erradas de jogadores e treinadores (embora Heynckes tivesse menos soluções dado o número de lesões que tinha antes e teve durante o jogo) e golos a resultar de erros clamorosos. Comecemos pelos golos. O dos alemães surgiu por Isco - nominalmente a começar como médio esquerdo - ter ido para o centro e Marcelo ter dado a impressão de se dirigir ao bar para beber um cafézinho. Kimmich subiu sem oposição num flanco esquerdo madridista a fazer lembrar o filme Lawrence da Arábia e marcou quando Navas se lançou para um cruzamento que nunca chegou. O golo de Marcelo resultou de umas carambolas em frente da defesa do Bayern que deveria ter despachado a bola sem complicações. O golo de Asensio acabou por resultar de um momento de paragem cerebral de Rafinha, que entregou ao espanhol a bola e que, depois de uma troca com Lucas Pérez, marcou o golo sozinho perante Ulreich. Nenhuma destas observações serve para atacar os golos em si, todos eles muito bem marcados com excelentes remates, mas toda a sua construção resultou de erros clamorosos.

 

No resto do jogo vimos o Bayern a penetrar com alguma facilidade a defesa do Bayern e a falhar vários golos. Ribéry particularmente deve ter deixado os rins de Carvajal em geleia e o defesa espanhol deve ter agradecido a lesão para poder descansar da tareia. De permeio vimos Navas salvar alguns golos, Müller e Lewandowski a falhar golos de forma estranha, uma defesa madridista que parecia um conjunto de solteiros e casados em bolas paradas. Só surgiu algum equilíbrio quando Zidane finalmente reconheceu que a melhor solução defensiva era mudar a configuração ofensiva. A entrada de Asensio para o flanco esquerdo abrandou Kimmich e a de Benzema (com Ronaldo a descair para a esquerda e Asensio agora na direita) finalmente controlou as subidas pelos flancos e reduziu o risco.

 

Não devemos esquecer a influência que as lesões tiveram nas opções de Heynckes em mudar o jogo a partir do banco. Thiago teve de entrar cedo para o lugar de Robben (ver o holandês perante Marcelo é sempre apetecível), Süle foi obrigado a render Boateng e, já na segunda parte, foi necessário ver Tolisso a render Martinez, que parecia algo afectado por alguma pancada na cabeça. Foi no entanto interessante ver o tandem de Thiago e James Rodriguez a abrir buracos no meio campo do Real Madrid com os passes e a qualidade técnica que têm e fiquei sempre com pena de não ver Robben na direita a oferecer mais uma opção de passe e a esticar a defesa dos espanhóis.

 

Se há alguma coisa que dá a sensação que o Real Madrid está na pole position para chegar à final é precisamente o facto de chegarem a essa posição sem terem jogado bem. Fazem-no tantas vezes que a tal sensação de inevitabilidade se vai apoderando dos adversários. No entanto há duas estatísticas que poderão dar consolo aos alemães: foi o primeiro jogo de Ronaldo na Liga dos Campeões nesta época em que marcou e, mais relevante ainda, não conseguiu sequer registar um remate à baliza. O Bayern tem de marcar dois golos no Bernabéu, mas se melhorar a pontaria em relação à primeira mão, é tarefa que não parece ser de maneira nenhuma inalcançável.

 

Daqui a uma semana veremos o resto.

 

Previsão da final: Juventus - Real Madrid

A final de amanhã da Liga dos Campeões promete ser das mais interessantes dos último anos. Será preciso recuar a 2008/09 para encontrar uma final onde as duas equipas mais fortes da competição se terão encontrado (Barcelona, que venceu 2-0 o Manchester United) como neste ano.

 

O Real Madrid vem de um ano onde Zidane surpreendeu (quase) toda a gente como treinador. Se havia muitos que duvidavam do seu sucesso na Liga dos Campeões do ano passado, este ano conseguiu vencer a liga e regressar à final, sendo a primeira equipa desde o Manchester United em 2008/09 a ter a possibilidade de defender um título e assim quebrar a maldição da competição (desde que terminou o formato da antiga Taça dos Campeões com a época de 1991/92) de nenhuma equipa conseguir reter o título (a última equipa que o conseguiu foi o AC Milan em 1988-90). Aquilo que Zidane trouxe ao Real Madrid mede-se menos em termos de inovações ou brilhantismos tácticos e mais na forma como gere a equipa (mais abaixo). Nada de espectacular na forma, mas silenciosamente eficiente levando a resultados fantásticos (um pouco como o jogador Zidane).

 

A Juventus conseguiu incrivelmente evoluir para lá da equipa que tinha perdido a final com o Barcelona há dois anos, mantendo apenas Buffon e Bonnucci nos dois 11 iniciais (entre o de então e o mais provável de amanhã). Chiellini, Barzagli, Lichtsteiner, Marchisio e Sturaro ainda fazem parte do plantel da Juventus, mas ou não iniciaram o jogo em 2015 ou não o iniciarão amanhã. No entanto, e apesar da perda de Prilo, Vidal, Pogba, Morata, Tevez ou Evra, a Juventus está indubitavelmente mais forte, ainda mais equilibrada e flexível que há dois anos. Este ano conseguiu sofrer apenas 3 golos em toda a competição e apenas um na fase de grupos, contra o Mónaco na segunda mão de uma eliminatória que estava já quase decidida. É uma equipa que parece estar confirtável a defender e a atacar e tem múltiplas formas de atacar colectivamente os seus oponentes e oferece um equilíbrio único.

 

 

Sem sucessores para o trono

Foi há dez anos que um jogador não chamado Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi venceu pela última vez a Bola de Ouro (na versão só da France Football ou associada à FIFA). Estávamos em 2007 e Kaká tinha acabado de guiar o AC Milan à vitória na Liga dos Campeões. Abaixo dele ficaram nesse ano Ronaldo e Messi. Depois disso, um deles venceu o troféu e apenas em 2010 o outro não ficou no segundo lugar (quando Messi venceu o troféu e Xavi e Iniesta, acabados de levar a Espanha ao título mundial, ficaram no pódio).

 

Este domínio é completamente sem precedentes e será difícil que se repita. Sem precedentes porque raramente dois jogadores estiveram tão acima dos seus contemporâneos e mrcaram o jogo de forma tão brutal. Também porque nos períodos em que houve situações semelhantes (nos anos 50 com Puskas e Di Stefano, nos anos 70 com Cruijff e Beckenbauer, por exemplo), ne o domínio era tão intenso nem havia uma exposição mediática tão extensa e tão focada nos momentos de brilhantismo destes jogadores. Efectivamente, tão importante como os seus talentos e desejo de vencer é o apouio mediático que os jogadores recebem dos seus clubes e do seu staff, cientes que estão da mina de ouro que possuem.

 

 

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